Terremoto atinge sul do Japão e derruba prédios; há mortos em shopping, diz imprensa
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| Foto: Reuters |
Um terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do Japão, nesta terça-feira (28), deixou dezenas de feridos, interrompeu o fornecimento de energia para milhares de casas, danificou estradas e provocou incêndios e desabamentos de edifícios.
Equipes de resgate atuam para retirar um número ainda desconhecido de pessoas de um shopping da rede Aeon, na cidade de Kashima, onde uma explosão ocorreu após o desabamento do segundo andar do prédio. A TV Asahi, citando a polícia, afirmou o incidente deixou mortos, sem especificar a quantidade exata.
De 20 a 30 trabalhadores do centro comercial estão desaparecidos, de acordo com a emissora japonesa NHK, e provavelmente estão presos nos escombros.
Em declaração a jornalistas, a primeira-ministra Sanae Takaichi disse que a extensão das vítimas e dos danos materiais ainda está sendo avaliada. "Já fomos informados de que há pessoas feridas", afirmou.
"Houve cortes no fornecimento de energia e incêndios em algumas áreas, além de danos em estradas e pontes e desabamentos de edifícios." Takaichi também anunciou o envio de 3.600 militares para auxiliar nas operações de resgate, enquanto réplicas do terremoto continuavam sendo registradas na ilha de Kyushu.
O shopping Aeon de Kashima tinha acabado de ser reinaugurado em junho dez anos depois que outro terremoto, em abril de 2016, destruiu o centro comercial. O tremor de Kumamoto de 2016, o mais letal do Japão entre 2011 e 2024, deixou 277 mortos e outros 2.800 feridos no total.
Imagens do desastre desta terça mostraram que uma das laterais do shopping, que abriga cerca de 200 lojas, foi completamente destruída, expondo vigas de aço e espalhando destroços por um estacionamento.
Um hospital na cidade de Hikawa, ao sul de Kumamoto, registrou mais de 50 feridos. A NHK exibiu imagens de edifícios em chamas ou parcialmente destruídos. O terremoto abriu grandes rachaduras em rodovias, provocou o descarrilamento de um trem de carga e paralisou a circulação ferroviária. Passageiros de um trem-bala também ficaram feridos durante o tremor, informou o jornal Nikkei.
Várias pessoas estavam desaparecidas após o desabamento de uma chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries, informou a NHK.
O aeroporto de Kumamoto fechou a pista, levando ao cancelamento e ao desvio de voos. Segundo a polícia de Kumamoto, até as 17h no horário local, foram confirmados 12 casos de desabamento de casas e 4 casos de pessoas presas dentro de suas residências. Dois incêndios também foram registrados.
A fabricante de chips TSMC, a maior do mundo, evacuou sua fábrica na região por precaução, mas informou mais tarde que não havia perigo e que as operações voltariam à normalidade gradualmente. As fábricas locais da empresa de eletrônicos Sony e da companhia fotográfica Fujifilm também foram evacuadas.
Cerca de 300 mil pessoas receberam ordem para deixar suas casas e seguir para abrigos. A Agência Meteorológica do Japão alertou para o risco de novos tremores fortes ao longo da próxima semana e para a possibilidade de deslizamentos de terra.
O epicentro do terremoto foi localizado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, a maior da ilha de Kyushu, com aproximadamente 700 mil habitantes. A agência meteorológica também emitiu inicialmente um alerta de tsunami, mas posteriormente o cancelou.
A concessionária Kyushu Electric Power informou que cerca de 40 mil residências ficaram sem energia. As operadoras KDDI e Docomo relataram interrupções na telefonia móvel devido à falta de energia e a falhas nas redes de transmissão.
A autoridade de regulação nuclear informou que não houve problemas nas usinas nucleares da região.
O Japão está entre os países com maior atividade sísmica do mundo por estar localizado no Anel de Fogo do Pacífico, faixa que concentra intensa atividade tectônica. Cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou superior registrados no planeta ocorrem no país.
Em 2016, outro grande terremoto em Kumamoto matou 275 pessoas, deixou 2.739 feridos e danificou milhares de edifícios, incluindo o castelo da cidade, um dos principais pontos turísticos. Segundo a administração do monumento, partes de suas muralhas de pedra voltaram a desabar após o tremor desta terça-feira.
Por Folhapress
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