Milei chega a São Paulo para dar apoio a Flávio em meio a avanço da direita na América do Sul
Ultraliberal pretendia se encontrar com Jair Bolsonaro, mas Moraes vetou visitaO presidente da
Argentina, Javier Milei, chegou a São Paulo na noite desta sexta-feira (24) para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, que deve concorrer à Presidência pelo PL nas eleições de outubro.
O encontro ocorre após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ir a Buenos Aires no final de junho para se reunir com o aliado. "A onda azul está chegando ao Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro", afirmou o argentino na rede social X após o encontro.
Após a "onda rosa" do início dos anos 2000, que colocou diversos líderes de esquerda no poder na América do Sul, a região é palco do avanço da direita, o que vem sendo chamado de "onda azul" e tem em Milei um de seus mais vocais entusiastas.
Quando José Antonio Kast venceu as eleições no Chile, em dezembro do ano passado, o ultraliberal publicou em sua conta no Instagram um mapa no qual Brasil, Colômbia, Guiana, Uruguai, Suriname e Venezuela, todos governados pela esquerda, estavam preenchidos por uma imagem de favela. Em contraposição, o restante dos países, governados pela direita, era representado por um cenário futurista.
Desde então, o mapa ideológico da região mudou —há pouco mais de um mês, a Colômbia, governada pelo primeiro presidente de esquerda da história do país, Gustavo Petro, elegeu o ultradireitista Abelardo de la Espriella. O Peru, que já era governado pela direita, votou por Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori. A Venezuela, por fim, está desde janeiro sob tutela dos Estados Unidos, embora os chavistas ainda estejam no poder após a captura de Nicolás Maduro por Washington.
Quando Milei publicou a provocação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu. "Com o presidente Lula na Presidência, o Brasil se moderniza e enfrenta seus problemas sociais, não os varre para baixo do tapete", afirmou o chanceler Mauro Vieira, citando dados em uma clara comparação com o país vizinho.
A rusga não foi a pior entre os dois governos. Em junho de 2024, por exemplo, Lula sugeriu que Milei pedisse desculpas por ofensas que ocorreram ao longo da campanha no país vizinho, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que "o ego inflado de algum esquerdinha".
Os dois estavam às vésperas de se encontrar na cúpula do G20 no Rio de Janeiro —um dos únicos eventos em que os dois se viram ao vivo, uma tendência que deve se manter.
Não há previsão de que os líderes se vejam nesta viagem. Milei, aliás, queria encontrar Bolsonaro, mas foi impedido por uma decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que negou pedido da defesa do ex-presidente, em prisão domiciliar em Brasília, para receber o aliado.
Após a visita ao Brasil, Milei vai emendar outras duas viagens a aliados. No dia 28 de julho, estará no Peru para a cerimônia de posse de Keiko; em 7 de agosto, vai para Bogotá prestigiar o início do governo de Espriella.
São destinos incomuns para o ultraliberal, que até agora focou a sua diplomacia em Israel e nos EUA —para este país, foram 16 visitas ao longo de seu mandato até agora. É de interesse do argentino que a "onda azul" se mantenha pelos próximos anos, tendo em vista as eleições presidenciais no país vizinho, em outubro de 2027.
Por Daniela Arcanjo/Folhapress
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