Risco de regressão já se infiltrou no Brasil, diz Fachin, presidente do TSE
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin, disse nesta terça-feira (17) que ataques às instituições durante as eleições devem servir de alerta e que o risco de “regressão” já se infiltrou no Brasil.
Fachin citou como exemplos a invasão do Capitólio, em Washington, por apoiadores de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, além de “reiterados ataques” a autoridades eleitorais no México e no Peru.
“São exemplos do cenário externo de agressões às instituições democráticas, que não nos pode ser alheio”, disse o presidente da corte eleitoral, que também é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
“[O ataque] alerta para a possibilidade de regressão a que estamos sujeitos, e que infelizmente pode infiltrar-se no nosso ambiente nacional, o que, a rigor, infelizmente já ocorreu”, afirmou ainda.
As declarações foram feitas na abertura da palestra “Democracia e eleições na América Latina e os desafios das autoridades eleitorais”, na sede do TSE.
O principal orador do evento foi o diretor para a América Latina e Caribe do Idea Internacional (Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral), professor Daniel Zovatto.
A manifestação de Fachin foi feita no momento em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) amplia insinuações golpistas e ataques às urnas e uma semana após o TSE negar sugestões das Forças Armadas ao processo eleitoral.
Bolsonaro tem mantido desde a campanha de 2018 um discurso em que, sem nenhuma prova, coloca dúvidas sobre o sistema eleitoral brasileiro. Em várias ocasiões ele deu a entender que não aceitará outro resultado que não seja a sua vitória em outubro.
No último dia 5, por exemplo, afirmou que uma empresa será contratada pelo PL, o seu partido, para fazer uma auditoria privada das eleições deste ano. E sugeriu, em tom de ameaça, que os resultados da análise podem complicar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se a empresa constatar que é “impossível auditar o processo”.
Não é de hoje que o presidente flerta com o golpismo ou faz declarações contrárias à democracia. Como governante, ele mantém este tipo de discurso.
“Alguns acham que eu posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo. E apesar de tudo eu represento a democracia no Brasil”, afirmou em uma formatura de cadetes no ano passado.
Em 2020, Bolsonaro participou de manifestações que defendiam a intervenção militar –o presidente é um entusiasta da ditadura militar e de seus torturadores.
No passado, em uma entrevista em 1999 quando ainda era deputado, Bolsonaro disse expressamente que, se fosse presidente, fecharia o Congresso.
Mateus Vargas/Folhapress
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