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Maduro será julgado em Nova York por narcoterrorismo e outros crimes

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, serão julgados na Justiça de Nova York por crimes de narcoterrorismo e tráfico de drogas depois de serem capturados pelos Estados Unidos neste sábado (3) durante ataque americano contra o país caribenho.
De acordo com Pam Bondi, a secretária de Justiça do governo Donald Trump, Maduro, Flores e outras quatro pessoas responderão por narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína nos EUA, porte de armas de fogo e conspiração para portar armas de fogo. Washington abriu um novo indiciamento contra o ditador, que já tinha uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 271 milhões) por sua captura.

A acusação inclui também o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, e Nicolás Ernesto Maduro, filho do ditador venezuelano, e diz que os réus conspiraram em conjunto com organizações como as Farc, na Colômbia, e o cartel de Sinaloa, no México, para traficar cocaína.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, uma das principais vozes na Casa Branca por trás da intervenção na Venezuela, disse neste sábado que Maduro era um "fugitivo da Justiça americana". Embora Washington acuse o ditador de comandar o chamado cartel dos sóis, especialistas negam a existência do grupo.

De acordo com a acusação, enquanto esteve no poder, Maduro buscou "enriquecer a si mesmo e aos membros [do cartel], ampliar seu próprio poder e inundar os Estados Unidos com cocaína com o objetivo de aplicar os efeitos danosos e viciantes da droga contra americanos". A Venezuela não é uma grande produtora de cocaína, e as rotas de tráfico que saem do país costumam ter como destino portos europeus.

Na acusação, o governo Trump diz ainda que Maduro utilizou a cocaína como "arma contra a América", retórica que se assemelha a outras ações recentes do republicano como quando classificou o fentanil, principal responsável pela crise de opioides nos EUA, de uma arma de destruição em massa.

O vice-presidente, J. D. Vance, disse que o ditador venezuelano "não pode esperar que iria fugir da Justiça por tráfico de drogas nos EUA só porque vive em um palácio em Caracas". Vance afirmou ainda que Washington ofereceu "uma série de alternativas" a Maduro, sem entrar em detalhes, e que a Venezuela precisa "devolver o petróleo roubado" dos EUA, afirmação já feita por Trump no passado.
Não está claro a que roubo o governo Trump se refere.

O governo americano indiciou Maduro por tráfico de drogas pela primeira vez em 2020, no primeiro governo Trump, acusando o ditador de "conspiração narcoterrorista" e colaboração com as Farc, da Colômbia.

Os EUA, principal mercado consumidor de cocaína nas Américas, têm longo histórico de buscar a extradição de líderes de facções criminosas latino-americanas para julgamento e prisão em solo americano.

Washington já julgou inclusive líderes de países da América Central por acusações de tráfico, como o panamenho Manuel Noriega, alvo da última intervenção armada americana na América Latina, e o hondurenho Juan Orlando Hernández este último, perdoado por Trump em dezembro de 2025 sob a justificativa de que foi alvo de "perseguição política".

Por Victor Lacombe / Folhapress

'Maduro está sob acusação de levar drogas aos EUA', diz Marco Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defendeu os ataques à Venezuela e a captura de Nicolas Maduro e sua esposa. Ele afirma que o regime do líder venezuelano não é legítimo.

Rubio diz que Maduro não é o presidente da Venezuela. Em publicação no X, o secretário de Estado afirma que o líder venezuelano é "chefe do Cartel de Los Soles., uma organização narco-terrorista que tomou posse de um país". Ele afirma ainda que Maduro "está sob acusação por levar drogas aos Estados Unidos".

Declaração de Rubio ocorre após ataques ao país. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, Nicolas Maduro e sua esposa foram capturados da Venezuela. Ele afirma que os dois foram "levados para fora do país".
Por Folhapress

Rússia condena ataque dos EUA à Venezuela

A Rússia condenou a ação militar dos EUA na Venezuela neste sábado (3), afirmando que não havia justificativa para o ataque e que a "hostilidade ideológica" prevaleceu sobre a diplomacia."Na manhã de hoje, os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia em um comunicado.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados após ataque à Venezuela. O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma "agressão militar" dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, o país declarou estado de emergência.
Por Folhapress

EUA atacam a Venezuela, e Trump afirma ter capturado Maduro

Donald Trump afirmou neste sábado (3) que Nicolas Maduro e sua esposa foram capturados após ataque à Venezuela. O país sul-americano havia afirmado mais cedo que sofrera uma "agressão militar" dos Estados Unidos após múltiplas explosões atingirem a capital, Caracas, e outras regiões do país durante a madrugada. Diante da situação, o país declarou estado de emergência.

O governo dos EUA não havia confirmado a autoria dos ataques. No entanto, segundo a emissora americana CBS News, fontes com conhecimento no assunto disseram que o presidente Donald Trump ordenou o bombardeio.

Segundo comunicado do governo venezuelano, ataques também ocorreram nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, o que levou o ditador Nicolás Maduro a decretar estado de emergência nacional e a mobilizar as forças de defesa.

De acordo com testemunhas da Reuters e com imagens que circulam nas redes sociais, explosões, aeronaves e colunas de fumaça preta foram vistas em diferentes pontos da capital a partir de cerca das 2h (6h de Brasília).

Moradores relataram ainda uma queda de energia na região sul da cidade, nas proximidades de uma importante base militar.

Os EUA enviaram uma flotilha militar ao Caribe em agosto e já bombardearam quase 30 embarcações, com um balanço de mais de cem mortes. Caracas afirma que as manobras pretendem derrubar o regime venezuelano.

Na terça-feira (30), Washington realizou ataques contra mais três embarcações suspeitas de tráfico de drogas em águas internacionais, informou o Comando Sul, responsável por operações em uma área que vai do Caribe ao sul da Argentina. As embarcações viajavam em comboio, segundo as Forças Armadas americanas.

Trump havia alertado em novembro que iniciaria ataques terrestres na Venezuela e autorizou operações da CIA, a agência de inteligência dos EUA, no país sul-americano.

O presidente da Colombia, Gustavo Preto, publicou em seu perfil no X (ex-Twitter) um comunicado oficial sobre os ataques na Venezuela, afirmando que seu governo enxerga com profunda preocupação os relatos de explosões e atividades aéreas incomuns registradas no país vizinho.
Por Folhapress

Incêndio em bar de estação de esqui mata dezenas na Suíça e fere mais de cem

Um incêndio, seguido de uma explosão, deixou dezenas de mortos e mais de cem feridos na sofisticada estação de esqui alpina de Crans-Montana, na Suíça, segundo autoridades.
O incêndio ocorreu por volta da 1h30 no bar Le Constellation, um local popular entre turistas, enquanto os frequentadores comemoravam a passagem de ano. Parte das vítimas é de estrangeiros; procurado, o Itamaraty informou que não há registro de brasileiros entre os feridos até o momento.

A polícia cita dezenas de mortos, mas sem especificar a quantidade. Em entrevista coletiva horas após o incidente, autoridades disseram ser prematuro informar um número exato de óbitos.

Ao menos cem pessoas ficaram feridas, a maioria em estado grave, e lotaram o hospital mais próximo.

Muitas delas, com fortes queimaduras, foram levadas a vários outros hospitais do país, em Berna, Genebra, Rennaz, Zurique e Lausanne as duas últimas têm os dois grandes centros hospitalares universitários especializados em tratamentos de queimaduras graves do país.

Mais cedo, citando autoridades suíças, o Ministério de Relações Exteriores da Itália afirmara que o número de mortos já havia chegado a 40, número que não foi confirmado. A Itália conta 16 nacionais desaparecidos e cerca de uma dezena em tratamento. Pelo menos dois cidadãos franceses estavam entre os feridos, de acordo com relatórios iniciais do ministério das Relações Exteriores da França.

As autoridades também descartaram que o incêndio fosse criminoso ou que se tratava de um atentado terrorista. Frédéric Gisler, comandante da polícia do cantão de Valais, no sul do país, afirma que os relatos de testemunhas indicam que houve um incêndio generalizado que, então, teria provocado uma explosão, não o contrário. Uma investigação continua em andamento.

Crans-Montana é um resort frequentado por celebridades e por profissionais dos esportes de inverno, e é sede habitual da Copa do Mundo de Esqui. O ator britânico Roger Moore, que encarnou James Bond nos filmes da franquia 007, viveu no local, que conta hoje com 10 mil habitantes.

À imprensa europeia, testemunhas relatam cenas de terror e caos generalizado depois que o fogo se alastrou rapidamente pelo teto do Le Constellation.

Duas testemunhas ouvidas pela BFMTV afirmaram que a escada de entrada e saída do bar era pequena para a quantidade de pessoas presentes.

Elas disseram ainda ter visto o fogo se espalhando rapidamente após velas que soltam faíscas serem levantadas por pessoas que estavam no local e tocarem o teto. As testemunhas também contaram que deixaram rapidamente o local assim que notaram o fogo, e muitos presentes quebraram janelas para fugir do bar, que ficava no subsolo.

Outras testemunhas que estavam fora do bar descreveram o entorno do Le Constellation conforme feridos conseguiam sair do local em chamas. Cerca de 200 pessoas estavam no bar no momento do incêndio o Le Constellation tem capacidade para 300 pessoas e mais 40 em seu terraço.

"Dava para ver o laranja, amarelo, vermelho [das chamas]", afirmou Dominic Dubois à agência Reuters, lembrando que a prioridade das equipes de resgate e voluntários era esquentar as pessoas que deixavam o local em chamas apenas para se ver em meio ao intenso frio do inverno suíço, que marcava temperatura abaixo de zero na madrugada.

Dubois disse ainda que um escritório do banco UBS abriu as portas para servir de refúgio aos feridos. "Todas as mesas foram encostadas, e as pessoas entraram para ficarem aquecidas. A triagem começou ali", afirmou à Reuters.

"Ainda estou em choque", disse Anaïs, 17, ao site suíço 24 Heures. "Íamos [ao bar] ontem à noite com uns quinze amigos. Milagrosamente, não tínhamos confirmado a mesa e acabamos ficando em outro local", contou.

"O que deveria ser um momento de alegria se transformou, no primeiro dia do ano em Crans-Montana, em um luto que toca todo o país e além", lamentou o presidente suíço, Guy Parmelin.

Líderes europeus prestaram homenagens às vítimas e ofereceram ajuda ao governo suíço. "Em meu nome e em nome do governo [da Itália], expresso as minhas mais profundas condolências pelo trágico incêndio ocorrido em Crans-Montana, na Suíça", disse a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.

"Profundamente comovido após o incêndio em Crans-Montana. Meus pensamentos estão com as famílias enlutadas e os feridos. À Suíça, ao seu povo e às suas autoridades, expresso a total solidariedade e o apoio fraterno da França", afirmou o presidente francês, Emmanuel Macron. O bar, segundo registros da empresa, é de propriedade de um casal francês.

Imagens publicadas pela imprensa suíça mostram o prédio em chamas, com equipes de emergência no local. Já registros publicados em redes sociais dão a ideia do caos após o incêndio, com pessoas gritando e correndo. Outro vídeo mostrou o início do alastramento do fogo no teto do local.

A área foi completamente isolada e uma zona de exclusão aérea foi imposta sobre Crans-Montana enquanto o resgate era feito, informou a polícia.

O governo do cantão de Valais declarou estado de emergência para mobilizar recursos rapidamente. Equipes de bombeiros e a polícia utilizaram dez helicópteros, e 40 ambulâncias foram mobilizadas para o resgate, de acordo com autoridades.

"Muitos recursos estão sendo alocados em análise forense para identificar as vítimas e nos permitir entregar os corpos às famílias o mais rápido possível", afirmou a procuradora-geral Beatrice Pilloud
Por Redação

Noboa decreta estado de exceção em 9 províncias do Equador após novo recorde de homicídios

O presidente do Equador, Daniel Noboa, declarou nesta quinta-feira (1º) estado de exceção em 9 das 24 províncias do país devido ao aumento de homicídios produto da crescente violência das gangues do narcotráfico.

O Equador encerra 2025 com um novo recorde de homicídios. Entre janeiro e novembro deste ano, mais de 8.300 pessoas foram assassinadas no país, segundo informações do Ministério do Interior.

O número supera o registrado em 2023, quando foram contabilizados 47 homicídios por 100 mil habitantes. O Observatório do Crime Organizado estima que, em 2025, a taxa chegue a 52 mortes violentas por 100 mil pessoas.

O estado de exceção "por grave comoção interna" se estenderá por 60 dias nas províncias costeiras de Guayas, Manabí, Santa Elena, Los Ríos, El Oro, Esmeraldas e Santo Domingo, na andina Pichincha e na amazônica Sucumbíos, indica o documento assinado por Noboa.

A medida também afeta as localidades de La Maná, na província de Cotopaxi, e de Las Naves e Echeandía, em Bolívar.

De acordo com o decreto, entre 1º de novembro e 23 de dezembro de 2025 houve mais de 1.200 homicídios nas nove províncias. A maioria das mortes se concentrou em Guayas, no sudoeste.

Na prática, o estado de exceção permitirá às forças de segurança realizar "buscas imediatas, quando existirem indícios" de que em um local "se escondam integrantes de grupos armados organizados ou de estruturas de crime organizado, ou se encontrem armas, munições, explosivos" ou drogas, acrescenta o documento.

O governo do Equador sustenta uma guerra contra gangues narcotraficantes com conexões com cartéis internacionais, que em sua sangrenta disputa pelo poder o transformaram no país mais violento da América Latina.

O país ganhou protagonismo no narcotráfico internacional por sua localização estratégica, como porta de saída da cocaína colombiana e peruana, vendida na Europa e nos Estados Unidos.

Opositores criticam Noboa pelo uso frequente de medidas de exceção sob o argumento de combate à violência, o que resulta em militarização da segurança pública e supressão de direitos básicos —sem, contudo, resultados imediatos na redução das taxas relacionadas à violência, como a de homicídios.

Por Folhapress

Rússia ativa sistema de mísseis hipersônicos Oreshnik, com capacidade nuclear, em meio a impasse com Ucrânia

Míssil hipersônico russo Oreshnik foi implantado em Belarus. Disparos experimentais já foram feitos contra a Ucrânia durante a guerra. Projétil foi revelado em 2024 e com capacidade de carregar ogivas nucleares

O sistema de mísseis russo Oreshnik, com capacidade nuclear, entrou em serviço ativo, informou nesta terça-feira (30) o Ministério da Defesa da Rússia, enquanto negociadores seguem em busca de um avanço nas conversas sobre a guerra na Ucrânia.

Segundo o ministério, tropas realizaram uma breve cerimônia na vizinha Belarus, onde os mísseis foram posicionados. O governo não informou quantas unidades foram instaladas nem deu outros detalhes.

Um míssil hipersônico é uma arma que voa a mais de cinco vezes a velocidade do som e é difícil de ser detectada e interceptada.

A Rússia usou o Oreshnik pela primeira vez em novembro de 2024, quando fez um disparo experimental contra uma fábrica em Dnipro, na Ucrânia (veja vídeo acima).

O presidente russo, Vladimir Putin, havia dito no início de dezembro que o Oreshnik entraria em operação ainda neste mês.

A declaração foi feita em uma reunião com chefes militares, na qual ele alertou que Moscou tentaria ampliar seus ganhos na Ucrânia se Kiev e seus aliados ocidentais rejeitassem as exigências do Kremlin.


O anúncio ocorre em um momento delicado das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse no domingo, em seu resort na Flórida, que Kiev e Moscou estariam “mais perto do que nunca” de um acordo. Mesmo assim, segundo ele, as negociações lideradas pelos EUA, que já duram meses, ainda podem fracassar.

Mísseis de alcance intermediário podem percorrer entre 500 e 5.500 quilômetros. Esse tipo de arma era proibido por um tratado da era soviética, abandonado por Estados Unidos e Rússia em 2019.

Os negociadores seguem sem acordo sobre pontos centrais, como a retirada de tropas em território ucraniano e o futuro da Crimeia, ocupada pela Rússia e uma das 10 maiores penínsulas do mundo.

Putin tem tentado mostrar que negocia a partir de uma posição de força, enquanto as forças ucranianas enfrentam dificuldades para conter o Exército russo, maior em número.

Em reunião com oficiais militares na segunda-feira, o presidente russo destacou a necessidade de criar zonas de proteção militar ao longo da fronteira da Rússia. Ele também afirmou que tropas russas avançam na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, e intensificam a ofensiva no sul, na região de Zaporizhzhia.

Putin elogiou as capacidades do míssil, dizendo que suas múltiplas ogivas atingem o alvo a velocidades de até 12.000 km/h e não podem ser interceptadas.

Ele também advertiu o Ocidente que Moscou pode usar o Oreshnik contra aliados da Otan que permitiram à Ucrânia lançar mísseis de maior alcance contra alvos dentro da Rússia.

O chefe das forças de mísseis da Rússia afirmou ainda que o Oreshnik pode levar ogivas convencionais ou nucleares e tem alcance suficiente para atingir toda a Europa.
Por: G1

EUA atacam território da Venezuela e destroem estrutura 'ligada ao narcotráfico', diz Trump

O ataque ocorreu na semana passada e havia sido mencionado por Trump em uma entrevista na sexta-feira, 26
.Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 29, que os EUA atacaram e destruíram uma zona de atraque de embarcações na Venezuela supostamente usada pelo narcotráfico, o que seria o primeiro ataque em terra desde o lançamento da campanha militar contra o narcotráfico na América Latina.

“Houve uma grande explosão na área de um cais onde carregam as embarcações com drogas”, disse o presidente americano aos jornalistas. “Atacamos todas as embarcações e agora atacamos a zona [de atraque]... e já não existe”, acrescentou.

“Estava na costa”, disse, sem detalhar se era uma operação militar, nem onde aconteceu o ataque.

Trump já havia mencionado o ataque em uma entrevista à rádio WABC na sexta-feira, 26. Durante uma conversa com John Catsimatidis, o bilionário republicano e apoiador do presidente que é o dono da WABC, o presidente americano apontou que “uma grande instalação” havia sido destruída dois dias antes da conversa.

Depois das declarações, o jornal americano The New York Times procurou o Pentágono e a CIA, mas os dois órgãos disseram que não tinham informações para compartilhar. A Casa Branca também se recusou a comentar.

Ataque

Se a declaração de Trump estiver certa, esse seria o primeiro ataque conhecido em terra desde o começo da campanha militar contra a Venezuela.

O presidente americano havia prometido o início de uma ofensiva terrestre contra Caracas, mas não tinha anunciado um ataque. A Venezuela ganhou um protagonismo sem precedentes em 2025 ao se tornar alvo de uma campanha de intimidação do governo americano. Depois de mobilizar mais de 20% de suas tropas para o Caribe sob a justificativa de combater o narcotráfico, não está claro o que os Estados Unidos pretendem.

O contingente enviado por Washington a região conta com navios de guerra, o maior porta-aviões do mundo, submarinos nucleares, drones e bombardeiros. Além da intimidação, os EUA realizaram bombardeios em águas internacionais sob a alegação de estar matando traficantes que transportariam drogas para Washington. Mais de 25 ataques foram realizados e pelo menos 95 pessoas morreram.

O presidente americano também decidiu bloquear todos os petroleiros sob sanção que operem na Venezuela, resultando no confisco de pelos menos duas embarcações. Washington acusa Caracas de utilizar a venda de petróleo para financiar o “narcoterrorismo, o tráfico de seres humanos, assassinatos e sequestros”.

Apesar da justificativa oficial de combater o narcotráfico, indícios apontam que a intenção do presidente americano é retirar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, do poder. Os dois líderes chegaram a conversar por telefone e negociaram possíveis acordos, mas Trump não mostrou flexibilidade e deseja a saída do ditador, segundo jornais americanos.

Especialistas da ONU denunciam bloqueio

Em meio a campanha militar de Trump, especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciaram, na semana passada, o bloqueio naval ordenado por Trump. De acordo com eles, a medida americana constitui um “ataque armado” e viola o direito internacional.

“Não existe o direito de impor sanções unilaterais por meio de um bloqueio armado”, afirmaram os especialistas designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU – mas eles não falam formalmente em nome da organização. “Trata-se de um uso da força tão grave que é expressamente reconhecido como uma agressão armada ilegal na Definição de Agressão adotada pela Assembleia Geral em 1974”, apontam os peritos.

Para os relatores, a ação configura um ataque armado nos termos do artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que, em tese, confere ao Estado vítima o direito à legítima defesa.

Os especialistas também criticaram duramente os ataques de Washington a supostas embarcações de traficantes, ressaltando que não foram apresentadas provas públicas de que tais barcos estivessem, de fato, transportando drogas.

Em reunião do Conselho de Segurança da ONU no dia 23 de dezembro, Rússia e China criticaram duramente a pressão militar e econômica exercida pelos Estados Unidos sobre a Venezuela, classificando a postura de Washington como “comportamento de cowboy” e “intimidação”. O embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, também se manifestou perante o Conselho: “Estamos diante de uma potência que atua à margem do direito internacional, exigindo que nós, venezuelanos, abandonemos nosso país e o entreguemos".

Por Estadão

Zelensky e Trump se encontram nos EUA após semanas de negociações

Plano de paz de proposto por Washington e revisado pela Ucrânia será discutido na reunião
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chega nos Estados Unidos neste domingo (28) para uma reunião com o líder americano, Donald Trump.
O encontro acontece enquanto a capital ucraniana, Kiev, é atacada por mísseis e drones russos, um lembrete de que os ataques continuam mesmo em meio a negociações de paz aceleradas.

As negociações em Mar-a-Lago entre Zelensky e Trump, anunciadas com apenas dois dias de antecedência, visam resolver as divergências no plano de paz original de 28 pontos que o republicano propôs no mês passado e que a Ucrânia revisou para 20 pontos.

Enviados americanos têm trabalhado intensamente para finalizar uma proposta que seja aceitável tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia.

Donald Trump, que está na cidade de Palm Beach, no estado da Flórida, desde 20 de dezembro, interromperá suas férias para a reunião.
O encontro foi organizado após o presidente ucraniano ter conversado por telefone, no final da semana passada, com Steve Witkoff, enviado de Trump para assuntos externos, e Jared Kushner, genro do presidente, que está trabalhando para finalizar o acordo de paz.

O presidente dos Estados Unidos afirmou no início deste mês que não acreditava que reuniões com Zelensky ou seus aliados europeus seriam úteis, a menos que estivessem perto de um acordo, um sinal do estágio avançado das negociações.

Autoridades americanas descreveram progressos significativos nos esforços de paz, com um funcionário dos EUA afirmando no início deste mês que 90% dos termos do acordo já haviam sido definidos. Zelensky confirmou esse número na sexta-feira (26).

“Não é fácil. Ninguém está dizendo que será 100% de imediato, mas, mesmo assim, devemos nos aproximar do resultado desejado a cada reunião, a cada conversa”, disse ele.

Exigências para o fim do conflito

Os 10% restantes têm se mostrado difíceis de resolver e incluem a controversa questão das concessões territoriais necessárias para pôr fim à guerra de quase quatro anos.

A Rússia não recuou em suas exigências, incluindo a cessão de toda a região leste de Donbas pela Ucrânia.

Zelensky, no entanto, não descarta totalmente as concessões e afirma que submeterá o plano de paz a um referendo caso a Rússia concorde com um cessar-fogo. (A Constituição da Ucrânia exige que quaisquer alterações nas fronteiras do país sejam aprovadas em referendo.)

O lado americano apresentou ideias "instigantes" sobre como resolver o impasse, afirmou um funcionário dos EUA, incluindo o desenvolvimento de uma "zona econômica livre" na parte leste da Ucrânia.

Também permanece sem solução o destino da usina nuclear de Zaporizhzhia, ocupada pela Rússia, a maior da Europa.

O líder ucraniano disse que Kiev propõe que a usina seja operada por uma empresa conjunta entre os EUA e a Ucrânia, com 50% da produção de eletricidade destinada à Ucrânia e o restante alocado por Washington.

Rússia fica de fora na reunião

A Rússia não estará representada na reunião deste domingo (28), e permanece incerto se Moscou está disposta a concordar com um cessar-fogo imediato que permita a implementação de um plano de paz.

Trump frequentemente apontou tanto a Ucrânia quanto a Rússia como obstáculos à paz.

Um dia antes da reunião, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que “se Kiev não estiver disposta a resolver a questão pacificamente, a Rússia alcançará todos os objetivos da operação militar especial por meios militares”, segundo a agência de notícias estatal russa TASS.
A Rússia lançou 519 drones e 40 mísseis contra a Ucrânia durante a madrugada de sábado (27), segundo a Força Aérea Ucraniana.

Volodymyr Zelensky declarou na manhã de sábado que, embora as autoridades russas estejam em negociações para pôr fim aos combates, a violência atual fala por si só.

Autoridades americanas esperam que a reunião deste domingo (28) seja produtiva, após uma semana de intensos esforços entre negociadores dos EUA e da Ucrânia, segundo fontes americanas, embora não tenham mencionado um objetivo específico para o encontro.
Garantias de segurança pós-guerra

O líder ucraniano afirmou, antes da reunião, que deseja concluir um acordo para pôr fim ao conflito, incluindo a definição dos detalhes das garantias de segurança dos Estados Unidos para assegurar que a Rússia não possa invadir novamente o país após o fim da guerra.

Um conjunto de garantias de segurança semelhante ao Artigo 5 da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) foi elaborado ao longo de dois dias de discussões em Berlim, no início deste mês, entre autoridades da Europa, Ucrânia e Estados Unidos.

Essas garantias permitiriam a dissuasão de novas agressões russas, mecanismos de resolução de conflitos e o monitoramento de um eventual acordo de paz. Também definiriam as consequências para a Rússia caso viole o acordo.

“Este é o conjunto de protocolos de segurança mais robusto que eles já viram. É um pacote muito, muito forte”, disse um alto funcionário americano, sem detalhar exatamente o que os EUA estavam prometendo.

Trump está disposto a levar as garantias de segurança apoiadas pelos EUA ao Congresso, afirmou um segundo funcionário, descrevendo o pacote como o “padrão ouro” do que Washington pode oferecer à Ucrânia.

O presidente americano acredita que pode fazer com que Moscou aceite as garantias, e os funcionários também disseram que a Rússia indicou abertura para a adesão da Ucrânia à União Europeia como parte de qualquer acordo de paz.
Líderes europeus também ficarão de fora da reunião

A reunião deste domingo não deve incluir nenhum líder europeu, segundo autoridades americanas e europeias, ao contrário de encontros anteriores entre os dois presidentes.

Em agosto, líderes europeus foram para a Casa Branca para acompanhar Zelensky depois que uma reunião tensa com Trump no Salão Oval, em fevereiro, se tornou acalorada.

Donald Trump disse em entrevista ao Politico na sexta-feira (27) que espera que a reunião com Zelensky “corra bem”, mas alertou que o presidente ucraniano “não tem nada a dizer até que eu aprove”.

Os ucranianos têm pressionado por um encontro entre Zelensky e Trump desde o último encontro entre os dois, em outubro.

Autoridades europeias disseram esperar uma reunião positiva, descrevendo a dinâmica atual entre Washington e Kiev como produtiva.
Kevin Liptak, da CNN

Venezuela liberta 60 opositores de Maduro detidos após eleição de 2024

Grupo tinha sido preso em meio à crise política desencadeada pela reeleição do ditador
Pelo menos 60 pessoas detidas após as contestadas eleições presidenciais de 2024 na Venezuela, apontadas como fraudulentas por organizações internacionais, foram libertadas neste Natal, informou nesta quinta (25) uma ONG composta por ativistas de direitos humanos e familiares de presos políticos.

"Comemoramos a libertação de mais de 60 venezuelanos, que jamais deveriam ter sido detidos arbitrariamente. Embora não estejam completamente livres, continuaremos trabalhando por sua plena liberdade e pela de todos os presos políticos", disse Andreína Baduel, responsável pelo Clippve (Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos).

Os libertados foram presos em meio à crise política desencadeada pela reeleição do ditador Nicolás Maduro em julho de 2024 para um terceiro mandato, em meio a denúncias de fraude por parte da oposição e de organizações renomadas.

A proclamação de Maduro provocou protestos que resultaram na prisão de cerca de 2.400 pessoas, que o próprio ditador chamou de terroristas. Mais de 2.000 já foram libertadas, segundo dados oficiais.

As condições dessas libertações não estão claras. A agência de notícias AFP solicitou detalhes sobre as solturas ao Ministério Público, mas não havia recebido uma resposta até a tarde desta quinta.

Por Folhapress

Rússia acusa EUA de “pirataria” e critica bloqueio à Venezuela no Caribe

A Rússia acusou os Estados Unidos de promover “pirataria” e “banditismo” no Mar do Caribe ao impor um bloqueio à Venezuela. Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (25), o Ministério das Relações Exteriores russo afirmou que as ações norte-americanas representam uma retomada da anarquia na região e alertou para o risco de agravamento da crise. A porta-voz Maria Zakharova classificou a medida como “roubo de propriedade alheia” e defendeu a desescalada do conflito. A informação é do G1.

Segundo Moscou, a expectativa é que o presidente dos EUA, Donald Trump, adote uma postura pragmática e racional para buscar soluções compatíveis com o direito internacional. A Rússia reiterou ainda apoio ao governo de Nicolás Maduro, afirmando que seguirá ao lado da Venezuela na defesa da soberania, dos interesses nacionais e da estabilidade do país diante das pressões externas.

Enquanto isso, os Estados Unidos seguem tentando apreender petroleiros ligados à Venezuela. Um terceiro navio, o Bella 1, ainda não foi capturado pela Guarda Costeira norte-americana, que aguarda reforços para realizar a operação. A ofensiva faz parte da estratégia de Washington para endurecer as sanções ao setor de petróleo venezuelano, considerado vital para a economia do país e para a sustentação do governo Maduro, o que pode impactar o mercado global caso o bloqueio se prolongue.

Donald Trump reforça ameaças a Nicolás Maduro e anuncia nova classe de navios de guerra

           Iniciativa ocorre durante operação americana no mar do Caribe contra regime na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou a ameaçar a ditadura de Nicolás Maduro em meio à operação americana que impõe um bloqueio naval contra a Venezuela.

O regime venezuelano acusa os EUA de usar a operação como uma manobra para derrubar Maduro. Questionado por jornalistas sobre este tema durante evento em Mar-a-Lago, residência de Trump na Flórida, o presidente disse que a resposta depende do ditador. "Isso depende dele, do que ele queira fazer. Acho que seria inteligente da parte dele fazer isso. Se ele se mostrar duro, será a última vez que poderá fazê-lo", acrescentou, em tom de ameaça.

A fala de Trump ocorreu durante anúncio de planos para construir uma nova "classe Trump" de navios de guerra que, segundo ele, serão maiores, mais rápidos e "cem vezes mais poderosos" do que qualquer outro anterior.

A iniciativa se chama Golden Fleet (frota dourada) e começaria com a construção de dois desses navios de guerra, para depois ser expandido e abranger de 20 a 25 novas embarcações.

A construção planejada de navios de guerra resultará em "mais tonelagem e poder de fogo em construção do que em qualquer momento da história", disse o secretário da Marinha dos EUA, John Phelan, acrescentando que os componentes seriam fabricados em todos os estados dos EUA e exclusivamente com aço americano.

Ele afirmou que os navios de guerra não apenas apresentariam os "maiores canhões" já transportados em um navio de guerra americano, mas também carregariam mísseis de cruzeiro lançados do mar com armamento nuclear. O primeiro dos novos navios de guerra será batizado de USS Defiant.

Além da nova classe de navios de guerra, a Frota Dourada prevê um aumento no número de outros tipos de embarcações de guerra, incluindo uma classe de fragatas menores e mais ágeis previamente anunciada pela Marinha dos EUA, disse Trump.

No sábado (20), a Marinha tentou interceptar o petroleiro Bella 1, sancionado desde o ano passado pelos Estados Unidos por transportar petróleo iraniano. De acordo com as Forças Armadas, a embarcação se recusou a passar por inspeção e iniciou uma manobra de fuga. O petroleiro emitiu mais de 75 alertas de socorro para navios nas proximidades até a noite de domingo (21).

Durante a apresentação, Trump disse que o governo americano vai ficar com os navios e o petróleo apreendidos nas proximidades da Venezuela.

O governo americano acusa o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, de chefiar um cartel de narcotráfico.

Além disso, o republicano voltou a afirmar que os Estados Unidos precisam assumir o território da Groenlândia, não por seus minerais críticos mas por razões de segurança nacional. Ele nomeou o governador da Louisiana, Jeff Landry, como enviado especial à ilha, que pertence à Dinamarca. Em resposta, o país europeu deve convocar o embaixador americano para prestar explicações.

Também nesta segunda, o Departamento de Estado americano aprovou a possível venda de mísseis de médio alcance avançados e equipamentos à Dinamarca, em um negócio estimado em US$ 951 milhões, informou o Pentágono.

Por Folhapress

Mercosul cita desapontamento com UE e evita menção à Venezuela em declaração final

Líderes sul-americanos destacam falta de consenso político entre europeus e evitam prazo para acordo
Os países do Mercosul manifestaram desapontamento com o adiamento da assinatura do acordo com a União Europeia e não fizeram menção à situação na Venezuela no documento final da cúpula de líderes, deste sábado (20), em Foz do Iguaçu.

No texto, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai enfatizam que o tratado não foi selado, como previsto, por falta de consenso político entre os europeus. Os presidentes salientaram que a assinatura do acordo "daria uma sinalização positiva ao mundo na atual conjuntura internacional, fortalecendo a integração entre os dois blocos".

Apesar da frustração, demonstraram confiança de que a União Europeia terminará os trâmites internos que permitirão à assinatura do acordo com o Mercosul futuramente. No texto, falam em fixar uma possível data para a assinatura, sem mencionar um prazo.

Ao discursar na cúpula, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contou ter recebido uma carta dos presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, na qual ambos manifestam expectativa de ver o acordo aprovado em janeiro.

O presidente brasileiro também cobrou coragem e vontade política dos líderes europeus depois de dizer que esperava finalmente assinar o acordo UE-Mercosul após 26 anos de negociação.

"Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola", disse. "Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos", acrescentou.

Além da decepção pelo adiamento da assinatura do tratado, outro assunto que marcou o encontro dos líderes sul-americanos no Brasil foi a divergência sobre a crise da Venezuela.

A situação do país de Nicolás Maduro não foi mencionada na declaração final dos presidentes, que priorizou aspectos comerciais, e levou a cúpula a terminar sem um documento do bloco e dos Estados associados —em que são discutidos temas geopolíticos da região.

Atualmente, o Mercosul conta com sete Estados associados: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá, que formalizou sua adesão em 2024.

O assunto colocou os presidentes Lula e Javier Milei, da Argentina, em lados opostos. Enquanto o brasileiro afirmou que uma intervenção armada na Venezuela seria catastrófica, o argentino exaltou a pressão dos Estados Unidos sobre o regime de Maduro.

No campo comercial, a declaração ainda deu ênfase à estratégia do bloco sul-americano de diversificar suas parcerias comerciais. Em trecho do documento, "manifestaram o interesse em seguir a prospecção de diálogos exploratórios com outros parceiros comerciais com potencial para incrementar a inserção do bloco na economia internacional".

Além de saudar a retomada das negociações com Canadá e do aprofundamento da relação com a Índia, os presidentes destacaram as discussões com Vietnã e Indonésia, como parte do objetivo de estreitar laços com economias emergentes de rápido crescimento e expandir o alcance das parcerias do Mercosul.

No documento, também reafirmaram a intenção de avançar nos processos de integração comercial com países da América Central e o Caribe, dando continuidade às negociações com El Salvador, para assinatura de acordo de livre comércio, e aos diálogos com Panamá e a República Dominicana.

O bloco sul-americano deu sequência às tratativas internas envolvendo o aperfeiçoamento do Focem, o fundo voltado para redução de assimetrias do Mercosul. No comunicado, os líderes disseram ter instruído os órgãos competentes a "impulsionar os trabalhos em andamento" para dar continuidade ao mecanismo.

A transição energética também foi tema de debate na cúpula em Foz do Iguaçu, com discussões voltadas à integração de mercados de biocombustíveis e aos combustíveis sustentáveis de aviação.

O bloco definiu ainda os termos de referência para a realização de um estudo voltado ao setor sucroalcooleiro, buscando um diagnóstico de potencialidades, alternativas e oportunidades para o fortalecimento das cadeias produtivas regionais e facilitação do acesso a mercados internacionais.

Por Nathalia Garcia/Folhapress

Crise na Venezuela trava consenso no Mercosul e opõe Argentina e Brasil

           Menção a violações de direitos humanos no país de Maduro gera divergência no bloco.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) travou uma tentativa de Argentina e Paraguai de inclusão de críticas a violações de direitos humanos cometidas na Venezuela, num embate que impediu nesta sexta-feira (19) a conclusão do documento oficial do encontro do Mercosul em Foz do Iguaçu.

De acordo com interlocutores com conhecimento das discussões, sob condição de anonimato, as delegações dos governos de Javier Milei e de Santiago Peña quiseram inserir na declaração de líderes negociada pelo bloco sul-americano uma referência às violações de direitos humanos e à falta de democracia no país do ditador Nicolás Maduro.

Ambos os países são aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e têm apoiado a estratégia americana de aplicar pressão máxima contra o regime Maduro. Lula e a diplomacia brasileira, por outro lado, são críticos das ameaças bélicas de Trump contra a Venezuela e da mobilização militar dos EUA no Caribe.

O presidente brasileiro chegou a conversar por telefone com o republicano em um momento em que Washington vem fazendo uma mobilização militar sem precedentes na costa venezuelana sob o pretexto de enfrentamento a cartéis que enviam drogas aos EUA.

Quanto à divergência no texto do Mercosul, o Brasil entende que o tipo de linguagem defendida por Argentina e Paraguai não contribui para solucionar a crise na região e defende que é preciso ser cuidadoso para não legitimar uma possível intervenção estrangeira na Venezuela.

Interlocutores dizem ainda que a linguagem proposta por argentinos e paraguaios não deixa explícita a oposição do Mercosul às ameaças de intervenção dos EUA na América do Sul. Há a avaliação, no governo Lula, de que é preciso adotar um discurso que associe a América do Sul a uma região de paz.

Nesta sexta, Trump afirmou em entrevista à emissora NBC News que não descarta a possibilidade de uma guerra contra a Venezuela e que seu governo pode fazer novas apreensões de petroleiros próximos às águas do país latino-americano.

Os venezuelanos solicitaram a convocação de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a "agressão persistente" dos EUA contra o país.

Numa tentativa de se posicionar como um possível mediador da crise entre Venezuela e EUA, Lula voltou a conversar com Maduro —de quem havia se afastado desde as contestadas eleições venezuelanas de 2024. Para um auxiliar do presidente, a reconstrução de laços de confiança é importante caso o Brasil seja acionado a desempenhar algum papel de mediação na crise entre o regime de Maduro e de Trump.

Chanceleres de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e membros associados participaram nesta sexta da reunião do Conselho do Mercado Comum, que antecede a cúpula de chefes de Estado, em Foz do Iguaçu.

Com a divergência sobre os termos relacionados à crise na região, o encontro terminou sem acordo, e a negociação para o comunicado final será feita diretamente pelos líderes neste sábado (20).

Por Nathalia Garcia/Ricardo Della Coletta/Folhapress

EUA bombardeiam Síria em vingança contra Estado Islâmico após assasinato de americanos

Ofensivas atingiram combatentes, infraestrutura e depósitos de armas do grupo terrorista, disseram autoridades

Os Estados Unidos disseram ter atacado nesta sexta-feira (19) dezenas de alvos do Estado Islâmico na Síria em resposta a um atentado recente contra americanos no país. Autoridades do governo de Donald Trump disseram que a ação teve o objetivo de punir integrantes do grupo terrorista de alguma forma responsáveis pelo ataque ocorrido no último dia 13.


Trump havia prometido retaliação após a morte de dois soldados do Exército e de um civil, que trabalhava como interpréte, em uma emboscada na cidade síria de Palmira, no centro do país. Outros três militares ficaram feridos. Na ocasião, um integrante do Estado Islâmico atacou um comboio de forças americanas e sírias antes de ser morto a tiros, de acordo com autoridades.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou que os bombardeios atingiram combatentes do grupo terrorista, além de infraestrutura e depósitos de armas do grupo. A ação foi batizada de "Operação Hawkeye Strike".

Em declaração dura, Hegseth afirmou que a ofensiva não representa o início de uma guerra, mas sim um ato de vingança, dizendo que os EUA "caçaram e mataram" seus inimigos e que continuarão a fazê-lo.

De acordo com dois funcionários americanos mencionados pela agência de notícias Reuters que falaram sob condição de anonimato, os ataques foram feitos contra dezenas de alvos do Estado Islâmico espalhados pela região central da Síria.

A ofensiva faz parte de uma campanha contínua da coalizão liderada pelos EUA, que vem fazendo ataques aéreos e operações terrestres contra suspeitos do Estado Islâmico nos últimos meses, frequentemente com a participação das forças de segurança sírias.

Cerca de mil soldados americanos permanecem atualmente na Síria. O Ministério do Interior sírio informou que o autor do ataque em Palmira era integrante das forças de segurança do país, suspeito de simpatizar com o Estado Islâmico.

A Síria vive um momento político novo após a queda de Bashar al-Assad no ano passado, depois de 13 anos de guerra civil. O atual governo é liderado por ex-rebeldes e inclui membros de um antigo braço da Al Qaeda no país, que romperam com a organização e entraram em conflito com o Estado Islâmico.

Nesse contexto, Damasco tem cooperado com a coalizão liderada pelos EUA no combate ao Estado Islâmico, parceria que foi reforçada no mês passado, após a visita do presidente sírio Ahmed al-Sharaa à Casa Branca.

Por Folhapress
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Lei de nacionalidade que afeta brasileiros terá de ser reescrita pelo Parlamento de Portugal


Tribunal máximo considerou inconstitucionais trechos da legislação, aprovada inicialmente em outubro
O Tribunal Constitucional de Portugal acaba de devolver à Assembleia da República o texto da Lei da Nacionalidade, aprovada no último dia 28 de outubro, por julgar que havia artigos inconstitucionais. A lei agora voltará para os deputados, que terão que reescrevê-la e fazer uma nova votação —a qual, depois de ser novamente aprovada, deverá ser enviada para a sanção do presidente da República.

A nova lei dificulta a vida dos estrangeiros que moram no país lusitano e pretendem adquirir a cidadania portuguesa. Integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) —que inclui os brasileiros— e da Comunidade Europeia precisam comprovar sete anos de residência legal no país. Na lei anterior, a exigência era cinco. Para os demais estrangeiros, a norma é ainda mais restritiva. Eles só poderão pedir cidadania depois de dez anos morando legalmente em Portugal.

A nova lei também torna mais difícil que crianças nascidas de pais estrangeiros sejam registradas como portuguesas. O regramento anterior permitia que isso acontecesse caso um dos pais comprovasse um ano de residência legal em Portugal. Agora são necessários cinco anos.

As mudanças não se estendem, porém, à cidadania por ascendência. Filhos e netos de portugueses continuam tendo os mesmos direitos, mesmo que nunca tenham vivido em Portugal. Nessa área as regras ficaram mais brandas. Em determinadas circunstâncias, até um bisneto de portugueses pode pedir naturalização.

A proposta, apresentada pela Aliança Democrática, coligação de partidos de centro-direita que governa Portugal, foi aprovada com os votos do Chega, da ultradireita. No dia 19 de novembro, o Partido Socialista, de centro-esquerda, que votou contra a nova lei, pediu uma fiscalização preventiva ao Tribunal Constitucional.

Vários dos questionamentos reproduziam a posição do PS durante a discussão parlamentar. A sigla de centro-esquerda criticou a ausência de regras de transição. Muitos imigrantes com pouco menos de cinco anos de residência legal no país já estavam reunindo os documentos e contratando advogados para dar início ao processo e seriam prejudicados com a mudança abrupta da lei.

Outro ponto questionado era a contagem do tempo a partir do momento da oficialização da residência legal. Por morosidade da burocracia portuguesa, muitos imigrantes que já haviam apresentado todos os documentos exigidos estavam esperando havia até três anos por uma entrevista. Para os deputados do Partido Socialista, esse tempo deveria ser considerado na contagem para a nacionalidade, dado que a responsabilidade pela demora não era do imigrante, mas do governo.

O PS pediu também a análise de artigos dúbios, como o que impunha restrições a quem revelasse "comportamentos que revelem rejeição da comunidade nacional". Havia o temor que tal dispositivo interferisse na liberdade do imigrante de criticar o governo. Este foi um dos trechos considerados inconstitucionais.

O ponto mais polêmico era a punição, com perda de nacionalidade, dos que fossem condenados a pelo menos quatro anos de prisão. Apenas os que tivessem obtido nacionalidade há menos de dez anos seriam punidos. Isso geraria, na opinião de vários juristas, duas classes diferentes de cidadãos: os nascidos em Portugal e os naturalizados há menos de dez anos. Este artigo da nova lei também foi "chumbado", para usar a expressão corrente em Portugal.

A imigração tem sido assunto central no debate político em Portugal nos últimos meses. Em 16 de outubro, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa promulgou a Lei dos Estrangeiros, que acabou com a possibilidade de um imigrante se regularizar a posteriori depois de entrar no país com visto de turista. Agora é necessário o visto consular no país de origem. A Lei dos Estrangeiros também endureceu as regras para o reagrupamento familiar de imigrantes.

O tema tem surgido constantemente na campanha eleitoral que está em curso no país. O pleito que escolherá o novo presidente da República —que exerce o cargo de chefe de Estado; o chefe de governo é o primeiro-ministro— está marcado para 18 de janeiro. Entre os candidatos, André Ventura, do Chega, sigla da ultradireita, vem subindo o tom no discurso xenófobo.

Na ausência de um candidato forte à esquerda —o socialista Antonio Seguro virou meme ao dizer que não era socialista nem de esquerda—, o independente Henrique Gouveia e Melo, almirante que nasceu em Moçambique e passou a juventude no Brasil, tem aparecido como um porta-voz moderado da causa da imigração.

Por João Gabriel de Lima/Folhapress

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