Gestor da Esh Capital afirma que Nelson Tanure era um dos reais donos do Master

Declarações foram dadas por Vladimir Timerman em depoimento à CPI do Senado sobre o crime organizado
Foto: Divulgação
O empresário baiano Nelson Tanure
O gestor de fundos Vladimir Timerman, da Esh Capital, disse que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro era "pau-mandado" e "um garoto de recados" dos verdadeiros donos do Banco Master e que um dos proprietários da instituição seria o empresário baiano Nelson Tanure.

As declarações foram dadas nesta quarta-feira (18), em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado sobre o crime organizado, na qual Timerman falou como testemunha.

"O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, o mais alto da hierarquia. O meu sentimento é que ele [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara do Master para fazer as conexões políticas", afirmou.

O gestor ainda fez críticas à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), à Polícia Federal e ao Banco Central, quando foi questionado de quem seria a culpa pela suposta demora na apuração das fraudes.

"Minhas denúncias acerca de Gafisa S.A (da qual Tanure é acionista) se iniciaram em 2019, até 2021. A Gafisa S.A. é o laboratório de tudo", afirmou.

Ele ainda disse ter sofrido ameaças de morte e recebido mais de 30 ações criminais como retaliação por suas denúncias.

Em nota, a assessoria de Tanure disse que o empresário tem décadas de experiência profissional no mercado de valores mobiliários e "jamais havia sido acusado de qualquer prática supostamente delitiva no contexto das empresas em que é ou foi acionista".

Ele também declarou que nunca foi sócio, controlador ou beneficiário, direto ou indireto, do Banco Master, "tendo mantido com a instituição apenas relações comerciais legítimas, como cliente e investidor, nos mesmos moldes em que opera com diversas outras instituições financeiras".

Timerman foi condenado em março do ano passado, pela Justiça de São Paulo, a pena de um ano, 10 meses e 15 dias de prisão pelo crime de perseguição contra Tanure.

A condenação está relacionada ao histórico de conflito entre os dois.

Em sua sentença, a juíza Eva Lobo Chaib Dias Jorge, da 12ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), substituiu a detenção por prestação de serviços gratuitos beneficentes durante o período da condenação, na frequência de oito horas semanais. Também foi determinado o pagamento de 36 dias-multa.

A disputa entre os dois teve início em 2021, quando Timerman acusou Tanure de cooptar acionistas minoritários para assumir o controle da Alliar, uma empresa de exames médicos, na qual o empresário tem participação e que hoje é conhecida como Alliança Saúde e Participações.

Timerman chegou a ter suas redes sociais suspensas por descumprir uma decisão judicial em que ficou proibido de postar ataques e ofensas a Tanure.

No interrogatório judicial, ele negou que tenha feito as postagens agressivas ou ameaçadoras contra Tanure. "Eu fiz postagens que eram verdadeiras", afirmou.

Para a magistrada, porém, ficou comprovado que o "acusado excedeu o direito de liberdade de expressão, causando danos na vida pessoal da vítima e também na de pessoas a ele relacionadas, bem como para a empresa, que enfrentou queda nas ações".

Por Constança Rezende/Folhapress

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