Mercados entre reabertura, petróleo e Bolsonaro

Manifestante por reabertura ao lado de profissional de saúde no Colorado, nos EUA: países começam a formular planos para retomada | REUTERS/Alyson McClaran 
As pressões pela reabertura dos países, os novos números do coronavírus e o preço baixo do petróleo dividem a atenção dos mercados nesta segunda-feira, 20. A Desperta destaca ainda o novo embate entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso e a mega transmissão que reuniu mais de 100 artistas no fim de semana na luta contra o coronavírus. Boa leitura.

1 - ENTRE O PETRÓLEO E A REABERTURA
A disputa entre o avanço persistente do coronavírus e a cobrança por reabertura das atividades econômicas deve concentrar a atenção dos investidores mundo afora nesta semana. Na manhã desta segunda-feira, 20, a notícia é uma nova queda no preço do petróleo, puxada por baixas de 20% em contratos futuros nos EUA. Mais à frente na semana a possível votação de um pacote conjunto de republicanos e democratas para apoiar pequenos negócios pode dar novo impulso às bolsas americanas. As bolsas começaram a semana sem direção definida. Tóquio caiu 1,15%, mas Xangai subiu 0,50%. Na Europa, o índice DAX avançava 0,2% até as 7h de Brasília, e o FTSE subia 0,1%. O índice Ibovespa, vale lembrar, fechou a sexta-feira em alta de 1,5%, em 78.990 pontos, puxado pelo plano de reabertura econômica nos Estados Unidos.

2 - BOLSONARO VS. LEGISLATIVO
A semana começa tensa em Brasília, e não por causa do coronavírus. Na frente de um quartel e no Dia do Exército, o presidente Jair Bolsonaro discursou no domingo, 19, para uma manifestação na capital federal. O ato pedia um novo Ato Institucional 5, período brutal da Ditadura Militar, e trazia cartazes contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e Rodrigo Maia, presidente da Câmara. A participação de Bolsonaro foi criticada nas redes sociais por políticos, ministros do STF e pela Ordem dos Advogados do Brasil. Ainda ontem, 20 dos 27 governadores divulgaram uma carta em defesa da democracia. A tensão acontece enquanto o Congresso precisa votar até esta segunda-feira, 20, a Medida Provisória do "Contrato Verde e Amarelo", proposta pelo governo para flexibilizar regras trabalhistas. O Congresso também deve votar hoje ampliação do auxílio emergencial de 600 reais para outras categorias não contempladas. 

3 - ALEMANHA VOLTA (EM PARTES)
A Alemanha começa a afrouxar as medidas de quarentena. Nesta segunda-feira, 20, lojas com até 800 metros quadrados de área puderam reabrir para o comércio. Voltou também parte da produção de automóveis, 5% do PIB alemão, com a retomada da linha industrial na Volkswagen, parada desde março. A Mercedes-Benz também pretende voltar nesta semana. O Fundo Monetário Internacional prevê que o PIB da Alemanha terá uma contração de 7% em 2020 – golpe duro para um país que cresceu apenas 0,6% no ano passado. Com mais de 1,7 milhão de testes feitos, a Alemanha é o quinto país do mundo com mais casos (quase 146.000), mas tem 4.642 mortes por covid-19, uma das menores taxas da Europa. A premiê Angela Merkel defendeu cautela no afrouxamento da quarentena: “o que conseguimos até agora é um sucesso temporário e frágil”, disse. Veja aqui o número de casos por país.

4 - O PLANO NOS EUA
Um processo de reabertura começa também a ganhar força nos Estados Unidos, onde protestos pelo fim da quarentena aconteceram no fim de semana. O estado do Texas, que tem 19.000 casos e 488 mortes pela covid-19, permite nesta segunda-feira, 20, que pessoas voltem a frequentar praças e parques durante o dia, desde que usando máscaras e mantendo distância. País com mais casos no mundo, os EUA têm mais de 759.000 infectados e 40.500 mortes. Na semana passada, o presidente Donald Trump chamou estados para uma conversa visando traçar um plano de reabertura já a partir desta semana. Começam a discutir a retomada mesmo regiões mais afetadas, como Nova York, Massachusetts e Pensilvânia, na costa leste, mas ainda sem datas. A Califórnia, ao oeste, que foi uma das primeiras a fechar e tem menor taxa de casos, elaborou um plano de seis etapas. Apesar da queda no número de casos em diversas regiões, a volta da maior economia do mundo à atividade não deve ser simples.

5 - VOLTA DO "ENCONTRO"
Alguma tentativa de volta à normalidade acontece também na televisão. Fora do ar desde 17 de março, Fátima Bernardes voltará à grade da Globo nesta segunda-feira, 20, às 10h45. O programa “Encontro” volta a ocupar a faixa da manhã, depois de passar um tempo substituído pelo informativo “Combate ao Coronavírus”, criado às pressas logo no início da quarentena no Brasil. Após estrear com média de 11,3 pontos no Ibope, o programa bateu recorde negativo na quinta-feira, 16, com apenas 7,3 pontos. Segundo a Globo, a volta se dá porque “as novas rotinas já estão se organizando nas casas dos brasileiros”. Uma estrutura foi montada na casa de Fátima, no Rio de Janeiro, que conversará com os entrevistados por vídeo. Como cozinhar em casa virou realidade para muitos na quarentena, Fátima contará com inserções de Ana Maria Braga.

"Exame.Desperta"


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