Prisão de Vorcaro aborrece PGR e gera descompasso entre Gonet e Mendonça
Determinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a ordem de prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aborreceu a cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Mendonça discordou do procurador-geral, Paulo Gonet, que pediu mais tempo para analisar o pedido de prisão do ex-banqueiro, nesta quarta-feira (5).
O descompasso, que ficou público na decisão de Mendonça, pode acabar gerando ruídos ao longo da instrução do processo, segundo relatos feitos à Folha por quem acompanha a investigação.
Isso porque a PGR é o órgão que detém a atribuição exclusiva de denunciar os envolvidos nas fraudes, e, se o procurador-geral entender que há falhas ou lacunas nas apurações, esse desfecho pode ser adiado.
Interlocutores de Gonet afirmam que o prazo dado pelo relator para que a PGR se manifestasse sobre os pedidos da PF (Polícia Federal) foi exíguo diante do volume de material.
Além disso, interlocutores afirmam que, pelo que foi possível examinar, as mensagens em que Vorcaro fala em um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, eram de 2025, o que afastaria a indicação de perigo iminente.
Gonet afirmou que precisava de mais tempo para analisar os relatórios, disse que antes disso não poderia ser favorável aos pedidos cautelares da PF e pediu que Mendonça aguardasse a sua manifestação, "a ser enviada no mais breve tempo possível".
O ministro, entretanto, negou o pedido, entendeu que as medidas eram urgentes e determinou as prisões e os mandados de busca e apreensão. Disse, ainda, lamentar o posicionamento da PGR.
"Lamenta-se porque as evidências dos ilícitos e a urgência para a adoção das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da PF e no curso desta decisão", disse Mendonça.
De acordo com auxiliares de Gonet, uma das três petições chegou ao gabinete do procurador-geral no sábado, com prazo de 72 horas para manifestação. As outras duas chegaram apenas na segunda-feira, cada uma com prazo de 24 horas. Cada relatório tinha mais de 700 páginas.
O PGR disse a Mendonça que os prazos eram de "impossível atendimento", mas o ministro citou "concreta possibilidade de se prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de cidadãos comuns".
O relator também mencionou "indicativos de ter havido acesso indevido dos sistemas sigilosos da Polícia Federal, do próprio Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol".
Por Luísa Martins/Folhapress
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