Petrobras prevê gastar R$ 3,3 bi em poços na Foz do Amazonas
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| Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil |
A Petrobras aposta na exploração de mais três poços na Foz do Amazonas para confirmar a viabilidade comercial de petróleo na região. Para isso, a estatal planeja gastar R$ 3,3 bilhões na perfuração de um total de quatro poços, conforme estimativa da empresa.
O valor foi informado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), responsável pelo licenciamento do empreendimento na bacia Foz do Amazonas, em documentos enviados em julho e agosto.
Nesta sexta-feira (14), a Petrobras anunciou a presença de hidrocarbonetos no poço que está sendo perfurado, um indicativo de que pode existir petróleo na região.
Técnicos dizem que o comunicado foi genérico por ser preliminar. O poço será avaliado, e a extensão de eventual reserva dependerá de novos poços, segundo eles.
O Ibama ainda não concedeu a autorização para a perfuração dos poços adjacentes e cobrou mais dados a respeito.
A aposta nos blocos Manga, Crotalus e PAD Morpho inclui novo navio-sonda no bloco 59, a 160 km de Oiapoque (AP).
O Morpho é explorado pelo ODN-II (NS-42), que a estatal planeja substituir pelo Amarelina Star (NS-43), segundo documentos enviados ao Ibama.
Todas essas informações precisam ser compartilhadas com o Ibama porque cabe ao órgão federal avalizar ou não as ações de expansão da busca por petróleo na costa amazônica.
A informação sobre o valor a ser gasto nas perfurações dos quatro poços, R$ 3,3 bilhões, serve de base para o cálculo da compensação ambiental a ser paga pela Petrobras, prevista em lei nos casos de empreendimentos com grande impacto.
O Ibama fixou o impacto em 0,5%, grau máximo, pela magnitude do empreendimento e riscos à biodiversidade e a áreas desconhecidas.
Com impacto de 0,5%, a compensação ambiental deve ser de R$ 16,5 milhões.
A perfuração do Morpho, segundo a Petrobras, custará R$ 842,8 milhões, o que leva a uma compensação ambiental de R$ 4,2 milhões.
A perfuração do Morpho deve seguir até setembro, segundo a estatal. A dos outros três poços, se autorizada pelo Ibama, pode levar até 160 dias e se estender até 2027.
A empresa adotou critérios distintos para o abandono dos poços, etapa avalizada pelo Ibama.
No Morpho, a Petrobras confirmou abandono permanente, sem possibilidade de retomar a extração. Nos outros três poços, deixou o critério em aberto, indicando que uma confirmação de óleo poderá levar à extração futura.
Especialistas dizem que o abandono permanente do primeiro poço é usual, pois a extração ocorre nos seguintes.
Na terça (11), a Petrobras afirmou que "abandono de poço" é operação padrão e "não tem relação com o resultado sobre a ocorrência ou não de petróleo".
A Petrobras, o presidente Lula (PT) e políticos do Amapá –como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)– fizeram pressão para que o Ibama concedesse a licença de operação para o empreendimento, o que foi feito em outubro de 2025. A fase permitida foi a de exploração, em que se busca a existência de petróleo para uma posterior extração do combustível fóssil.
Em janeiro, vazamento de fluido interrompeu a prospecção por um mês. O Ibama multou a Petrobras em R$ 2,5 milhões, e as atividades foram retomadas em fevereiro.
A atividade da estatal intensificou a migração de cidades do Amapá e de estados do Norte e Nordeste para Oiapoque, com expansão de invasões.
Para moradores, a alta da moradia tornou o centro impagável e ampliou invasões em áreas de floresta.
A costa de Oiapoque tem mangues e territórios de 12 mil indígenas de quatro etnias, dependentes da qualidade ambiental para pesca, caça e roçados.
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Por Vinicius Sassine/Folhapress
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