Centrão se divide, vira página sobre Tarcísio e testa candidatura alternativa na direita
Antes entusiastas de uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência, partidos do centrão passaram pela fase do luto e hoje estão conformados com a permanência do governador em São Paulo para tentar a reeleição.
Dirigentes de siglas como PSD, União Brasil, PP e Republicanos, ouvidos pela Folha, trabalham atualmente com um cenário eleitoral que considera irreversível a presença de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto.
A admissão do cenário em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será candidato, porém, não significou até agora uma adesão formal dessas legendas à candidatura de Flávio. Pelo contrário, há uma resistência que impulsionou os partidos a articular um nome alternativo na direita.
O PSD, um dos primeiros a entender que não poderia contar com uma candidatura de Tarcísio à Presidência, deu seu principal sinal de resignação ao anunciar a filiação do governador Ronaldo Caiado (GO) na terça-feira (27). O goiano tem dito que não abre mão de concorrer à Presidência e chega como uma garantia de que a sigla terá um candidato próprio.
Os outros dois pré-candidatos à Presidência da sigla, os governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), não oferecem certezas de que manterão o projeto nacional. O primeiro não entusiasma colegas fora da região Sul, por não ter adesão de lulistas ou bolsonaristas, enquanto o segundo enfrenta problemas no Paraná.
A decisão do PSD de lançar um presidenciável parte da premissa de que Tarcísio não será candidato à Presidência. Caso contrário, o partido estaria na coligação do governador, conforme afirmou o presidente da legenda, Gilberto Kassab, à Folha.
Dirigentes do PSD dizem que o objetivo é tentar desidratar a candidatura de Flávio e chegar ao segundo turno. Caso isso não ocorra, não há decisão a respeito de apoio ao presidente Lula (PT) ou ao filho de Bolsonaro. A tendência, afirmam integrantes da sigla, é a neutralidade, como ocorreu na última eleição.
Para o governo Lula, o melhor seria ter uma pulverização maior de candidaturas de direita. Mas, por ora, aliados do presidente ainda não calcularam qual será o impacto real desse movimento de Kassab.
Entre dirigentes do centrão, apenas o presidente do PP, Ciro Nogueira, deu sinalizações públicas de eventual apoio a Flávio, mas a federação União Progressista, formada com o União Brasil, não bateu o martelo. Nos bastidores, Ciro passou a pregar cautela e defende aguardar para decidir se embarca na campanha do senador.
Ao mesmo tempo, essas siglas tampouco demonstram interesse em apoiar Lula no primeiro turno, apesar de contarem com ministérios e cargos no atual governo. O Planalto, por ora, se satisfaz com a tendência de independência de parte dessas siglas, sem adesão total a Flávio.
Inicialmente, líderes do centrão tentaram manter Tarcísio no páreo para disputar a Presidência, mesmo após Bolsonaro escolher o filho. O entendimento atual do grupo, principalmente após o recente atrito com a família do ex-presidente, é que o governador não confrontaria o ex-chefe para disputar o Planalto.
Parte dos dirigentes faz a ressalva, contudo, de que ainda pode haver mudanças e que a política é dinâmica.
A candidatura do PSD deu aos partidos de oposição a Lula uma terceira alternativa, além da neutralidade ou do apoio a Flávio. Nesta quarta-feira (28), durante evento em São Paulo, Caiado afirmou que o PSD vai buscar o apoio de todos os partidos da centro-direita, mencionando MDB, Republicanos, PP e União Brasil.
A federação União Progressista já não considera Tarcísio na sua equação nacional. Essa aliança do centrão tem resistido às ofensivas de Flávio por um apoio já no primeiro turno. A ordem é concentrar esforços na montagem de chapas nos estados e só decidir um posicionamento nacional em abril.
A tendência da federação, dizem líderes, é a neutralidade ou o apoio a Flávio. A segunda opção é vista como a mais remota, pois implicaria em dificultar a eleição de deputados e senadores em estados com tendência de voto lulista, principalmente no Nordeste.
O Republicanos, apesar de abrigar Tarcísio, tende à neutralidade, segundo integrantes da cúpula do partido. O comando da sigla já defendia há meses a permanência do governador em São Paulo, sob argumento de que não valeria a pena trocar uma reeleição vista como certa para se arriscar num projeto nacional.
Recentemente, Tarcísio estreitou os laços com seu partido ao convidar o presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, para assumir a secretaria da Casa Civil. Carneiro é considerado um braço direito e conselheiro de Marcos Pereira.
Embora o governador já tenha declarado seu apoio a Flávio, seu partido ainda mantém sua decisão a respeito da eleição nacional em aberto. Um acordo é cobiçado tanto pelo senador como pelo trio de presidenciáveis do PSD.
Segundo lideranças do Republicanos, há chances de negociação com o PSD em busca de fortalecer uma espécie de terceira via que não comprometa a eleição nos estados.
No MDB, a avaliação também é a de que Tarcísio deve concorrer à reeleição, embora mudanças não sejam descartadas. O partido mantém proximidade com Lula através de três ministérios, mas estuda manter a neutralidade —já um apoio a Flávio é tido como improvável.
O Solidariedade, que fechou uma federação com o PRD, também não conta mais com a hipótese de Tarcísio concorrer. A tendência é liberar os filiados para apoiar quem quiserem na eleição presidencial.
Por Augusto Tenório, Carolina Linhares e Catia Seabra/Folhapress
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