Aécio Neves volta ao comando do PSDB criticando polarização e Lava Jato, da qual foi alvo

O deputado federal Aécio Neves reassumiu a presidência nacional do PSDB nesta quinta (27) atribuindo a derrocada do partido à polarização entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos reflexos da operação Lava Jato, que acusou alguns dos principais líderes do partido.

"Fomos todos atropelados pela tragédia da polarização ideológica", afirmou. "Mas é impossível não mencionar o efeito danoso da irresponsável criminalização da atividade política ocorrida no país há alguns anos. Manifesto aqui a solidariedade aos companheiros tucanos e de outros partidos, que assim como eu, foram covarde e injustamente acusados por atos jamais praticados", disse.

Aécio reassumiu a presidência do PSDB após mais de oito anos. Quando deixou o cargo daquela vez, em 2017, era alvo da delação premiada do empresário Joesley Batista, da JBS, e de decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para que fosse afastado do mandato de senador.

Aécio deixou o cargo daquela vez para "provar sua inocência", conseguiu manter o mandato de senador e os processos foram arquivados anos depois, assim como a quase totalidade de investigações decorrentes da operação Lava Jato. As investigações afetaram outros importantes líderes da sigla, como Marconi Perillo, Beto Richa e Geraldo Alckmin (hoje vice-presidente da República e aliado do PT).

O novo presidente do partido também afirmou que o PSDB cometeu erros. "Mas o maior deles foi nunca ter defendido com a coragem necessária os avanços promovidos quando governamos o país", disse o mineiro, que saiu de presidenciável a deputado nesse período.

O partido também minguou após a operação e a chegada de Bolsonaro ao poder, com o crescimento de uma nova direita. Perdeu todos os seus governadores (dos eleitos em 2022, dois foram para o PSD e um para o PP) e quase todos seus senadores (hoje são apenas três), elegeu só 13 deputados federais e não terá, pela segunda vez, candidato à Presidência da República.

Pouco para quem chegou a eleger 99 deputados federais e sete governadores em 1998, auge do governo FHC, além de contar com 16 senadores. Mais importante, está ameaçado de não ultrapassar a cláusula de desempenho em 2026, o que o deixaria sem fundo partidário e propaganda na TV e rádio, praticamente obrigado a se unir a outra legenda.

No ato desta quinta, as palavras mais citadas por dirigentes e representantes de segmentos tucanos foram "reestruturação" e "renovação", além da expectativa de representar eleitores que não se sentem representados pela polarização entre PT e Bolsonaro –polo que, uma vez, já foi dos tucanos.

O ex-governador de Goiás Marconi Perillo, que deixou a presidência do PSDB nesta quinta, agradeceu aos que ficaram no partido "enquanto muitos preferiram sair". "O PSDB estava num momento delicado. Vivíamos fase de desafios internos, de questionamento sobre nosso papel", comentou. "Não sucumbimos, como muitos acreditavam."

A sigla celebrou a filiação de dois deputados federais eleitos pelo Rio de Janeiro, Marcelo Queiroz e Luciano Vieira, como uma mostra de recuperação. Mas a saída de parte da atual bancada já é esperada, e muitos sequer apareceram para eleger a nova direção num auditório em Brasília.

A única presidente de partido a prestigiar a posse foi a deputada Renata Abreu (SP), que comanda o Podemos, sigla que quase incorporou o PSDB no primeiro semestre. A negociação se arrastou por meses e chegou a ser oficialmente anunciada, mas acabou abortada por resistência dos tucanos em abrir mão do comando, apesar de serem menores. "A gente namorou muito PSDB e Podemos, mas o futuro a Deus pertence", disse ela.

Outros partidos, como MDB, PP e PL, foram representados por deputados federais. "O partido que mais enfrentou o PT foi o PSDB, isso nos une", afirmou o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ). "Sei que você vai trazer o partido para o centro, porque o centro tem papel importante, mas vocês nunca vão se aliar com o PT".

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu o papel do PSDB na política nacional e que "o cidadão que está na ponta possa voltar a ser a prioridade do debate". "Na Câmara estaremos sempre de portas abertas para esse diálogo, naquilo que realmente interessa o nosso país", afirmou.

Por Raphael Di Cunto, Folhapress

Grupo Refit, alvo de megaoperação, causou prejuízo de mais de R$ 26 bilhões

Empresa, além de configurar como um dos maiores devedores de ICMS, também seria uma das maiores devedoras de impostos da União

O Grupo Refit, empresa do setor de combustível alvo de uma megaoperação interestadual na manhã desta quinta-feira (27), causou um prejuízo de mais de R$ 26 bilhões aos cofres públicos de todo o Brasil.

CNN Brasil apurou que a fraude superou o prejuízo de R$ 9 bilhões apenas ao estado de São Paulo, entres os anos 2007 e 2024.

Segundo as investigações, além de configurar como um dos maiores devedores de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de São Paulo, o grupo também seria um dos maiores devedores de impostos da União.

A Receita Federal aponta que o grupo investigado mantém relações financeiras com empresas e pessoas ligadas à Operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) e fraudes no setor de combustíveis.

Os auditores da Receita também identificaram que o grupo movimentou mais de R$ 70 bilhões em apenas um ano, utilizando empresas próprias, fundos de investimento e offshores — incluindo uma exportadora fora do Brasil — para ocultar e blindar lucros.

CNN Brasil tenta contato com o Grupo Refit para um posicionamento. O espaço segue aberto.

Investigação

A investigação criminal do CIRA-SP apontou que diversas empresas ligadas ao Grupo Refit se colocam como interpostas pessoas (laranjas) procurando afastar a responsabilidade pelo recolhimento de ICMS devido ao Estado de São Paulo, o que foi detectado pela Secretaria da Fazenda.

As ações criminosas ocorrem por meio da reincidência no descumprimento fiscal, da utilização de empresas com vínculos societários e operacionais e da simulação de operações interestaduais com combustíveis. Mesmo com a imposição de diversos Regimes Especiais de Ofício pela secretaria, o grupo empresarial ignorava as obrigações fiscais e criava novas estratégias e mecanismos de fraude fiscal com o intuito de não recolher tributos e ofender a livre concorrência.

As investigações demonstram, segundo o MPSP, que as estratégias de ocultação e blindagem dos reais beneficiários das fraudes foram praticados com a utilização de uma rede de colaboradores que, por meios de múltiplos expedientes fraudulentos, falsidades, camadas societárias e financeiras, garantem a gestão e a expansão do grupo empresarial sobre setores da cadeia de produção e distribuição de combustível.

Os recursos provenientes dos crimes foram realocados em uma complexa rede de interpostas pessoas (laranjas), especialmente em holdings, offshores, instituições de pagamento e fundos de investimento.

O MPSP identificou que o fluxo financeiro do grupo investigado é extremamente estruturado e sofisticado e a ocultação e blindagem patrimoniais foram perpetradas através de instrumentos do mercado financeiro, com movimentação bilionária circulando por dezenas de fundos de investimentos e instituições financeiras, com apoio e participação direta de administradoras e gestoras desses fundos.

Além dos mandados de busca e apreensão, que também inclui o sequestro de bens e valores, a Procuradoria-Geral de SP pediu bloqueio de R$ 8,9 bilhões contra todos os integrantes do grupo econômico. Em paralelo, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional adotou medidas na Justiça Federal visando a indisponibilizar R$ 1,2 bilhão da mesma organização.

https://www.cnnbrasil.com.br/

FICCO/Ilhéus deflagra operação em combate ao comércio e fabricação ilegal de armas de fogo

Os investigados mantinham estruturas irregulares destinadas ao conserto e à circulação de armamentos entre os municípios de Ubatã/BA e Itabuna/BA.
Ilhéus/BA. Nesta quarta-feira (26/11), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Ilhéus - FICCO/Ilhéus deflagrou a operação Vulcanus, ação voltada ao combate do comércio ilegal, fabricação e manutenção clandestina de armas de fogo que abasteciam facções criminosas atuantes no sul da Bahia.

A operação teve como alvos um armeiro e um distribuidor das armas que, segundo as investigações, realizavam fabricação artesanal, adaptação, manutenção e reparo de armas de fogo utilizadas por organizações criminosas.

Os investigados mantinham estruturas irregulares destinadas ao conserto e à circulação de armamentos entre os municípios de Ubatã/BA e Itabuna/BA, atividade identificada em trabalhos de inteligência e vigilância de campo.

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, resultando em duas prisões em flagrante. Os mandados foram deferidos pela Vara Criminal da Comarca de Ubatã/BA.

Durante as diligências, foram apreendidas diversas armas de fogo, peças, acessórios, munições, ferramentas e maquinários utilizados na fabricação e manutenção de armamentos, além de celulares, mídias e documentos que auxiliarão no aprofundamento das investigações.

A ação foi coordenada pela FICCO/Ilhéus, com o apoio do CETO do 15º Batalhão de Polícia Militar, SOINT do 15º BPM e da 6ª COORPIN da Polícia Civil da Bahia.

A FICCO/Ilhéus é composta pela Polícia Federal, Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal da Bahia e Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia.
Comunicação Social da Polícia Federal na Bahia

PF deflagra Operação Slim em São Paulo

Operação Slim cumpre 24 mandados em quatro estados contra estrutura ilegal de fabricação e distribuição
São Paulo/SP. A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (27/11), a Operação Slim, destinada a desarticular uma rede dedicada à produção, fracionamento e comercialização clandestina do princípio ativo tirzepatida, utilizado em medicamentos injetáveis para tratamento de diabetes e obesidade.

Estão sendo cumpridos 24 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, em clínicas, laboratórios, estabelecimentos comerciais e residências ligadas aos investigados.

A investigação identificou que o grupo mantinha estrutura de fabricação em condições incompatíveis com padrões sanitários, realizando envase, rotulagem e distribuição do produto de forma irregular. Foram encontrados indícios de produção em série em escala industrial, prática não permitida no âmbito da manipulação magistral autorizada pela legislação vigente.

A apuração também revelou a comercialização do material por meio de plataformas digitais, sem controles mínimos de qualidade, esterilidade ou rastreabilidade, elevando o risco sanitário ao consumidor. Além disso, estratégias de marketing digital induziam o público a acreditar que a produção rotineira da tirzepatida seria permitida.

As medidas cumpridas hoje visam interromper a atividade ilícita, identificar os responsáveis pela cadeia de produção e distribuição e recolher documentos, equipamentos e insumos que auxiliem na análise laboratorial e perícia técnica dos materiais apreendidos.

A operação conta com o apoio da Anvisa e das Vigilâncias Sanitárias dos estados de São Paulo, Bahia e Pernambuco.

Comunicação Social da Polícia Federal em São Paulo

Congresso esquece Bolsonaro, escala crise com Lula e põe em risco agenda do governo

A escalada da crise entre a cúpula do Congresso e o governo, simbolizada pela ausência dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no ato de sanção da isenção do Imposto de Renda nesta quarta (26), ameaça matérias importantes para Lula (PT).

A elaboração do Orçamento de 2026, que definirá quais gastos e programas serão executados no ano eleitoral, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública e a aprovação de Jorge Messias para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) são citados por parlamentares como temas em que o Executivo pode sair derrotado.

Nesta quinta (27), por exemplo, Alcolumbre marcou sessão do Congresso para analisar vetos presidenciais e a expectativa, nos bastidores, é de uma nova expressiva derrota para Lula.

O embate com o Palácio do Planalto também fez com que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficasse em segundo plano no Congresso, com reação tímida da direita. O debate sobre a anistia ficou relegado a conversas de bastidores, sem apoio explícito ou defesa por parte do centrão.

Motta e Alcolumbre se distanciaram do governo recentemente. O presidente do Congresso era o principal fiador de Lula no Legislativo, mas declarou guerra com a indicação de Messias para o Supremo em vez do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Alcolumbre tem procurado senadores para defender a rejeição ao indicado por Lula e aprovou no Senado projeto com impacto bilionário nas contas públicas, para conceder aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, num recado de insatisfação com o governo.

Apesar disso, governistas minimizaram a insatisfação. Afirmam que o presidente do Senado poderia ter sido mais duro, e votado a PEC dos agentes comunitários de saúde (que já foi aprovada pela Câmara e vai à promulgação, o que não permitiria um veto do presidente). Lula também deve procurá-lo antes da votação de Messias para conversar, e senadores dizem que nenhum dos dois ganha com um rompimento.

O presidente da Câmara, por sua vez, rompeu publicamente com o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), após críticas recebidas pela escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) –secretário de Tarcísio de Freitas– como relator do projeto antifacção, que era a aposta de Lula na segurança pública.

Petistas dizem que Motta os procurou para dizer que o rompimento era com o líder do PT, não com a bancada e tampouco com o governo, mas que destacou que a relação com o Palácio do Planalto também está ruim, principalmente pelo que considera acordos não cumpridos, como a demora na execução das emendas parlamentares e nomeação de cargos para aliados.

O grupo de Motta ainda acusa o governo de incentivar e promover ataques à Câmara junto à opinião pública. Nos bastidores, aliados do presidente da Casa reclamam dos ministros Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Fernando Haddad (Fazenda) e Sidônio Palmeira (Secom).

Motta se queixou a interlocutores de declarações de Gleisi e Haddad sobre a tramitação e o projeto de lei antifacção aprovado pela Câmara, afirmando que eles agiram de forma desleal e desonesta. Teria dito também que enxerga dedo da Secom nos ataques que o Congresso recebeu nas redes sociais.

O grupo do presidente da Câmara afirma ainda que é preciso repensar a relação com Haddad. Dizem que os deputados atenderam os pedidos do ministro ao longo do ano, mas que isso poderá mudar daqui para frente.

Além da votação do Orçamento e de medidas necessárias para fechar as contas, como o corte de quase R$ 20 bilhões em subsídios tributários para empresas, a cúpula da Casa fala em dificultar a tramitação da MP (medida provisória) que estimula a instalação de data centers no Brasil.

Integrantes do governo dizem que da mesma forma que há desconfiança e descontentamento da cúpula da Câmara com o Planalto, a recíproca é verdadeira. Auxiliares de Lula afirmam que há embates no debate político, mas que as relações institucionais entre os dois Poderes não deveriam ser afetadas.

Um interlocutor frequente de Lula defende que é preciso distensionar o clima com o Congresso e uma atuação maior do presidente no diálogo com os parlamentares.

Aliados do petista rebatem que todas as decisões de Motta têm consequências políticas, como a escolha por um relator de oposição para matérias prioritárias para o presidente ou pautar projetos contra o governo. Eles afirmam que os posicionamentos do governo tiveram aval e foram incentivados pelo próprio Lula.

Para se fortalecer diante das cobranças do governo e da oposição, Motta organizou um bloco parlamentar com 275 deputados, a maioria da Casa, para sustentar sua governabilidade. Foram unidos oito partidos, como PSD, União Brasil, PP, MDB e Republicanos. O movimento também é visto como um passo inicial para construir uma base de apoio que o reeleja em 2027, apesar de dissidências internas.

O tamanho permite ao grupo apresentar requerimentos de urgência e aprová-los sem a necessidade de apoio da esquerda ou da direita, por exemplo. Também garante uma maioria, que ora pode se aliar ao governo, ora com a oposição.

Os bolsonaristas tentam aproveitar o momento e a prisão do ex-presidente para retomar a pauta da anistia, mas o projeto segue travado. Motta só admite levar o texto ao plenário se ficar restrito à redução de penas. O PL não cedeu e insiste na anistia completa por meio de votação no plenário.

Líder do PL na Câmara, o deputado Sóstenes Cavalcante (RJ) afirmou que a votação da anistia segue em um impasse.

A reação bolsonarista no Congresso já indica uma perda de força desse grupo político. Em agosto, deputados e senadores que apoiam Bolsonaro fizeram um motim e tomaram os plenários da Câmara e do Senado depois de o ex-presidente ser colocado em prisão domiciliar.

Bolsonaro foi preso preventivamente no sábado (22). Na terça (25), começou a cumprir sua pena de 27 de prisão, resultante do processo da trama golpista.

No entanto, só sete senadores o defenderam na tribuna entre segunda e terça. Na Câmara, um grupo maior de deputados discursou, mas os atos ficaram restritos a falas no plenário, sem protestos no salão verde, passeatas, obstrução de votações no plenário ou pedidos de impeachment de ministros.

Questionado, Sóstenes minimizou a reação tímida da direita. "Talvez seja a hora de se trabalhar com mais estratégia e menos radicalidade", disse.

"Estamos reagindo à prisão dele desde julho. É que a prisão do [ex-]presidente não foi uma prisão comum, igual à do Lula, que inclusive deram um espetáculo eleitoral. A prisão de Bolsonaro foi feita com morfina, a passos lentos, de tortura."

Por Victoria Azevedo , Raphael Di Cunto , Carolina Linhares e Caio Spechoto/Folhapress

Itamaraty dribla Lei de Acesso à Informação e expande uso do sigilo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, publicou uma portaria que permite ao Itamaraty expandir o uso do sigilo oficial e proibir a divulgação de documentos e outros dados mesmo sem ato formal de classificação. Segundo diferentes especialistas ouvidos pela Folha, a medida vai na contramão da LAI (Lei de Acesso à Informação).

A norma assinada por Vieira também cria hipóteses de restrição de acesso a conteúdos que não constam na LAI, ainda de acordo com esses especialistas, que acrescentam que isso viola princípios de transparência da administração pública.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirma que a norma editada por Vieira visa suprir uma lacuna regulatória interna e que ela está de acordo com a Constituição, a LAI e seu decreto regulamentador.
No dia 5 de novembro, a pasta publicou no Diário Oficial da União a Portaria nº 631, que regulamenta procedimentos de tratamento de documentos e informações no Itamaraty.

Entre outros pontos, a portaria afirma existir na pasta a figura da "informação sigilosa não classificada", que seria "submetida à restrição de acesso público independentemente de ato de classificação".
A portaria também permite ao MRE negar pedidos "desarrazoados" de acesso a dados feitos com base na LAI —legislação de 2011 que garante a qualquer cidadão o direito de obter informações públicas.

A expressão já aparece na regulamentação da lei, mas o Itamaraty estabeleceu, de forma genérica, que são desarrazoados os requerimentos cujo deferimento possa "implicar graves danos, tangíveis ou intangíveis, para a sociedade e o Estado, em desconformidade com os objetivos da transparência".

Para especialistas, a redação pouco específica sobre o que seria uma solicitação "desarrazoada" dá ao Itamaraty ampla margem para bloquear pedidos com base em critérios subjetivos.

Outro ponto da portaria que preocupa estudiosos em gestão pública transparente e pesquisadores que recorrem ao arquivo do Itamaraty é um trecho que autoriza a pasta a adotar "salvaguardas" de acesso "independentemente de classificação" para alguns casos específicos.

Entram nessa hipótese conteúdos resguardados por obrigações internacionais previstas em tratados, além de documentos preparatórios —o que inclui telegramas trocados durante negociações, notas técnicas, pareceres e estudos.

Sob condição de anonimato, um diplomata ouvido pela Folha defende a portaria e diz que o trabalho do Itamaraty envolve o manejo de informações sensíveis que nem sempre estão devidamente resguardadas pelos prazos e condições previstos na LAI.

Ele cita como exemplo casos de diplomatas servindo no exterior que podem não realizar avaliações francas sobre contextos políticos nos países em que vivem por receio de que essas opiniões venham a público em prazos excessivamente curtos —como nos 5 anos estabelecidos na lei para documentos classificados como reservados.

Acadêmicos, pesquisadores e estudiosos da Lei de Acesso à Informação discordam.
Para Fabiano Angélico, professor na Universidade de Lugano (Suíça) e autor do livro "Lei de Acesso à Informação: Reforço ao Controle Democrático", o principal problema da portaria é a figura da informação sigilosa sem necessidade de classificação.

Pela LAI, conteúdos imprescindíveis à segurança da sociedade ou do Estado podem ser mantidos em segredo, classificados como ultrassecretos (sigilo de 25 anos), secretos (15 anos) ou reservados (5 anos).

Já a regulamentação da lei estabelece que a classificação de informação em qualquer grau deve ser acompanhada por um termo com a justificativa do sigilo.

"A portaria é claramente contrária à LAI, precisa e deverá ser refeita rapidamente. Bastaria ao Itamaraty criar termos de classificação. É assim que funciona a lei", diz Angélico. "Não existe [na LAI] a figura da informação sigilosa que prescinde de termo de classificação."

Beatriz Kushnir, presidente da seção do Rio da ANPUH (Associação Nacional de História), afirma que os termos de classificação são essenciais para registrar as razões que levaram à decretação do sigilo de uma determinada informação, bem como o prazo em que esse conteúdo ficará indisponível ao público.

Ela acrescenta que a forma como a portaria classifica pedidos de acesso "desarrazoados" cria zonas cinzentas inacessíveis para pesquisadores, uma vez que não prevê necessidade de registro das negativas nem determina por quanto tempo o segredo vigorará.

Já Bruno Morassutti, cofundador da organização Fiquem Sabendo e colunista da Folha, avalia que, da forma como foi redigida, a portaria de Vieira não se compromete com a transparência pública. "O Itamaraty argumenta que precisa de sigilo para fazer negociações internacionais, o que é parcialmente verdade. Mas esse sigilo não pode ser eterno e precisa ser controlado", afirma.

O Ministério das Relações Exteriores afirmou, em nota, que é um dos órgãos com maior produção de informações sigilosas por causa da "sensibilidade da atividade diplomática".

A pasta nega que a portaria de Vieira crie novas hipóteses de sigilo e diz que ela tem dispositivos para "prevenir o uso indiscriminado e garantir o direito de acesso à informação". "Espera-se que o documento auxilie a prevenir posturas excessiva ou indevidamente defensivas que agentes públicos poderiam vir a adotar no cenário de lacuna jurídica no âmbito do MRE", declarou o ministério.

Procurada, a CGU (Controladoria-Geral da União), órgão responsável pela aplicação da LAI, disse que não foi consultada pelo Itamaraty sobre a portaria 631, mas ponderou que não há exigência legal para que isso fosse feito. Também não quis se pronunciar quanto questionada se o texto se adequa à Lei de Acesso à Informação.

Por Ricardo Della Coletta/Folhapres

Operação Sinete desarticula grupo envolvido em fraudes fundiárias, documentos falsos e lavagem de dinheiro em Feira de Santana

A Operação Sinete desarticulou, nesta quarta-feira (26), um grupo criminoso responsável por fraudes documentais, grilagem de terras e lavagem de capitais em Feira de Santana e municípios vizinhos. A ação integra medida cautelar deferida pelo Poder Judiciário, que autorizou o cumprimento de 47 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão temporária. Até o momento, sete pessoas foram presas.

Durante as diligências, foram apreendidos doze carros, duas motocicletas, dinheiro em espécie, joias e diversos documentos. O sequestro judicial de valores e bens também foi determinado, com bloqueio autorizado de até R$ 6 milhões por CPF e R$ 60 milhões por CNPJ dos investigados.
As apurações conduzidas no âmbito do inquérito instaurado pela Polícia Civil, através do Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco) identificaram uma estrutura formada por servidores de cartórios de registro de imóveis, empresários, advogados, corretores de imóveis e agentes de segurança pública. O conjunto probatório aponta para um sistema de falsificação e manipulação de documentos públicos e judiciais, com uso indevido de procurações, certidões e decisões judiciais para apropriação clandestina de propriedades. Em alguns casos, houve emprego de coação, violência e porte irregular de arma de fogo.
A investigação avançou a partir de interceptações telefônicas autorizadas judicialmente, análises financeiras, diligências de campo e correições administrativas, o que permitiu reunir elementos suficientes para o deferimento das medidas. Também foi determinado o afastamento cautelar de servidores públicos suspeitos de participação no esquema.

A operação contou com o apoio da Força Correcional Especial Integrada (FORCE), da Corregedoria da Polícia Militar da Bahia, da Corregedoria da Polícia Civil da Bahia e da Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia. As medidas foram executadas de forma simultânea, garantindo a preservação das provas e a segurança dos agentes. As investigações seguem para delimitar responsabilidades, identificar possíveis novos envolvidos e localizar o oitavo investigado com mandado de prisão expedido.
Fonte
Ascom PC

“A candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues está, neste momento, na fila de regulação”, diz Kiki

O líder da bancada do prefeito Bruno Reis (União Brasil) na Câmara Municipal de Salvador (CMS), Kiki Bispo (União Brasil), comentou a pesquisa do Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (26). No levantamento, o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato a governador ACM Neto (União Brasil) registra 44% das intenções de voto. Em segundo lugar está o atual governador e pré-candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), com 35%.

Em entrevista exclusiva ao Política Livre, o edil declarou que a pesquisa demonstra o desejo de mudança da população.

“É claro que a pesquisa é um retrato de momento, mas ela deixa alguns dados que, incontestavelmente, nos animam muito. Dentre eles, além de Neto estar à frente de Jerônimo, é a primeira vez, na reeleição, que um candidato, um governador que está na cadeira buscando a reeleição, começa abaixo do segundo. Não foi assim com Wagner, não foi assim com Rui, não foi assim com Paulo Souto, que começaram muito bem, todos eles começaram muito bem, até porque era um governo de continuidade, e quando o governo é bem avaliado você tem, naturalmente, essa dianteira — como também o inverso é verdadeiro”, declarou.

Kiki aproveitou a ocasião para fazer novas críticas à gestão do chefe do Executivo baiano e reiterou que a rejeição ao governador também está favorecendo o grupo político liderado por ACM Neto.

“O governo não está bem, e aí vai o segundo dado, que é o da rejeição. O governo está muito mal avaliado, e isso é um sinal importante para o ano que vem. E, além de tudo, me parece que as pesquisas estão totalmente em conformidade com aquilo que nós estamos ouvindo nas ruas, tanto na capital quanto, sobretudo, no interior: as pessoas estão clamando, estão pedindo mudança. O governo está fadigado, sobretudo o governo Jerônimo Rodrigues, que não disse até hoje para que veio. Já estamos aí findando o terceiro ano de nenhuma ou pouquíssimas realizações do governo dele e, com certeza, isso é reflexo da pesquisa. É inegavelmente reflexo da pesquisa. Eu diria que a reeleição, a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues, está, neste momento, na fila de regulação”, concluiu.

Senai Cimatec abre inscrições para programa que ajuda a aumentar produtividade de micro, pequenas e médias empresas da Bahia

Foto: Divulgação
A Bahia se consolidou como destaque nacional em produtividade industrial, alcançando um aumento de 60% entre as empresas participantes do programa Brasil Mais Produtivo. O percentual está muito acima da média nacional, que é de 28%, segundo dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), posicionando o estado na vanguarda da eficiência operacional em 2025.

O resultado expressivo é atribuído à parceria com especialistas do Senai Cimatec, que fornecem apoio técnico essencial. Por meio do programa, os consultores realizam a identificação e o diagnóstico de gargalos de gestão e produção em micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

A iniciativa oferece consultoria com alto nível de subsídio: 100% para micro e pequenas empresas e 70% para médias empresas, representando uma oportunidade sem custo direto para a maioria dos participantes.

Até o momento, o programa já beneficiou mais de 500 empresas em 31 municípios baianos. A metodologia aplicada foca em técnicas de manufatura enxuta e soluções digitais acessíveis, buscando otimizar processos, reduzir desperdícios e elevar a eficiência. Em atendimentos de manufatura, por exemplo, os ganhos de produtividade chegam a um mínimo garantido de 20%.

O Brasil Mais Produtivo não se limita à consultoria. Ele disponibiliza um pacote completo de apoio, que inclui visitas técnicas especializadas, trilha de capacitação para colaboradores, com certificação emitida pelo SENAI CIMATEC, acesso a ferramentas e conhecimentos focados em planejamento de gestão e adoção de melhores práticas, realização de consultorias em manufatura enxuta e eficiência energética e projetos de transformação digital e implementação de conceitos de smart factories (fábricas inteligentes).

Empresários interessados em fazer parte da próxima etapa do programa e alavancar a produtividade de seus negócios têm até o dia 19 de dezembro para se inscrever. As vagas são limitadas.

Motta isola PT e PL e organiza bloco com 275 deputados, a maioria da Câmara

Rompido com os líderes do PT e do PL, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), organizou um bloco parlamentar com 275 deputados, a maioria da Casa, para sustentar sua governabilidade e se fortalecer no embate com o governo Lula e a oposição.

O movimento também é visto por parlamentares como um passo inicial para Motta construir uma base de apoio que o reeleja em 2027, apesar de dissidências internas.

O bloco é parte do grupo que apoiou sua candidatura à presidência da Câmara em fevereiro, quando ele foi eleito com 444 votos, mas estava esvaziado desde o começo do ano, com a saída de algumas siglas, como Solidariedade, Patriota e Avante, além do próprio PT e do PL.

No fim de outubro, diante das dificuldades para tocar a pauta e do estremecimento na relação com PT e PL, Motta reuniu os partidos de centro-direita para reorganizar o bloco parlamentar, com o compromisso de um revezamento entre os partidos na liderança do grupo e o compromisso de que ele se mantenha unido até dezembro de 2026.

Em agosto, o PT já havia formalizado sua saída do bloco, após o governo ser derrotado numa manobra na CPI do INSS que garantiu que oposicionistas ocupassem os principais cargos do colegiado. Naquele momento, de acordo com relatos, a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) chegou a procurar líderes aliados estimulando que eles também deixassem o bloco.

Segundo um líder que acompanhou as conversas, a ministra foi avisada quando as conversas para a organização do novo grupo de Motta foram concluídas.

Fazem parte do bloco de sustentação o presidente da Câmara os partidos União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB/Cidadania e o Podemos. Juntos, eles somam 275 dos 513 deputados da Câmara. Com isso, o grupo é capaz de apresentar requerimentos de urgência e aprová-los sem a necessidade de apoio da esquerda ou da direita, por exemplo.

O primeiro líder anunciado do bloco foi Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA). Agora, o posto já é ocupado por Doutor Luizinho (PP-RJ). Haverá um revezamento de cerca de 30 dias cada. O líder é o responsável por assinar os requerimentos e discursar em nome da bancada no plenário.

Para se ter uma ideia do tamanho do bloco, são 63 vice-líderes (deputados que podem representar o grupo na ausência do líder). Esse número é maior do que quase todos os partidos da Câmara, com exceção de PL e PT.

Foi essa base de apoio que permitiu a Motta aprovar o projeto de lei antifacção mesmo com a oposição e com o governo trabalhando contra. O PT atacou o presidente da Câmara pela escolha do relator, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), e por mudanças no texto, que era a principal aposta do presidente Lula para a pauta da segurança pública.

Já o PL insistiu em votar uma emenda para classificar facções criminosas como grupos terroristas, ideia que Motta e o relator tinham abandonado após críticas de especialistas e de integrantes do mercado financeiro, que apontaram risco para as investigações em curso e de uma fuga de investimentos do país.

A Câmara aprovou o projeto por 370 votos a 110 na semana passada, a despeito da posição contrária do governo. A emenda sobre o terrorismo foi rejeitada de ofício por Motta, que a considerou inconstitucional e não a submeteu à votação.

Foi esse mesmo projeto que levou ao rompimento do presidente da Câmara com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), e um estremecimento na relação dele com o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ).

Motta disse à Folha que não tinha "mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias". No caso do PL, houve desentendimento porque o presidente da Câmara se queixou ao deputado da insistência dele em seguir atuando pela emenda sobre o terrorismo.

Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, Motta enviou uma mensagem de WhatsApp para Sóstenes, afirmando que o parlamentar não poderia mais contar com o presidente da Câmara. Os dois não se falam há uma semana.

Na avaliação de deputados, com esse movimento de se afastar de Lindbergh e Sóstenes, Motta acaba se isolando de dois partidos que foram importantes para sua eleição e detentores das maiores bancadas da Casa. Além disso, nomes do centrão afirmam que o presidente da Câmara tem diminuído seu grupo de aliados de primeira hora. Eles citam como exemplo o afastamento entre Motta e seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL).

Parlamentares afirmam que a construção do bloco é uma forma também de Motta começar a organizar sua base para disputar à reeleição para a presidência da Câmara, em 1º de fevereiro de 2027. O grupo, se mantido unido, daria uma margem de largada importante contra as pressões do PT e do PL, seja qual for o presidente da República eleito.

Parte dos aliados de Motta nega que o bloco tenha a eleição legislativa como pano de fundo. "Não houve discussão de eleição de presidente na Câmara. Ainda falta muito tempo, temos uma eleição no meio. Ninguém sabe quem serão os eleitores da próxima Mesa Diretora", diz o líder do MDB, Isnaldo Bulhões Jr. (AL), um dos principais aliados de Motta.

Outra ala diz que o bloco parlamentar tem esse objetivo, mas que o presidente da Câmara precisa se mostrar viável ao fim do mandato para debelar as dissidências internas, e que também é preciso aguardar o tamanho que cada partido sairá das urnas.

Nos bastidores, são citados como possíveis candidatos ao comando da Câmara os deputados Antonio Brito (PSD-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Altineu Côrtes (PL-RJ) e o próprio Isnaldo. O nome de Lira também não é descartado, mas aliados do parlamentar negam a possibilidade e afirmam que ele deverá ser candidato ao Senado no próximo ano.

“Clima é de união e vamos virar a página dos 20 anos de PT na Bahia”, diz ACM Neto após reunião com bancada federal

O ex-prefeito e vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, reuniu, nesta quarta-feira (26), em Brasília, parlamentares federais e lideranças políticas da base de oposição ao governo da Bahia para discutir o cenário de 2026 e alinhar estratégias do grupo.

A reunião ocorreu dois dias após um encontro com deputados estaduais e, segundo Neto, teve como foco fortalecer a articulação política e reforçar o discurso de mudança no estado.

“Na segunda, foram os deputados estaduais. Hoje, em Brasília, foi a vez dos parlamentares federais de nossa bancada participarem de mais uma importante reunião. O clima é de união, confiança e muita vontade de fazer diferente em 2026. Seguimos juntos para virar a página desses 20 anos de PT na Bahia, que tem como marcas a pior educação, a pior segurança pública, o desemprego e a fila da regulação que mais mata no Brasil”, afirmou.

Participaram do encontro os coordenadores políticos Luciano Ribeiro, ex-prefeito de Caculé, Marcelo Pedreira, ex-prefeito de Governador Mangabeira, Reinaldo Braga Filho, ex-prefeito de Xique-Xique, e o deputado estadual Nelson Leal.

Entre os deputados federais estiveram Rogéria Santos, Zé Rocha, Capitão Alden, Leur Lomanto Júnior, Alex Santana, Paulo Azi, Elmar Nascimento, Adolfo Viana, Arthur Maia, Roberta Roma, João Leão, Leo Prates e Márcio Marinho.

Também marcaram presença o prefeito de Salvador, Bruno Reis, o ex-ministro João Roma e o secretário de Governo da Prefeitura de Salvador, Cacá Leão.

Operação Verão 2025/2026 é lançada pelo Governo do Estado com investimento de mais de R$46 milhões em segurança pública

Com o objetivo de intensificar o policiamento ostensivo e preventivo durante o período de maior fluxo turístico na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues lançou, na manhã desta quarta-feira (26), no Jardim de Alah, em Salvador, a Operação Verão 2025/2026 da Segurança Pública, que já começa com o reforço do efetivo e de mais de 160 novas viaturas e equipamentos entregues às forças policiais e de salvamento.

A iniciativa amplia ações de prevenção à criminalidade, reforça a presença das equipes em áreas de grande circulação e fortalece a capacidade de resposta a emergências durante toda a alta estação com um incremento de R$46,5 milhões dos governos Estadual e Federal. Na ocasião o grupamento aéreo da PM (Graer) demonstrou uma manobra de rappel aerotático, além de salvamento aquático pelo Corpo de Bombeiros.
“Estamos preparando a Bahia para receber com segurança o grande fluxo de visitantes que chega no verão. Nosso compromisso é garantir tranquilidade, acolhimento e proteção à população e aos turistas que escolhem nosso estado. Uma Bahia mais segura, verão mais seguro aqui no estado. Garantindo também a entrega de equipamentos, inclusive, drones para inteligência garantir a proteção da população através de imagens aéreas”, afirmou o governador Jerônimo Rodrigues durante o lançamento.

A Operação Verão, realizada anualmente, segue diretriz institucional de defesa social que prioriza presença, visibilidade e proximidade das forças de segurança com baianos e turistas. O verão concentra atividades econômicas, culturais e de lazer, gerando aumento do fluxo de pessoas em praias, balneários e atrativos históricos — cenário que exige atuação reforçada do Estado.

A operação mobiliza mais de 11 mil policiais e bombeiros e alcança cidades estratégicas como Salvador, Porto Seguro, Ilhéus, Feira de Santana, Camaçari, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista, Juazeiro, Itabuna, Valença, Vera Cruz, Cairu (Morro de São Paulo), entre outras, totalizando 111 municípios com reforço de efetivo e estrutura até abril de 2026. Ao todo serão 9,5 mil policiais militares, 1.095 bombeiros e 338 policiais civis, além de profissionais do DPT que irão atuar em regime de serviço extraordinário.

Mais equipamentos
No lançamento, 169 viaturas foram entregues, sendo 128 destinadas à Polícia Militar da Bahia, seis furgões que atuarão como Delegacias Móveis da Polícia Civil, cinco bases móveis para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) e 30 viaturas voltadas às ações operacionais do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. Além disso, 18 drones ajudarão no trabalho da PM e o Corpo de Bombeiros foi reforçado com 2.407 novos equipamentos, incluindo itens de salvamento aquático e conjuntos impermeáveis, ampliando a capacidade de resposta e atuação da corporação em toda a extensão do litoral e áreas de grande circulação de turistas durante o verão. Cerca de R$ 36,9 milhões foram destinados para aquisição de novos veículos e equipamentos para os órgãos de segurança da Bahia.

O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, destacou a abrangência da operação. “Estamos ampliando tecnologia, mobilidade e efetivo para oferecer mais proteção e eficiência nos serviços prestados à população. São 54 polos de turismo que concentram o maior fluxo de pessoas durante a Operação Verão, seja por conta das férias escolares, seja porque são locais de atração cultural e turística”, declarou.

Polícia Civil da Bahia
A Polícia Civil contará com delegacias móveis em Salvador, Juazeiro, Vitória da Conquista e Barreiras. “As delegacias móveis facilitarão o atendimento ao cidadão, aproximando ainda mais a Polícia Civil das comunidades e dos visitantes nos locais de maior fluxo”, afirmou o delegado-geral, André Viana.

DPT e PM

O Departamento de Polícia Técnica receberá bases móveis para reforçar perícia e atendimento técnico. A Polícia Militar, por sua vez, será distribuída em áreas estratégicas de 54 municípios. “Estamos preparados para atuar com presença, proximidade e rapidez. Nós estamos fazendo uma ampliação de policiamento em todas as zonas turísticas do estado da Bahia”, destacou o comandante-geral da PM, coronel Magalhães.

Corpo de Bombeiros
Para ampliar a segurança nas praias, rios e áreas turísticas, o Corpo de Bombeiros Militar da Bahia recebeu 30 barcos, 37 reboques, 37 motores de popa, 303 roupas de salvamento e dois mil conjuntos impermeáveis. “Nós realizamos um planejamento robusto para a operação verão, uma vez que esse período do ano as nossas atividades elas são muito intensificadas. Nós temos muitas chuvas no estado, ao mesmo tempo temos uma intensificação de calor em algumas regiões. Temos por sua vez uma aglomeração de pessoas maior do que o normal nas praias, nos balneários. Então, isso tudo faz com que a atenção do bombeiro seja redobrada nesse período”, afirmou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Aloísio Fernandes.

Repórter: Joci Santana/GOVBA


Cirurgiões ampliam fronteiras da medicina no Meeting The Experts 2 Caixa de entrada

Salvador recebe maior encontro de cirurgia urológica robótica do país com especialistas do Brasil, EUA e Europa
O Hospital Mater Dei Salvador será palco, nos dias 5 e 6 de dezembro, de um dos encontros mais relevantes da urologia brasileira: o Meeting The Experts 2, considerado um dos maiores eventos de cirurgia urológica robótica da América Latina. Serão dois dias de programação intensa no Auditório do Centro Médico, onde ocorrerão seis cirurgias ao vivo com experts do Brasil, Estados Unidos, Alemanha e França, além de discussões técnicas de ponta e análises dos desafios que moldam o futuro da especialidade. O encontro ganha relevância adicional neste ano porque recentemente a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) passou a incorporar como obrigatória a oferta de prostatectomia robótica para pacientes do SUS — um marco histórico que acelera a demanda por treinamento, qualificação profissional e expansão da tecnologia no país.
A cirurgia robótica, já presente em mais de 90 países, cresce rapidamente no Brasil e ultrapassa 30 mil procedimentos anuais, segundo dados da Intuitive Surgical, líder do segmento de cirurgia robótica no mundo. A técnica é hoje a principal via para cirurgias urológicas complexas por oferecer maior precisão, menor sangramento e recuperação acelerada, vantagens que atraem novos centros e ampliam a demanda por formação qualificada. Esse movimento de expansão deve ganhar força com a chegada de novos players, incluindo a plataforma chinesa Toumai, representada no Brasil pela HOSPcOm, que estará presente no encontro, reforçando o processo de democratização tecnológica e ampliação do acesso a diferentes sistemas robóticos no país.

Programação – No dia 5, o evento abre com um Workshop Multiprofissional voltado a equipes de enfermagem e instrumentação, discutindo os bastidores do centro cirúrgico robótico, uma engrenagem essencial para a segurança do paciente. No dia seguinte, o congresso principal reúne nomes de referência mundial. Entre eles, o alemão Alexander Haese, símbolo de excelência em prostatectomia radical; e o francês Richard Gaston, um dos maiores pioneiros da cirurgia robótica moderna, reconhecido globalmente pela difusão de técnicas avançadas, sobretudo em cirurgias de resgate após radioterapia. A edição deste ano destaca ainda o protagonismo baiano, com a participação de um cirurgião da Bahia, Nilo Jorge Leão, entre os nomes de maior expertise da América Latina, dividindo a arena com referências internacionais e fortalecendo o papel do estado no cenário global da urologia robótica.

A programação inclui seis cirurgias robóticas transmitidas ao vivo, entre elas prostatectomia radical em próstata volumosa, prostatectomia de resgate e nefrectomia parcial para lesão totalmente endofítica. Participam ainda experts brasileiros como Rafael Coelho, Sandro Faria, Marco Tobias, Felipe Figueiredo, Leonardo Welter e o anfitrião Nilo Jorge Leão, coordenador do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR). Todas as cirurgias programadas são de altíssima complexidade, realizadas por especialistas de renome internacional. A presença de especialistas internacionais, como o urologista norte-americano Rene Sotello, reforça o intercâmbio científico e amplia a discussão sobre complicações, tomada de decisão em cenários desafiadores e inovação tecnológica.

Além das cirurgias, o encontro traz debates simultâneos e análises de casos complexos apresentados em arenas de vídeos clínicos, que aprofundam temas como variações técnicas de prostatectomia, reconstruções urológicas, nefrectomias complexas e estratégias contemporâneas para preservar feixes vásculo-nervosos, incluindo a técnica NeuroSAFE, que promete reduzir o risco de sequelas sem comprometer o controle oncológico.

Formação de cirurgiões – Para Nilo Jorge Leão, o encontro representa uma oportunidade ímpar para a formação de cirurgiões brasileiros. “Reunir especialistas que transformaram a cirurgia urológica no mundo é oferecer ao país a chance de aprender diretamente com quem definiu padrões. São dois dias que expandem visão, refinam técnica e impactam diretamente o cuidado ao paciente”, afirma. Ele destaca que a tecnologia sozinha não garante bons desfechos. “Cirurgia robótica é decisão, preparo de equipe e análise criteriosa de cada etapa. Ambientes como este elevam a qualidade assistencial e fortalecem a segurança de todo o processo.”

O Meeting The Experts 2 inclui ainda simpósios satélites sobre câncer metastático, terapia adjuvante no câncer renal, genética aplicada ao câncer de próstata e função sexual no tratamento oncológico — temas que dialogam com a prática clínica e mostram como a atuação do urologista tem se ampliado para além do centro cirúrgico.

Com cirurgias ao vivo, debates aprofundados, interação direta com experts internacionais e análise de técnicas que nem sempre estão descritas nos livros, o evento se consolida como um espaço de atualização indispensável para quem busca acompanhar a evolução da urologia robótica no país, agora em um contexto de expansão acelerada, democratização tecnológica e novas exigências de formação impostas pelo avanço regulatório no SUS. Mais informações e inscrições: www.meetingtheexperts2.ibcr.com.br.

Assessoria de Imprensa Cinthya Brandão

(71) 99964-5552

Heleno e Paulo Sérgio, ex-ministros de Bolsonaro, e Garnier, ex-chefe da Marinha, são presos em Brasília

Generais da reserva foram levados para o Comando Militar do Planalt Decisão manda Torres cumprir pena na 'Papudinha', além da perda de mandato de Ramagem

Brasília: Os ex-ministros de Jair Bolsonaro (PL) Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos foram presos nesta terça-feira (25) para iniciar o cumprimento da pena à qual foram condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento da trama golpista.Heleno e Paulo Sérgio, generais da reserva, foram levados para o Comando Militar do Planalto, onde ficarão em instalações similares à que Bolsonaro está preso desde sábado (22) na Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, de acordo com o que a Folha apurou.

Garnier foi levado à Estação Rádio da Marinha em Brasília. A pena imposta a ele pela Primeira Turma do STF foi de 24 anos de prisão em regime inicial fechado e 100 dias-multa (cada dia-multa no valor de um salário mínimo à época dos fatos).

Heleno foi condenado a 21 anos de pena privativa de liberdade em regime inicial fechado e 84 dias-multa. Paulo Sérgio recebeu 19 anos em regime inicial fechado e 84 dias-multa.

Bolsonaro e o ex-ministro Walter Braga Netto já cumprem prisão preventiva. O deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) fugiu para os Estados Unidos.

Segundo despacho de Moraes, Torres vai cumprir pena no 19º Batalhão de Polícia Militar do DF, local conhecido como "Papudinha", localizado no Complexo Penitenciário da Papuda. Não havia informação até às 16h se ele havia sido preso.

Em setembro, eles foram condenados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição do Estado democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

O tenente-coronel Mauro Cid, por sua vez, foi o primeiro a começar a cumprir pena. Ele retirou a tornozeleira eletrônica durante audiência no Supremo no último dia 3. Ex-ajudante de Bolsonaro, o militar passou a cumprir sua pena definitiva de dois anos de reclusão por participação na trama golpista.

Todos, segundo o Supremo, teriam participado de uma trama golpista para manter Bolsonaro no poder após a derrota para Lula (PT) nas eleições de 2022.

O grupo foi considerado condenado pelos mesmos tipos penais, a penas de 2 a 27 anos, todos ex-ocupantes de altos cargos no governo do ex-presidente.

Foi aplicada ainda a inelegibilidade de oito anos a todos os condenados, a partir do término da pena. Bolsonaro já estava impedido de disputar eleições até 2030 em razão de condenações por abuso de poder na Justiça Eleitoral. Com a condenação desta quinta, ele fica inelegível até 2060.

Nesta terça, o STF certificou o chamado trânsito em julgado, ou seja, a conclusão do processo relativo a Bolsonaro, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e Ramagem, com a determinação de perda de mandato do deputado na Câmara.

O ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) Augusto Heleno foi acusado de ser um dos responsáveis pela construção da narrativa de Bolsonaro contra as urnas eletrônicas.

A denúncia diz que Heleno, em conjunto com o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem, preparou o discurso de Bolsonaro e anuiu com espionagens ilegais favoráveis ao ex-presidente.

Já o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira enfrentou a acusação de ter "aderido subjetivamente" ao grupo liderado pelo ex-presidente. Segundo Paulo Gonet, as ações e omissões do general no comando da Defesa em meio às discussões golpistas configuram descumprimento de seu dever legal de proteger a democracia.
https://www1.folha.uol.com.br/poder/2

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