Irã acusa Donald Trump de incitar violência e incentivar desestabilização política

Embaixador envia carta ao Conselho de Segurança da ONU em que responsabiliza EUA e Israel por 'perda de vidas civis'

O Irã acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (13), de incentivar a desestabilização política, incitar a violência e ameaçar a soberania, a integridade territorial e a segurança nacional do país, escreveu o embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, ao Conselho de Segurança da organização.

"Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela consequente perda de vidas civis inocentes, particularmente entre os jovens", escreveu ele na carta, que também foi enviada ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Homem de cabelos grisalhos e óculos fala em púlpito com símbolo da ONU. Fundo azul exibe logotipos do Conselho de Segurança em inglês e francês.Homem de cabelos grisalhos e óculos fala em púlpito com símbolo da ONU. Fundo azul exibe logotipos do Conselho de Segurança em inglês e francês.
Embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, em evento na sede da organização, em Nova York - Eduardo Munoz/Reuters

Ele escreveu a carta em resposta a uma publicação de Trump nas redes sociais feita no início desta terça.

O americano afirmou que cancelou qualquer diálogo com autoridades iranianas e incentivou manifestantes iranianos a "tomarem as instituições", em mais um sinal de apoio americano aos grandes protestos que tomaram as ruas de diversas cidades do país persa e já somam 2.000 mortes, pelas contas da ONG de direitos humanos Hrana.

"Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR —TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que essa matança sem sentido de manifestantes ACABE. AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]", escreveu Trump na rede Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.

Em outro indicador de que os protestos são reprimidos de forma brutal, entidades afirmaram que Teerã deverá executar, nesta quarta-feira (14), um manifestante preso. Se concretizada, essa será a primeira execução desde o início dos atos.

Em entrevista à CBS News, Trump também comentou essa possibilidade e prometeu retaliação. "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas… Tomaremos medidas muito duras se fizerem algo assim", disse o presidente americano, sem dar mais detalhes.

A contagem de ao menos 2.000 mortos expõe um aumento significativo nos últimos dias da repressão ao movimento iniciado em 28 de dezembro, quando então era apenas uma insatisfação de comerciantes do Bazar de Teerã com a desvalorização do rial, a moeda local, e a inflação crescente. No começo do domingo (11), as estimativas ainda estavam entre 100 a 200 vítimas, subindo para 500 ao fim da noite. Agora, a cifra já é o quádruplo de dois dias atrás.

Teerã não divulga balanço oficial de mortos, sejam manifestantes ou membros das forças de segurança, mas o mesmo número de 2.000 vítimas já havia sido passado à agência Reuters por um funcionário do próprio regime, culpando o que chamou de terroristas pela escalada da violência.

Por Folhapress

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