Polícia Federal aponta fraudes que geraram renda fictícia de R$ 199 milhões em banco de Edir Macedo

                       Viaturas da Polícia Federal paradas em Maceió, após ação da corporação
Investigação da Polícia Federal sobre o banco Digimais, aponta o uso de sucessivas reavaliações de direitos creditórios de uma mesma ação para inflar o valor dos ativos da instituição. Isso gerou uma renda fictícia de R$ 199 milhões nos balanços.

O crédito seria uma ação judicial de 1967 contra a União. Gestores do banco teriam usado fundos de investimento para comprar fatias do processo em etapas. Em seguida, registraram aumentos sem justificativa real, inflando o patrimônio líquido do banco e a fazendo parecer mais saudável do que ela era na realidade.

Nesta terça (23), Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca e apreensão pela Operação Miragem, que apura crimes contra o sistema financeiro. A diligência busca desarticular suspeitas de um esquema fraudulento no Digimais, banco do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da RecordTV.


A decisão judicial da Justiça Federal em São Paulo autoriza o bloqueio de bens de até R$ 670 milhões e a quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

Segundo a investigação da PF, a manobra aconteceu em duas etapas: o fundo ID112 comprou 7,7% dos direitos da ação de 1967 por R$ 9 milhões. Após transferências entre fundos, o valor saltou para R$ 100 milhões. Outra parcela de 9,25% foi adquirida por R$ 22 milhões. O expediente foi repetido até chegar a R$ 130 milhões.

Na segunda etapa, mais duas parcelas foram compradas por R$ 20 milhões cada e infladas para R$ 174,5 milhões cada. O custo real foi de R$ 71 milhões para R$ 741,3 milhões nos demonstrativos contábeis.

O Banco Central determinou que o Digimais refizesse as avaliações e colocasse o valor original de custo. Para evitar a perda do valor inflado, os gestores fizeram contrato simulado a prazo dessas cotas para a própria empresa controladora do banco, a B.A Empreendimentos, jogando o pagamento para 2032. O valor inflado seguiu nos balanços como dinheiro a receber.

Como o contrato previa a cobrança do IPCA mais 0,5% ao ano, o Banco Central sinalizou que se tratava de uma venda como financiamento ilegal do banco ao seu dono

Por Alex Sabino, Folhapress

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