AMB quer ⅓ das vagas do STF para juízes de carreira, diz presidente
![]() |
| Renata Gil, 49, é presidente da AMB. É a 1ª mulher a presidir a entidade em 70 anos |
“Toda corte tem renovações e elas são muito bem-vindas. Nós, da AMB, pedimos que ⅓ das vagas do STF sejam destinadas aos magistrados que fizeram concurso público, que se submeteram a todo o crivo da carreira“, disse, em entrevista ao Poder360 gravada na última 4ª feira (23.jun.2021). Assista à íntegra (38m31s):
Renata Gil tem 49 anos e é juíza criminal. Fez a carreira no Rio de Janeiro, onde julgou crimes ligados ao Comando Vermelho e presidiu a Amaerj (Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro). Em 2019, foi eleita a 1ª mulher a presidir a AMB, entidade que tem 70 anos de história.
“Sobre os meus ombros pesa uma responsabilidade muito grande da representação feminina“, diz.
Leia trechos da entrevista:
Como a senhora entende o atual momento da Justiça brasileira?
Nossa Justiça é gigante, a maior do mundo. São 80 milhões de processos tramitando, o que supera qualquer outro país. Temos feito entregas importantes, mas há questões a resolver. O tempo dos processos, por exemplo. As leis são antigas e estão em reforma. Mas veja: durante a pandemia, já foram 30 milhões de sentenças entregues à sociedade. A gente caminha a passos largos para um futuro de Justiça 4.0, toda informatizada.
Há quantos juízes no Brasil?
São 18 mil em todas as instâncias.
A Justiça Trabalhista ainda é a que mais emprega mais?
Não. A que mais emprega juízes é a Justiça estadual. Temos aproximadamente 3 mil juízes trabalhistas 2 mil juízes federais e todo o restante é de juízes estaduais.
Como a senhora avalia o fim da Lava Jato?
O ciclo de medidas de combate à corrupção e à lavagem de dinheiro que a Lava Jato iniciou ainda está aí. Temos vários acordos de delação sendo feitos. Como força-tarefa, ela se desfez por conta da interpretação de que houve determinados exageros. Algumas decisões foram reformadas. Mas a gente tem um legado muito importante para o país e eu penso que o Brasil é outro depois dela.
A Lava Jato cometeu excessos?
Toda a vez que um juiz erra, a medida certa é o recurso. Das decisões da operação, algumas foram reformuladas e outras não. Durante muito tempo, as decisões do juiz Sergio Moro foram mantidas nas 3 instâncias. Depois, algumas caíram. Essas reavaliações são naturais em países democráticos e o Brasil é uma democracia.
O ministro Marco Aurélio, do STF, vai se aposentar mês que vem. Como a senhora avalia a trajetória dele e como tem visto o processo de sucessão?
Marco Aurélio é um ministro cultíssimo, que tem coragem de se posicionar de forma diferente dos seus pares e falar publicamente sobre as suas decisões. Tem uma trajetória robusta e deixa o seu legado. Toda corte tem renovações e elas são muito bem-vindas. Nós, da AMB, pedimos que ⅓ das vagas do STF sejam destinadas aos magistrados que fizeram concurso público, que se submeteram a todo o crivo da carreira. Entreguei ao presidente Bolsonaro o pedido, mas a indicação é prerrogativa do presidente da República. Ele pode escolher homem, mulher, evangélico, católico.
O último indicado, Nunes Marques, era juiz.
O ministro Nunes Marques era magistrado do TRF-1, mas ele entrou pelo 5º constitucional. A gente considera de carreira aquele que entrou por concurso público.
Como seria feita a destinação das vagas? Seria uma lista tríplice, como faz a ANPR para a PGR?
A gente não faz indicação de pessoas. Temos 18 mil juízes e todos qualificados. Escolher um nome não seria nada conveniente. Se apresentariam aqueles que se destacaram e que têm vontade. A ideia é que o presidente escolha dentro da carreira.
A ANPR apresentou a lista tríplice para PGR e Bolsonaro não vai seguir. É um mau sinal?
Nós apoiamos essa forma de indicação, mas eu costumo reforçar que pela Constituição brasileira é prerrogativa do presidente a indicação. Eu entendo que todas essas formas tradicionais são saudáveis porque elas representam o anseio da instituição.
A senhora trabalhou em parceria com deputados para aprovar o programa Sinal Vermelho, que combate a violência contra a mulher. Como é a relação com outros Poderes?
Tenho muito orgulho da minha trajetória aqui em Brasília. Sou uma pessoa de diálogo e acho que as instituições precisam conversar. A própria Constituição diz que os Poderes são independentes, mas harmônicos. Harmonia nada mais é do que você dialogar e encontrar a melhor solução. Procuro de forma transparente atuar com o Legislativo e com o Executivo.
O tema da violência contra a mulher piorou com a pandemia?
Eu sou a primeira mulher a presidir a AMB em 70 anos. Sobre os meus ombros pesa uma responsabilidade muito grande da representação feminina. Na pandemia, muitas mulheres estavam presas com seus agressores e eu percebi que, embora os números aumentassem, as formas de denúncia não eram viáveis porque muitas pessoas ficaram em isolamento social muito severo no início. Assim surgiu a campanha Sinal Vermelho, que com um x vermelho na mão, elas podem procurar uma farmácia e efetuar essa denúncia. Houve consenso entre todas as bancadas, de esquerda, Centrão, direita. O Brasil é o 5º país mais violento contra mulheres, atrás de Honduras, Venezuela, Guatemala e Rússia. Pedimos ao governo, pelo ministro Anderson Torres [Justiça] a criação da Estratégia Nacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Hoje, a gente não tem sequer uma centralização de dados estatísticos.
A bancada feminina é a maior da história. Deputadas dizem haver menos polarização entre elas do que entre homens. A senhora concorda?
Todas apoiaram de uma forma muito clara os projetos que mandamos. Houve ajustes de texto para contemporizar todos os anseios. Eu lembro que a esquerda pedia muito que a gente tivesse uma política pública, já que não gosta muito de criminalização ou aumento de pena. A posição foi seguida por toda a bancada. Eu percebi exatamente isso. Há uma conjunção de esforços para que efetivamente o país avance, e não só na pauta feminina. Acho que essa bancada é inovadora e quebra paradigmas.
Na semana passada, deputados aprovaram o afrouxamento da lei de improbidade. Vai aumentar a corrupção?
Toda a legislação brasileira pode ser submetida a modificações. Houve uma mudança de prazo prescricional e na intenção da prática do ato de improbidade. A vontade do legislador era aprovar uma alteração para diminuir a punição ou para fazer evolução legislativa? Eu aguardo as próximas cenas no Senado. Nem todas as pessoas que são denunciadas por improbidade praticam improbidade. É preciso separar o joio do trigo. Agora, retrocessos a gente não vai admitir. A AMB é uma grande demandante de ADIs no STF. Estamos atentos e se assim acontecer com a lei de improbidade, a gente também vai adotar as providências jurídicas que sejam pertinentes.
A AMB foi procurada para falar sobre a reforma administrativa?
Ela passou na CCJ muito rápido. A gente conversou bastante com o deputado Darci de Matos (PSD-SC). Agora, a gente já tem conversado com o deputado Fernando Monteiro (PP-PE), que é o presidente da comissão. O legislador constituinte entendeu que cargos de Estado são estratégicos para a sociedade. Por exemplo, o magistrado tem princípios garantidos: imobilidade, vitaliciedade e manutenção de vencimentos. Serve para momentos em que a magistratura estiver enfrentando questões importantes, ela não seja pressionada politicamente. Garantias não podem ser tratadas de uma forma igual com relação a todo o servidor. Embora não estejamos formalmente na reforma, há emendas para a inclusão. Somos contrários. Entendemos que não é momento de reforma do funcionalismo. Estamos em meio a uma pandemia.
A senhora defende 60 dias de férias por ano para juízes e procuradores. Não é injusto com servidores e trabalhadores da iniciativa privada?
Nós não somos trabalhadores como os outros trabalhadores. Muita gente não sabe que o juiz brasileiro não tem FGTS, horário de trabalho. Se é para colocar a magistratura dentro do funcionalismo ordinário, vamos fazer uma reforma completa. Professores universitários têm 45 dias de férias, outras categorias têm 60. Todo esse aparato de proteção aos juízes têm resultado. O CNJ estabelece metas e cumprimento de prazos. Se ele não cumprir, não pode se movimentar na carreira. Tribunais competem entre eles quem ganha o selo diamante, quem ganha selo ouro.
A descrição que a senhora deu do trabalho de um juiz não é diferente da de um executivo, por exemplo. Não seria o caso de haver um regime único de trabalho?
Se o serviço público fosse igual ao serviço privado, a gente não teria estatutos diferentes. Não vejo em nenhum lugar do mundo essa equiparação entre a função pública e privada. Não tem como comparar o incomparável. Agora, você trazer critérios que são positivos, que podem impulsionar a eficiência, não vejo problema. Nem acho que seja necessária uma alteração tão grande. A função de um alto executivo é totalmente diferente. O nosso enfoque é a satisfação da sociedade. Na empresa privada, é a garantia do lucro. A gente tem muito complexo do primo pobre, que a grama do vizinho é mais verde. O Brasil produz resultados muito bons na Justiça. Por: Poder360
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Ação Solidária
Supermercado Pague Levinho do Bairro ACM
Ofertas do Deus te ama
Saúde
Ofertas de Fim de Semana/Mercadinho Deus Te Ama
OFERTAS DE AGOSTO NO LOJÃO DO CONSTRUTOR
Ofertas da semana do Supermercado DI Mainha
CLIO Imagens Odontológicas
Ótica São Lucas
Total de visualizações de página
Divulgue aqui sua empresa (73) 9-8200-7563
Sua marca em destaque
RC Crédito
Postagens mais visitadas
- Lídice critica nudez de jovens em ato de Neto e contrapõe: “Jerônimo trouxe Lula e propostas para a Bahia”
- Adversários usam palanque esvaziado de Jerônimo em Macaúbas para dizer que ele vai perder
- Ronnie Lessa revela pela primeira vez como foi feita proposta para matar Marielle Franco: "Eu tremi"
- Lulinha desce a lenha em Janja e bota o dedo na ferida: "Barraqueira"

Nenhum comentário:
Postar um comentário