Comportamento de Rui sabota chances do PT em 2022, por Raul Monteiro

Foto: Divulgação/Arquivo
Não é de agora que os políticos aliados – praticamente todos eles – se queixam do governador Rui Costa (PT). Ele é apontado como um péssimo articulador político, como alguém que, em suma, não se interessa pela atividade pela qual os correligionários dão a própria vida, o que naturalmente o coloca no campo oposto ao daquele em que poderia ser alvo de elogios. Pelo contrário, poucos têm coragem de dizer a ele – e seria assim, certamente, com qualquer governador – o que realmente acham da condução política que dá à sua administração.

Ainda assim, não é possível deixar passar em branco uma dura crítica que lhe dirigiu ontem um dos aliados mais fiéis que os governos petistas já tiveram na Bahia, o deputado federal Marcelo Nilo (PSB). Em tom de desabafo, Nilo disse aquilo que é possível ouvir, nos bastidores, de qualquer parlamentar ou aliado do governador: não é concebível que, mais de um mês depois de ter exonerado a sua chefe das Relações Institucionais, Cibele Carvalho, o governador não tenha ainda definido alguém para o seu lugar, dando a entender que o posto pode ficar vago indefinidamente.

Mais ainda: que a acefalia ocorra, como bem frisou o parlamentar, às portas das eleições municipais, momento em que a tensão política aumenta nas cidades do interior, impactando a vida e os projetos dos deputados, que vivem em relação simbiótica com os prefeitos e candidatos às Prefeituras, o que vem acarretando, involuntariamente, para usar uma metáfora do próprio deputado, um verdadeiro salve-se quem puder entre os partidos da base cujo resultado, naturalmente, só poderá ser a destruição de uma boa e significativa parte deles.

Quando se queixa de Rui, na qualidade, aliás, de coordenador da bancada federal na Câmara dos Deputados, Nilo não dirige crítica à gestão administrativa do governo, mas deixa claro que, sem a política ou a capacidade de conciliar os interesses que precisam ser resolvidos por seu intermédio, um governo não prospera, tese que, pelo exemplo do próprio governador da Bahia, pode até ser contestada. Mais assertivo seria dizer que Rui não tem a admiração da classe e nem contará com a simpatia dela para se perpetuar na política.

Mas a dificuldade dele em entender a centralidade de sua figura na articulação política do governo neste momento, independentemente de quem escolha para colocar na secretaria de Relações Institucionais, pode, de fato, comprometer os planos do PT de tentar manter o governo do Estado sob o seu controle por mais um mandato, até mesmo se apresentar como candidato à sucessão estadual de 2022 o senador Jaques Wagner, que inventou Rui na esteira da produção petista de ‘postes’ dos quais o exemplo mais assustador, felizmente, ainda é o da ex-presidente Dilma Rousseff. E o motivo é um só: o esfacelamento precoce da própria base.

 Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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