Delegada que namora líder do PCC Gordão ficará em cela especial

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, detida sob suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), permanecerá em uma cela especial da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) da Polícia Civil do Distrito Federal. Essa decisão foi tomada após a audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (16/10).

Inicialmente, a delegada ficará na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Essa medida é respaldada pela Lei Orgânica da corporação, garantindo que ela permaneça sob custódia da própria Polícia Civil do DF, evitando sua transferência imediata para o sistema penitenciário feminino comum. Nos próximos dias, ela deve ser transferida para Pernambuco, onde o mandado foi expedido e o inquérito está sediado.

As apurações indicam que a delegada teria recebido R$ 50 mil em propina para fornecer informações confidenciais, garantir proteção institucional e permitir acesso indevido a sistemas restritos de segurança pública para membros da facção criminosa.

A Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, visa desmantelar uma rede interestadual envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de bens. O esquema financeiro do grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões.

O nome da operação, Sinalagma, refere-se ao conceito jurídico de reciprocidade de obrigações, simbolizando a troca de propina por facilidades oferecidas por agentes públicos.

A investigação revelou o uso de empresas de fachada, laranjas e documentos falsos no esquema. A perícia telemática do celular apreendido do suspeito e dados do Coaf foram cruciais para identificar crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo e organização criminosa.

A análise do celular de “Gordão”, apreendido em sua primeira prisão e periciado com autorização judicial, foi fundamental para expor as ligações com a delegada e identificar outros membros do grupo criminoso.

Com a custódia consolidada na DCCP e a conclusão dos procedimentos no Distrito Federal, as autoridades locais e de Pernambuco finalizam os trâmites para a transferência interestadual.

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