O lamentável silêncio do governo Rui Costa sobre a violência contra uma trabalhadora rural
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| Foto: Divulgação/Arquivo/Vanusa |
A entrevista concedida com exclusividade a este Política Livre, neste final de semana, pela trabalhadora rural Vanusa dos Santos de Souza chamou a atenção não apenas pela brutalidade com que ela e os filhos foram agredidos, além de terem tido sua casa e bens vandalizados, como pela falta de atenção que seu caso tem até agora recebido do governo estadual e de órgãos públicos como o MP, que deveriam prestar amparo ao cidadão.
Pelo relato de Vanusa, ela foi alvo de uma liderança do MST, nominado por ela como Elton Souza Pires, por supostamente se insurgir contra a política do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra de não aceitar que trabalhadores rurais que participam de ocupações sobre terras da União adquiram o direito de propriedade sobre seus lotes, conforme estabelece portaria do governo federal.
Na mesma entrevista, a presidente da Associação dos Produtores Rurais do Assentamento São João, na cidade de Prado, no extremo sul da Bahia, relatou que o principal líder do MST na Bahia, o deputado federal petista Valmir Assunção, está à par do que lhe aconteceu e a outros insurgentes do assentamento e disse que até o domingo não havia recebido a solidariedade de ninguém do governo nem do Ministério Público Estadual.
Mais do que isso, confirmou o que muitos adversários do MST dizem à boca pequena na Bahia – a acusação de que processos de reintegração de posse de terras invadidas pelo MST no interior só são cumpridos pelas forças policiais depois de consulta direta ao governador Rui Costa (PT), o que, lamentavelmente, renega o primado da lei no Estado. Mas as perguntas que não querem calar dizem respeito à agressão brutal sofrida por Vanusa.
Onde está o movimento de mulheres do PT bem como as secretarias estaduais dedicadas à causa da defesa das mulheres e dos grupos vulneráveis? Até quando vão se manter silentes ante à violência que uma mulher, negra e pobre, cujo desejo é apenas o de poder chamar de sua a terra sobre a qual trabalha, sofreu? Quanto ao MP, se não agiu até agora, não tem motivos para se manter ausente do caso, que precisa ser melhor investigado.
Política Livre
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