Pacheco diz que democracia é inegociável e atos golpistas e autoritários devem ser rechaçados

Foto: Marcos Brandão/Senado Federal/Arquivo

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), disse nesta quinta-feira (2) que “não se negocia a democracia”. A declaração foi feita após encontro com governadores de cinco estados e do Distrito Federal para discutir a crise entre os Poderes.

“É muito importante que todos nós estejamos unidos, respeitando as divergências, na busca de consenso, na busca de convergências, mas com um aspecto que é para todos nós inegociável: não se negocia democracia, democracia é uma realidade, o estado de direito é uma realidade”, afirmou.

O encontro, a pedido dos governadores, é uma tentativa de harmonizar a tensão institucional provocada pelo presidente Jair Bolsonaro. Além de se reunirem com Pacheco, eles também pretendem conversar com Bolsonaro. No entanto ainda não há sinalização do Planalto sobre quando e se isso irá ocorrer.

Sem citar Bolsonaro, Pacheco defendeu o diálogo e disse que “não é possível não ouvir governadores dos estados e do Distrito Federal”.

Outra preocupação dos governadores são os atos bolsonaristas previstos para 7 de Setembro, considerados um desafio para autoridades, que precisam se equilibrar entre os princípios da liberdade de expressão e de estabilidade democrática previstos na Constituição.

Questionado sobre os riscos das manifestações, o presidente do Senado respondeu que espera que elas sejam “cívicas” e “patrióticas”, mas defendeu que qualquer movimento contra a democracia seja rechaçado.

“Obviamente que pontos de manifestação, de um modo geral, qualquer que seja ela, por qualquer meio que seja, que vise retroceder a democracia, que vise não ter eleições, algum tipo de intervenção ou autoritarismo, isso tem que ser rechaçado, porque isso não é democrático, não é patriótico”, disse.

Os protestos de raiz golpista e de pautas autoritárias a favor de Bolsonaro estão marcados para o feriado de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e na avenida Paulista, em São Paulo. O presidente prometeu comparecer e discursar nos dois atos.

Nesses protestos, Bolsonaro espera contar com milhares de apoiadores para ganhar fôlego em meio a uma crise institucional provocada por ele mesmo, além das crises sanitária, econômica e social no país.

Isolado, Bolsonaro perde apoio nas classes política e empresarial, além de aparecer distante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em diferentes pesquisas de opinião sobre a corrida eleitoral de 2022.

Nesta quinta-feira, ao fim da reunião, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), coordenador do Fórum Nacional dos Governadores, disse haver uma preocupação “unânime” entre os governadores em relação à crise entre as instituições.

“Na última reunião, expressamos nossa preocupação com o esgarçamento das relações entre os Poderes. Isso é unânime, independente da coloração partidária dos governadores que existem dentro do grupo. Existe uma unanimidade de que temos que caminhar juntos pela democracia.”

O emedebista informou ainda que pedirá uma reunião com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para tratar do assunto e de outros temas de interesse dos estados que tramitam na Casa.

Além de Ibaneis, participaram do encontro o governadores Romeu Zema (Minas Gerais), Reinaldo Azambuja (Mato Grosso do Sul), Helder Barbalho (Pará), Renato Casagrande (Espírito Santo) e Wellington Dias (Piauí).
Washington Luiz e Julia Chaib, Folhapress

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