Carnaval expõe riscos da mistura de álcool e energético

Combinação comum nas festas do verão baiano pode causar arritmias, desidratação e colapsos cardíacos
No calor intenso do verão soteropolitano, com festas de largo, ensaios e o Carnaval tomando conta das ruas, uma mistura aparentemente inofensiva coloca muitos foliões em risco: bebida alcoólica com energético. Popular entre jovens e adultos que querem “virar a noite”, a combinação pode mascarar os efeitos do álcool e provocar desde mal-estar súbito até complicações cardíacas graves, interrompendo a festa bem antes da última música.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o consumo abusivo de álcool está associado a mais de três milhões de mortes por ano no mundo, muitas delas relacionadas a eventos cardiovasculares. Estudos internacionais apontam que a associação com energéticos aumenta de forma significativa o risco de taquicardia, arritmias e picos de pressão arterial, sobretudo em ambientes de calor intenso e esforço físico prolongado, como ocorre durante o Carnaval.

Efeito enganoso no organismo
Segundo a cardiologista Marianna Andrade, coordenadora do serviço de Cardiologia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), o maior perigo da mistura está no efeito mascarador do energético. “A cafeína e outros estimulantes fazem a pessoa se sentir mais desperta, reduzindo a percepção da embriaguez. Isso leva ao consumo excessivo de álcool sem que o organismo consiga sinalizar seus limites”, explica.

A médica alerta que o impacto sobre o coração pode ser imediato. “Essa combinação aumenta a frequência cardíaca, eleva a pressão arterial e favorece arritmias, inclusive em pessoas jovens e sem diagnóstico prévio de doença cardíaca”, afirma.

Calor e multidão aumentam o perigo

Durante o Carnaval, os riscos se intensificam. Longas horas em pé, desidratação, pouco descanso e exposição ao calor elevam o estresse cardiovascular. “O álcool já desidrata. Associado ao energético, o efeito é potencializado, comprometendo a circulação e sobrecarregando o coração”, destaca Marianna Andrade.

Casos de desmaios, palpitações, dor no peito, falta de ar e crises de ansiedade são comuns nos serviços de emergência nesse período. “É frequente atender pacientes que passaram mal durante a festa sem imaginar que a mistura foi o principal gatilho”, relata.

Como curtir a folia com mais segurança

Para aproveitar o Carnaval sem comprometer a saúde, a recomendação é clara: “além de evitar a mistura, é importante intercalar o consumo de bebida alcoólica com água, alimentar-se bem, respeitar seus limites e descansar bem. Afinal, a festa passa, mas as consequências podem ficar”, alerta a cardiologista Marianna Andrade. “A folia deve terminar em boas lembranças, não em atendimento de emergência. Cuidar do coração também faz parte do Carnaval”, conclui a médica.

Assessoria de Imprensa: Cinthya Brandão – (71) 99964-5552
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