08/10/2018

Maioria dos estados renova mais da metade da bancada na Câmara

Foto: Divulgação/Gazetadopovo
A maioria dos estados renovou mais da metade da bancada eleita na Câmara dos Deputados na eleição deste domingo (7). Os estados campeões em caras novas foram o Distrito Federal e o Mato Grosso, que tiveram 87,5% de renovação em relação aos eleitos em 2014. Para se ter uma ideia da sede do eleitor por mudança, em 17 estados os candidatos mais bem votados para a Câmara não disputavam a reeleição para o cargo.
A renovação, porém, não é pura em todos os casos. Em Pernambuco, por exemplo, o candidato mais bem votado nunca havia disputado uma eleição, mas é filho de político. João Campos (PSB-PE) é filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e vinha sendo preparado para disputar uma eleição desde a morte do pai, em 2014. Foi o deputado federal mais bem votado do estado, com 460.387 votos. Ele também é um dos que mais recebeu recursos na campanha deste ano, apesar de estreante.


No Rio Grande do Sul, o mais votado foi Marcel Van Hattem (NOVO-RS), com 349.855 votos. Ele é cientista político e também foi o mais bem votado do partido no país. Atualmente, é deputado estadual.
Os estados com a menor taxa de renovação até o fechamento desta reportagem eram o Piauí (taxa de renovação de 40%), Rio Grande do Sul (41,9%), São Paulo (46,2%) e Paraná (46,6%). Nos demais estados, as taxas de renovação para a bancada na Câmara foi de 50% ou mais.
A aposta de renovação não foi suficiente, porém, para eleger pelo menos quatro novatos que contavam com uma vaga na Câmara. Danielle Cunha (MDB-RJ), filha de Eduardo Cunha, ex-presidente da  Câmara, tentava herdar o espólio do pai, preso em Curitiba, condenado na Operação Lava Jato. Durante a gestão de Cunha, Danielle, que é publicitária, circulava pelo Congresso e fazia assessoria de marketing digital para aliados do emedebista. Esse serviço era pago com a cota da Câmara. Ela não conseguiu se eleger.
A ex-senadora pelo PT, Heloísa Helena (Rede-AL), que também é fundadora do PSOL, também não conseguiu a eleição. Fernando James (PTC-AL), o Fernandinho, como é conhecido na família Collor, é fruto de um relacionamento fora do casamento que o ex-presidente teve e não era sua primeira opção para o cargo. Acabou sendo a esperança do partido para abrir caminho na Câmara dos Deputados, mas não se elegeu.
Já Marcelo Crivella Filho (PRB-RJ), filho do prefeito do Rio, era aposta de ser um puxador de votos para levar de quatro a seis pastores da legenda para a Câmara Federal. Chegou a ser indicado pelo pai para a Secretaria da Casa Civil na Prefeitura da capital fluminense, mas o STF barrou, por ver nepotismo na nomeação. Não conseguiu se eleger.
Até o fechamento dessa reportagem ainda não estavam disponíveis os resultados finais dos deputados federais eleitos no Amazonas, Maranhão e Bahia.
Veja quem são os novatos mais votados em cada estado:
Joice Hasselmann (PSL-SP): Joice Hasselmann é jornalista e começou a carreira no Paraná. A jornalista se envolveu em diversas polêmicas e começou a ganhar notabilidade quando passou a apoiar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela se filiou ao partido de Jair Bolsonaro para concorrer a uma vaga na Câmara.  Foi a segunda candidata mais votada no estado, com mais de um milhão de votos. O mais votado foi Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do presidenciável, reeleito com mais de 1,8 milhão de votos.
João Campos (PSB-PE): É filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos vem sendo preparado para disputar uma eleição desde a morte do pai, em 2014. Foi o deputado federal mais bem votado do estado, com 460.387 votos. Foi um dos que mais recebeu recursos na campanha deste ano, apesar de estreante.
Marcel Van Hattem (NOVO-RS): O candidato foi eleito com 349.855 votos. Ele é cientista político e também foi o mais bem votado do partido no país. Atualmente, ele é deputado estadual no Rio Grande do Sul.
Helio Fernando Barbosa Lopes (PSL-RJ): Foi o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, com 342.833 votos. Ele é subtenente do Exército. Negro, ele lançou sua candidatura com o sobrenome de Jair Bolsonaro – Hélio Bolsonaro – a pedido do presidenciável, em uma tentativa de desfazer a associação da imagem do candidato à discriminação de pessoas negras. Em 2016, quando tentou se eleger vereador, concorreu sob a alcunha Hélio Negão.
Pastor Sargento Isidório (Avante – BA): É o presidente estadual do partido e foi o candidato a deputado federal mais votado da Bahia, com  mais de 323 mil votos. Em 2016, ele concorreu à Prefeitura de Salvador. No estado, é conhecido como Doido, apelido que veio de uma crítica de ACM Neto. O candidato já chegou a dizer que é “ex-gay”. “Agora sou pastor, mas eu era um demônio”, disse em 2016 em entrevista ao jornal O Globo.
Sargento Fahur (PSD-PR): Foi o candidato mais votado do Paraná, com 314.960 votos. Ele atuou como policial rodoviário por 35 anos e se tornou nacionalmente conhecido pela participação em grandes operações policiais, além de declarações enérgicas à imprensa contra criminosos, principalmente ligados ao tráfico de drogas.
Capitão Wagner (PROS-CE): Deputado federal mais votado do Ceará, com 303.593 votos. Em 2014, foi o deputado estadual mais bem votado do estado. Em 2012, foi o vereador mais votado de Fortaleza. Ele ganhou notoriedade no Ceará depois de liderar a greve dos policiais militares de 2011.
Marcelo Alvaro Antonio (PSL-MG): Foi o candidato mais bem votado de Minas Gerais e conquistou a reeleição com 230.008 votos. Ele é presidente do PSL no estado e coordenador da campanha de Bolsonaro em Minas Gerais. Em 2012, foi eleito vereador de Belo Horizonte.
José Ricardo (PT-AM): Foi o deputado federal mais bem votado no estado, com mais de 197 mil votos. Ele já exerce um mandato de deputado estadual em Amazonas. Em abril, o deputado acrescentou a nomenclatura “Lula” ao nome dele, assim como outros parlamentares do partido, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Lava Jato.
Josimar Maranhãozinho (PR-MA): Recebeu mais de 195 mil votos e foi o mais votado do Maranhão. Ele não é figura nova na política, já atuava como deputado estadual.
Amaro Neto (PRB-ES): É a primeira vez que ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados e foi eleito com 181.813 dos votos. Em 2014, quando concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do estado, também foi o mais votado do Espírito Santo, com 55,4 mil votos.
Gervásio Maia (PSB-PB):  O candidato fez 146.860 votos e foi o mais votado na Paraíba. Ele é presidente da Assembleia Estadual da Paraíba, onde exerce o quarto mandato. É neto do ex-governador da Paraíba, João Agripino Filho.
Benes Leocadio (PTC-RN): Foi eleito com 125.841 votos – o mais bem votado do estado. Ele é servidor público estadual e nasceu na cidade Santana do Matos.
Flavia Arruda (PR-DF): Foi a deputada federal mais votada do Distrito Federal, com 121.340 votos. Ela é mulher do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e é a primeira vez que ela ocupa uma cadeira na Câmara.
Rose Modesto (PSDB-MS): Foi eleita deputada federal pelo Mato Grosso do Sul com 120.901 votos nesse domingo. Atualmente, ela é vice-governadora do estado. Ela também já foi secretária de governo e vereadora em Campo Grande.
Hélio Costa (PRB-SC): Helio Costa é apresentador de TV e foi o candidato a deputado federal mais votado em Santa Catarina, com 179.307 votos. Ele é um ex-cobrador de ônibus e se destacou na apresentação de um programa policial no estado. É a primeira vez que ele ocupa um cargo público.
Jhc (PSB-AL): O atual deputado federal JHC, é o mais votado para a Câmara Federal em Alagoas, com 178.645 votos. Em 2014, ele também foi o mais votado do estado para a vaga de deputado federal.
Cristiano Vale (PR-PA): Foi o novato com mais votos no estado, ficando em segundo lugar entre os eleitos, com 176.812 votos. Ele é pecuarista e disputou o cargo pela primeira vez. O mais votado no Pará foi Edmilson Rodrigues (PSOL-PA), que conquistou a reeleição com 184.042 votos.
Nelson Barbudo (PSL-MT): Foi o deputado federal mais votado no Mato Grosso, com 126 249 votos. Barbudo é produtor rural e tornou-se conhecido nas redes sociais através de suas críticas ao governo federal, ao Partido dos Trabalhadores e a invasores de terra. Ele foi um dos primeiros candidatos do estado a apoiar o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL).
Flavio Nogueira (PDT-PI): Ele foi eleito com 111.672 votos, o que o coloca como o quarto candidato mais votado para Deputado Federal em todo o estado do Piauí. Se levarmos em consideração apenas as candidaturas dos novatos no pleito à Câmara Federal, o médico nascido em Alto Santo-CE é o primeiro colocado. A mais votada no estado foi Rejane Dias (PT-PI), que disputava a reeleição e recebeu 138.697 votos.
Sergio Toleto (PR-AL): Ele foi eleito com 98.201 votos. Ele foi o candidato mais votado em todo estado se levar em comparação apenas os candidatos novos ao pleito, mas ocupa a quarta posição, se for considerada também as candidaturas à reeleição. Apesar de novo na corrida para a Câmara Federal, Sérgio não tem nada de novo na política, ele já é muito conhecido no seu estado natal Alagoas, onde ocupa o cargo de deputado estadual desde 1999.
Tiago Dimas (SD-TO): Tiago Dimas é filho do prefeito de Araguaína, no Tocantins. Ele foi o deputado mais votado do estado, com 71.842 votos. Essa é a primeira vez que ele disputou um cargo público.
Mara Rocha (PSDB-AC): Foi a deputada federal mais votada do estado, com 40.047 votos. Ela é empresária e nasceu no Rio Branco, capital do estado.
Leo Marques (Podemos-RO): Leo Marques fez 69.565 votos em Rondônia. O candidato foi o mais votado para a Câmara dos Deputados. Atualmente, cumpre um mandato de deputado estadual.
Gustinho Ribeiro (SD-SE): Foi eleito com 64.132 votos. Ele ocupa a primeira posição entre os candidatos eleitos que não estavam tentando a reeleição. Apesar disso, ele já tem uma carreira política extensa no estado que nasceu, atuando há vinte anos na vida pública. Atualmente exercia o cargo de deputado estadual. O mais votado no estado foi Fábio Mitidieri (PSD-SE), com 102.899 votos.
Camilo Capiberibe (PSB-AP): Foi o mais votado no Amapá, com 24.987 votos. Capiberibe filiou-se ao PSB e disputou sua primeira eleição em 2006, quando tornou-se deputado estadual do Amapá. Em 2010, foi eleito governador do estado com 53,77% dos votos no segundo turno.
Haroldo Cathedral (PSD-RR): Foi eleito com 14.751 votos. Ele é empresário e dono de uma universidade em Roraima.
Kelli Kadanus, Evandro Éboli, Débora Álvares e Erick Mota, especial para a Gazeta do Povo

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