Brasil sofre, e gol de Vinicius Junior impede derrota para Marrocos em estreia na Copa; veja melhores lances

A promessa de uma estreia difícil para o Brasil na Copa do Mundo de 2026 se concretizou na tarde de sábado (13) em East Rutherford, nos arredores de Nova York. A seleção teve pela frente um adversário duro no MetLife Stadium e sofreu para conseguir um empate por 1 a 1 com Marrocos.

Após um péssimo início, no qual levou bonito gol de Saibari e poderia ter levado mais, a equipe dirigida por Carlo Ancelotti conseguiu equilibrar as ações e igualou o marcador ainda no primeiro tempo, em jogada característica de Vinicius Junior pela esquerda.

A formação marroquina diminuiu o ritmo depois do intervalo, e a seleção brasileira melhorou um pouco com algumas de suas substituições –entraram Danilo e Fabinho, depois Luiz Henrique, Matheus Cunha e Danilo Santos. Mas o placar não voltou a ser movimentado.

Cada um dos times, assim, largou com um ponto no Grupo C. A chave é liderada pela Escócia, que conquistou na noite de sábado sua primeira vitória em Copas em 36 anos, fazendo 1 a 0 no Haiti, em Foxborough, nos arredores de Boston.

"Acho que não começamos bem o jogo. A equipe estava um pouco preocupada, perdemos muitos duelos, muitas bolas. A primeira parte não foi boa. Foi uma partida difícil porque Marrocos é uma boa equipe. Agora, é olhar para o próximo jogo", afirmou Ancelotti.

O confronto em East Rutherford foi acompanhado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Ele gravou um vídeo antes do duelo recordando Sócrates e a Democracia Corinthiana, porém não viu em campo nada parecido com o Doutor.

Foi desastroso o início da partida do Brasil, dominado por um adversário que parecia ter mais jogadores em campo. Carlo Ancelotti optou por utilizar Ibañez na lateral direita, colocou Douglas Santos na esquerda e surpreendeu ao escalar Igor Thiago como centroavante. Não funcionou.

Marrocos pressionava no campo de ataque, roubava a bola e enfileirava oportunidades. El Aynaoui e Bouaddi trocavam passes com facilidade na região da intermediária. Na ponta esquerda, El Khannouss levava ampla vantagem sobre Ibañez. Em sete minutos a formação africana já havia tido duas oportunidades de finalizar dentro da área.

A seleção verde-amarela teve sua primeira escapada aos 14 minutos, quando Raphinha fez a bola chegar a Vinicius Junior na ponta esquerda. Igor Thiago, na entrada da pequena área, desperdiçou a grande chance e mal encostou na bola no cabeceio.

O lance não mudou o panorama da disputa, e o gol que o time de vermelho já fazia por merecer saiu aos 21 minutos. Paquetá teve dificuldade para dominar um passe forte de Ibañez e permitiu o contra-ataque. Brahim Díaz recebeu de Mazraoui e achou Saibari nas costas de Marquinhos e Gabriel Magalhães. Na cara de Alisson, o camisa 11 o encobriu.

Veio a calhar para Ancelotti a pausa para hidratação, na qual fez um ajuste: abriu Raphinha na direita, tirando dali Paquetá. Não mudou da água para o vinho, porém o Brasil conseguiu equilibrar as ações e ter mais o domínio da bola no meio-campo.

Disposto a encarar repetidamente a marcação, Vinicius Junior teve sucesso aos 32. Tocou para Bruno Guimarães, recebeu de volta dentro da área e soube iludir El Aynaoui antes de acertar um bom chute no canto esquerdo de Bounou, para empatar.

Foi só a partir daí que explodiram os primeiros gritos de Brasil. Surpresa e impaciente até então, a torcida da equipe pentacampeã ainda viu dois bons momentos antes do intervalo, um voleio de Paquetá e um cabeceio de Marquinhos.

A essa altura, o técnico já havia pedido que Danilo, Fabinho e Matheus Cunha iniciassem o trabalho de aquecimento. No intervalo, acionou os dois primeiros, que substituíram Ibañez e Casemiro –estes dois, muito mal na etapa inicial, estavam pendurados com cartão amarelo.

A partida teve um ritmo mais lento na etapa final, mas os principais lances de ataque foram do Brasil. Após o início avassalador, Marrocos diminuiu a marcha e começou a dar mostras de que estava satisfeito com o empate –o goleiro Bounou pediu atendimento médico mais de uma vez.

Para dar maior mobilidade ao ataque, Ancelotti chamou Luiz Henrique e Matheus Cunha, que substituíram Igor Thiago e Paquetá. Houve rapidamente alguns bons lances com a participação do habilidoso Luiz Henrique.

A melhor oportunidade surgiu aos 33 minutos, quando Vinicius Junior recebeu pela esquerda em contra-ataque e deixou Raphinha em ótima posição para finalizar. O camisa 11 pegou mal na bola, porém, e a partida terminou mesmo empatada.

"A estreia é sempre muito difícil. A gente tem que melhorar, continuar evoluindo, porque a competição está só começando. Isto é Copa do Mundo, não vai ter jogo fácil", disse Vinicius, que deseja ver um maior controle da posse nas próximas partidas.

"A gente tem que segurar mais a bola, ficar mais com ela, mover o jogo de um lado para o outro. Muitas vezes, os adversários vão se defender e sair no contra-ataque. Mas agora não tem muito o que falar. É trabalhar porque o segundo jogo está muito perto", acrescentou.

A partida de estreia mostrou que não era descabido tratá-la previamente como equilibrada. Pode soar estranho àqueles habituados a uma ordem anterior do futebol, mas o confronto da tarde opunha o sexto ao sétimo colocado do ranking da Fifa (Federação Internacional de Futebol).

Após ter alcançado a melhor campanha de um time africano na história do Mundial, com as semifinais de 2022, Marrocos teve um ciclo de bons resultados no caminho para 2026. Conquistou o Campeonato Africano de Nações e a Copa Árabe. Nas Eliminatórias para a Copa, teve oito vitórias em oito jogos, com 22 gols marcados e dois sofridos.

A equipe chegou também à conturbada decisão do mais importante torneio de seu continente, a Copa Africana de Nações. Perdeu em campo para o Senegal, mas, porque o adversário chegou a abandonar o campo em protesto contra a arbitragem, foi declarada campeã.

A derrota nas quatro linhas custou o emprego do técnico Walid Regragui. Mas, como o resultado registrado foi um triunfo por WO, a equipe desembarcou nos Estados Unidos com um retrospecto oficial de 29 partidas de invencibilidade.

O técnico desde março é Mohamed Ouahbi, que assumiu o grupo principal após um ótimo desempenho na formação marroquina sub-20, campeã mundial no ano passado. A troca foi em cima da hora, porém Ouahbi recebeu uma base mais sólida do que a encontrada por Ancelotti no Brasil, há pouco mais de um ano.

O italiano é o quarto comandante da seleção desde o Mundial de 2022. Sucedeu Ramon Menezes –derrotado por Marrocos em amistoso realizado em março de 2023–, Fernando Diniz e Dorival Júnior, com apenas 12 jogos para tentar dar nova cara ao time na preparação para a Copa.

Não foi suficiente para uma vitória na difícil estreia. Agora, ele trabalha por triunfos contra adversários teoricamente mais frágeis na sequência do Grupo C: o Haiti, na próxima sexta (19), na Filadélfia, e a Escócia, na quarta seguinte (24), em Miami Gardens.

Brasil 1 x 1 Marrocos (Copa do Mundo - Grupo C)

Brasil: Alisson, Ibañez (Danilo), Gabriel Magalhães, Marquinhos, Douglas Santos, Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos), Lucas Paquetá (Matheus Cunha), Raphinha, Igor Thiago (Luiz Henrique) e Vinicius Junior. Técnico: Carlo Ancelotti

Marrocos: Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui (Salah-Eddine); El Aynaoui, Bouaddi, Brahim Díaz (Talbi), Ounahi (El Mourabet) e El Khannouss (Amaimouni); Saibari (Rahimi). Técnico: Mohammed Ouahbi

Gols: Saibari (21min do 1º tempo, Marrocos) e Vinicius Junior (32min do 1º tempo, Brasil)

Cartões amarelos: Casemiro e Ibañez

Público: 80.663 espectadores

Árbitro: Slavko Vincic (Eslovênia)

Assistentes: Tomaz Klancnik (Eslovênia), Andraz Kovacic (Eslovênia ), Sandro Schaerer (Suíça)

VAR: Bastian Dankert (Alemanha)

Local: estádio MetLife, em East Rutherford, nos Estados Unidos

Por Marcos Guedes, Mayara Paixão e Luciano Trindade/Folhapress

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente esta matéria.