Ciro Nogueira diz que vai votar em Messias para o STF

Ex-ministro de Jair Bolsonaro, ele afirma que indicado por Lula para a corte é seu amigo

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirma que vai votar em Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal).

A declaração é simbólica por duas razões: ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, o parlamentar foi nos últimos três anos um dos principais líderes da oposição ao governo Lula.

Ao explicitar o apoio, ele consolida a impressão de que as resistências a Messias no Senado, que precisa aprovar seu nome, já estão sendo superadas.

Indicado por Lula em novembro, o atual advogado-geral da União enfrentou bombardeio cerrado, especialmente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Que também já teria suspendido a artilharia para ajudar na aprovação.

"Eu gostaria que Bolsonaro estivesse indicando o Messias. Agora, mesmo sendo o Lula, eu vou votar nele. Mais do que isso: eu vou me expor e vou fazer campanha", afirma. "Messias nasceu em Pernambuco, mas viveu por muitos anos no Piauí. Eu o conheço há muitos anos. Ele é preparadíssimo. Além disso, é honesto e tem um coração muito bom", diz Ciro.

Ele compara o perfil de Messias ao do ministro Cristiano Zanin, também indicado por Lula ao STF. "Os dois são humildes, não gostam de holofotes", afirma.

O senador diz ainda que, apesar de ser oposição, não vota contra indicações para o STF que preenchem os requisitos jurídicos.

A segunda razão que torna a declaração de voto simbólica é que Ciro esteve com Lula em dezembro para buscar um acordo em torno das eleições deste ano.

O encontro ocorreu na Granja do Torto, a pedido do senador, no dia 23 de dezembro, e contou com a participação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O senador nega e diz que nesta data estava no Piauí.

Descrita pelos participantes como cordial, a conversa, não registrada na agenda do petista, teve o objetivo de reaproximar Nogueira de Lula, sob o patrocínio de Motta. Segundo relatos, o chefe do PP procurou o presidente em busca de um acordo para renovar seu mandato de senador pelo Piauí, estado governado pelo PT.

De acordo com políticos que estão dos dois lados da negociação, Nogueira articula a formação de um pacto segundo o qual Lula apoiaria enfaticamente apenas um candidato para o Senado, o também senador Marcelo Castro (MDB). Isso facilitaria a reeleição do presidente do PP, uma vez que haverá duas vagas em disputa em outubro deste ano.

Ao confirmar o encontro, um aliado de Nogueira disse que ele quer que o governo e o PT não atrapalhem sua candidatura, acenando, em troca, com uma neutralidade do PP na disputa presidencial. Por essa proposta, o partido não se aliaria formalmente ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na disputa contra Lula.

Por Mônica Bergamo/Folhapress

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