Empreendedorismo feminino e a força das mobilizações coletivas na Bahia
Por Michel Querino – O empreendedorismo feminino tem se consolidado como uma das forças mais relevantes da economia contemporânea no Brasil. Na Bahia, esse movimento ganha contornos ainda mais potentes quando associado às mobilizações coletivas organizadas por mulheres em bairros, cidades do interior e na capital. Mais do que abrir negócios, mulheres têm criado redes.
Nos últimos anos, cresceu de forma significativa o número de feiras empreendedoras, encontros colaborativos e grupos organizados por bairros que estimulam o fortalecimento econômico e social feminino. São iniciativas que movimentam a economia local, ampliam a visibilidade de pequenas marcas e criam ambientes de apoio mútuo.
Em Salvador, por exemplo, surgem redes estruturadas por território, como o Amigas do Horto, o Amigas da Vitória, Amigas do Itaigara e outros coletivos femininos espalhados por diversos bairros da capital. Esses grupos promovem feiras, encontros temáticos, parcerias comerciais e ações colaborativas que estimulam a circulação de renda dentro da própria comunidade. A lógica deixa de ser competitiva e passa a ser colaborativa.
Feiras de bairro: economia que nasce da comunidade
As feiras organizadas por mulheres têm desempenhado papel estratégico no fortalecimento da economia criativa e do comércio local. Elas oferecem espaço para empreendedoras apresentarem seus produtos, ampliarem sua rede de contatos e consolidarem suas marcas. A economia passa a circular dentro do próprio bairro ou município, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
Esses eventos também cumprem função social:
•Estimulam o consumo local
•Incentivam o protagonismo feminino
•Geram renda direta para famílias
•Promovem pertencimento e identidade comunitária
O movimento no interior: o caso do Amigas de Ipiaú
Inspirado nesses exemplos da capital, nasceu no interior da Bahia o Amigas de Ipiaú, iniciativa que reúne mulheres empreendedoras com foco em conexão, capacitação, divulgação cruzada e fortalecimento coletivo.
A proposta vai além do networking tradicional. O grupo atua promovendo encontros, incentivando parcerias comerciais entre as integrantes, organizando ações conjuntas e fomentando projetos colaborativos como clubes temáticos, campanhas promocionais e feiras locais.
Segundo Carolina Maria Neves Hohlenwerger, uma das idealizadoras do movimento, o fortalecimento coletivo é o principal diferencial da iniciativa:
“Quando mulheres se unem, o impacto deixa de ser individual e passa a ser estrutural. Não estamos falando apenas de vendas, mas de construção de confiança, autonomia financeira e desenvolvimento local. O empreendedorismo feminino precisa ser visto como estratégia de transformação social.”
I Feira da Mulher Empreendedora do Médio Rio das Contas
Como desdobramento desse movimento, está em fase de estruturação a I Feira da Mulher Empreendedora do Médio Rio das Contas, que pretende reunir empreendedoras de diversos municípios da região em um ambiente de negócios, capacitação e fortalecimento institucional.
A proposta é criar um espaço organizado, com identidade regional, voltado para:
•Exposição e comercialização de produtos
•Rodadas de conexão e networking
•Palestras e capacitação
•Valorização da economia criativa
•Integração entre municípios
De acordo com Carolina, a Feira nasce com o propósito de consolidar o Médio Rio das Contas como um polo de empreendedorismo feminino. “Queremos dar visibilidade às mulheres que já movimentam a economia da nossa região, criar oportunidades concretas de negócios e fortalecer uma rede que ultrapasse fronteiras municipais.”
A iniciativa busca também dialogar com o poder público, instituições e parceiros estratégicos, ampliando o alcance do projeto e garantindo sustentabilidade às próximas edições.
Uma nova narrativa para o empreendedorismo feminino
Historicamente, foi construída uma narrativa de que mulheres competem entre si. No entanto, a prática dos grupos femininos organizados na Bahia mostra um cenário diferente: cooperação, indicação de clientes, fortalecimento mútuo e construção coletiva de oportunidades.
Esse modelo colaborativo tem impacto direto na autonomia financeira feminina e na sustentabilidade dos negócios locais. Ao invés de disputar espaço, mulheres criam novos espaços. Fortalecer mulheres empreendedoras é fortalecer bairros, municípios e regiões inteiras. Quando a renda circula localmente e o protagonismo feminino se amplia, os benefícios alcançam famílias e comunidades.
A Bahia vive um momento significativo de protagonismo feminino na economia comunitária. E esse movimento, ao que tudo indica, está apenas começando.
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