Nepal e Tibete estão sob risco de novas enchentes e rompimento de lago
Reservatórios podem transbordar em decorrência de colapso glacial que provocou tragédia e de chuvas previstas
Nepal e China alertaram nesta quinta-feira (27) para novos riscos de inundações no Himalaia. Dois lagos que se formaram em lados opostos da fronteira entre os dois países ameaçam romper um dia após a região ser atingida por enchentes catastróficas que mataram centenas de pessoas e deixaram um rastro de destruição.
Os lagos se formaram após detritos bloquearem o curso de um rio. O nível da água continua subindo, e há risco de transbordamento, enquanto equipes de resgate atuam nos vales e vilarejos cobertos de destroços e lama. Mais de 1.300 pessoas seguem desaparecidas.
As enchentes repentinas de quarta ocorreram após o colapso de uma geleira, que lançou rochas, gelo, lama e detritos nos sistemas fluviais das montanhas. O fenômeno, chamado de colapso glacial, causou um abalo sísmico equivalente a um tremor de magnitude 5,2. Inicialmente, por isso, as autoridades pensaram que um terremoto havia causado a tragédia.
A autoridade de gestão de desastres do Nepal emitiu um alerta nesta quinta-feira. Em um comunicado, o governo pede que moradores de áreas mais baixa e membros das equipes de resgate redobrem a cautela e permaneça em locais seguros, longe das margens dos rios e de áreas de risco.
A China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — devem chegar, nos próximos três dias, ao lago do lado chinês da fronteira, criando um alto risco de rompimento. O pico do fluxo é esperado por volta de 1º de setembro.
A previsão de chuva para a próxima semana pode agravar a situação, informou a mídia estatal chinesa, citando o Ministério dos Recursos Hídricos.
"O volume de água continua aumentando, e o risco também", disse Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do ministério, à emissora estatal CCTV.
A formação de um lago de barragem foi registrada em imagens aéreas por uma equipe chinesa de resgate nesta quinta, informou CGTN. As imagens mostravam grandes volumes de água barrenta se acumulando em uma bacia sem saída visível. A água já havia submerso arbustos e árvores e parecia pressionar uma barreira formada por destroços e pedras.
Diante do alerta, parte das equipes de resgate no Nepal começou a se deslocar para áreas mais altas nesta quinta-feira.
Pawan Koirala foi um deles. Ele e sua equipe, formada por outras 13 pessoas, deixaram o leito do rio após o aviso. "Estamos aqui para fazer o resgate e não queremos ficar perto da zona de perigo", disse.
O número de mortos chegou a 362 nesta quinta, segundo balanços ainda preliminares.
A tragédia deixou povoados inteiros devastados e submersos em lama. Do total de mortos, 359 foram registrados no Nepal, segundo as autoridades, e três no lado chinês, de acordo com informações da imprensa estatal. As informações sobre as vítimas não são centralizadas em uma única fonte e são divulgadas separadamente pelas autoridades e pela imprensa dos dois lados da fronteira.
A enxurrada de água e lama, semelhante a um tsunami, foi provocada pelo colapso de uma geleira e teve uma intensidade equivalente a um "evento sísmico" de magnitude 5,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Por Folhapress
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