Pressionado, Ibaneis estuda aporte ou empréstimo do FGC com garantia do DF ao BRB e convoca reunião
Governador chamou a base aliada para encontro na próxima quinta-feira, 29, para tentar dirimir a crise e já negociar a solução para o banco estatal
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| Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo |
O governo do Distrito Federal avalia fazer um aporte no Banco de Brasília (BRB) ou oferecer garantias para que a instituição busque um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e cubra possíveis prejuízos com o Banco Master.
O valor do aporte ou do empréstimo ainda não está definido. O Banco Central enviou um ofício ao BRB determinando provisão de R$ 2,6 bilhões para reequilibrar o balanço após a compra de carteiras de crédito falsas do Master.
Procurados, o governo do DF, o BRB e o FGC não se manifestaram.
A pressão sobre o governador Ibaneis Rocha (MDB) aumentou após o Estadão revelar que o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com o governador do DF sobre a venda do Banco Master ao BRB, incluindo em sua casa. O governador confirmou que se reuniu com o banqueiro, mas negou ter tratado sobre a negociação.
A oposição preparou um pedido de impeachment contra o governador por conta do depoimento de Vorcaro. Ibaneis chamou uma reunião com a base aliada para a próxima quinta-feira, 29, para tentar dirimir a crise e já negociar a solução para o BRB, que, a depender da proposta, terá que passar pela Câmara Legislativa do DF.
A estratégia do BRB é recompor capital. Os investigadores suspeitam de fraude na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master adquiridas pelo Banco de Brasília durante as negociações.
As alternativas na mesa
Segundo apurou a reportagem, os recursos para o BRB poderão vir do governo do Distrito Federal ou de outras negociações, como a venda de uma carteira de empréstimos com garantias da União negociada com os bancos Itaú e Bradesco, como o Estadão revelou.
O aporte governamental já estava na mesa, mas uma nova opção começou a ser discutida e considerada mais benéfica por auxiliares do governador Ibaneis Rocha (MDB): o BRB buscaria um empréstimo por meio de uma uma linha de liquidez do FGC oferecendo ativos do governo do DF como garantia.
O FGC possui um Fundo de Resolução para oferecer assistência e suporte financeiro aos bancos associados, como é o caso do BRB. Nesse caso, o fundo concederia um empréstimo para o Banco de Brasília, que por sua vez ofereceria as garantias para assegurar o pagamento da dívida. Os deputados distritais precisariam aprovar a concessão desse aval.
O governo Ibaneis estuda oferecer como garantia imóveis e ações da Companhia Energética de Brasília (CEB). Interlocutores do governador dizem que o empréstimo representaria um risco menor para o FGC do que o acionamento das garantias para investidores em uma situação extrema como liquidação ou federalização. A proposta final, porém, não está fechada.
Nos últimos dias, Ibaneis tem dito que o governo do Distrito Federal possui R$ 200 bilhões em imóveis que poderiam ser vendidos para bancar o aporte no BRB. Agora, esses imóveis também são avaliados como garantias para um empréstimo.
Por Daniel Weterman/Estadão
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