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Datafolha: PT fala em onda pró-Lula, e aliados de Flávio citam força da direita na véspera de eleições

Após a divulgação da pesquisa Datafolha que mostrou empate na eleição presidencial a três dias do segundo turno, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ressaltou a resistência dele aos ataques do rival, e a de Lula (PT) destacou dados sobre avaliação de governo e rejeição.

A pesquisa mostrou o senador e o presidente com 50% dos votos válidos, que excluem brancos e nulos e são a forma como a Justiça Eleitoral divulga o resultado final.

Nos votos totais, Flávio marca 47% ante 46% de Lula. Dizem que vão votar branco ou nulo 5% e os indecisos somam 2%.

A margem de erro do levantamento, feito de terça-feira (20) a quinta (22), é de dois pontos para mais ou para menos.

A avaliação do governo, celebrada pelos petistas, oscilou dentro da margem de erro. O índice dos que aprovam a gestão passou de 48% para 49%, e o dos que desaprovam foi de 50% para 48%.

A parcela que diz considerar o governo ótimo ou bom variou de 35% para 36%. O índice de avaliação negativa oscilou de 41% para 39%, e o de avaliação regular, de 23% para 24%.

Apesar da variação na margem de erro, o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) afirmou que todos os dados são bons e que "o clima é de virada". Ele também citou a oscilação positiva da rejeição de Flávio Bolsonaro, de 44% para 46%, dentro da margem de erro. A de Lula variou de 46% para 45%.

Vice-presidente do PT, Jilmar Tatto disse acreditar que a variação positiva na avaliação de governo tem relação com a oscilação negativa de Flávio em votos válidos —ele tinha 51% na semana passada.

Tatto mencionou os atos de rua em favor de Lula como fatores para o chefe do governo ter empatado numericamente, além da mobilização em ambientes virtuais. "A gente está ganhando nas redes, que era onde eles sempre ganhavam", declarou o petista.

Coordenador do programa de governo da candidatura de Lula, Sergio Gabrielli afirmou que, mais relevante que a avaliação da gestão, é "a percepção da sociedade do risco que seria o [Flávio] Bolsonaro".

"Está tendo uma visão clara das pessoas que não votaram ou que estavam indecisas de que a eleição de Bolsonaro é um risco muito grande para o país. Essas pessoas estão começando a se posicionar", declarou.

Integrantes do PT avaliam que há uma onda pró-Lula nesses últimos dias. Por essa avaliação, o presidente da República poderá ganhar a eleição se conseguir passar pelo debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), sem grandes desgastes.

Já integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro afirmam manter a confiança na vitória apesar do empate técnico.

Segundo um auxiliar do senador, o cenário medido pelo Datafolha não pode ser considerado negativo para Flávio e positivo para Lula, pelo contrário, já que a pesquisa ainda mostra o candidato do PL à frente numericamente em votos totais a três dias da eleição — com 47% ante 46% de Lula.

Os interlocutores de Flávio também afirmam que as pesquisas não têm captado o voto de chegada da direita, ou seja, o antipetismo que costuma impulsionar o bolsonarismo às vésperas da votação. Segundo essa lógica, o senador vai terminar a eleição ainda mais descolado de Lula.

Estrategistas de Flávio também citam a mobilização de rua em diversas capitais, principalmente no Nordeste, por meio de bloquinhos capitaneados pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Eles afirmam ainda que a campanha tem tido um discurso assertivo e dialogado não apenas com o antipetista, mas com o eleitor de centro que quer mudança.

Aliados do senador celebraram, por fim, o que veem como resiliência de Flávio em se manter favorito mesmo diante do que chamam de campanha de fake news do PT, com alertas de que o bolsonarista acabaria com benefícios sociais.

Dois presidentes de partidos de centro avaliaram à Folha, sob reserva, que o empate é insuficiente para Lula. Esses caciques reconhecem o novo fôlego do petista com sua campanha digital, mas calculam que ele precisa chegar no domingo com pelo menos três pontos de vantagem sobre Flávio, pois dizem esperar que o bolsonarismo tenha novamente um impulso às vésperas da eleição.

Um desses presidentes de partido diz que somente um fato novo antes da eleição poderia pôr em xeque o favoritismo de Flávio Bolsonaro. Outro do grupo aponta que o debate da Globo nesta sexta-feira e a exploração da crise dos sigilos bancários serão decisivos para Lula consolidar ou não uma virada.

Já o presidente do PDT, Carlos Lupi, aliado de Lula, faz um contraponto à análise do voto de chegada bolsonarista. "Não concordo, a presença maciça de jovens nas ruas e o empate nas pesquisas mostram uma reversão da vantagem que Bolsonaro tinha. Isto é fato, e a tendência é uma vitória de Lula de forma irreversível", disse.

O líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), segue a mesma linha. "O jogo está embolado. Dilma virou sobre Aécio em 2014, e foi na chegada. O que está demonstrado é que Lula vem crescendo lentamente, a tendência é um fato, enquanto Flávio ficou estagnado. A eleição parecia de fato perdida, mas agora Lula pode surpreender no domingo e ganhar", disse o deputado.

Por Augusto Tenório , Caio Spechoto , Carolina Linhares , Catia Seabra , Mariana Brasil e Thaísa Oliveira/Folhapress

“Cristãos com Flávio” reunirá lideranças religiosas em ato de oração e mobilização em Salvador Por Política Livre

O evento Desperta Brasil — Cristãos com Flávio será realizado nesta sexta-feira (23), às 17h22, no Parque da Cidade, em Salvador. O ato deve receber pastores, lideranças de igrejas e representantes políticos ligados ao segmento cristão.

Com o tema “Um clamor de fé e oração pela nossa nação”, a mobilização pretende reunir lideranças religiosas em um grande momento de oração pelo Brasil e fortalecer o engajamento na campanha de Flávio Bolsonaro na capital baiana.

A proposta é aproximar representantes de diferentes igrejas e incentivar a participação do segmento cristão na mobilização eleitoral em Salvador. O material de divulgação destaca a passagem bíblica de 2 Crônicas 7:14, que trata da oração, do arrependimento e da busca por Deus.

“Será um grande clamor pela nossa nação, reunindo pastores e lideranças cristãs em um momento de fé e compromisso com o futuro do Brasil. Queremos fortalecer essa união e mobilizar Salvador em apoio à campanha de Flávio Bolsonaro”, afirma Débora Santana.

A organização espera reunir participantes em torno da oração pelo país e da articulação entre lideranças religiosas e políticas.

CNBB defende Constituição e pede intercessão de Nossa Senhora após embate com Flávio Bolsonaro Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

A cúpula da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) formulou nesta quarta (21) uma mensagem ao povo brasileiro que começa clamando por proteção ao meio ambiente e aos direitos humanos e termina pedindo que Nossa Senhora Aparecida interceda pelo país.

O texto dos bispos católicos defende ainda a Constituição e a preservação do Estado Democrático de Direito, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.

Não há, como nunca houve em mensagens anteriores da CNBB, quaisquer menções a candidatos ou partidos. A manifestação, porém, ocorre semanas depois de o candidato do PL à Presidência, Flá vio Bolsonaro, ter acusado integrantes da entidade de colaborar com o PT na disseminação de uma notícia falsa envolvendo justamente Nossa Senhora Aparecida —a de que Flávio recuperaria um projeto de lei que a destitui do posto de padroeira do Brasil.

O senador classificou a informação como fake news. A proposta legislativa que serviu de referência para parte das publicações foi apresentada em 2007 pelo então deputado Victório Galli, que 12 anos depois viraria assessor da Presidência de Jair Bolsonaro (PL).

O PL previa alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". Não prosperou e acabou arquivado em 2008.

Não há nenhuma evidência sólida de que Flávio planejasse algo assim. A desconfiança de que o filho evangélico do católico Jair adotaria uma postura de viés teocrático, alinhada aos interesses evangélicos, ganhou força após a retomada de uma declaração feita por ele em agosto. Na ocasião, afirmou que, se eleito, um de seus primeiros atos seria decretar que "o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". Caso vença Lula neste domingo (25), ele será o primeiro presidente pentecostal do Brasil.

Inspirada no versículo bíblico "buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça", a mensagem da CNBB enumera compromissos que os bispos esperam dos eleitos, como a garantia de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança, além da proteção ambiental e da defesa dos direitos humanos.

Em texto assinado por seu conselho permanente, a entidade reafirma a importância da Constituição e do "respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam".

Passado o primeiro turno, Flávio chegou a dizer que mudaria a Carta Magna brasileira —depois afirmou que o que planeja fazer é usar a maioria de direita no Congresso para propor, via PEC (proposta de emenda à Constituição), reformar o STF (Supremo Tribunal Federal), reduzir a maioridade penal, instituir a castração química para estupradores e acabar com a reeleição.

O documento católico incentiva a participação consciente dos eleitores e classifica como inadmissível "ameaçar ou pressionar eleitores, bem como negociar votos".

Também destaca a responsabilidade dos cidadãos para além do momento da votação. Segundo os bispos, cabe à população fiscalizar os governantes, reivindicar direitos e exercer a crítica responsável.

Para isso, acrescentam, são necessárias informação confiável, liberdade de expressão e proteção a quem denuncia injustiças. "Atentos aos pobres, aos ameaçados e aos que trabalham pela justiça, continuemos responsáveis uns pelos outros e pelo nosso país."

O documento termina com um apelo à superação da indiferença e à construção de uma convivência "fundada na verdade, na fraternidade e na paz", sob a intercessão de Aparecida.

A dias do primeiro turno, Flávio afirmou que o PT teria conseguido disseminar a notícia falsa sobre a padroeira "com a ajuda de gente dentro da CNBB".

Presidida por dom Jaime Spengler, a entidade reagiu no dia seguinte, negando ter autorizado a divulgação de qualquer fake news que fosse. Disse ainda que não integra estruturas político-partidárias e que manifestações eleitorais decorrem de sua missão pastoral. "A mentira não se combate com outra mentira", afirmou.

A uma semana do primeiro turno, durante agenda em São Paulo, Flávio agradeceu publicamente à entidade pela manifestação, dizendo que ela esclarecia que a história sobre a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida era uma mentira.

No 12 de outubro, data dedicada à padroeira, ele participou de uma missa em homenagem à santa na Catedral de Brasília. Lula fez o mesmo, numa capela do Palácio da Alvorada.

Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Último ato de Flávio em São Paulo tem orações, funk eleitoral e pipoca verde e amarela

Foto: Charles Vieira/Divulgação

Um painel com uma contagem regressiva apareceu nos telões do Espaço Inter, em Guarulhos, na Grande São Paulo, no início da tarde desta quarta-feira (21). Faltavam poucos segundos quando o apresentador anunciou: "Prepare o seu coração". Mas quem falou primeiro foi o prefeito da cidade, Lucas Sanches (PL).

Logo foi a vez de Flávio Bolsonaro (PL), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no último ato de sua campanha no estado de São Paulo antes do segundo turno, marcado para este domingo.

O encontro aconteceu em um dos galpões da antiga fábrica da Philips, transformada em centro de eventos. Nove telões, um deles ao fundo do palco, alternavam vídeos da campanha com mensagens como "Presidente Flávio Bolsonaro 22" e "Vote 22". O Espaço Inter anuncia capacidade para cerca de 7.000 pessoas, mas não estava lotado, apesar de cheio.

O público era formado principalmente por moradores e trabalhadores da região, mas havia grupos que chegavam de ônibus e vans. Também casais e algumas famílias, inclusive com bebês e crianças. Predominavam as camisetas políticas e as bandeiras brasileiras, muitas amarradas ao pescoço dos participantes como capas de super-heróis.

A trilha sonora era composta por jingles eleitorais gravados, repetidos continuamente nos alto-falantes. Um dos mais animados, em ritmo de forró, tinha um refrão que dizia "Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, PT". Outro, em ritmo de funk, avisava: "Quem ficar parado é petista disfarçado".

Parte do público tentava acompanhar as músicas, mas a maioria permanecia parada, olhando para o palco. Algumas crianças que inicialmente dançavam acabavam deitadas no colo dos pais, com expressões de tédio.

O comércio movimentava o entorno. Às 11h30, ambulantes vendiam refrigerantes, cerveja e churrasquinhos. Um boné custava R$ 50. Por R$ 60, era possível comprar uma camiseta da seleção brasileira com o nome Bolsonaro e o número 22 nas costas. Havia ainda uma versão com a inscrição "anti-petista".

Dentro do espaço, um pipoqueiro oferecia batata frita e pipoca doce nas cores verde e amarela. Em um balcão, copos de água lacrados eram distribuídos gratuitamente ao público.

Em determinado momento, os participantes rezaram o Pai-Nosso em voz alta, em coro. O apresentador alternava tudo com palavras de ordem. "O Brasil não tem presidente", afirmou. Em outra ocasião, anunciou: "Nós vamos pisar na cabeça da serpente".

A funcionária de uma loja de shopping Amanda Silvano chegou ao evento por acaso, quando atravessava a região em direção à avenida Guarulhos. Apoiadora de Jair Bolsonaro, ela já havia participado de uma manifestação na avenida Paulista e elogiou o ambiente.

"É um clima muito gostoso, agradável. Você pode levar criança tranquilamente, porque não tem vandalismo, não tem gente se machucando, depredando, não tem gente roubando nada."

Mostrou o celular guardado no bolso de trás da mochila. "O dia inteiro ninguém tocou nele."

Amanda afirmou que preferia votar em Jair Bolsonaro, mas apoia seu filho. "Eu queria votar no Bolsonaro pai, mas eu vou votar em quem indicou, porque eu tô aguardando que mude o Brasil."

Outra participante, Tainara Kesley, levou a filhinha para conhecer melhor as propostas de Flávio e tentar vê-lo pessoalmente. Não conseguiu entrar no salão principal. "Ela tá chorando muito, é por isso que eu não entrei", explicou.

Ao lado dela estava Bruna Ribeiro, babá que acompanhava uma criança enquanto a mãe trabalhava. Segundo ela, a mãe havia autorizado o passeio.

Chegar ao local exigia alguma paciência. Na saída da rodovia Presidente Dutra mais próxima ao evento, policiais controlavam o trânsito em meio a numerosos caminhões. Foi necessário seguir até uma saída posterior e retornar pela avenida Guarulhos.

O encontro foi articulado pelo governador Tarcísio e reuniu prefeitos, deputados e outras lideranças aliadas ao candidato, encerrando sua agenda de campanha no estado.

Entre os presentes estava o vereador de Mauá Erismar Soares Clementino, o Mazinho (PL), que afirmou ter participado de vários eventos de Flávio Bolsonaro. Mazinho resumiu o ambiente em uma frase: "É a festa da democracia".
Por Ivan Finotti/Folhapress

Flávio Bolsonaro diz que abre sigilo se Lula abrir o de Marcola, e campanha formaliza condição ao TSE Por Bruno Ribeiro e Carolina Linhares, Folhapress

Em seu último evento em São Paulo antes do segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) fez críticas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e disse que aceitaria o desafio de abrir seus sigilos fiscal e telefônico caso Lula (PT) abrisse também as informações de seu ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Segundo a Polícia Federal, Marcola, que foi chefe de gabinete da Presidência, aceitou dinheiro da lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, enquanto ela tentava negociar contratos com o governo federal que não foram concretizados.

A condição de Flávio também foi declarada em resposta de sua campanha ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em petição, a equipe jurídica de Flávio diz que ele "não se limita a aceitar o desafio, mas o leva às suas últimas consequências".

Na terça-feira (20), a campanha de Lula oficializou, por meio de um documento entregue ao TSE, a proposta de abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico caso Flávio faça o mesmo. A estratégia do petista era uma resposta às acusações de corrupção feitas pelo bolsonarista. A princípio, auxiliares de Flávio afirmaram que o candidato não aceitaria o desafio, mas recuaram nesta quarta.

Nesta quarta, durante um discurso, o candidato do PL imitou Lula, falando com voz rouca e língua presa, ao falar sobre o desafio. Depois, disse: "O Lula nem tem celular. Como ele quer abrir o sigilo telefônico dele?"

"Só que eu não só vou aceitar o desafio como vou levar às últimas consequências", disse o candidato. "Eu abro meu sigilo de telefone, sim, mas o Marcola tem que abrir o dele".

O candidato também fez ataques ao filho do presidente. "Lula, não me confunda com seu filho. Eu sou filho de Bolsonaro. Não sou ladrão igual seu filho."

Flávio participou de um evento em um salão de eventos em Guarulhos, na Grande São Paulo, organizado por seu partido.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os senadores eleitos André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PL) e os deputados federais Rosana Vale (PL), reeleita, e Lucas Pavanato (PL), eleito pela primeira vez à Câmara, também discursaram. O espaço do encontro tem capacidade para 7 mil pessoas e estava todo ocupado.

Tanto Flávio quanto André do Prado e Pavanato fizeram referências ao STF e ao ministro Moraes, desafeto dos petistas. O deputado eleito afirmou que a "mamata vai acabar" para o ministro. André do Prado disse que, na próxima legislatura, seria possível fazer impeachment de ministros.

Já Flávio, além de ataques a Moraes, afirmou que os ministros do Supremo queriam "liberar o aborto" no país, em referência a um julgamento iniciado em 2017, decorrente de uma ação do PSOL ainda em andamento e que descriminaliza a interrupção da gravidez até a décima segunda semana de gestação.

"Eles querem assassinar crianças no ventre das mães até 12 anos [meses] de idade. Eu acabei de pegar um bebezinho no colo aqui. Desde a concepção, tem vida no ventre das mães e é isso que a gente vai defender", afirmou.

Sobre Moraes, ele disse: "O Lula teve que compartilhar sua Presidência com Alexandre de Moraes, porque ele deve a eleição dele ao Alexandre de Moraes em 2022. Se não fosse o Alexandre de Moraes, Lula, você não estava sentado nessa cadeira. Aí teve que compartilhar o poder", disse o candidato.

"E [Lula] aí começou a colocar os amigos dele no Supremo. Vocês lembram que, nos debates, ele falava que não ia colocar amigo dele no Supremo. Colocou os amigos dele no Supremo. Só que a gente não vai deixar ele colocar mais quatro Alexandre de Moraes lá não, porque a gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto".

Por Bruno Ribeiro e Carolina Linhares, Folhapress

Consulte com antecedência o local onde você irá votar no 2º turno

Presidente do TSE solicitou aos TREs ampla divulgação sobre eventuais alterações. Consulta pode ser feita no-Título, Autoatendimento Eleitoral e ChatVote
Eleitoras e eleitores podem consultar o local de votação para o 2º turno das eleições deste ano, marcado para 25 de outubro, utilizando diferentes canais digitais da Justiça Eleitoral. A consulta pode ser feita pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral e pelo assistente virtual ChatVote.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, solicitou aos tribunais regionais eleitorais (TREs) que orientem as respectivas zonas eleitorais a promoverem ampla divulgação sobre eventuais alterações em locais de votação, por meio dos canais de comunicação disponíveis, a fim de manter o eleitorado devidamente informado, além de evitar deslocamentos equivocados no dia da eleição.

Paralelamente, por meio de ofício, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, solicitou às corregedorias regionais que eventuais alterações nos locais de votação sejam precedidas de avaliação criteriosa de sua necessidade, consideradas as condições de funcionamento, segurança e acessibilidade dos espaços, bem como os possíveis impactos sobre o deslocamento do eleitorado.

Segundo o documento, as medidas visam evitar mudanças desnecessárias em curto intervalo de tempo, conferir maior previsibilidade ao eleitorado e favorecer o regular exercício do direito ao voto.

Consulta antecipada

A consulta antecipada permite confirmar o endereço, a zona e a seção eleitoral, além de planejar o deslocamento até o local de votação. A recomendação é verificar os dados antes de sair de casa no dia da eleição. Para quem solicitou a transferência temporária do local de votação, também é importante conferir as informações atualizadas.

A Justiça Eleitoral orienta que os cidadãos utilizem os canais oficiais para se informar e esclarecer dúvidas. Confira como acessar cada serviço.

Aplicativo e-Título

Uma das opções mais práticas é o aplicativo e-Título, disponível gratuitamente para celulares Android e iOS. Para consultar o local de votação, basta baixar o aplicativo na loja oficial do aparelho, acessar a ferramenta com os dados solicitados e selecionar a opção “onde votar” para conferir a zona e a seção eleitoral.

O aplicativo também disponibilizou, neste ano, novas funcionalidades e recursos de segurança, como justificativa de ausência reformulada, descadastramento de mesário voluntário, acesso ao Boletim na Mão, emissão de certidão de filiação partidária e geração do código de autenticação.

Autoatendimento Eleitoral

Outra alternativa é o Autoatendimento Eleitoral, disponível pela internet. Acessível pelos portais da Justiça Eleitoral (TSE e TREs), essa é a principal ferramenta de acesso aos serviços digitais eleitorais, permitindo consultar informações, regularizar pendências, atualizar dados e emitir documentos de forma remota, sem necessidade de comparecer a um cartório eleitoral.

ChatVote

O terceiro canal é o ChatVote, assistente virtual da Justiça Eleitoral, que utiliza inteligência artificial para responder a dúvidas e orientar os cidadãos sobre os serviços disponíveis. Para acessá-lo, basta entrar no Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), localizar o ícone no canto inferior direito da página e digitar a mensagem no campo de conversa. O assistente também pode ser acessado pelo e-Título, conforme a disponibilidade da ferramenta.


EC/JP/DB

Maiores Assembleias de Deus explicitam apoio a Flávio Bolsonaro, e Universal permanece neutra

Nos últimos dias, a turma do pastor José Wellington Bezerra da Costa, um dos mais longevos e influentes líderes do pentecostalismo brasileiro, tem explicitado mais a predileção por Flávio Bolsonaro (PL).

O filho Paulo Freire Costa, reeleito deputado pelo PL em São Paulo, compartilhou no sábado (17) um vídeo para "tornar público o nosso posicionamento". Falando em nome da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo, disse que apoiaria o presidenciável porque "ele defende os nossos princípios".

No domingo (18), outra filha de José Wellington, a vereadora Rute Costa (PL-SP), divulgou uma foto no ato bolsonarista da avenida Paulista. O primogênito do clã, José Wellington Júnior, convocou "todos os irmãos que estarão na direção de cultos nesta noite" a reservar um momento "para orarmos pelo Brasil".

Que a família endosse um nome contra Lula (PT) não é espanto algum. Já em 1997, em coro pela reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), pastores gritaram "presidente, Jesus te ama" num congresso liderado por José Wellington, que presidiu por três décadas a CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), o maior dos grupos assembleianos do país.

Em 2010, José Wellington gravou depoimento para a propaganda eleitoral de José Serra (PSDB), que rivalizava com Dilma Rousseff (PT). Oito anos depois, o pastor reconheceu no púlpito que "já estamos conscientizados que estamos polarizados", e então expressou a orientação de que "é não votar na esquerda".

Em 2022, José Wellington Júnior, filho mais velho do pastor, disse lamentar ainda ver pastores tentando fazer com que o pai recebesse algum candidato do PT. "Na nossa igreja não cabe, irmão. O inferno não tem como entrar no lugar santo", afirmou. Em 2017, Júnior substituiu o patriarca da família na presidência da CGADB.

Em abril, José Wellington pai recebeu Flávio na igreja e orou para que "o Senhor o leve para ser presidente da nossa nação".

Ele até adotou um tom conciliador em vídeo gravado às vésperas do primeiro turno. Sem sinalizar um candidato de preferência, na contramão de tantos pares que exaltaram o voto anti-Lula, disse ser preciso "reaprender a respeitar as lideranças, as instituições e uns aos outros", mensagem embalada pela passagem bíblica "bem-aventurados os pacificadores".

O segundo turno entre Flávio e Lula reforçou a demarcação de território em prol de Flávio, uma tendência amplamente majoritária entre a liderança evangélica de envergadura nacional. Até o bispo Samuel Ferreira, presidente da outra grande convenção assembleiana, a Conamad (Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira), escorou-se no bolsonarismo após se reaproximar de Lula.

Passados seis dias do primeiro turno, ele recepcionou o filho de Jair Bolsonaro (PL) na festa de cem anos do ministério assembleiano que representa, Madureira. Samuel pregou diante do evangélico Flávio que "irmão vota em irmão", bordão que ganhou tração nos anos 1980, após evangélicos passarem décadas distanciados da política, tida como celeiro de ímpios.

Um ano antes, o bispo posou e orou com Lula no Palácio do Planalto, enquanto o congressista que carregava no Legislativo o nome da igreja, Cezinha de Madureira (PL-SP), fazia gestos ao governo —isso depois de se alinhar a Bolsonaro quando era ele o presidente, inclusive andando na garupa dele durante uma motociata.

Corta para 2026, e Samuel contornou a lei eleitoral que veta pedido de voto dentro de igrejas. Disse que não o faria, mas que, caso pudesse, defenderia Flávio, adjetivando-o como honesto, sério e crente, e também "porque foi ele o indicado pelo presidente", em referência ao pai dele.

Outros blocos regionais da Assembleia de Deus, como o paraibano, também se pronunciaram. O pastor José Carlos de Lima recomendou que o fiel se oponha a partidos que queiram "ridicularizar a nossa fé", e pelo teor ficou claro que falava da esquerda.

Há líderes da velha guarda sem a potência midiática de um Silas Malafaia ou um Cláudio Duarte, para citar dois pastores que, juntos, somam no Instagram 15 milhões de seguidores e influenciam muito além da base de fiéis das igrejas que integram. Mas a ascendência no meio evangélico não pode ser subestimada.

O cientista político Vinicius do Vale, estudioso do campo, cita o nonagenário José Wellington, com um perfil mais analógico que não o impede de ser "muito ouvido". A influência dele é exercida longe de holofotes seculares.

"Ele elege filhos para cargos importantes há muitas eleições, justamente sem ocupar o centro das atenções. O ministério dele tem muitas igrejas pequenas, que chegam nos mais variados territórios em São Paulo."

Malafaia aponta o que para ele é uma novidade deste pleito, "com gente que não se posicionava se posicionando". Menciona José Wellington e Samuel, líderes dos dois maiores ministérios da Assembleia de Deus, que por sua vez é o maior grupo evangélico do país.

Ele diferencia de si próprio os líderes que só dão politicamente as caras na temporada eleitoral. "Durante quatro anos, eu me posiciono o tempo todo", diz o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Difícil, segundo Malafaia, é achar um pastor de peso que não esteja com Flávio. Claro que há exceções. "André Valadão, com o negócio do Master, ele tá quieto, certo?"

A igreja de Valadão, a Batista da Lagoinha, está implicada no escândalo protagonizado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O líder global, então, tem sido econômico nos pitacos políticos, em um contraponto a 2022, quando se engajou na campanha bolsonarista.

Em dezembro de 2025, ele recebeu Flávio na Lagoinha Orlando. O senador aproveitou a visita para pedir que Deus renovasse "nossas forças" para o pleito de 2026. Passou o Réveillon num evento de Valadão.

Já a Igreja Universal do Reino de Deus tem se mantido neutra nesta eleição. Se em 2018 e 2022 o fundador, bispo Edir Macedo, explicitou respaldo a Jair, o mesmo não aconteceu com o filho, ao menos até aqui.

A denominação orienta pastores a não apoiar publicamente nenhum dos candidatos. A neutralidade foi lida como uma postura cautelosa, sobretudo num momento em que o Digimais, banco controlado por Macedo, é alvo de investigações.

O Republicanos, fundado por nomes vinculados à Universal, aliou-se a Flávio no segundo turno. No sábado que antecedeu o primeiro turno, a igreja encerrou uma campanha que dizia ter propósito espiritual de "restauração e construção dos valores cristãos, da fé e da proteção das famílias".

O bispo Alessandro Paschoall, interface da igreja com a política, postou na semana passada um videocast em que, usando um boné onde se lia "minha bandeira é o Senhor", disse não levantar bandeiras de direita, esquerda ou centro. Se lhe perguntam onde se posiciona, responde que seu "espectro político é o espectro celestial", afirmou.

Também descartou a ideia de que todo cristão tem que ser de direita. Ele tem que ser, isso sim, "do reino de Deus", afirmou Paschoall. Quatro anos antes, o bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo e uma das principais lideranças da Universal hoje, disse ser incompatível ser cristão e votar na esquerda.

Por Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Advogado de Trump critica fala de Lula durante debate com Flávio

Martin de Luca, advogado que atua para empresas ligadas a Donald Trump, fez uma grave acusação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com ele, o petista persegue o adversário político, Flávio Bolsonaro (PL).

Advogado ligado a Trump acusa Lula de perseguir Flávio Bolsonaro

No domingo (18/10), Lula afirmou que Flávio poderia enfrentar consequências após o 2º turno, marcado para o dia 25 de outubro, e declarou: “Se os seus amigos não estão deixando [as investigações] avançarem, agora elas vão.“, afirmou.

No domingo (18/10), Lula afirmou que Flávio poderia enfrentar consequências após o 2º turno, marcado para o dia 25 de outubro, e declarou: “Se os seus amigos não estão deixando [as investigações] avançarem, agora elas vão.“, afirmou.

Logo após uma declaração de Lula durante o debate presidencial da “Band”, De Luca contestou a referência à perda de imunidade. Nessa última segunda-feira (19/10), ele recorreu ao “X”, antigo “Twitter” e argumentou que o senador mantém mandato até 2027. “Se evidências justificam uma investigação, elas a justificam independentemente do resultado da eleição. Se uma investigação avança porque o oponente do presidente perde, o resultado eleitoral se tornou uma condição para a aplicação da lei penal.”, disse.


Na sequência, o advogado também cobrou explicações do petista: “Lula forneceu a data. Ele deve ao país uma explicação sobre a autoridade que perseguirá Flávio assim que a eleição terminar.”, declarou por fim.

https://x.com/RasputinCarva/status/2112140060548018430?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E2112140060548018430%7Ctwgr%5E5d17d80a82e3e3e8c6e7c6c0642613990c780eff%7Ctwcon%5Es1_c10&ref_url=https%3A%2F%2Fwww.areavip.com.br%2Fnoticias%2Fpolitica%2Fadvogado-de-trump-critica-fala-de-lula-durante-debate-com-flavio%2F

Campanha de Lula decide pedir cassação de chapa de Flávio por 'manipulação algorítmica' da Meta


        Plataforma nega fazer interferência eleitoral e diz se tratar de problemas técnicos
A campanha do presidente Lula decidiu entrar com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acusando a Meta de "manipulação algorítmica" em favor de Flávio Bolsonaro e pedindo a cassação presidencial da chapa do candidato do PL.

Na ação de investigação judicial eleitoral (Aije), que será formalizada nas próximas horas, os advogados afirmam que os sistemas de recomendação, as ferramentas de inteligência artificial generativa e os mecanismos de revisão de anúncios das plataformas da Meta (Instagram, Facebook e WhatsApp) passaram a operar em benefício da candidatura de Flávio, prejudicando Lula.

A ação aponta ainda os incidentes envolvendo ferramentas de IA da Meta do X (o Grok), que geravam propaganda ligada a Flávio e se negavam a gerar para Lula, semelhante ao que ocorreu com a MetaAI.

A Aije alega uso indevido dos meios de comunicação social e abuso do poder econômico e cita reportagem do jornal Folha de São Paulo que revelou mensagens internas em que funcionários da Meta admitiam que Lula foi prejudicado por restrições a anúncios da campanha na plataforma e que o canal de Flávio no WhatsApp e seu perfil no Instagram foram recomendados algoritmicamente, prática vedada pelas regras do TSE.

Além disso, a ação aponta o que vê como amplificação algorítmica "atípica" do perfil de Instagram do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais cabos eleitorais de Flávio.

A peça jurídica refere-se a levantamento apontando que Nikolas obtém dezenas de milhões de visualizações em seus vídeos, acima do que obtêm perfis com muito mais seguidores, como os de Kylie Jenner, Kim Kardashian, Neymar, Virginia Fonseca e Beyoncé. Também indica teste em que o mesmo vídeo publicado por Nikolas em duas plataformas teve engajamento muito distinto —alcançou 396,4 mil visualizações no TikTok e 56,1 milhões no Instagram.

Ainda segundo a Aije, os perfis dos dois candidatos no Instagram estariam exibindo engajamento desproporcional.

"Embora o perfil (de Flávio) tenha 17,2% menos seguidores (13.606.146 contra 16.436.220), sua média de curtidas e comentários por publicação é 2,96 vezes maior; nos Reels, as visualizações médias chegam a 15,64 milhões, contra 5,91 milhões; e, normalizada pela base de seguidores, a taxa de interação é de 10,23% contra 2,86% — 3,58 vezes maior."

Em relação a sua ferramenta de IA, a Meta respondeu que, "em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil", proibiu temporariamente a geração de imagens de candidatos e adotou "medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens"

A Aije menciona ainda que, em 13 de outubro, uma publicação do presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, contra Lula foi impulsionada com recursos da entidade e alcançou mais de 1 milhão de usuários do Facebook e do Instagram. Apenas os partidos, coligações e candidatos podem pagar para fazer impulsionamento de propaganda eleitoral, que não pode ser negativa.

A campanha de Lula já tinha acionado o TSE na semana passada, pedindo ações corretivas para a Meta. O jurídico do candidato afirmou que as redes sociais da Meta estariam falhando de forma "reiterada e sistemática" na entrega de postagens de Lula e aliados.

Em decisão liminar em 15 de outubro, o ministro Marco Bellizze determinou que a empresa tratasse os dois candidatos de forma isonômica e sanasse os problemas nas contas de anúncio de Lula, além de pedir uma série de providências e informações. O descumprimento levaria a uma multa diária de R$ 500 mil à Meta.

Na noite de domingo (18), Bellizze expediu outra decisão liminar em que afirmou que, caso a Meta não cumpra as exigências em 24 horas, terá sua multa diária aumentada para R$ 1 milhão.

"O alinhamento das big techs com a campanha de Flavio Bolsonaro já estava posto desde que tiveram papel ativo nos fóruns de comunicação do PL; o que estamos vendo não é só uma tentativa de interferir em favor de uma campanha, mas um ataque direto a umas das maiores democracias do mundo", diz o advogado Luiz Eduardo Peccinin, que assina a ação.

"Uma empresa privada não pode decidir, pela opacidade de seus algoritmos, quem será ouvido e quem será silenciado numa eleição. Os indícios de interferência da Meta exigem apuração urgente, transparência e responsabilização. Se a plataforma reduz indevidamente o alcance de uma candidatura, compromete a igualdade da disputa e o direito do eleitor à informação", afirma outra autora da Aije, Maíra Recchia.

Reportagem do jornal Folha de São Paulo apontou que, em 9 de outubro, o perfil oficial de Lula ficou impossibilitado de impulsionar postagens feitas no feed do Instagram. Em uma justificativa inicial, a Meta disse que se tratava de uma falha técnica a nível global. No entanto, o problema mundial no impulsionamento havia ocorrido em 7 de outubro e durou cinco horas. O caso de Lula foi registrado no dia 9 e durou quase 24 horas.

Nos diálogos, os funcionários admitiam que a conta de Lula estava "limitada" em comparação à de Flávio.

Outro episódio foi a recomendação do canal "Tropa do Flávio" nas buscas de canais de apoio a Lula no WhatsApp. Conforme determinação do TSE, perfis e canais de candidatos não podem ser recomendados e só podem aparecer nas buscas caso o usuário tenha procurado o exato nome da conta.

Contudo, de acordo com as conversas internas, os funcionários estavam cientes de que, ao buscar pelo termo "Exército de Lula", nome do canal do presidente no WhatsApp, os usuários também recebiam recomendações do canal de apoio a Flávio.

Além disso, o perfil de Flávio também aparecia nas recomendações em busca no Instagram, enquanto outros candidatos, não.

Nas mensagens, os funcionários também admitiam que o perfil do senador estava aparecendo e que não deveria. As conversas mostram também que eles sabiam que a conta de Lula não aparecia nem se fosse procurado o nome exato do perfil do presidente, como deveria acontecer.

Procurada, a Meta disse, na sexta (16), que as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer a candidatura de Flávio são falsas. Segundo a empresa, os problemas relatados tiveram "causas distintas".

"Alguns desses episódios tiveram alcance amplo e afetaram diferentes contas e anunciantes em diferentes países. Não damos tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política, e nossos sistemas não são projetados ou operados para fazê-lo", disse.

Em sua ação, a campanha de Lula pede uma série de informações sobre o funcionamento dos algoritmos da Meta e acesso às mensagens internas da empresa como forma de demonstrar sua tese de que houve abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
Por Patrícia Campos Mello/Folhapress

Flávio Bolsonaro critica entraves ambientais e diz que produtor 'vai fazer o que quiser na sua terra'

Declaração do presidenciável foi dada em Marabá (PA), região marcada por conflitos fundiários

Foto: Vittor Sales/Divulgação
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (19) em agenda na Amazônia que pretende, caso seja eleito, promover um programa de regularização fundiária e rever as restrições ambientais que, segundo ele, são motivadas por razões ideológicas.

Em um rápido discurso na cidade de Marabá, sudeste do Pará, Flávio prometeu ampliar a titulação de terras e defendeu que os proprietários tenham liberdade para decidir como explorar suas áreas, afirmando que eles vão poder "fazer o que quiser" com as terras.

"Vamos respeitar a propriedade privada. Você vai poder plantar, criar gado, vai fazer o que quiser na sua terra e o que você explorar da terra é seu. Esses entraves que existem ambientais por causa de razões ideológicas a gente vai acabar", afirmou.

A proposta do presidenciável foi anunciada no Pará, estado que concentra terras indígenas, unidades de conservação e áreas sob domínio federal, além de registrar conflitos fundiários.

No discurso, Flávio fez uma crítica ao presidente Lula (PT), afirmando que o adversário vai governar movido por vingança caso seja reeleito no próximo domingo (25).

"O atual presidente da República tem uma coisa no DNA dele: além da mentira e da corrupção, tem a vingança", destacou o senador.

Flávio Bolsonaro chegou a Marabá por volta das 10h30 desta segunda. Desembarcou no aeroporto João Corrêa da Rocha, onde centenas de apoiadores aguardavam sua chegada.

Em seguida, embarcou em um veículo acompanhado do prefeito de Marabá e do governador eleito do estado, Dr. Daniel (Podemos). O candidato seguiu para um trio elétrico estacionado em frente a uma loja Havan e participou de carreata pelas ruas de Marabá.
Por Weliton Moreira/João Pedro Pitombo/Folhapress

Faltam 6 dias: prazo para registrar pesquisas eleitorais termina nesta segunda-feira (19)

Registro deve ser feito no PesqEle. Sistema recebeu melhorias para ampliar transparência e detalhamento metodológico dos levantamentos
Esta segunda-feira (19) é o último dia para que os institutos registrem pesquisas de opinião relativas ao 2º turno das Eleições 2026. O registro deve ser feito no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle). O prazo está previsto no calendário eleitoral.

De acordo com a Resolução-TSE nº 23.600/2019, pesquisas realizadas antes do dia das eleições podem ser divulgadas a qualquer momento, inclusive no próprio dia da votação, desde que respeitado o prazo de cinco dias.

Divulgação dos resultados

Ao divulgar os resultados de uma pesquisa eleitoral, é obrigatório informar:

I - o período de realização da coleta de dados;

II - a margem de erro;

III - o nível de confiança;

IV - o número de entrevistas;

V - o nome da entidade ou da empresa que a realizou e, se for o caso, de quem a contratou;

VI - o número de registro da pesquisa.

O registro da pesquisa não implica a obrigatoriedade da divulgação dos resultados. A Justiça Eleitoral também não realiza qualquer controle prévio sobre os dados nem é responsável pela divulgação.

Transparência nos levantamentos

Em 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementou melhorias no PesqEle para ampliar o detalhamento metodológico e a transparência dos levantamentos eleitorais. As mudanças foram baseadas em parecer técnico elaborado por um grupo de trabalho após reunião entre o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e representantes de empresas do setor.

A atualização não cria novas obrigações, mas aprimora a forma de apresentação das informações já exigidas pela Resolução-TSE nº 23.600/2019. O objetivo é facilitar a compreensão dos métodos utilizados e ampliar a confiança nos dados divulgados.

Detalhamento metodológico

Além dos campos já existentes, os institutos de pesquisa deverão informar: 

representatividade e amostra – descrição da população representada, classificação do plano amostral, tamanho projetado da amostra, nível de confiança e margem de erro máxima esperada; 

procedimentos de campo – base ou método utilizado para acessar o eleitorado e indicação sobre o uso de mídias (como áudios, vídeos ou imagens) na aplicação da entrevista; 

estrutura do questionário – informações sobre a ordem de apresentação das perguntas aos entrevistados.

Dados após a divulgação 

Depois do prazo previsto na Resolução-TSE nº 23.600/2019 para a divulgação da pesquisa, as empresas deverão complementar os dados no PesqEle com informações efetivamente apuradas durante o trabalho de campo, como: 
  • período da coleta – datas e horários exatos de início e término das entrevistas; 
  • amostra efetiva – número de entrevistas realizadas e tratamento dado a perdas, recusas e substituições de entrevistados; 
  • método e precisão – forma de coleta, plataforma utilizada, procedimento de ponderação, medidas de precisão estatística e indicação de eventual divulgação por subgrupos; 
  • transparência de dados – cálculo da taxa de resposta e relatório sobre limitações metodológicas.  

  • Consulta pública
O PesqEle permite consultar as pesquisas de intenção de voto registradas no país e reúne as informações exigidas pela legislação eleitoral. A ferramenta pode ser acessada por cidadãos, jornalistas, partidos e candidatos. 

É possível consultar dados como metodologia, período de realização, tamanho da amostra, margem de erro, estatístico responsável e o questionário completo utilizado. 

O cadastro prévio no PesqEle é obrigatório para os institutos e permite verificar a regularidade das pesquisas e acessar informações que favorecem a transparência dos levantamentos eleitorais.
DV/JP/DB

Lula e Flávio Bolsonaro fazem o primeiro debate do 2º turno

Encontro promovido pela Band ocorre uma semana antes da votação, marcada para 25 de outubro, em cenário de empate técnico nas pesquisas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participam na noite deste domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026.

O debate estava previsto para começar às 20h, mas começou por volta das 20h15.

O encontro r, a uma semana da votação que vai definir o próximo presidente da República, marcada para 25 de outubro.

É o primeiro confronto direto entre Lula e Flávio nesta etapa da campanha (veja temas debatidos abaixo).

Os dois não participaram do primeiro debate presidencial promovido pela Band, em 23 de agosto, ainda durante o primeiro turno.

Primeiro bloco

No primeiro bloco, Lula e Flávio responderam a perguntas dos apresentadores e, na sequência, participaram de um confronto direto.

Pelas regras apresentadas pela Band, cada candidato tem um banco de 15 minutos no confronto para administrar como preferir.

1) Segurança pública

A primeira pergunta do debate foi sobre segurança pública. Os candidatos foram questionados sobre o avanço do crime organizado, o domínio de territórios por facções e milícias e a redução da maioridade penal.

Primeiro a responder, Flávio Bolsonaro afirmou que, se eleito, vai declarar “guerra ao narcoterrorismo” e classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e as milícias como organizações narcoterroristas. A classificação faz parte do plano de governo do candidato.

O candidato disse ainda que pretende recuperar territórios dominados pelas organizações criminosas e endurecer o tratamento contra integrantes de facções. Citou a lei antifacção e afirmou que líderes dessas organizações poderão ficar até 80 anos presos.

“Eu vou recuperar cada metro. Eu vou recuperar cada rua. Eu vou recuperar cada bairro. Eu vou recuperar cada cidade. Eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O senador disse ainda que criminosos serão “presos ou neutralizados pelas nossas polícias” e acusou o atual governo de adotar uma política de desencarceramento.

Lula foi o segundo a falar. Ele afirmou que a segurança pública é responsabilidade dos estados pela Constituição de 1988 e disse que a PEC da Segurança Pública ampliará a participação da União na área.

O presidente afirmou que, se a proposta for aprovada pelo Senado, criará o Ministério da Segurança Pública.

Lula também citou a Lei Antifacção e disse que seu governo pretende combater o crime organizado tanto nos territórios dominados pelas facções quanto entre integrantes de maior poder econômico.

A lei contra facções foi sancionada por Lula em março e ampliou penas e instrumentos de investigação.

O presidente defendeu ainda uma atuação conjunta de União, estados e municípios para recuperar territórios dominados por organizações criminosas e milícias.

“Para o trabalhador e para a comunidade, proteção. Para o bandido, prisão”, afirmou Lula.

Ele encerrou a resposta afirmando que seu governo fez, nos últimos quatro anos, “muito mais” no combate ao crime organizado do que havia sido feito anteriormente no país.

2) Economia

Na segunda pergunta do primeiro bloco, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foram questionados sobre o baixo crescimento da economia brasileira, a dívida pública, os juros, a carga tributária e a recuperação do grau de investimento.

Primeiro a responder, Lula disse que o país precisa estimular o crescimento por meio da circulação de renda e do incentivo aos pequenos negócios.

O presidente citou políticas voltadas aos Microempreendedores Individuais (MEIs) e afirmou que pretende ampliar os incentivos ao setor para gerar emprego e desenvolvimento. O governo anunciou recentemente um pacote de medidas voltadas aos MEIs.

Lula também afirmou que o país está próximo de recuperar o grau de investimento e defendeu investimentos nas economias digital, verde e criativa.

Na sequência, Flávio Bolsonaro questionou a situação econômica das famílias e citou os preços dos alimentos.

“A sua vida melhorou ou piorou? A comida está mais cara ou está mais barata?”, perguntou Flávio Bolsonaro.

O candidato afirmou que o resultado do primeiro turno, no qual terminou à frente de Lula, provocou queda nas taxas de juros futuros.

Flávio Bolsonaro também criticou o crescimento da dívida pública e atribuiu o aumento do endividamento ao que chamou de “gastança” do atual governo.

Ele afirmou que pretende controlar os gastos para abrir espaço no Orçamento e disse que usaria os recursos tanto para reduzir a dívida pública quanto para ajudar famílias endividadas.

O plano econômico do candidato prevê um ajuste fiscal com cortes de gastos, embora parte das medidas ainda não tenha sido detalhada.

“Eu vou ajudar você a pagar a sua dívida. Eu vou ajudar o governo a pagar a própria dívida”, afirmou.

O candidato encerrou a resposta dizendo que pretende combater a corrupção e afirmou que tirar Lula da Presidência seria “o primeiro passo” para controlar o Orçamento.

Confronto direto

No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras.

Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto.

Em seguida, questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Roberta e Fábio Luís são investigados pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência; ambos negam irregularidades.

O embate passou então para acusações de corrupção.

Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados.

Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes.

Lula também cobrou explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões negociados com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que já havia explicado o caso e negou irregularidades. A Polícia Federal investiga o financiamento da produção.

Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral.

Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro.

Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6x1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6x1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta.

Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda.

Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula.

➡️Segundo bloco

1) Saúde

O segundo bloco começou com uma pergunta sobre saúde. Os candidatos foram questionados sobre as filas para consultas com especialistas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS), além do financiamento necessário para ampliar o atendimento.

Primeiro a responder, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende criar um prontuário eletrônico único, com informações das redes municipal, estadual, federal e privada integradas pelo CPF.

O candidato também defendeu o uso de telemedicina, tecnologia e inteligência artificial para agilizar o atendimento.

Flávio disse ainda que pretende levar ao SUS o que chamou de “padrão Einstein” e voltou a afirmar que, se eleito, escolherá o médico Claudio Luiz Lottenberg para comandar o Ministério da Saúde.

Na sequência, Lula criticou a gestão da saúde no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid e questionou se a proposta de Flávio significaria privatizar o SUS.

O presidente afirmou que seu governo trabalha para recuperar o sistema público de saúde e criticou a escolha de Claudio Luiz Lottenberg.

Lula disse que o adversário não conhece a saúde pública e cobrou a escolha de pessoas com experiência no setor.

2) Saída temporária de presos

No confronto direto do segundo bloco, Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre a saída temporária de presos.

O candidato citou dois crimes cometidos por detentos beneficiados pela medida e perguntou se Lula era favorável à manutenção do benefício.

Lula defendeu a saída temporária para presos com bom comportamento como instrumento de ressocialização, mas afirmou que pessoas que cometeram crimes violentos não devem receber o benefício. O presidente disse que o sistema prisional deve buscar recuperar os presos.

Na sequência, Flávio voltou ao tema da escala 6x1 e afirmou que mudou de posição após ouvir trabalhadores durante a campanha.

Lula respondeu com críticas ao histórico profissional do adversário e disse que pretende continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação.

3) Saúde volta ao confronto

Na segunda pergunta do confronto, Lula voltou ao tema da saúde e criticou novamente a gestão do governo Bolsonaro durante a pandemia.

O presidente defendeu o SUS e citou a ampliação do número de médicos e medidas para reduzir o tempo entre diagnóstico e tratamento de câncer.

Flávio reconheceu que a saúde não foi uma área em que o governo de Jair Bolsonaro teve “o melhor resultado”, atribuiu parte das dificuldades à pandemia e afirmou que o ex-presidente “deu o seu melhor”.

Em seguida, voltou a falar de economia e apresentou uma proposta para renegociação de dívidas de pessoas e empresas.

➡️Terceiro bloco

1) Produtividade

O terceiro bloco começou com uma pergunta sobre a baixa produtividade da economia brasileira e as medidas que os candidatos pretendem adotar para aumentar a produção e a renda no país.

Primeiro a responder, Lula afirmou que o aumento da produtividade depende de investimentos das empresas em inovação.

O presidente citou a Nova Indústria Brasil e defendeu investimentos em economia digital, data centers, economia criativa e economia verde, além da formação de profissionais em áreas como engenharia e matemática.

Flávio afirmou que pretende tratar a internet como infraestrutura e conectar escolas, hospitais e aldeias indígenas.

Disse ainda que pretende criar uma plataforma que conecte trabalhadores às áreas de recursos humanos de empresas, além de oferecer capacitação e financiamento por meio da Caixa para pessoas que queiram abrir o próprio negócio.

2) Estados Unidos e terras raras

No confronto direto, Lula questionou Flávio sobre sua relação com os Estados Unidos e perguntou se, em um eventual governo, o candidato entregaria a exploração de terras raras brasileiras aos americanos.

Flávio negou ter atuado para que empresas brasileiras fossem atingidas por tarifas americanas e afirmou que foi aos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros.

Lula insistiu no tema e acusou a família Bolsonaro de subordinação aos interesses americanos. Na sequência, propôs que os dois candidatos abram suas contas bancárias e seus sigilos telefônicos para análise antes da eleição.

Flávio afirmou não ter “absolutamente nada a esconder” e defendeu cooperação entre países das Américas contra organizações criminosas e maior atuação das Forças Armadas nas fronteiras.

3) Maioridade penal e segurança pública

Na última rodada do confronto, Flávio defendeu a castração química de estupradores, a redução da maioridade penal e o endurecimento das penas para crimes como roubo de celular.

Flávio afirmou que defende a redução para 14 anos em casos de crimes graves e hediondos. Na reta final da campanha, Lula também passou a defender a redução da maioridade penal, mas para 16 anos e somente em crimes hediondos. Essa posição do presidente foi apresentada em entrevista à Globo antes do debate.

Lula respondeu citando medidas de seu governo relacionadas a celulares roubados e voltou à economia. O presidente defendeu políticas de crédito e renegociação de dívidas e afirmou que o crescimento econômico é a melhor maneira de reduzir o peso da dívida pública.

Ao final da rodada, Lula repetiu o desafio para que Flávio abra suas contas bancárias e o conteúdo de seu celular.

Considerações finais

Lula foi o primeiro a fazer as considerações finais. No início, houve interrupções, e os mediadores pediram a Flávio e à plateia que permitissem que o presidente falasse.

Lula agradeceu aos apoiadores e defendeu a continuidade de seu governo. Disse que o Brasil está preparado para crescer mais e citou como prioridades a recuperação da indústria. Também criticou privatizações e defendeu estatais “fortes e produtivas”.

Flávio afirmou, nas considerações finais, que não fará promessas que não puder cumprir e voltou a defender a criação do Ministério da Prosperidade e suas propostas para a segurança pública. Disse que pretende colocar o cidadão no “centro do governo” e pediu votos para o segundo turno.

Após as duas falas, os mediadores encerraram o primeiro debate do segundo turno.

Disputa apertada

O debate ocorre em meio a uma disputa apertada pela Presidência. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta (15) mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 45%.

Já levantamento Quaest divulgado na quarta (14) apontou Flávio com 46% e Lula com 44%. Nos dois casos, os candidatos estão tecnicamente empatados.

No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com cerca de 2,2 milhões de votos a mais que Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual.

Na reta final da campanha, as duas candidaturas apostam nos debates e na mobilização nas ruas para conquistar votos.

A campanha de Lula pretende destacar medidas de apelo popular, enquanto aliados de Flávio planejam intensificar as respostas aos ataques do presidente e dar mais espaço às propostas do senador.

Por Redação g1 — Brasília