Beto Louco entrega proposta de delação e denuncia magistrados na Carbono Oculto
A delação não envolve pessoas com foro privilegiado em Brasília
O empresário Roberto Leme, conhecido como "Beto Louco", já finalizou e entregou ao Ministério Público de SP os anexos de sua proposta de delação premiada.
Nos documentos, ele se propõe a revelar inclusive a participação de servidores e magistrados do Estado no esquema bilionário de fraudes fiscais, sonegação e lavagem de dinheiro descobertos pela megaoperação Carbono Oculto no ano passado.
Junto com os documentos, Beto Louco entregou dados de corroboração e dezenas de celulares que usava, e de onde, garantiram seus advogados, os investigadores poderão extrair dados para comprovar os crimes que relata.
A delação não envolve pessoas com foro privilegiado em Brasília.
No ano passado, a PGR (Procuradoria-Geral da República), comandada por Paulo Gonet, rejeitou a delação de Beto Louco, que citava, entre outros políticos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Na época, o noticiário mostrava o envolvimento dele com o parlamentar, a quem teria presenteado com canetas mounjaro e com um show de Roberto Carlos no estado do Amapá.
Os mimos teriam sido dados em troca do apoio do presidente do Senado para reverter decisões da ANP (Agência Nacional de Petróleo) contra a empresa de petróleo do empresário, a Copape —o que Alcolumbre nega.
Deflagrada em agosto de 2025, a Carbono Oculto investiga a infiltração do crime organizado em negócios regulares da economia formal, como postos de gasolina, padarias e fintechs.
Foragido, Beto Louco passou as últimas semanas, de domingo a domingo, segundo disse a interlocutores, conversando com seus advogados no Brasil para preparar os anexos —documentos preliminares que são apresentados para a promotoria com uma espécie de rascunho sobre o que pode ser a delação.
Concordou também com o que é considerado o mais difícil em uma negociação de colaboração: o pagamento de milhões como ressarcimento ao Estado pelos crimes que cometeu.
É neste ponto que as delações costumam empacar.
Advogados familiarizados com a negociação afirmam que a delação pode ser um jogo de ganha-ganha: Beto Louco garante os benefícios da Justiça, e em troca o Estado recebe de volta recursos milionários e mantém os empregos dos setores em que as empresas seguiriam atuando, agora de forma regular.
A decisão final sobre a delação será do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa, que deve ser reconduzido nesta sexta (10) ao cargo.
Por Mônica Bergamo/Folhapress
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