Análise: Transferência de votos volta à tona com o início do segundo turno
Uma pergunta recorrente sobre nosso sistema político e eleitoral trata
da capacidade de algumas lideranças políticas efetivamente liderarem
seus eleitores. Parte da pergunta refere-se à capacidade deles para
conquistarem votos não só para si, mas também para candidatos apoiados
por eles. Em outras palavras, a transferência de votos.
O início do segundo turno em 50 cidades brasileiras reacende esse
debate. Quantos dos eleitores que votaram em um determinado candidato
derrotado em primeiro turno conduzirão seus votos no segundo turno pela
sua indicação? Até o momento, não há qualquer razão para acreditarmos
que tenha se estabelecido um padrão para essa transferência, o que
significa dizer que seu (in)sucesso é conjuntural.
Tratando do caso das eleições paulistanas, por exemplo, há sinais de que
os seus efeitos serão mínimos. Há certo padrão de votações na cidade de
São Paulo que indicam que o eleitorado tem se distribuído de modo
relativamente igual em três partes: eleitores tucanos, petistas e
indecisos.
As eleições deste ano, ainda que Serra e Haddad tenham recebido menos de
33% dos votos válidos, ficou próxima desse padrão. Os eleitores
indecisos, determinantes para o resultado eleitoral na cidade, se
distribuíram, principalmente, para Russomanno, Chalita ou simplesmente
para o alheamento. E o que as pesquisas acabaram indicando é que esses
indecisos foram marcados por um alto grau de infidelidade.
A queda livre de Russomanno e o crescimento de última hora de Chalita
traduzem bem esse comportamento. Esse cenário parece indicar que os
votos recebidos por esses candidatos são menos deles e mais desse
conjunto de indecisos.
Em um eventual cenário em que Serra ou Haddad não tivessem ido ao
segundo turno teríamos mais elementos para especularmos sobre a
capacidade deles para influir sobre os votos de seus eleitores no
segundo turno. Essas duas candidaturas parecem se sustentar em um
eleitorado mais fiel.
As candidaturas derrotadas em primeiro turno parecem, assim, ter poucas
condições para influir nas preferências de seus eleitores. Exceções
podem ser as candidaturas dos partidos mais ideológicos, como PCO e
PSTU. A baixa votação deles, porém, minimiza os seus efeitos sobre o
novo turno.
Nesse contexto, as estratégias de Serra e Haddad deverão ir bem além das
alianças partidárias que estão sendo firmadas para conquistar novos
eleitores.
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