Petrobras diz que proposta de conselheiro sobre política de preços não foi discutida internamente
A Petrobras disse nesta segunda-feira (20) que tomou conhecimento de uma carta de seu conselheiro Francisco Petros com propostas sobre a política de preços da companhia.
Em comunicado, a companhia afirmou que as propostas são uma iniciativa pessoal de Petros e não foram discutidas internamente.
Segundo fontes com conhecimento do assunto ouvidas pela Reuters, a proposta consiste no congelamento de preços de combustíveis pela empresa por 45 dias, além da formação de um grupo de trabalho com representantes da companhia, mercado e governo, em busca de uma nova fórmula de reajuste.
A estatal está sob ataque desde a última quinta-feira (16), um dia antes de anunciar reajustes de 5,2% no preço da gasolina e de 14,2% no preço do diesel. A empresa alega que o mercado de petróleo passou por uma mudança estrutural e que é necessário buscar convergência com os preços internacionais.
O governo tentou durante dias suspender reajustes e, na quinta, o tema chegou a ser debatido pelo conselho de administração da companhia a pedido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. O colegiado, porém reforçou que a definição de preços é atribuição da diretoria.
O pedido foi uma última cartada do governo para tentar evitar repasses em meio ao esforço para aprovar um pacote de medidas para reduzir os preços, que, segundo o presidente Jair Bolsonaro (PL), poderia garantir desconto de R$ 2 por litro na gasolina e de R$ 1 por litro no diesel.
Durante sua live da semana passada, Bolsonaro afirmou que um novo reajuste da petroleira no preço dos combustíveis teria “interesse político para atingir o governo federal”.
Ele não citou, durante a transmissão, a reunião extraordinária do conselho da Petrobras.
Já o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse à Folha que “vai para o pau” para “rever tudo de preços” de combustíveis.
Durante uma fala num culto evangélico em Manaus (AM) no último sábado (18), Bolsonaro afirmou que o valor de mercado da Petrobras deve cair mais R$ 30 bilhões em razão da articulação, comandada por ele, para a abertura de CPI sobre a estatal.
O presidente responsabilizou sócios minoritários pela queda de valor da empresa. Na última sexta-feira (17), a estatal perdeu R$ 27,3 bilhões de valor de mercado, segundo a plataforma de dados financeiros Economática, em razão da reação do governo ao novo reajuste dos combustíveis.
Embora critique publicamente os lucros da Petrobras, Bolsonaro vê seu governo se beneficiar deles. Como maior acionista da estatal, o governo ficou com cerca de R$ 44 bilhões dos dividendos distribuídos pela empresa desde o início de 2021.
Letícia Fucuchima/Folhapress
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