PGR mostra desânimo com delação de Vorcaro, mas interesse nos bilhões a receber
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem demonstrado pouco entusiasmo com a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao órgão que comanda, a PGR (Procuradoria-Geral da República).
Gonet se mantém discreto, mas terá a palavra decisiva sobre o destino de Vorcaro.
Segundo demonstra a interlocutores, ele não se animou com a qualidade das informações reveladas até agora pelo dono do Banco Master.
O procurador-geral veria no acordo, no entanto, uma oportunidade única de recuperar os bilhões que Vorcaro teria desviado na administração da instituição financeira.
Com pagamento volumoso, sua tendência seria aceitar a delação.
A meta da PGR, como mostrou a Folha, é que o ex-banqueiro devolva R$ 60 bilhões de prejuízos causados.
O ex-banqueiro propôs até agora às autoridades, segundo pessoas que acompanham as apurações, a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos.
Gonet, segundo interlocutores, não pretende aceitar um prazo tão longo para o pagamento.
Ele invoca precedentes históricos que mostram que empresas e réus que colaboraram com a Justiça acabaram não honrando os compromissos —e alguns foram beneficiados até mesmo por decisão do STF que suspendeu o pagamento das multas, como é o caso da Odebrecht.
Gonet é decisivo no processo porque, se ele recusar a delação, os advogados do ex-banqueiro não terão mais a quem recorrer.
A PGR é a titular da ação penal, ou seja, é ela que tem o poder de acusar ou não um cidadão perante a Justiça.
Rechaçada a colaboração, a procuradoria levará as denúncias adiante e Vorcaro seguirá respondendo a um processo que pode deixá-lo por muitos anos preso.
Já se Gonet aceitar, as reclamações da PF (Polícia Federal) e mesmo do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça sobre a precariedade do que foi apresentado até agora pelo ex-banqueiro poderão ser contornadas.
A PF apenas investiga, mas não decide sobre o andamento das denúncias. Já o ministro tem o poder de não homologar a delação — mas, com o aval de Gonet, os advogados poderão recorrer à Segunda Turma para tentar oficializá-la, ganhando, em troca, a liberdade de seu cliente.
Por Mônica Bergamo/Folhapress
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