Lula diz que indicação de Zanin ao STF seria compreendida e rejeita lista tríplice para PGR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (2) que “todo mundo compreenderia” caso ele indicasse seu advogado, Cristiano Zanin, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Zanin defendeu o mandatário nos processos da Operação Lava Jato, que o levaram à prisão e, depois, foram anulados pelo Supremo.
“Hoje, se eu indicasse o Zanin, todo mundo compreenderia que ele merecia ser indicado. Tecnicamente cresceu de forma extraordinária, é meu amigo, é meu companheiro, como outros são meus companheiros, mas nunca indiquei por conta disso”, afirmou em entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo na BandNews.
O presidente também afirmou que não pretende repetir a atuação em seus dois primeiros mandatos, quando indicou para chefiar a PGR (Procuradoria-Geral da República) os procuradores que ganhavam a eleição interna da categoria.
“Não penso mais em lista tríplice, não penso mais. Esse não é mais o critério que eu pensava, porque quando eu vim para a Presidência eu trouxe minha experiência do sindicato, então tudo para mim era lista tríplice. Já está provado que nem sempre a lista tríplice resolve o problema. Então, vou ser mais criterioso para escolher o próximo procurador-geral da República”, disse.
Neste ano, os ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber completarão 75 anos, idade limite para atuar no STF, e caberá a Lula escolher os dois sucessores. O chefe do Executivo disse, ainda, que existe a possibilidade de indicar um terceiro nome, caso alguém antecipe a aposentadoria.
Lula disse escolher um jurista que, segundo ele, “tenha caráter” e “notório saber jurídico”. “Não quero escolher um juiz para mim, é para nação”, disse.
O chefe do Executivo disse acreditar que alguns dos ministros indicados pelo PT que votaram a favor da sua prisão, em 2018, fizeram isso por conta da pressão da imprensa.
“Se eu tivesse que escolher as pessoas que já escolhi, com as informações que eu tinha na época, eu as escolheria de novo”, afirmou.
Ele disse, ainda, que não tem ressentimento dos ministros que deram votos que o levaram para a prisão. “Eu não quero ficar julgando ninguém. Depois que o povo brasileiro me perdoou e me elegeu presidente, estou querendo relativizar tudo que aconteceu comigo”, disse.
Lula afirmou que irá conversar com aliados antes de escolher os próximos integrantes da corte. “Obviamente que tem sempre grupo de pessoas que você consulta, consulta advogados, pessoas de outros estados, consulta muita gente”, afirmou.
Marianna Holanda/Matheus Teixeira/Folhapress
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