China detecta coronavírus em frango importado do Brasil

PESQUISADORES TRABALHAM NO LABORATÓRIO P4, EM WUHAN, NA CHINA (FOTO: JOHANNES EISELE / AFP

Autoridades chinesas afirmam ter examinado imediatamente as pessoas que estiveram em contato com os produtos contaminados
Autoridades chinesas afirmam ter encontrado o novo coronavírus, que causa a Covid-19, em um carregamento de frango importado do Brasil. O vírus foi detectado em um controle de rotina, em amostras de asas de frango congeladas coletadas na última terça-feira 10, informou em nota a prefeitura da metrópole de Shenzhen (sul), nos arredores de Hong Kong.

O governo brasileiro ainda não foi oficialmente notificado dessa suspeita, segundo fontes diplomáticas brasileiras.

A descoberta de frango brasileiro contaminado pelo coronavírus começou a circular na China, na imprensa e nas redes sociais, na manhã desta quinta-feira 12. Mas nem autoridades da província de Shenzhen nem do governo central de Pequim transmitiram informações sobre os controles efetuados às autoridades brasileiras.

As autoridades chinesas afirmam ter examinado “imediatamente” as pessoas que estiveram em contato com os produtos contaminados, bem como seus familiares. Os testes foram todos negativos, de acordo com o comunicado.

Após o surgimento da epidemia na China, no final de 2019, o governo chinês reforçou os controles nas importações, fazendo exames em amostras dos produtos, nas embalagens e nos contêineres provenientes do exterior, principalmente de países onde a circulação do vírus é elevada, como é o caso do Brasil.

Vírus em camarão do Equador

Na província de Anhui (leste), o prefeito da cidade de Wuhu também anunciou nesta quinta-feira a descoberta do vírus nas embalagens de camarão do Equador. Esses pacotes estavam guardados no freezer de um restaurante da cidade.

Esta é a segunda vez desde o início de julho que a China registra a presença do vírus em embalagens de camarão equatoriano.

Queda nas vendas de frango brasileiro

A contaminação do frango brasileiro pode levar a uma nova queda nas vendas do produto no mercado chinês. Em fevereiro de 2019, Pequim impôs pesadas tarifas antidumping sobre o frango brasileiro por cinco anos, com tributação entre 17,8% e 32,4%.

O Brasil, de longe o maior produtor mundial de carne de frango, ainda era em 2017 o principal fornecedor de frango congelado para a China, com um valor anual próximo a US$ 1 bilhão e representando cerca de 85% das importações do gigante asiático. Desde então, perdeu participação de mercado para a Tailândia, Argentina e Chile, de acordo com a empresa especializada Zhiyan.

A última morte causada pelo vírus na China foi registrada em meados de maio. O Brasil, por outro lado, é o segundo país mais atingido no mundo, depois dos Estados Unidos.

As autoridades chinesas anunciaram na quarta-feira (11) que uma mulher de 68 anos hospitalizada na província central de Hubei, onde a Covid-19 foi inicialmente detectada no ano passado, era portadora do vírus, embora tenha sido considerada curada no início do ano.

Mais de 100 mil óbitos

De acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil registrou 1.175 mortes e 55.155 contaminações por coronavírus em 24 horas.

No total, o país tem 104.201 óbitos e 3.164.785 casos confirmados.
Brasil fará três meses sem ministro da Saúde definitivo

O presidente Jair Bolsonaro ainda não nomeou um chefe definitivo para o Ministério da Saúde. Em 15 de agosto, a pasta completará três meses sob comando interino do general Eduardo Pazuello.

Pazuello prestará contas de sua atuação em uma audiência com a comissão do Congresso Nacional que fiscaliza as ações do governo no combate à pandemia. A sessão está marcada para a quinta-feira 13, às 10 da manhã.

Vacinas em potencial, mas sem recomendação

Na terça-feira 11, a Rússia declarou que produziu a 1ª vacina contra o coronavírus, a Sputnik V, mas a OMS disse que ainda não pode recomendá-la. Em coletiva de imprensa, a organização informou que está em contato com as autoridades russas para tomar conhecimento dos procedimentos utilizados no desenvolvimento do imunizante.

Os Estados Unidos também apostam em vacinas que ainda não têm eficácia comprovada cientificamente. Após o anúncio de Vladimir Putin, o presidente americano Donald Trump afirmou que fez um acordo bilionário por 100 milhões de doses de uma vacina que ainda não completou as fases necessárias para seu desenvolvimento.
Fonte; CartaCapital

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