Congresso decreta luto de três dias por 10 mil mortes de Covid-19

Foto: Dida Sampaio/Estadão
No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pretendia fazer um churrasco no Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional decretou luto de três dias.

Neste sábado (9), a Bandeira Nacional será hasteada a meio-mastro diante do Congresso, onde acontece uma manifestação a favor de Bolsonaro.

Pelo ato assinado pelos presidentes do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), “ficam proibidas quaisquer celebrações, comemorações ou festividades, no âmbito do Congresso Nacional, enquanto durar o luto”.

Os números de casos confirmados e mortes por coronavírus ainda não foram atualizados pelo Ministério da Saúde neste sábado.

Na sexta, a Saúde informou que o Brasil havia registrado 751 novas mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, o quarto dia seguido com mais de 600 óbitos por dia.

Com isso, chegava a 9.897 o número de mortes confirmadas pela doença. O país também tem, pelos dados de sexta-feira, um total de 145.328 casos.

O ato do Congresso, no entanto, já considera um número maior de mortes.
Nas justificativas para a edição do ato, Alcolumbre e Maia consideram que estatísticas contabilizam “mais de 10 mil vítimas”.

Eles apontam também “o sofrimento das milhares de famílias que perderam seus entes queridos, sem que tenham podido prestar suas últimas homenagens”.

Os dois ressaltam ainda “o sentimento comum das bancadas parlamentares dos mais diversos estados da Federação e do Distrito Federal”.

Em nota, eles dizem que “é uma tragédia que nos devasta mais a cada dia. Dez mil pessoas, amadas e importantes para outras pessoas, cheias de sonhos, tiveram suas vidas interrompidas”.

“A situação que estamos vivendo é lamentavelmente singular. Nossas cidades paradas, nossas crianças sem aulas, nosso povo assustado. O combate a um inimigo tão invisível quanto mortal, que ataca sem respeitar fronteiras ou aviso prévio, é sacrificante e cruel”, diz o comunicado conjunto.

Ao afirmar que trata-se de “um momento difícil para todos”, Alcolumbre e Maia dizem que o Legislativo tem feito sua parte. “Quando se trata de proteger a vida dos brasileiros, que é o valor maior, não há dúvida quanto ao caminho a ser trilhado; não há hesitação possível”.

Eles afirmam que o país sairá da pandemia “machucado, enlutado, entristecido, assim como outras nações” e com um desafio de retomada. Por fim os dois presidentes do Legislativo insistem no pedido por isolamento social.

“Mesmo chorando a morte dos nossos irmãos e irmãs brasileiros, conclamamos todos a manter as recomendações das autoridades de Saúde, diminuindo o ritmo dessa terrível doença, enquanto nos preparamos para um retorno seguro e definitivo à normalidade”, encerra a nota.

Já Bolsonaro havia anunciado na quinta-feira (7) e na sexta que realizaria um churrasco com ministros e servidores do governo neste sábado, no Palácio da Alvorada.

Diante da repercussão negativa, ele cancelou a confraternização e chamou de mentira o que ele mesmo havia anunciado.

Folhapress

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