Com fim de coligações, partidos acabam impondo informalmente sistema de listas a eleitor

Foto: Divulgação/Arquivo
A movimentação registrada em Salvador por candidatos entre partidos no limite do prazo para filiações, entre a sexta-feira e o sábado últimos, mostrou que as siglas passaram a utilizar praticamente o critério de listas fechadas para definir e eleger candidaturas.

Pelo modelo, o partido define os candidatos que quer ver eleitos colocando-os em ordem de prioridade na lista para apreciação do eleitor, que vota na sigla sabendo que vai eleger os nomes preferidos pelo comando partidário.

Na prática, foi o que aconteceu agora, quando se viu partidos escolhendo quem iria se filiar, abrindo as portas para alguns nomes e fechando definitivamente para outros, num movimento que, se trouxe tranquilidade para uns, levou desespero para muitos candidatos.

O caso mais gritante talvez tenha sido o do Patriotas, onde o dirigente Jean Sacramento, ele mesmo candidato a uma vaga na Câmara Municipal, vetou de última hora a entrada do vereador Beca, peitando abertamente o Palácio Thomé de Souza.

Jean não queria ter dúvidas de que seria eleito, junto com alguém de sua confiança que não lhe trouxesse dificuldades, o que poderia acontecer caso acolhesse o vereador, cuja eleição para a Câmara Municipal é uma das prioridades nesta eleição na Prefeitura.

O próprio DEM, do prefeito ACM Neto, usou largamente o critério, definindo os candidatos prioritários e excluindo outros, como o vereador Maurício Trindade, que acabou tendo que se filiar de última hora ao MDB para disputar a reeleição.

Além de ter sido visto com desconfiança por colegas vereadores que temiam que sua performance eleitoral pudesse excluí-los do pleito, Trindade cometeu o erro de acordar que iria para o MDB tempos atrás.

Ao perceber que suas chances lá seriam menores, resolveu permanecer no Democratas, que já havia feitos seus cálculos eleitorais sem a sua presença. A grita foi tamanha que decidiram excluí-lo sob o argumento de que, durante seu mandato, foi dúbio em relação à gestão de Neto.

Dilema pior viveu a vereador Ana Rita Tavares, que chegou a ter sua filiação impugnada pelo PT municipal, depois de ter acordado o ingresso no partido há dois anos diretamente com o governador Rui Costa (PT), a quem apoiou nas eleições passadas depois de romper e deixar a base do prefeito na Câmara Municipal.

Pressionados pelo vereador Suíca, que tem medo de ser prejudicado na eleição pela votação da colega, membros da direção municipal da legenda viram na análise do tema uma oportunidade de mandar alguns recados para o governador e rejeitaram a filiação.

Indignado, Rui ligou para a direção estadual da legenda, que acabou desautorizando o PT municipal ao assegurar o ingresso de Ana Rita. Advogados e mesmo candidatos atribuem a quase formalização da lista fechada pelos partidos ao fim das coligações proporcionais.

“Antes, a decisão sobre quem ia para a chapa, quem ia para onde, ocorria nas convenções partidárias, quando as coligações eram fechadas num momento em que todos já estavam filiados”, confirma o advogado eleitoral Ademir Ismerim.

No interior, um fenômeno tem chamado a atenção. Partidos pequenos, aparentemente sem chances de eleger candidatos, se juntam informalmente e decidem a que legenda o candidato vai se filiar, calculando onde terá melhores chances de eleição.

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