De volta ao palco do tetra, Brasil inicia contra Marrocos a busca pelo hexa

Brasileiros nos Estados Unidos
No último jogo de Copa do Mundo de que participou, Carlo Ancelotti estava no banco de reservas da Itália. Auxiliar técnico de Arrigo Sacchi, viu Roberto Baggio bater por cima o pênalti que deu ao Brasil o tetra, em 1994, nos Estados Unidos.

BRASIL x MARROCOS

East Rutherford (Nova Jersey), 19h (de Brasília)Globo, SBT, SporTV, CazéTV, ge tv e N Sports

De volta ao Mundial após mais de três décadas –novamente em território americano, mas agora como comandante verde-amarelo–, o italiano espera repetir o que conseguiu a seleção brasileira de Carlos Alberto Parreira. Sua estratégia tem semelhanças com a adotada pela equipe campeã há 32 anos, com uma aposta em duas sólidas linhas de quatro marcadores.

O primeiro teste na América do Norte é o teórico duelo mais difícil do Grupo C, contra a respeitável formação de Marrocos, semifinalista do torneio em 2022. O embate está marcado para a noite de sábado (13), no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York —a competição tem também sedes no México e no Canadá, mas o Brasil disputa a primeira fase nos Estados Unidos, onde permanecerá se avançar em primeiro.

"É uma seleção muito boa, uma das melhores gerações deles, com grandes jogadores. Vieram de uma Copa Africana de Nações boa, respeitamos demais. Para a gente, é um jogo-chave para começar bem, com o pé direito. O primeiro passo é começar bem, com vitória", afirmou o volante Bruno Guimarães.

Para isso, o Brasil vai adotar um sistema híbrido. "Defensivamente, é o 4-4-2, isso não muda", afirmou Ancelotti. Com a bola, embora exista uma organização estabelecida, os jogadores têm liberdade para buscar o gol e o posicionamento que mais lhes agrada. Mas não se assuste se Marrocos tiver mais a bola do que o time pentacampeão.

"A posse de bola é um aspecto do jogo, importante, mas não é o mais importante. Se falamos de estatísticas, o mais importante é a quantidade de gols marcados e sofridos. A ideia é que sejamos fortes quando tivermos a bola. Quando não a tivermos, que sejamos compactos, porque todos os rivais, assim como Marrocos, têm qualidade e podem criar problemas", disse o técnico.

O desenho tático e a disposição para os contra-ataques são pensados particularmente para tirar o máximo de Vinicius Junior, que ainda não conseguiu repetir na seleção brasileira o nível de suas atuações no Real Madrid. Ninguém parece mais bem preparado para a tarefa do que o italiano, responsável por fazer o menino de São Gonçalo desabrochar no próprio time espanhol.

Foi sob comando de Carletto que o atacante conquistou duas edições da Liga dos Campeões, com gols em ambas as decisões, e entrou na briga pelo posto de melhor jogador do mundo, na temporada 2023/24. Na prestigiada Bola de Ouro, oferecida pela revista France Football, ficou em segundo, atrás do espanhol Rodri. No prêmio da Fifa (Federação Internacional de Futebol), foi apontado como o número um.

No reencontro, o técnico procurou tirar parte do peso das costas do atleta, hoje com 25 anos. Na ausência de Neymar –que teve lesões em sequência, ficou fora do grupo por quase três anos e ainda não tem condições de jogar–, o fluminense passou a ser a principal referência técnica da seleção, pressionado a assumir o protagonismo.

"É óbvio que todos temos muita responsabilidade e muita pressão. Como vamos fazer para ter menos pressão? Uma coisa só: compartilhá-la. Não pode ser uma responsabilidade individual. Fala-se muito que o Brasil neste momento não tem uma estrela. Pode ser verdade. Não temos um Pelé, um Romário, um Ronaldo. Mas podemos ter uma responsabilidade compartilhada", disse Ancelotti.

Nessa divisão de responsabilidades, Vinicius tem poucas defensivas. Ele participa somente da pressão inicial quando a equipe tenta roubar a bola no campo de ataque. Fora isso, fica solto, pronto para usar sua velocidade e sua habilidade nas oportunidades de contragolpe.

Com a bola, há uma inversão. Matheus Cunha, que tem a tarefa de fechar a segunda linha de marcadores pelo lado esquerdo, parte para o meio. E Junior ganha espaço para ocupar o setor no qual se sente mais confortável, encarando os defensores na ponta esquerda.

"Acredito que a gente tenha se adaptado muito bem às características dos jogadores que nós temos. Agora, como vamos jogar não posso falar, Marrocos pode ver e saber nosso planejamento. Mas não importa como o time vai entrar em campo. Vamos estar preparados para fazer uma grande Copa do Mundo", afirmou o atacante.

Até que chegasse ao desenho atual, Ancelotti precisou correr. Ele assumiu a seleção há pouco mais de um ano, no fim de um ciclo caótico rumo ao Mundial, e tem apenas 12 jogos no ainda recente emprego. Antes dele, dirigiram o time Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com resultados ruins.

Sob comando do interino Ramon, em seu primeiro compromisso após a Copa de 2022, o Brasil teve uma amostra do que pode ocorrer a um time desorganizado diante de Marrocos. Em Tânger, em amistoso realizado em março de 2023, os donos da casa venceram por 2 a 1.

De lá para cá, a equipe do norte da África mostrou que sua campanha no Qatar não foi um acidente. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. No mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações, perdeu uma turbulenta decisão para o Senegal, que chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem e foi declarado vice-campeão.

Marrocos herdou o título e hoje ocupa a sétima colocação no ranking da Fifa, apenas uma atrás do Brasil. Mas a derrota em campo custou o emprego de Walid Regragui, substituído por Mohamed Ouahbi, de ótimos resultados na seleção marroquina sub-20.

Oficialmente, como foi considerado vencedor da decisão africana por WO, o time está invicto há 29 jogos. E conta com jogadores de destaque no futebol europeu, caso do lateral direito Hakimi, do Paris Saint-Germain, do meia Brahim Díaz, do Real Madrid, e do jovem atacante Ismael Saibari, que deve trocar o PSV pelo Bayern.

"Eles não têm medo, assim como nós não temos medo. Ninguém tem medo, o que existe é respeito", afirmou Ouahbi.

Ancelotti, pouco depois, na mesma cadeira na sala de entrevistas do MetLife Stadium, na véspera do jogo, tratou de desmenti-lo. E reconheceu o seu temor.

"Medo é algo importante da vida. Se você não tem medo, o leão lhe parece um gato. Medo é importante para salvar vidas."

Ficha técnica

BRASIL x EGITO (Copa do Mundo - Grupo C)

Data: 13 de junho de 2026 (sábado), às 19h
Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos
Transmissão: Globo, SBT, CazéTV, Ge TV (Globoplay), SporTV e NSports
Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)
Assistentes: Tomaz Klancnik (ESL), Andraz Kovacic (ESL), Sandro Schaerer (SUÍ)
VAR: Bastian Dankert (ALE)

Brasil
Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Alex Sandro; Casemiro, Bruno Magalhães, Lucas Paquetá e Matheus Cunha; Raphinha e Vinicius Jr.
Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos
Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui; Amrabat, El Aynaoui e Ounahi; Brahim Díaz, Saibari e Rahimi
Técnico: Mohamed Ouahbi

Por Marcos Guedes e Luciano Trindade/Folhapress

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