Mandetta confirma sua saída do ministério: “São 60 dias nessa batalha. Isso cansa”

MINISTRO DA SAÚDE, LUIZ HENRIQUE MANDETTA. FOTO: EBC
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, confirmou sua saída do governo do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à revista Veja nesta quarta-feira 15, o chefe da pasta disse que fica no cargo até acharem outro nome e que se compromete em ajudar o novo ministro.

“São 60 dias nessa batalha. Isso cansa! Sessenta dias tendo de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudamos bastante”, afirmou Mandetta.

Na coletiva desta quarta-feira, que o ministro vinha fazendo todos os dias desde o início da pandemia do coronavírus no Brasil, o clima era de despedida. Com seus dois principais auxiliares — o secretário-executivo João Gabbardo e o secretário de Vigilância e Saúde, Wanderson de Oliveira – Mandetta falou em tom de confraternização, que incluiu piadas e discursos de despedidas.

Apesar de ter dito não saber se, com a sua saída do governo federal, a política de combate à pandemia do novo coronavírus no Brasil mudará, Mandetta afirmou que o vírus e a população “se impõem”, e que a covid-19 “não negociou com (o presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump, não vai negociar com nenhum governo”.

Mandetta e Bolsonaro estão em crise após divergirem sobre medidas de combate ao coronavírus. Enquanto o ministro defende um isolamento total para evitar o aumento do contágio, seguindo os protocolos internacionais, o presidente acredita que apenas o grupo de risco deveria ficar em casa, enquanto o resto da população continue trabalhando para evitar uma crise econômica.

Na semana passada Bolsonaro chegou a cogitar demitir Mandetta, mas foi convencido pela ala militar do seu governo em manter o ministro. Neste domingo, o chefe da pasta da Saúde concedeu uma entrevista à TV Globo na qual ele criticou a postura de Bolsonaro e pediu união no discurso.
Essa atitude incomodou a ala militar que até então estava em sua defesa e impulsionou sua demissão.

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