Pastor preso no MA é suspeito de usar igreja para castigos físicos e abusos sexuais
Ele é investigado por estelionato, estupro de vulnerável, fraude sexual e associação criminosa; inquérito já identificou de cinco a seis vítimas.
“Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, disse uma das vítimas.
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A Polícia Civil do Maranhão investiga o pastor David Gonçalves Silva, suspeito de comandar um sistema de castigos físicos e punições psicológicas contra fiéis da igreja Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. Ele foi preso na sexta‑feira (17), durante a operação Falso Profeta.
O pastor é investigado por crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Segundo depoimentos das vítimas, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas.
“Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, disse uma das vítimas.
A partir do depoimento de uma das vítimas, outras pessoas foram identificadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará. O pastor, que está preso preventivamente, deve passar por audiência de custódia neste sábado (18).
Em nota, a defesa do pastor informou que, no momento, não pode se manifestar porque ainda não teve acesso aos autos da investigação.
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Vítimas relatam que procuraram a igreja em busca de apoio
Entre as vítimas estão pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que relatam ter procurado a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua.
As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos aplicados era chamado de “readas”, que consistia em chicotadas com um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos. De acordo com uma das vítimas, os castigos eram aplicados sempre que alguém descumpria regras internas ou contrariava ordens do pastor.
O g1 teve acesso a um dos áudios atribuídos ao pastor que indicam também a privação de comida como forma de punição. Em uma das gravações, ele afirma: “Até resolver a situação da bomba, estão sem comer” (veja acima).
Segundo prints de mensagens enviadas por uma das vítimas à TV Mirante, o pastor dava ordens diretas, como “readas geral”, e determinava quantos golpes cada fiel deveria receber. Em um dos casos, quatro vítimas sofreram entre 15 e 25 chicotadas cada.
Ainda de acordo com a denúncia, o pastor se referia aos fiéis como “piões”. O local onde eles dormiam era chamado de “baia”. A investigação aponta que as agressões físicas e psicológicas também eram usadas como forma de pressão para a prática de abusos sexuais.
“Se a gente não fizesse o que ele queria, a gente era punido. Ele deixava a gente de canto, fazia a gente ficar sem comer, fazia a gente apanhar se a gente não fizesse o desejo dele", disse uma das vítimas.Homens eram os principais alvos dos abusos sexuais, diz polícia
Os investigadores da Polícia Civil afirmam que, embora a comunidade fosse formada por homens e mulheres, os homens eram os principais alvos dos abusos sexuais.
“Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças. Tenho vergonha, mas tô lutando todos os dias para mudar esse centro na minha mente", relatou uma das vítimas.
Durante o cumprimento do mandado no local, a polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes (veja acima). Segundo os investigadores, esse era um dos castigos impostos aos fiéis.
“Lá, eles não tinham nem acesso ao público de fora e tinham o comportamento determinado por ele o tempo todo, com separação de homens e mulheres, com uma vigilância intensa, inclusive na hora do banho, com câmeras no local, que ele conseguia verificar se os indivíduos estavam, inclusive, satisfazendo as questões sexuais dele, para poder punir esses indivíduos”, disse o delegado.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam em andamento para identificar possíveis novas vítimas e reunir mais provas sobre o caso.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, a polícia recolheu aparelhos celulares, documentos e outros objetos que devem ajudar no aprofundamento das investigações.
Por Marcus Cidreira, Eduardo Santos, g1 MA e TV Mirante — São Luís
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