Há condições para que a PEC que proíbe a reeleição avance, diz Molon

FOTO: AGÊNCIA BRASIL

 Parlamentar nega que a proposta tenha como objetivo único impedir a recondução do presidente Jair Bolsonaro ao cargo

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) afirmou que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que pede o fim da reeleição para cargos no Executivo tem condições de avançar no Congresso Nacional.

O parlamentar, no entanto, negou que a proposta tenha como objetivo único impedir a recondução do presidente Jair Bolsonaro ao cargo.

“Não é casuísmo. A PEC é estruturante para o país, pois corrige um grave erro reconhecido por aquele que patrocinou a iniciativa, que foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso [PSDB]. A reeleição só produziu resultados ruins”, diz.

Na última semana, FHC afirmou, em artigo no jornal O Estado de S. Paulo, que “é ingenuidade imaginar que os presidentes não farão o impossível para se reelegerem”.

O líder do PSB na Câmara conversou com CartaCapital após levantamento mostrar que líderes de 16 dos 24 partidos representados no Congresso apoiam a medida. A PEC precisa de 308 votos na Câmara e 49 no Senado e, acordo com Molon, há um consenso pela aprovação.

“Os parlamentares reconhecem que isso [a reeleição] é um problema. Eu acho que essa é uma correção que o Congresso pode e deve fazer. A maioria dos líderes é favorável e percebo que há condições para a proposta avançar”, revela.

Na conversa, Molon lembrou que Bolsonaro, durante a campanha, afirmou ser contrário à reeleição.

“Acontece que todo governante, quando eleito, acaba pensando automaticamente na busca da própria reeleição e coloca o interesse das pessoas em segundo lugar”, afirma Molon. “Além disso, a possibilidade de recondução promove uma enorme desigualdade entre quem poder ser reeleito e demais candidatos”, acrescenta.

Pressão da sociedade

O deputado admite que haverá pressão de governantes em níves federal, estadual e municipal contra a PEC.

“Todos aqueles que perderiam a chance de se candidatarem à reeleição tendem a reagir contra. Mas se a proposta for encampada pela sociedade ela tem chance avançar”, acredita.

A PEC ainda não tem previsão de tramitação, mas caso aprovada, de acordo com a proposta, já valeria a partir de 2022.
Por: CartaCapital

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