Lula é ‘antissemita declarado’ e apoiador do Hamas, diz ministro de Israel em post no X
O ministro israelense disse que declarou Lula persona non grata porque o brasileiro teria desrespeitado a memória do Holocausto ao comparar a ofensiva militar em Gaza à perseguição de judeus na Segunda Guerra Mundial.
“Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA —o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel— colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel”, escreveu Katz.
Em julho, o governo Lula deixou a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, a IHRA, organização internacional criada para combate ao antissemitismo e memória do massacre dos judeus. Segundo diplomatas, a decisão de retirar o Brasil da aliança foi tomada porque a adesão foi feita de maneira inadequada durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O ministro também afirmou que Israel é capaz de se defender “contra o eixo do mal do islamismo radical, mesmo sem a ajuda de Lula e seus aliados”, e classificou a decisão como uma “vergonha para o povo brasileiro e para os muitos amigos de Israel no Brasil”.
Em resposta, o Itamaraty publicou no X que “O Ministro da Defesa e ex-chanceler israelense, Israel Katz, voltou a proferir ofensas, inverdades e grosserias inaceitáveis contra o Brasil e o Presidente Lula”.
“Espera-se do sr. Katz, em vez de habituais mentiras e agressões, que assuma responsabilidade e apure a verdade sobre o ataque de ontem contra o hospital Nasser, em Gaza, que provocou a morte de ao menos 20 palestinos, incluindo pacientes, jornalistas e trabalhadores humanitários”.
O ataque ao hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza, matou pelo menos 20 pessoas na segunda (25), incluindo cinco jornalistas. O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, falou em “acidente trágico”. “Nossa guerra é com os terroristas do Hamas. Nossos únicos objetivos são derrotar o Hamas e trazer de volta os reféns [em poder da facção palestina]”, declarou. Logo após a repercussão do bombardeio, Tel Aviv disse ter ordenado a abertura de uma investigação. Nesta terça-feira (26), o Exército admitiu que nenhum dos jornalistas eram membros do Hamas, que seriam os reais alvos da ação.
O hospital em Khan Yunis é um dos últimos centros de saúde que continuam parcialmente operacionais na Faixa de Gaza. As instalações já foram alvo de Israel em várias ocasiões desde o início da guerra no território, devastado pelos bombardeios.
O porta-voz da Defesa Civil do território palestino, Mahmud Bassal, mencionou ainda a morte de um trabalhador sanitário e de um membro da Defesa Civil.
Entre as vítimas de segunda (25) estão Hussam al-Masri, Mariam Abu Dagga e Mohammed Salama, que colaboravam para Reuters, Associated Press e Al Jazeera, respectivamente. Os jornalistas Moaz Abu Taha e Ahmad Abu Aziz também estão entre os mortos, e o fotógrafo Hatem Khaled, outro contratado da Reuters, ficou ferido.
Na publicação no X, o ministério brasileiro disse ainda que Israel está sob investigação na Corte Internacional de Justiça sob acusação de prática de genocídio —o governo Lula deve ingressar oficialmente na corte para endossar a ação, movida pela África do Sul.
“Como Ministro da Defesa, o senhor Katz não pode se eximir de sua responsabilidade, cabendo-lhe assegurar que seu país não apenas previna, mas também impeça a prática de genocídio contra os palestinos”, declarou o Itamaraty.
Antes da sequência de mensagens rebatendo Katz, a chancelaria brasileira já havia publicado uma nota condenando o bombardeio israelense ao hospital Nasser.
“Hospitais e unidades médicas gozam de proteção especial pelo Direito Internacional Humanitário, e ataques a tais instalações podem configurar crimes de guerra, conforme as Convenções de Genebra de 1949 e seus Protocolos Adicionais”, disse o ministério das Relações Exteriores, em nota.
“O bombardeio contra o hospital Nasser soma-se a um padrão reiterado de violações perpetradas pelo governo de Israel contra a população palestina. A responsabilização por tais atos é condição essencial para evitar sua repetição e assegurar justiça às vítimas”.
Na nota, o governo brasileiro defendeu ainda que ocorra uma investigação independente e imparcial do ocorrido. “Ao reiterar apelo por cessar-fogo imediato, o Brasil insta o governo de Israel a interromper os ataques contra a população civil de Gaza, a assegurar aos jornalistas o direito de desempenhar livremente e em segurança seu trabalho e a levantar restrições vigentes à entrada de profissionais da imprensa internacional e de ajuda humanitária naquele território”, disse o Itamaraty.
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