Rússia lamenta fim do tratado de armas nucleares com os EUA: 'vemos de forma negativa'

Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear.
Em uma declaração nesta quinta-feira (5), o governo da Rússia afirmou que lamenta o final do tratado de armas nucleares entre o país e os Estados Unidos. A afirmação foi do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

'Vemos isso de forma negativa. Expressamos nosso pesar a respeito', declarou.

O acordo Novo START, assinado em 2010 entre os dois países, teve o seu final adiado na busca de uma nova definição. Entretanto, essa não veio por algumas divergências entre os países.

Da parte dos EUA, o presidente Donald Trump defende que qualquer negociação nuclear deveria incluir a China, a terceira maior potência nuclear, mesmo que esteja muito atrás de Moscou e Washington em termos de número de ogivas nucleares operacionais.

Mas Pequim continua se recusando a participar de qualquer negociação cujo objetivo final seja limitar seu arsenal nuclear. No mês passado, em entrevista ao New York Times, quando questionado sobre o Novo START, Trump se mostrou fatalista: 'Se expirar, expira, o que significa que faremos um melhor'.

Trump sempre foi muito crítico do acordo Novo Start, sobre o fim das proliferações nucleares entre os países. Isso vem especialmente por sua recorrente crítica a tudo que foi realizado dentro do governo Obama.

O secretário de Estado Marco Rubio afirmou na quarta-feira (4) que é 'impossível' chegar a um acordo sem a China 'devido ao seu vasto arsenal, que cresce rapidamente'. O Pentágono estima que a China terá mais de mil armas nucleares até 2035, um aumento significativo em relação às cerca de 200 existentes em 2019.
Exercício nuclear na Rússia. — Foto: Reprodução
O tratado atual é um acordo bilateral entre os EUA e a Rússia, que possuem cerca de 4,3 e 3,7 mil ogivas nucleares, respectivamente, de acordo com a Federação de Cientistas Americanos .

Na terça (3), a Rússia afirmou que está pronta para um mundo aonde não se tenha acordos nucleares e sem controle dos armamentos. A afirmação, feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, ocorre dias antes do final do acordo com os Estados Unidos sobre não proliferação nuclear, assinado em 2010.

Ryabkov, citado pela agência de notícias estatal TASS, disse que 'a falta de resposta também é uma resposta'. Ele também comentou que apoia a posição da China sobre o armamento nuclear.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já rejeitou em algumas ocasiões a proposta russa de adiar por um ano para ter mais tempo a negociações. Do outro lado, o governo da Rússia vê com receio esse final.

Aliado de Putin e principal membro do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, disse que o fim do acordo não significa uma 'guerra nuclear', mas 'isso deve nos colocar a todos em alerta'.

Medvedev era presidente do país e assinou o acordo com Barack Obama, então presidente americano, há 16 anos.

'O relógio [do apocalipse] está correndo, e agora obviamente vai acelerar. Não estamos interessados ​​em um conflito global. Não somos loucos', afirmou em entrevista à agência de notícias russa TASS, a Reuters e o blog de guerra WarGonzo.

Trump tomará decisão sobre novo acordo de armas nucleares quando julgar apropriado
Com o fim do acordo de armas nucleares com a Rússia, há uma tensão crescente sobre o que ocorrerá agora entre o país e os Estados Unidos. Apesar disso, por parte do governo americano, não há pressa sobre o que ocorrerá.

O presidente Donald Trump já definiu que tomará uma decisão sobre novas medidas para controlar as armas nucleares quando considerar apropriado. A informação está uma reportagem da Bloomberg, citando fontes.

Um representante da Casa Branca afirmou à agência de notícias que o cronograma para a implementação das medidas de controle de armas também será definido quando Trump considerar oportuno. Não há uma definição de quando isso ocorrerá.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Moscou acredita que, nas condições atuais, as partes não estão mais vinculadas a quaisquer obrigações previstas no tratado e são livres para escolher seus próximos passos.

A Rússia pretende agir 'de forma responsável e equilibrada', moldando sua abordagem à redução de armas estratégicas com base em uma análise minuciosa da política militar dos EUA e da situação estratégica geral, acrescentou o ministério.
https://cbn.globo.com/mundo/noticia

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente esta matéria.