Deputado pede que PF investigue Felipe Neto, Boulos e parlamentares do PSOL por ‘crime contra segurança nacional’


‘Construir a luta antifascista é uma obrigação diante do governo Bolsonaro’, rebate Sâmia, uma das citadas no ofício

O deputado federal José Medeiros (Podemos-MT) pediu à Polícia Federal que investigue o youtuber Felipe Neto, o candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, e os deputados Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Glauber Braga (PSOL-RJ), com base na Lei de Segurança Nacional.

O pedido para investigação foi protocolado por Medeiros e encaminhado ao procurador-geral da República, Augusto Aras, no dia 1º de junho.

No ofício, o parlamentar afirma que, no dia 31 de maio, em meio a manifestações favoráveis ao presidente Jair Bolsonaro, um grupo antifascista resolveu protestar na Avenida Paulista, em São Paulo, “protagonizando confrontos e cenas de barbárie”.

“Esse grupo, formado por homens, em sua maioria, e por membros de torcidas organizadas, todos vestidos de preto, iniciaram confrontos com os manifestantes pró-governo, agrediram cidadãos, depredaram patrimônio público, entraram em confronto com policiais e os agrediram, protagonizando cenas de barbárie na capital paulista”, argumentou o parlamentar do Podemos.

Medeiros também acusa os deputados federais Glauber Braga e Sâmia Bomfim de incentivar atos violentos.

“É impensável que deputados federais participem de movimentos violentos que tiveram como resultado agressões à polícia e a manifestantes pacíficos que já estavam na Avenida Paulista, o que demonstra claramente que os deputados citados incorreram no crime previsto no art.23 da Lei de segurança nacional, sem prejuízo de incorrerem em outros artigos da mesma lei, a critério de V. Ex.ª, tendo em vista que estavam presentes dentro da manifestação dos denominados ‘Antifas'”, expõe o autor do ofício.

Na sequência, o parlamentar acusa Guilherme Boulos e o youtuber Felipe Neto de usar as redes sociais para comemorar e exaltar o movimento.

“O senhor Felipe postou em suas redes sociais, conforme imagens anexadas, manifestações de apoio ao movimento ‘Antifa’, dizendo que ‘não se dialoga com fascista’ e que se deve fazer o que for preciso. Na sequência, publicou ainda um manual de como se portar em manifestações desse tipo, fazendo clara propaganda pública a manifestações violentas que visem alteração da ordem social e política e incentivando a luta com violência entre as classes sociais. O fato dessas manifestações terem sido feitas na internet, confere a elas um grande poder de propagação, podendo-se aplicar por analogia o crime previsto no art. 22, 1º da lei de segurança nacional, bem como os incisos I e II deste artigo e o crime previsto no art. 23, incisos I e III”, escreve, referindo-se ao youtuber.

“Já o senhor Guilherme Boulos, postou em seu ‘twitter’ imagens do movimento violento e manifestou seu apreço pelo ato, afirmando ter orgulho (imagens anexadas), o que claramente faz propaganda do ato e incita a prática dos crimes previstos no artigo 23, incisos I e III da Lei nº 7.170/1983”, menciona o parlamentar.

A reação dos acusados

Em entrevista a CartaCapital, Guilherme Boulos afirmou que o presidente Jair Bolsonaro utiliza de forma política a Polícia Federal para eleger Celso Russomanno (Republicanos).

“Bolsonaro está usando a PF para me intimidar e eleger Russomanno. Isso mostra que eles têm medo da nossa candidatura, porque ela é a que tem mais chances de ir ao segundo turno e derrotar o Bolsodoria em São Paulo. Nós não temos medo nem rabo preso”, disse. O candidato à prefeitura foi intimado pela PF a prestar esclarecimentos sobre postagens feitas em que criticava o presidente Bolsonaro.

A deputada federal Sâmia Bomfim, líder do PSOL na Câmara, afirmou que não foi notificada oficialmente. “Estou tranquila de que não fiz nada de errado, nenhum crime. Manifestar-se é um direito e construir a luta antifascista é uma obrigação diante do governo Bolsonaro”, declarou.

O deputado Glauber Braga também declarou não ter sido notificado oficialmente e condenou a atitude de José Medeiros. “Ser fascista que é um absurdo, ser antifascista é uma obrigação para quem não se rende. Esse tipo de iniciativa intimidatória, que usa a polícia como política para perseguir adversário, não vai funcionar. Vamos continuar exercendo nosso papel de enfrentar o fascismo e os agentes que dão sustentação a essa política bolsonarista. Não vamos recuar”, afirmou em contato com a reportagem de CartaCapital.

O youtuber Felipe Neto se manifestou em nota oficial: “Por meio de assessoria de imprensa, Felipe Neto afirma que, como já é de conhecimento de todos, a partir do momento em que assumiu postura crítica em relação ao governo vigente, vem sendo alvo de uma criminosa campanha difamatória. Por esses motivos, e por confiar nas instituições responsáveis, Felipe Neto recebe com absoluta tranquilidade a notícia de que o referido deputado, em tentativa de silenciamento e confundindo manifestações de livre pensamento e crítica com atos antidemocráticos, próprios justamente do governo que ele apoia, solicitou à Procuradoria Geral da República que o investigue por crimes que jamais praticou. Felipe Neto finaliza reiterando que sua assessoria jurídica está acompanhando o ocorrido”.




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