Senadores relatam que nunca viram Alcolumbre com "tanto ódio" de Lula com indicação ao STF
| Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Arquivo |
Senadores e deputados que conversaram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) afirmam que nunca viram ele com tanto "ódio" de Lula como agora, depois que o petista indicou Jorge Messias para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Alcolumbre tinha outro candidato, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que acabou preterido na escolha.
"Ele está virado no Satanás, nunca vi ele tão bravo", afirma um parlamentar que conversou com Alcolumbre nesta sexta (21).
Um senador de oposição relata que nunca viu "esse cara com tanto ódio, irado", e descreve que "a veia dele até saltava do pescoço" ao falar da indicação de Lula, de tão "possesso" que Alcolumbre está.
De acordo com relatos, Alcolumbre passou a mão no telefone e ligou para diversos senadores e deputados da oposição a Lula para dizer que está disposto até mesmo a "romper totalmente com o governo" caso Lula "pressione muito" a favor de Messias.
O placar, até agora, não está definido, dizem os mesmos parlamentares. Por isso, Alcolumbre estaria "jogando tudo" na tentativa de derrotar o presidente.
A bolsonaristas, ele afirmou que só perde para o governo "se vocês me traírem", ou seja, se integrantes da oposição votarem a favor de Messias. É comum que indicados para o Supremo consigam votos entre senadores de todos os partidos.Alcolumbre também tem afirmado aos parlamentares que eles têm uma chance histórica de impor uma derrota ao Executivo.
Se Messias não for aprovado, será a primeira vez em 131 anos que um indicado pelo governo para a Suprema Corte será derrotado _em 1894, cinco indicações do governo de Floriano Peixoto foram rechaçadas.
As movimentações de Alcolumbre estão sendo acompanhadas de perto pelo governo Lula.
Interlocutores do presidente e de Messias afirmam que o senador, que poderia ser parte da solução e do diálogo, está indo para um confronto bruto e terá que ser enfrentado caso se coloque como o principal problema para a aprovação da indicação.
O placar de uma disputa direta de Lula contra Alcolumbre seria apertado.
De acordo com cálculos de parlamentares que conversaram com o presidente do Senado, ele teria o voto de oito a dez senadores completamente alinhados a seus desejos. E poderia contar com 32 da oposição _caso, como insiste com parlamentares bolsonaristas, não seja traído por eles.
Com isso, chegaria aos 41 votos necessários para derrotar o governo.
A votação no Senado para indicações ao STF é secreta.
Por Mônica Bergamo, Folhapress
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