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Reação do governo brasileiro é valorosa, e regime não está em risco, diz embaixador do Irã no Brasil
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, afirmou nesta segunda-feira (2) que a reação do governo brasileiro aos ataques americanos e israelenses foi "valorosa", e disse que a operação militar não coloca em risco o regime no país persa.
"A gestão e administração do país está em vigor de forma plena", afirmou Nekounam, em coletiva de imprensa na Embaixada do Irã em Brasília, segundo tradução oferecida pela própria missão diplomática.
"Vemos essa ação da parte do governo brasileiro como uma ação valorosa, que dá atenção aos valores do ser humano, soberania, integridade territorial e também à independência dos governos".
Na conversa com jornalistas, o embaixador deu destaque à morte de 170 meninas que o regime iraniano diz terem sido vítimas de bombardeio em uma escola feminina no sul do Irã, e sustentou que as relações com países vizinhos como Catar, Jordânia e Kuwait não foram afetadas pelos ataques retaliatórios iranianos.
"Não há nenhum desentendimento com nossos países vizinhos", disse. Segundo ele, os alvos das ações iranianas são EUA e Israel.
Uma operação militar conjunta de Estados Unidos e Israel matou no último sábado (28) o líder supremo do Irã, aiátolá Ali Khamenei. Ele foi alvo de um bombardeio aéreo enquanto se reunia com chefes miliares em Teerã –boa parte da cúpula militar também morreu no ataque.
Os bombardeios continuaram no domingo (1º), assim como os ataques retaliatório iranianos em alvos israelenses e bases americanas na Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia.
O governo brasileiro reagiu ao conflito afirmando que "a escalada de hostilidades na região do Golfo representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance".
"Ao fazer apelo à interrupção de ações militares ofensivas, o Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis", diz nota emitida pelo Itamaraty.
A chancelaria brasileira também se solidarizou com países vizinhos ao Irã atingidos pelos ataques retaliatórios. Na conversa desta segunda-feira (2), o embaixador do Irã não respondeu se esperava uma posição mais enérgica do governo brasileiro.
Por Marcos Hermanson/Folhapress
Lulinha admite a interlocutores que teve voo e hotel pagos pelo Careca do INSS em viagem a Portugal
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse a pessoas próximas que teve viagem e hospedagem em Portugal pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso sob suspeita de corrupção de agentes públicos para manter o esquema bilionário de fraudes que lesou aposentados. Lulinha afirmou ter viajado com Antunes para visitar uma fábrica de produção de cannabis com fins medicinais, mas negou ter fechado negócio ou ter recebido qualquer outro pagamento do lobista.
O nome de um foi conectado ao do outro quando um ex-funcionário do Careca do INSS afirmou à Polícia Federal que os dois eram sócios e que o lobista pagava R$ 300 mil mensais ao filho do presidente. As investigações também encontraram trocas de mensagens em que Careca providenciava pagamentos de R$ 300 mil ao “filho do rapaz”, que não é identificado nas conversas. A PF abriu investigação para apurar se o tal “filho do rapaz” é Lulinha.
Além da investigação da PF, Lulinha teve o sigilo bancário quebrado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS em razão de sua relação com o lobista. O Careca está preso em razão de pagamentos milionários a ex-dirigentes do INSS. Ele representava entidades suspeitas de descontos indevidos junto ao órgão e as transferências a familiares desses agentes públicos são tidas pela polícia como indícios de propina pelos acordos entre as associações e o INSS.
O Estadão apurou com pessoas próximas do filho do presidente qual é sua versão a respeito da ligação com o Careca do INSS. Fábio Luís Lula da Silva disse ter se aproximado do lobista porque ele era um amigo em comum com a empresária Roberta Luchsinger, também investigada pela Polícia Federal por ter recebido pagamentos de Antunes. Procurados, Lulinha e o Careca do INSS não se manifestaram. Roberta Luchsinger não foi localizada.
Os interlocutores de Lulinha relataram ao Estadão que ele teria sido convidado a visitar uma fábrica de cannabis medicinal com Antunes em Portugal. Voou com o lobista no fim de 2024, em primeira classe, e ficou em hotel com tudo pago por Antunes. Diz ainda que houve um convite a se associar ao lobista na empreitada da cannabis, que não se concretizou. O filho do presidente afirma não ter qualquer relação com o esquema do INSS e que não sabia do envolvimento de Antunes com os fatos investigados.
Churrasco no Lago Sul e lobby
Segundo interlocutores de Lulinha, o filho do presidente afirma ter sido apresentado a Antunes por Roberta Luchsinger, ex-mulher do ex-delegado e ex-deputado Protógenes Queiroz. Petista de carteirinha, concorreu, sem êxito pelo partido a deputada estadual, em 2018. Um ano antes, prometeu doar R$ 500 mil a Lula para pagar a conta de um bloqueio bancário imposto na Operação Lava Jato – o que foi barrado pela Justiça, que lhe impunha o pagamento de uma dívida com um fornecedor.
Nos últimos anos, Roberta ficou próxima e ganhou a amizade de Lulinha e sua família. Ela vende serviços de “advocacy”, o famoso lobby, em Brasília, para empresas com interesses em ministérios e agências reguladoras. Já Antunes, além dos esquemas no INSS, também é dono de uma empresa de maconha medicinal, a World Cannabis, sediada em Brasília. Como mostrou o site Metrópoles, Roberta e Antunes estiveram no Ministério da Saúde. O Careca queria vender os serviços da World Cannabis. Roberta representava os interesses de uma empresa de tecnologia. Na catraca da entrada do Ministério, o Careca também constou como representante da mesma empresa, que negou vínculo com ele.
O lobista, segundo a versão de Lulinha, também queria entender questões regulatórias da cannabis medicinal relacionadas à Anvisa com Roberta, que teria prestado serviços a empresas em questões regulatórias. Segundo as fontes próximas de Lulinha, encontros do filho do presidente com o Careca do INSS passaram a ocorrer na mansão de Roberta no Lago Sul, em Brasília. O trio fazia churrascos com caipirinha e, no fim da tarde, Lulinha ainda levava os netos para ver o avô antes de deixar a capital federal. Lulinha afirma ter procurado entender do assunto, ter falado sobre o cultivo indoor e o controle de temperatura das estufas e ter sugerido até uma solução tecnológica para acompanhar o desenvolvimento da planta.
Maconha na ‘Veneza de Portugal’
Antunes afirmou que queria comprar uma fábrica onde a cannabis era cultivada na região de Aveiro, cidade costeira conhecida como a “Veneza” de Portugal. Foi então que propôs viajar com o filho do presidente e conhecer as instalações. No dia 8 de novembro de 2024, ambos embarcaram em voo de primeira classe para Lisboa, partindo do Aeroporto de Guarulhos. A existência da viagem foi revelada pelo Metrópoles e também foi mencionada por Edson Claro, ex-funcionário do Careca, à Polícia Federal, mas até o momento a investigação não obteve documentos sobre quem teria pagado o deslocamento.
Lulinha, entretanto, afirmou a interlocutores ouvidos pelo Estadão que pretende admitir que foi o Careca do INSS quem custeou suas passagens e sua hospedagem em Portugal.
Antunes tinha até montado uma empresa, a Candango Consulting, na cidade de Porto, da qual é sócio ao lado de seu filho, Romeu. Lulinha diz que o negócio com ele não avançou e que nunca recebeu qualquer tipo de dinheiro do Careca do INSS. Ele afirma que isso será comprovado com a apresentação do saldo de sua conta bancária, que tem apenas recebimento de dividendos de suas empresas. E diz que elas não prestaram serviços ao lobista.
Um galpão em Portugal
O Estadão obteve acesso a documentos apreendidos pela Polícia Federal que mostram que o negócio do Careca do INSS andou em Portugal. Um deles é um contrato para a compra de um galpão pelo valor de 2,7 milhões de euros em Aveiro, datado do início de fevereiro de 2025.
Também há uma troca de e-mails sobre a compra do imóvel. Os documentos não citam o filho do presidente. Na viagem a Portugal, meses antes, Lulinha foi com o Careca do INSS conhecer o galpão e também conhecer uma fábrica de produção de cannabis medicinal.
De acordo com as informações obtidas pela PF, o Careca do INSS chegou a assinar contrato e pagar uma entrada de 100 mil euros para a aquisição do galpão. Interlocutores do empresário que acompanharam as tratativas afirmam que o negócio só não foi adiante porque ele se tornou alvo da Polícia Federal na Operação Sem Desconto.
Por Luiz Vassallo e Aguirre Talento/Estadão Conteúdo
Atos contra Lula e STF mobilizam capitais pelo país; Rio registra 4,7 mil pessoas e Salvador tem manifestação no Farol
Manifestações convocadas com o mote “Fora Lula, Moraes e Toffoli” foram realizadas neste domingo (1º) em diversas capitais brasileiras, reunindo apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e críticos ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os atos ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador e outras cidades. A convocação foi liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), com críticas diretas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Em São Paulo, o ato ocupou dois quarteirões da Avenida Paulista, nas proximidades do Masp. Estiveram presentes o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência com aval do pai, além do pastor Silas Malafaia, do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e dos governadores Ronaldo Caiado (GO) e Romeu Zema (MG).
Discursos defenderam anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, criticaram decisões do STF e pediram o impeachment de ministros da Corte. Flávio Bolsonaro afirmou que o grupo é favorável ao afastamento de ministros que, segundo ele, descumpram a lei, e disse que a prioridade será eleger parlamentares comprometidos com essa pauta.
MENOR PÚBLICO NO RJ
No Rio de Janeiro, o ato ocorreu na Praia de Copacabana e reuniu 4,7 mil pessoas no momento de pico, segundo estimativa do grupo Monitor do Debate Político, do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common. A contagem foi feita a partir de imagens aéreas analisadas por software com aplicação do método P2PNet.
De acordo com o levantamento, trata-se da menor manifestação bolsonarista registrada pelo grupo na capital fluminense. Em setembro de 2025, o público estimado foi de 42,7 mil pessoas; em março de 2025, 18,3 mil; e, em abril de 2024, 32,7 mil.
O ato no Rio marcou a primeira aparição pública do deputado estadual Douglas Ruas (PL) após ser anunciado como pré-candidato ao governo do estado pelo campo bolsonarista. Discursos também defenderam a saída de Lula e criticaram ministros do STF.
SALVADOR
Em Salvador, apoiadores realizaram manifestação no Farol da Barra durante a manhã. Os participantes utilizaram camisas da seleção brasileira e carregaram bandeiras do Brasil e de Israel. O ato integrou a mobilização nacional convocada sob o lema “Acorda Brasil”.
A manifestação na capital baiana ocorreu de forma pacífica, com acompanhamento das forças de segurança. Não houve registro de ocorrências graves até o fechamento da matéria.
Por: Bahia noticias
Com presença de políticos, atos da direita começam em Brasília, BH e Rio
Pré-candidatos e lideranças da direita participam neste domingo (1º) de manifestações em mais de 20 cidades, sob o lema “Acorda Brasil”. Os atos reúnem críticas ao governo do presidente Luiz Inacio Lula da Silva (PT) e a ministros do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, em razão de desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. A informação é da CNN.
As mobilizações ocorrem pela manhã em Brasilia, Belo Horizonte, Copacabana e Salvador. Em São Paulo, está previsto ato com a presença do deputado Nikolas Ferreira, do senador Flavio Bolsonaro e dos governadores Romeu Zema e Ronaldo Caiado.
Em Brasília, a mobilização é liderada pela deputada Bia Kicis e conta com a participação do senador Rogerio Marinho, líder da oposição no Senado. Já em Belo Horizonte, Nikolas deve discursar ao público.
Ministro do TCU oferece curso, por R$ 4 mil, sobre como não ser condenado no tribunal
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Benjamin Zymler oferece um curso de dois dias em Brasília, a um custo de R$ 3.997 por inscrição, sobre como não ser condenado na Corte de contas em casos de contratos feitos sem licitação.
As palestras, que têm como público alvo servidores públicos, são ofertadas por meio de um instituto que disponibiliza aos interessados modelos prontos de contrato, pesquisa de preços de mercado e justificativas para a contratação da entidade.
Procurado para esclarecer a participação e como se daria remuneração, o TCU afirmou que o ministro não se manifestaria.
O curso, que tem como título “Contratação direta sem licitação e sem problemas”, está em sua quarta edição, e será realizado nos dias 16 e 17 de março, em Brasília.
Para a divulgação, Zymler gravou um vídeo no seu local de trabalho no qual afirma que decisões mal fundamentadas de gestores públicos “geram condenações aqui no Tribunal de Contas da União e, eventualmente, o desfazimento dos atos”.
Também diz na gravação que o curso servirá para “discutir de forma teórica e prática os requisitos legais para que haja uma boa contratação direta”.
Em um dos materiais publicitários do curso, a promessa é fazer os alunos dominarem “do básico ao avançado” e ensinar “como instruir corretamente um processo, justificar preços, escolher fornecedores e, principalmente, como se defender diante dos órgãos de controle”.
As palestras estão sendo vendidas pelo Instituto Brasil Planeja (IBP), fundado em 2024 e que tem como sócio-administrador Renato Andrade Gonçalves - que tem como negócio principal uma produtora de vídeos.
Os ministros podem ter atividades acadêmicas e de docência, conforme a legislação. Também podem ser sócios de empresas, desde que não tenham posição de administração ou direção sobre elas.
O curso do qual participará Zymler acontecerá na companhia do advogado Jacoby Fernandes, que foi conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal e hoje tem escritório de advocacia com atuação especializada em tribunais de contas. O site oficial dele tem como foto principal uma da sede do TCU.
Entre os temas abordados pelo ministro estão “aspectos jurídicos e éticos nas contratações, responsabilidade dos agentes públicos nas contratações diretas, contratações diretas e emergenciais e propostas com preços superiores”. A programação ainda reserva janela para “conselhos adicionais”.
O ingresso de R$ 3.997 é para a participação presencial nas palestras, que serão realizadas em um hotel de Brasília. A participação online custa R$ 2.997.
O IBP enviou nota na qual afirma o ministro cobra do instituto “o mesmo que cobra de outras instituições para as quais ministra cursos” e que ele apenas faz as palestras para as quais é contratado, sem opinar sobre os cursos ou sobre quem o instituto contrata.
Disse também que Zymler não tem qualquer participação na elaboração dos materiais disponibilizados para prefeituras nem sobre os cursos e temas tratados.
Esses documentos são necessários, segundo o IBP, porque “muitos órgãos públicos não sabem instruir um processo de contratação de treinamento” e, com isso, “perdem recursos, por falta orientação”.
“No início do curso, todos os professores dão os avisos para que o limite ético seja observado. Fazem-no para a própria proteção da reputação, elemento essencial à atividade”, ressaltou o IBP.
Contudo, Rafael R. Viegas, pesquisador e professor da pós-graduação da FGV/EAESP e da ENAP, pontua que o problema não é a atividade acadêmica em si, mas o escopo do curso e seu público alvo.
Para Viegas, a promessa implícita de ensinar “como não ser condenado” gera um “evidente desconforto ético e risco reputacional”.
“A presença de advogado que atua em Tribunais de Contas e o uso da imagem do próprio Tribunal na divulgação reforçam a percepção de proximidade excessiva entre quem julga e quem é julgado. Pode não haver ilegalidade formal, mas a prática é institucionalmente imprudente e eticamente questionável, pois afeta a credibilidade do sistema de controle”, afirmou.
Por Vinícius Valfré/Estadão Conteúdo
Direita articula sabotagem para não ter que votar fim da escala 6x1
Lideranças da direita intensificaram a ofensiva contra a proposta que prevê dois dias de descanso semanal aos trabalhadores, conhecida como fim da escala 6x1. Presidentes de partidos como Antonio Rueda, Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira criticaram publicamente a mudança e alertaram para impactos negativos na economia. A reportagem é do jornal O Globo.
Em encontros com empresários em São Paulo, Rueda e Valdemar defenderam atuar para impedir que o projeto avance no Congresso. Ambos reconheceram que, se a proposta for levada ao plenário, há grande chance de aprovação, o que reforça a estratégia de tentar barrar sua tramitação antes da votação.
Enquanto entidades patronais projetam efeitos como aumento de custos e demissões, defensores da mudança argumentam que a medida atende trabalhadores de baixa renda que atuam em jornadas extensas e buscam mais tempo de descanso. O embate deve se concentrar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde a discussão promete ser acirrada.
Por Redação
Desiludida, geração Z de esquerda tem revolta anticapitalista e críticas a Lula e Nikolas
Nos últimos anos, a revolta da geração Z, expressão que faz referência aos nascidos entre o fim dos anos 1990 e 2010, desencadeou protestos em países como Peru, Bangladesh, Indonésia e Quênia
Todos os dias, o pequeno comércio se instala ao redor da estação Vila Madalena, na zona oeste da capital paulista. Em meio à maré humana, um estabelecimento chama a atenção: a Casa Marx, espaço cultural com livraria, sebo, café e brechó, dedicado a difundir o pensamento de esquerda. Funciona ali também a sede do Faísca Revolucionária, coletivo de jovens anticapitalistas, atuante em 15 países.
"O termo ‘anticapitalista’ tenta dar conta de diversos fenômenos relacionados ao sentimento de que o sistema atual não oferece mais esperança para nós", diz Pedro Ferreira, 26, líder do grupo, nos fundos da casa, de paredes cobertas por lambe-lambes, com gravuras de Vladimir Lênin e de Leon Trótski.
A existência do Faísca se relaciona com o surgimento de outros coletivos de jovens que lutam pela mesma causa, dentro e fora das universidades. Em comum, fazem oposição ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e aos integrantes do MBL (Movimento Brasil Livre), hoje apoiados por parte expressiva da juventude. Ao mesmo tempo, criticam o presidente Lula (PT) e não se sentem representados pelos políticos que despontam como candidatos. Na origem, o sentimento anticapitalista é um traço da chamada revolta da geração Z, jovens desiludidos que agora organizam protestos ao redor do mundo.
Ligado ao MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores), o Faísa, criado há uma década, tornou-se conhecido por promover oficinas de estudo sobre comunismo nas universidades. Seus integrantes se tratam por "camarada" e, em vez do ChatGPT, utilizam o ChatMarx, aplicativo de inteligência artificial de orientação marxista.
Noah Brandsch, 21, outro líder do Faísca, está à procura de uma alternativa a Lula. "Utopia é a gente acreditar que é possível mudar as coisas por dentro do sistema capitalista", afirma. "É uma tarefa da esquerda superar o que foi a conciliação de classes do PT, que só reforçou a extrema direita."
A insatisfação com o governo também está presente no Movimento Correnteza, organização estudantil criada há oito anos sob o lema "organize a sua revolta" e voltado à luta pela educação. Thaís Rachel, 32, liderança do Correnteza e vice-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), prefere votar na candidata Samara Martins, do UP (Unidade Popular).
Segundo Rachel, os jovens estão subrepresentados na política. "Até existem novas lideranças, mas o sistema eleitoral é injusto e só favorece os partidos que estão aí há anos", diz.
Nos últimos anos, a revolta da geração Z, expressão que faz referência aos nascidos entre o fim dos anos 1990 e 2010, desencadeou protestos em países como Peru, Bangladesh, Indonésia e Quênia. Cada um deles tinha motivação própria, mas todos ambicionavam a mudança do status quo. Para tanto, apropriaram-se do mesmo símbolo: a bandeira do "One Piece", mangá em que os protagonistas lutam contra o sistema.
Nos Estados Unidos, o democrata Zohran Mamdani, 34, foi eleito prefeito de Nova York graças a uma articulação com a juventude, excitada com a plataforma socialista apresentada na campanha —78% dos eleitores com idade inferior a 30 anos votaram nele. A realidade é bem diferente no Brasil. Por aqui, a esquerda anticapitalista é minoritária entre os jovens.
Pesquisa Atlas Intel, publicada em dezembro, mostrou que 52% da geração Z se diz de direita ou de centro-direita. Deputados como Nikolas Ferreira (PL) e Kim Kataguiri, do MBL, têm especial ligação com esse eleitorado, que absorve e propaga noções de meritocracia, empreendedorismo e até um desprezo pela CLT, tema que ficou em alta em postagens no TikTok.
"As redes do Nikolas são usadas para referenciar a figura dele. Podem até chamar para atos, mas não para uma organização coletiva a longo prazo", afirma Theo Lobato, 30, líder do coletivo Juntos! —assim mesmo, com ponto de exclamação ao final. Ele se angustia com a crise climática, o avanço tecnológico e a precarização do trabalho. Tendo entrado no Juntos! há uma década, ainda sob o impacto das Jornadas de Junho de 2013, Lobato esteve, em novembro, na COP30, em Belém.
Para Julia Andrade Maia, 27, também militante do Juntos!, a direita tem eficiência na internet porque tem mais poder econômico, em um contexto de crise de representatividade na esquerda. Diante da ausência de opções, ela votaria no Lula, mas não "fará o L" — referência ao símbolo do petista, feito com as mãos pelos apoiadores.
A militante critica o arcabouço fiscal, que limita os gastos do governo, a morosidade da discussão sobre a escala 6x1 e a exploração da Foz do Amazonas. "Quando eu era mais nova, os meus pais me falavam que, se eu estudasse, teria um emprego, uma casa e um carro. Estou na segunda graduação e tudo isso está longe de acontecer."
Na noite da quarta-feira (25), o Juntos! organizou um debate, no campus da USP, com o título de "Os Povos do Mundo Contra Os Imperalismos: A Luta Antifascista e Antirracista para Salvar o Planeta". Na mesa, estavam o professor de filosofia da USP, Vladimir Safatle, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), revelada pelo Juntos!, a codeputada estadual Ana Laura (PSOL-SP) e o filósofo Douglas Barros.
Na plateia, havia cerca de cem calouros de ciências humanas. Bomfim, 36, diz ser preciso que a esquerda proponha uma alternativa ao capitalismo. "Não tinha extrema direita na minha época de militância estudantil, tudo era mais fácil. Ao mesmo tempo, o peso da extrema direita possibilita a construção de uma unidade."
No evento, ficou evidente a proposta ecossocialista que define o coletivo. Estudantes e palestrantes enfatizaram algumas preocupações urgentes: o avanço da inteligência artificial, a terminalidade do capitalismo, a questão identitária e as formas modernas de colonialismo. Nesse ponto, a Palestina surge como tema prioritário da geração Z anticapitalista, que trata Gaza como um bairro da capital paulista.
"A solidariedade internacional é um elemento fundamental para nós, porque o povo palestino está sendo genocidado, isso não é coisa da esquerda, todo mundo sabe o que está acontecendo", diz Pedro Antônio Chiquitti, 21, organizador do evento.
Safatle, que lança agora o livro "A Ameaça Interna", afirma que os coletivos progressistas têm a missão de criar uma nova linguagem para a esquerda. Ele observa uma grande quantidade de produtos da indústria cultural tematizando realidades distópicas, o que seria sintoma do sofrimento psíquico que acomete a geração Z. "Um jovem de 18 anos não tem condições ambientais de vida asseguradas para quando ele completar 40 anos", afirma Safatle. "Talvez a cidade desse jovem não terá ar limpo para ele respirar. Você tem ideia do que é isso?"
Por Gustavo Zeitel/Folhapress
Decisão de Gilmar provoca nova divergência entre Congresso e STF sobre papel das CPIs
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de anular a quebra de sigilos da empresa Maridt Participações, que pertence ao ministro Dias Toffoli e irmãos dele, abriu um novo flanco de divergência entre parlamentares e os membros da Corte.
Senadores da CPI do Crime Organizado aprovaram a medida na última quarta-feira, 25, junto com outros requerimentos, como os que pedem o convite de Toffoli, do também ministro Alexandre de Moraes e da mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes, para depor na comissão.
Na decisão, Gilmar diz que o requerimento relativo à firma dos Toffoli é ilegal e configura abuso de autoridade, porque avança sobre temas distintos do escopo dos trabalhos do colegiado. “A imposição de medidas restritivas só se justifica juridicamente quando guardam estrito nexo de pertinência com o objeto que legitimou a criação da Comissão”, escreveu.
A CPI foi instituída em novembro do ano passado após operação policial que deixou mais de 100 mortos no Rio de Janeiro. Os integrantes do colegiado, no entanto, avaliam que a apuração do uso de instituições financeiras, fundos de investimento e outros dispositivos do mercado lícito por facções criminosas faz parte do objeto de investigação proposto no plano de trabalho.
O requerimento que mira os negócios dos Toffoli se justificaria, segundo eles, devido à relação da empresa com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O Master foi liquidado pelo Banco Central por causa da crise de liquidez que impossibilitaria o cumprimento de compromissos com os credores.
O banqueiro é acusado de utilizar a instituição financeira para operar fraude de R$ 12 bilhões na emissão de títulos falsos no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Outra investigação, a Carbono Oculto, aponta que gestoras ligadas a executivos do banco custodiavam ativos do crime organizado.
A Maridt, que tem Toffoli como sócio anônimo e está em nome de José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, recebeu R$ 20 milhões de um fundo cujo único cotista era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como revelou o Estadão.
Como relator do caso no STF, Toffoli tomou diversas medidas controversas, como a que restringiu o acesso da PF às provas coletadas. O ministro deixou o processo e teve decisões revistas pelo novo relator, o ministro André Mendonça.
Senadores da oposição da oposição ao governo Lula classificaram a decisão como ação “corporativista”, “uma pedrada na instituição” da Suprema Corte e uma “interferência indevida”.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), rebateu a decisão de Gilmar. Segundo ele, o plano de trabalho prevê investigações sobre crimes cometidos por meio de instituições financeiras.
“O colegiado da CPI do Crime Organizado firmou entendimento quanto à existência de nexo causal entre a investigação envolvendo o Banco Master e o plano de trabalho aprovado, que prevê de forma expressa a apuração do uso de instituições financeiras pelo crime organizado. A decisão judicial do ministro do Supremo Tribunal Federal adotou interpretação diferente. Ainda não fomos intimados, e, tão logo haja a comunicação oficial, darei conhecimento aos membros da Comissão e avaliaremos com responsabilidade os caminhos processuais cabíveis”, disse Contarato em nota.
O relator do colegiado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), manifestou “grande preocupação” com a decisão de Gilmar Mendes e disse que vai recorrer. “Como relator da CPI do Crime Organizado, informo que vamos enfrentar esta decisão em todas as instâncias possíveis”, afirmou, por nota.
“Desse emaranhado de decisões judiciais consideradas atípicas e de movimentações financeiras milionárias e suspeitas, impõe-se uma conclusão: este escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”, acrescentou.
Plano de trabalho da CPI trata de crimes em setores econômicos lícitos
O plano de trabalho da comissão propõe, logo nas primeiras páginas, aprofundar investigações sobre o uso de meios aparentemente lícitos para dar verniz de legitimidade aos negócios de organizações criminosas.
“Esse fenômeno, conhecido como ‘novos ilegalismos’, torna o combate à criminalidade algo muito mais complexo, considerando que a penetração do crime em setores econômicos lícitos envolve diversos atores, como contadores e advogados, bem como a criação de empresas de fachada para efetivar a lavagem de dinheiro”, diz o documento.
O segundo dos nove tópicos temáticos propostos é “lavagem de dinheiro” e cita diretamente “fintechs e criptomoedas”, “patrimônio sem lastro”, “segmentos econômicos lícitos” e “mercado imobiliário”.
Gilmar diz que não há elemento concreto para vincular Maridt ao escopo da CPI
Para Gilmar, “o requerimento (da CPI) apresenta narrativa e justificação falhas, imprecisas e equivocadas”. “Há, na espécie, um verdadeiro salto lógico e jurídico: sob o pretexto de combater o crime organizado, a Comissão decreta a quebra de sigilos e a produção de relatórios sem a indicação de um único elemento concreto que vincule a ora requerente aos fatos narrados no requerimento de criação”, disse.
O ministro do STF também argumentou que medidas “invasivas” tomadas pelas CPIs devem ter uma fundamentação válida, o que, na sua visão, não foi o caso. “Uma simples e rápida leitura da justificativa apresentada junto ao requerimento de quebra de sigilos permite vislumbrar elementos vazios, destituídos de fundamentação concreta e sem amparo em base documental idônea”, afirmou.
“A defesa (da Maridt) mostra que o requerimento aprovado pela CPI, sem qualquer filtro pelo Judiciário, pode conduzir a uma verdadeira devassa na vida dos envolvidos”, acrescentou.
Por Gustavo Côrtes/Estadão Conteúdo
PF investiga suspeitas de “mesadas” a Lulinha em apuração sobre fraudes no INSS
A Polícia Federal pediu ao STF a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no âmbito da investigação sobre fraudes bilionárias no INSS. O pedido foi autorizado pelo ministro André Mendonça, após a PF relatar indícios de pagamentos mensais que seriam destinados a ele. A informação é da CNN.
Segundo o relatório sob sigilo, os investigadores apontam supostos repasses de R$ 300 mil mensais feitos por Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, por meio de uma intermediária. A apuração preliminar indica que os valores teriam como objetivo facilitar acessos em Brasília, o que é negado pela defesa dos envolvidos.
A PF também cita a apreensão de um envelope com o nome de Lulinha durante uma operação e mensagens que demonstrariam preocupação entre investigados após a busca. Com a quebra de sigilo autorizada, os investigadores vão analisar movimentações bancárias para verificar se houve transferências, identificar origem e destino dos valores e montar uma linha do tempo dos supostos pagamentos.
Por Redação
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Juízes do Trabalho receberam R$ 1 bilhão acima do teto em 2025
Magistrados aposentados e da ativa da Justiça do Trabalho receberam, ao longo de 2025, R$ 1 bilhão apenas em valores acima do teto constitucional, que é de R$ 46,3 mil. Uma juíza da categoria chegou a ganhar R$ 1,7 milhão em um único mês, em dezembro.
Os magistrados do trabalho foram representados no julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre supersalários na quarta-feira (25) pela juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares, presidente da ABMT (Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho). Na ocasião, ela rechaçou o uso do termo penduricalhos. Afirmou ainda que precisa pagar o próprio café e gasolina para trabalhar.
Cláudia também recebeu vencimentos acima do teto, com salário líquido que chegou a R$ 128 mil em dezembro passado. Procurada, a ABMT não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto.
Em nota, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) afirmou que o Judiciário possui independência e os tribunais administram seus respectivos orçamentos nos estados e na União. O conselho afirmou ainda que os salários são fixados por cada tribunal e o CNJ exerce um controle posterior e examina sua eventual ilegalidade.
Durante o julgamento no STF na quarta, Cláudia defendeu os recursos que engordam os salários dos magistrados, dizendo que são verbas indenizatórias previstas em leis estaduais na maior parte das vezes.
"Credito uma conotação extremamente negativa à expressão penduricalho. O que temos são pagamentos baseados em legislação estadual ou resolução do CNJ. Juiz de primeiro grau não tem carro, paga do seu próprio bolso o combustível, não tem apartamento funcional, plano de saúde, refeitório, água e café. O desembargador também não tem quase nada, a não ser um carro. Mal tem um lanche", disse Cláudia na corte.
Juízes do Trabalho recebem verbas indenizatórias, que não estão sujeitas a Imposto de Renda nem ao teto constitucional, além de pagamentos retroativos que inflam seus contracheques. A juíza que recebeu o maior valor no ano passado, por exemplo, ganhou R$ 1,7 milhão com direitos eventuais, o que levou ao salário elevado.
No plenário, alguns dos representantes de carreiras beneficiadas por verbas indenizatórias discursaram a favor da manutenção de seus salários. Entre eles, havia representantes de juízes, integrantes do Ministério Público e de carreiras da AGU (Advocacia-Geral da União).
O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu nesta quinta-feira (26) o julgamento sobre os penduricalhos salariais de funcionários públicos. Enquanto isso, as duas decisões liminares (provisórias) que barraram o pagamento das verbas seguem em vigor.
Fachin informou que a sessão sobre o assunto será retomada em 25 de março, junto a outros processos que tratam sobre o mesmo tema.
O ministro Gilmar Mendes determinou na segunda-feira (23) que verbas indenizatórias só podem ser pagas no Judiciário e no Ministério Público quando estiverem expressamente previstas em lei aprovada pelo Congresso Nacional. A decisão barra boa parte dos penduricalhos, que costumam ser determinados por ação administrativa e lei estadual. Mas o alcance geral da restrição ainda está sendo avaliado pelos especialistas.
A liminar foi concedida em ação direta de inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria-Geral da República e será submetida ao plenário do STF para votação. Nesta quinta, o ministro liberou por 45 dias o pagamento de retroativos já previstos para o Judiciário e o Ministério Público.
A determinação está alinhada à decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu no início do mês penduricalhos nos três Poderes, estabelecendo que apenas verbas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ficar fora do teto das respectivas carreiras.
Na liminar, Gilmar determinou que, após o fim dos prazos estabelecidos, os integrantes do Judiciário e do Ministério Público só poderão receber as verbas previstas em lei nacional e, nos casos necessários, regulamentadas por ato conjunto do CNJ e do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público).
Por Luany Galdeano/Folhapress
Mendonça autoriza quebra de sigilo de Lulinha em investigação sobre INSS
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), a pedido da Polícia Federal.
A decisão permite acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos no inquérito que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A autorização ocorreu antes da deliberação da CPMI que trata do caso.
O nome de Lulinha apareceu a partir de relatos de investigados. A PF apura se ele tinha relação com Antônio Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema. O processo tramita sob sigilo.
Entrevista - Presidente do Republicanos diz que alertou Motta contra fim do 6x1: 'Ócio demais faz mal'
Presidente do Republicanos, o deputado Marcos Pereira (SP) afirma que levou preocupações ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a jornada de trabalho 6x1.
Em entrevista à Folha, Pereira diz que discorda de votar o tema em ano eleitoral e ouviu de Motta que ele pautou a PEC porque o governo Lula (PT) insistiria com um projeto de lei, e por isso decidiu trazer o protagonismo à Câmara.
Para ele, a redução da jornada tirará a competitividade das empresas brasileiras e "quanto mais trabalho, mais prosperidade". Ele diz que, se as pessoas "tivessem condições de fazer lazer", a demanda seria válida, mas "o povo não tem dinheiro, infelizmente".
"Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?", questiona.
O Republicanos projeta aumentar sua bancada no Congresso após as eleições de 2026, prevendo aumento de mais de dez deputados após investir em candidaturas em estados com desempenho pior em 2022. Entre seus filiados está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O presidente do partido avalia que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ocupou o vácuo que poderia ter surgido na política brasileira após a prisão de Jair Bolsonaro (PL), mas critica o senador por tomar decisões sobre sua pré-candidatura presidencial sem diálogo com outros partidos. "Isso distancia", diz.
Qual será a posição do partido na PEC 6x1?
Estou muito preocupado. Eu já demonstrei ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater. Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa [Câmara].
Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo.
Eu estou preocupado. Pelas notas técnicas do setor produtivo, vai encarecer mais ainda. Pode ficar ruim para todos, porque vai tirar mais ainda a competitividade do setor produtivo brasileiro.
E o que o presidente Hugo Motta falou quando o senhor demonstrou essa preocupação?
Ele falou "vamos fazer um debate". No momento que ele despachou para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), ele me disse: "Eu estou fazendo isso porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o protagonismo".
Senão viria um projeto de lei e a Câmara seria obrigada a discutir?
Se vier com urgência, sim. Eu acho que é o que eles fariam.
Motta comparou a PEC com a criação da CLT e com o fim da escravidão. O senhor ficou surpreso com a forma que ele abordou esse tema?
Me surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante.
A gente tem um abismo, e essa é uma das reclamações da indústria nacional sobre o acordo do Mercosul com a União Europeia. Não dá para comparar o custo trabalhista, o custo da burocracia e tributário daqui com o de lá. Concorrência da China, então, que não tem legislação trabalhista, não tem nada...
Quando você pega os países que já implantaram, são só países de primeiro mundo, de índice de qualidade de vida e de renda per capita altíssimo. Alemanha, Finlândia, Islândia, Noruega, não dá para comparar.
Mas como o senhor vê a demanda popular de mais tempo de lazer e menos tempo de trabalho? É válida?
Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal. Tenho vários casos aí de pessoas que eu conheço, de famílias que eu conheço, o fulano quando parou de trabalhar, principalmente com certa idade, parou de trabalhar, morreu rápido, ficou doente. A gente precisa de atividade.
E se as pessoas fossem fazer lazer, tivessem condições de fazer lazer, ‘ok, tudo bem’. Também o lazer é importante, para o psico, para o desenvolvimento mental, para a saúde mental.
Mas a população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?
Mas estar com a família é uma forma de lazer.
Será que eles ficam?
Por que não ficariam?
É problema pessoal de cada um. Eu acho que a sociedade brasileira, infelizmente, não é assim.
O caso do Banco Master é um dos maiores escândalos da República. Tem causado preocupação? Até onde vai?
Isso é um negócio que você vê como ele começa, mas não sabe como termina. Está a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. O problema do BRB está sendo investigado, com o ministro André Mendonça de relator [no STF].
O problema da Rio Previdência está sendo investigado pelo Judiciário lá do Rio. Outros problemas de previdência estão sendo investigados nesses municípios e ou estados. É dinheiro público. Tem que ser investigado e, se comprovadas fraudes e crimes, serão penalizados, não tenho dúvidas.
Agora, o fundo garantidor de crédito é um dinheiro privado, não é um dinheiro público. Aí o próprio sistema tem que se organizar. O Banco Central, que é o regulador, e os bancos que mandam no FGC, que são os bancos que depositam o dinheiro lá, eles é que têm que se organizar. Já aconteceu com Bamerindus, Banco Nacional, Banco Santos, Cruzeiro do Sul... Aconteceu no mundo, nos Estados Unidos em 2008.
Outros presidentes de partidos divulgaram nota em defesa do ministro Dias Toffoli. O senhor também acredita em perseguição da Receita e da Polícia Federal?
Eu tenho preocupações com os vazamentos que acontecem, vazamentos seletivos, o sistema está muito parecido com o Lava Jato, tem que tomar cuidado.
A escolha de Flávio sem consultar os partidos foi um erro?
Eu não vou dizer que foi um erro, mas é o estilo deles. Foi, poderia dizer, talvez falta de habilidade. Cada um toma a decisão. Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação. Ontem [terça, dia 24], por exemplo, já decidiram a chapa inteira do campo do PL no Rio de Janeiro. O Republicanos não foi nem chamado para dialogar. Isso distancia.
Eu recebi um telefonema do Flávio no dia seguinte que ele anunciou [a candidatura presidencial], convidando para um jantar com os demais presidentes. Eu não pude ir. Quando eu cheguei, eu mandei mensagem, ‘já cheguei em Brasília, estou à disposição’, até hoje não recebi resposta.
Quem tem que buscar é ele, eu não tenho dificuldade de aguardar. Quem tem tempo não tem pressa, eu tenho tempo, não sou o candidato.
Há algo que o grupo político dele poderia fazer ou ele que deveria se articular?
Talvez ele esteja pensando que vai acontecer com ele o que aconteceu com o pai, que ganhou a eleição sem partidos, mas o Brasil hoje está em um momento diferente.
As pesquisas de antes apontavam que ele era um candidato frágil. O que mudou?
Eu acho que ambas as rejeições são muito altas. Essa pesquisa talvez esteja refletindo um pouco dessa coisa do carnaval. O país ainda é um país mais conservador, um país de católicos e evangélicos, majoritariamente.
O partido vai apoiar ele, o Lula ou ficar neutro?
Não tenho como te dizer agora. Vou começar essa discussão a partir de 15 de abril, depois que terminar o prazo [da janela de troca de partidos].
Presidente, a prisão de Bolsonaro deixou um vácuo na direita?
Não tem vácuo. Acho que foi ocupado por ele [Flávio]. Se o Bolsonaro apoiar você, você já sai com 20%. E tem 15% de antipetismo, aí já vai a 35%. Ele já está no segundo turno. São os números que estão aí.
O senhor considera que o ex-presidente Bolsonaro tentou um golpe de Estado?
Eu acho que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei. Não participei, não conheço, não me debrucei nos autos do processo que o julgou, então prefiro não dar essa opinião.
O governo adotou a estratégia de "Congresso inimigo do povo". Incomodou vocês?
A mim não incomodou nada, eu não fico vendo o que ficam comentando nas redes. Eu tenho posições convictas, sou liberal na economia, sou da opinião de que 80%, 90%, dessas empresas públicas deveriam ser privatizadas. Fui um crítico ferrenho dos Correios, deveria privatizar. O que é inegociável? Não se deve privatizar Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica e Petrobras. De resto, sou a favor.
RAIO-X | MARCOS PEREIRA, 53
Nascido em Linhares (ES), é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e presidente nacional do Republicanos. Está em seu segundo mandato de deputado federal e foi ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo Temer (MDB).
Por Raphael Di Cunto e Laura Scofield/Folhapress
CPI do Crime Organizado chama ministros do STF, ex-ministros de Bolsonaro e Vorcaro; lista ainda inclui Rui Costa e João Roma
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou uma série de convites para o comparecimento dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a convocação de ex-ministros do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e também Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
As informações são do Uol e g1. Conforme o regimento das CPIs, os convites e convocações são ferramentas distintas, sendo que a primeira não obriga o comparecimento e a segunda exige comparecimento obrigatório, exceto em casos de decisão judicial que a suspenda.
Além dos convites e convocações, a comissão também aprovou a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do Banco Master, da empresa Maridt Participações e da empresa Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.
O ministro Toffoli e os irmãos são sócios da empresa Maridt Participações, empresa que integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná, e começou a vender sua participação no empreendimento em 2021.
Os depoimentos foram solicitados com base em indícios de conexão entre os três e a Reag Trust, por meio de participações no resort em questão. Confira a lista de convites e convocações conforme informações do Uol:
CONVITES:
Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central; Rui Costa, atual ministro da Casa Civil; Guido Mantega, ex-ministro do Planejamento e Fazenda nos governos Lula e Dilma; Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF; Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes; José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli
CONVOCAÇÕES
Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central; Paulo Guedes, ex-ministro da Economia na gestão Bolsonaro; João Roma, ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro; Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania também no governo Bolsonaro
Revista The Economist diz que STF está envolvido em 'enorme escândalo'
A revista britânica The Economist afirmou que o STF (Supremo Tribunal Federal) está envolvido em um "enorme escândalo", em texto que relata as suspeitas e questionamentos que têm se acumulado nos últimos meses envolvendo ministros da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O texto diz, por exemplo, que alguns dos juízes "mais poderosos do mundo mantêm uma relação excessivamente próxima com a elite empresarial e política".
Ganham destaque na publicação os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A revista afirma, por exemplo, que investigações sobre o banqueiro levantaram dúvidas sobre a conduta de integrantes do Supremo.
O texto afirma que isso é importante porque candidatos de direita podem ampliar a presença no Senado nas próximas eleições e que parte deles tem como bandeira a abertura de processos de impeachment contra ministros da corte.
Ao falar de Dias Toffoli, que conduziu a relatoria do caso no tribunal até pouco tempo e se afastou após pressão, a revista cita, por exemplo, que Vorcaro teria investido em um resort da família do ministro, assim como as alegações feitas pela Polícia Federal em relatório entregue ao Supremo. Acrescenta que o ministro nega irregularidades.
Em relação a Moraes, a revista diz que, após surgirem informações sobre um contrato de advocacia envolvendo a esposa do magistrado e o Banco Master, ele determinou uma investigação sobre suspeita de vazamento de dados fiscais.
Como revelado no ano passado, o escritório de advocacia da mulher do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato com o Master, prevendo o pagamento de R$ 3,6 milhões por mês, durante três anos. Na última semana, Moraes tomou diferentes medidas relacionadas à apuração quanto ao vazamento de dados sigilosos de ministros da corte e seus familiares.
Indo além dos episódios ligados ao caso do Banco Master, a publicação afirma que a interação entre empresas e o tribunal é comum e cita o ministro Gilmar Mendes, o mais longevo do STF, acrescentando que ele organiza anualmente em Lisboa um encontro com políticos, magistrados e empresários — alguns deles com processos em andamento no tribunal.
Também chega a afirmar que o nepotismo é disseminado, citando levantamentos indicando processos em que parentes de ministros atuam como advogados nos tribunais superiores.
A revista cita ainda a iniciativa do presidente do STF, Edson Fachin, que tem defendido a criação de um código de ética para os ministros da corte, e que Toffoli e Moraes reagiram, por sua vez, afirmando que a medida seria desnecessária.
A isso, a publicação afirma que independentemente do que pensem os ministros, os inimigos deles no Congresso "estão de olho".
Por Carolina Faria/Folhapress
Prefeitura de Juiz de Fora decreta calamidade após chuvas históricas
Aulas são suspensas em todas as escolas da cidade
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, disse, nas redes sociais, que a cidade teve 584 milímetros de chuvas acumuladas, o que faz do mês de fevereiro o mais chuvoso da história do município mineiro, com volume superior ao dobro do esperado para o mês.



A prefeitura decretou estado de calamidade pública e registrou, até o momento, 14 mortos devido aos temporais dessa segunda-feira (23). A Defesa Civil do município estima ainda que 440 pessoas estejam desabrigadas.
“Isso nos trouxe toda a sorte de transtornos, desde coisas muito graves [como] situações de soterramento. Nesse momento, temos registrado 20 soterramentos, especialmente na região sudeste", afirmou a prefeita.
"Estamos com o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, com todos os nossos recursos, buscando salvar vidas. Bairros estão ilhados. O Rio Paraibuna saiu da calha, o que também é uma coisa histórica”, completou Margarida.
De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, com o transbordamento do Rio Paraibuna, a corporação foi acionada para atender ocorrências de inundações, soterramentos e risco estrutural em encostas e áreas próximas ao rio.
Em poucas horas foram mais de 40 chamadas emergenciais envolvendo vias bloqueadas, moradores ilhados e casas atingidas.
As creches e escolas municipais estão com as aulas suspensas. Os funcionários da prefeitura fazem teletrabalho. A recomendação é evitar sair de casa e fazer deslocamentos desnecessários.
Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil
Forte chuva causa transtornos em cidades do Rio
Rodovia foi fechada na divisa entre Belford Roxo e São João de Meriti após alagamento, mas foi liberada no fim da tarde.
A forte chuva que atingiu o estado do Rio de Janeiro na tarde desta segunda-feira (23) provocou a interdição total da Rodovia Presidente Dutra (BR-116) no sentido São Paulo, na altura do km 173, na divisa entre Belford Roxo e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. A pista foi fechada por volta das 14h30 em razão de alagamento e liberada no fim da tarde, segundo a Polícia Rodoviária Federal.
Houve registro de bolsões d’água no km 173 (pistas marginal e expressa), no km 171 (marginal) e no km 170 (marginal), todos no sentido Rio. Por volta das 16h30, a concessionária informou fluxo lento nos trechos afetados, mas sem interdição nesse sentido.
Em São João de Meriti, a chuva causou impactos em ao menos sete bairros. No bairro Venda Velha, localizado às margens da via expressa, foram registrados mais de 100 milímetros de chuva em menos de uma hora, segundo o Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil municipal.
A prefeitura informou que o município está no Estágio 5 de Alerta Máximo, o nível mais alto em uma escala de cinco. Sirenes foram acionadas nas localidades de Venda Velha, Itacaré e Coelho da Rocha.
Na capital fluminense, o Centro de Operações da prefeitura informou às 15h30 que o município permanecia em Estágio 2, com núcleos de chuva que perderam intensidade nas zonas norte e oeste.
Ainda assim, houve registros de impactos em bairros como Costa Barros, Pavuna, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas, Vigário Geral, Jardim América, Méier, Marechal Hermes, Coelho Neto, Acari, Guadalupe, Parque Colúmbia, Realengo, Deodoro, Campo Grande, Grajaú, Engenho Novo, Del Castilho, Engenho de Dentro, Todos os Santos, Encantado, Cavalcanti, Vicente de Carvalho, Bangu, Irajá, Piedade e Tijuca.
A chuva também afetou o transporte público. Segundo a Mobi-Rio, as linhas 67 (Campo Grande x Deodoro) e 68 (Bangu x Deodoro) do BRT foram temporariamente interrompidas por volta das 14h. Às 16h30, a empresa informou que ambas haviam retomado a operação, mas com intervalos irregulares.
No sistema ferroviário, a SuperVia registrou suspensão parcial em três ramais. A extensão Paracambi do ramal Japeri foi suspensa por alagamento nas proximidades da estação Japeri. No ramal Santa Cruz, a circulação foi interrompida entre as estações Realengo e Magalhães Bastos. Já no ramal Saracuruna, os trens deixaram de circular temporariamente no trecho entre Gramacho e Saracuruna.
Equipes municipais e estaduais atuavam nos pontos afetados até o fim da tarde. A previsão é de redução dos acumulados nas próximas horas, mas há possibilidade de formação de novos núcleos de chuva ao longo do dia.
Por Folhapress
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