Messias cita Lula, diz que Marcha para Jesus não é comício e afirma esperar resposta de Deus
"O presidente Lula me enviou aqui, ele me pediu algumas coisas: me pediu pra levar o amor, a palavra de amor e de comunhão, e disse que aqui não é lugar pra comício", disse o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, nesta quinta-feira (4) de Corpus Christi, durante a Marcha para Jesus em São Paulo.
Estava ali como minoria de esquerda, representando um governo impopular entre evangélicos, e ficou no canto do trio elétrico principal enquanto o adversários políticos do governo Lula falavam.
O advogado-geral também comentou a possibilidade de ser indicado mais uma vez ao STF (Supremo Tribunal Federal), após o Senado barrar seu nome abril.
Disse ter aprendido a "colocar a vida nas mãos de Deus" e afirmou que aguardará os próximos acontecimentos com serenidade. "Eu vou esperar a resposta de Deus. Vou esperar a decisão do presidente." Lula já afirmou que pretende enviar de novo seu nome para o tribunal.
O ministro criticou a politização do debate em torno de sua candidatura. Segundo ele, o processo acabou sendo conduzido com foco excessivo na disputa política.
"Infelizmente, a condução da questão política foi colocada como uma forma de fazer a centralidade da discussão. Não acho que aquele processo representou o espírito da maioria do povo brasileiro", afirmou.
Apesar das críticas, Messias disse respeitar o resultado e reafirmou sua confiança nas instituições democráticas. "Eu acredito na democracia, acredito nas nossas instituições e acredito no poder do diálogo."
A fala ocorre num momento em que o governo busca ampliar o diálogo com lideranças evangélicas, grupo no qual Lula (PT) enfrenta índices de rejeição historicamente elevados. Questionado sobre como o presidente poderia melhorar sua imagem nas igrejas, o ministro afirmou que a estratégia passa por ações de governo, e não por discursos.
"O presidente já tem feito isso desde o primeiro dia do mandato, trabalhando para pacificar esta nação, cuidar das famílias, cuidar dos filhos das nossas famílias", disse. O diácono batista, raro quadro evangélico no primeiro escalão lulista, acrescentou que a política deve ser guiada por valores como "amor, justiça, verdade, comunhão e perdão".
Messias também falou sobre o período recente de incerteza política envolvendo sua indicação ao Supremo, que acabou não se concretizando. Ao longo da entrevista, o ministro recorreu repetidamente a referências religiosas para defender uma mensagem de reconciliação nacional. Segundo ele, o país precisa superar divisões e cultivar um ambiente de compreensão mútua.
"Eu aprendi a minha vida inteira a necessidade do perdão e da reconciliação", disse Messias, que participou pela primeira vez da Marcha em 2023, ano um do terceiro mandato de Lula, e foi vaiado na ocasião ao citar o presidente no microfone. "O que tenho feito é semear o bem, semear a paz, semear a verdade, a justiça e a bondade."
Ele afirmou ainda que passou os últimos meses em reflexão, "orando pela minha família, que é a coisa mais importante pra mim". "Estou aqui de pé, agradecendo e louvando a Deus por todas as coisas, as boas e as ruins, e pedindo que Ele conduza a minha vida nos próximos desígnios."
Por Anna Virginia Balloussier, Folhapress
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