Reação do governo brasileiro é valorosa, e regime não está em risco, diz embaixador do Irã no Brasil
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira (2) que a reação do governo brasileiro aos ataques americanos e israelenses foi "valorosa", e disse que a operação militar não coloca em risco o regime no país persa.
"A gestão e administração do país está em vigor de forma plena", afirmou Nekounam, em coletiva de imprensa na Embaixada do Irã em Brasília, segundo tradução oferecida pela própria missão diplomática.
"Vemos essa ação da parte do governo brasileiro como uma ação valorosa, que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e também à independência dos governos".
Na conversa com jornalistas, o embaixador deu destaque à morte de 170 meninas que o regime iraniano diz terem sido vítimas de bombardeio em uma escola feminina no sul do Irã, e sustentou que as relações com países vizinhos como Catar, Jordânia e Kuwait não foram afetadas pelos ataques retaliatórios iranianos.
"Não há nenhum desentendimento com nossos países vizinhos", disse. Segundo ele, os alvos das ações iranianas são EUA e Israel.
Uma operação militar conjunta de Estados Unidos e Israel matou no último sábado (28) o líder supremo do Irã, aiátolá Ali Khamenei. Ele foi alvo de um bombardeio aéreo enquanto se reunia com chefes miliares em Teerã –boa parte da cúpula militar também morreu no ataque.
Os bombardeios continuaram no domingo (1º), assim como os ataques retaliatório iranianos em alvos israelenses e bases americanas na Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia.
O governo brasileiro reagiu ao conflito afirmando que "a escalada de hostilidades na região do Golfo representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance".
"Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis", diz nota emitida pelo Itamaraty.
A chancelaria brasileira também se solidarizou com países vizinhos ao Irã atingidos pelos ataques retaliatórios. Na conversa desta segunda-feira (2), o embaixador do Irã não respondeu se esperava uma posição mais enérgica do governo brasileiro.
Por Marcos Hermanson/Folhapress
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