Aliado de Lula posta Wagner “enrolado” e detona entrevista do baiano após caso Master: “persiste em argumentos que não ajudam ao governo que julga defender”

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), da base do presidente Lula na Câmara dos Deputados, chamou de “atitude intempestiva” a entrevista concedida pelo senador Jaques Wagner (PT) à Folha de São Paulo após o baiano ter sido retirado da liderança dão governo no Senado por consequências das investigações relativas ao Banco Master.

Em texto divulgado nas redes sociais, acompanhado de uma charge do cartunista Clayton Rebouças que retrata Wagner "enrolado", Alencar diz que as falas de Wagner causaram “estranheza geral”.

“No conteúdo das respostas, insiste e persiste em argumentos que não ajudam a continuidade das investigações, nem ao governo que julga defender e até a ele próprio. Faz lembrar a máxima do Barão de Itararé, segundo o qual o problema não está “na falta de persistência, mas na persistência da falta”.

O parlamentar também contestou a declaração de Wagner de que a Polícia Federal estaria tentando construir uma narrativa contra o PT. "Ao insinuar que a Polícia Federal 'tenta construir uma narrativa para envolver o PT', se contrapõe a um trunfo do Governo Federal, para quem a polícia é uma instituição do Estado. Que alcança prestigio popular exatamente por não ser pretoriana, que só investiga os 'inimigos' dos poderosos do momento", emenda o psolista.

Alencar ainda criticou a justificativa apresentada pelo senador para manter relações com empresários investigados, fazendo menção indireta aos achados da PF no caso de Wagner.

"Ao dizer: 'desconheço um prefeito ou um governador que não converse com empresários', repete juízo comum a todos os que se lambuzam na geleia geral. Nada contra conversar com empresários, desde que o assunto não seja ingressos para show, carona em jatinhos ou recompra de apartamentos luxuosos".

Na avaliação do deputado, a entrevista representou uma tentativa de minimizar a gravidade das suspeitas investigadas.

"Ao negar com argumentos precários irregularidades patentes, a entrevista desastrosa ocupa lugar de destaque na tentativa de normalizar relações incestuosas com o Comando Vorcaro. Ataca os investigadores e defende os que precisam ser investigados. Para estes, valei-nos de novo o Barão de Itararé: 'quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lugar lhe vem’”, ilustra.

"A ética e a política são invenções humanas de importância decisiva para o ordenamento da vida em comum. A relação entre as duas, com a crise que se espalha nos tentáculos do Escândalo Master, está na ordem do dia. O futuro da democracia se define, hoje mais do que nunca, pelo lugar da ética na política", conclui.
Por Política Livre

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