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Impactos de fim da escala 6x1 dividem empresários, sindicatos e economistas
Enquanto avança em Brasília, o debate sobre os impactos do fim da escala 6x1 ainda divide economistas e empresários.
A PEC (proposta de emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho e adiciona um dia de descanso semanal, sem redução no salário, ainda precisa ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o que está previsto para ocorrer nesta quarta-feira (2).
A discussão ganhou um novo fôlego pouco mais de um mês antes das eleições, cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro. A medida é uma das bandeiras encampadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em busca da reeleição.
O petista tem associado o fim da escala 6x1 a mais disponibilidade de tempo para os trabalhadores ficarem com suas famílias, em um movimento para aumentar a pressão pela aprovação do projeto.
"Tem gente que joga contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, mas o nosso governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6x1, sem redução do salário", declarou o presidente em seu perfil no X (ex-Twitter).
Os articuladores políticos do governo, no entanto, já traçam um novo cenário para votação do projeto caso não seja possível resolver o assunto no Senado ainda nesta semana.
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, por sua vez, interrompeu as agendas de campanha e permaneceu em Brasília nesta terça-feira (1º), de onde acompanhou as articulações no Congresso em torno da proposta.
O senador fluminense evitou dizer como deve votar em relação ao fim da escala 6x1, mas reforçou que defende proposta alternativa à apoiada pelo governo Lula (PT). Segundo ele, o trabalhador deve ter liberdade para escolher a própria jornada.
O QUE DIZEM OS EMPRESÁRIOS?
Um posicionamento semelhante ao do senador do PL foi defendido pelo empresário Luciano Hang, das Lojas Havan, em um evento de inauguração em Caldas Novas (GO).
"Quer trabalhar oito horas sábado, domingo, feriado. Tem a folga, que vocês têm de ter. Vai da pessoa. A liberdade do trabalho é de vocês, não do Congresso Nacional", disse a funcionários.
Em suas redes sociais, Hang se defendeu de críticas e disse que o recorte em que aparece falando com os trabalhadores foi distorcido e tirado de contexto.
"Apenas dei minha opinião sobre uma pauta que está no Congresso e que impacta trabalhadores e, principalmente, pequenos empreendedores. Quem quiser trabalhar mais e ganhar mais, que possa. Quem quiser trabalhar menos e descansar mais, também."
A visão de Hang contrasta com outra fala, que também ganhou repercussão nas redes nos últimos meses, em uma reunião sindical realizada em São Paulo.
A empresária do setor de alimentos e bebidas Isabela Raposeiras defendeu a mudança da jornada de trabalho e destacou os benefícios da transição da tradicional escala 6x1 para o modelo 4x3 (de quatro dias de trabalho e três de descanso, como era defendido anteriormente na proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
"A priori eu sou a força contrária, dizem. Sou uma empresária do setor de alimentos e bebidas, do varejo de alimentos e bebidas, que é um dos mais complexos, é um dos que mais emprega na escala 6x1, funciona todos os dias, jamais fui 6x1, e agora sou 4x3. Produtividade é uma coisa, capacidade de produção é outra", disse a responsável pelo Coffee Lab, de São Paulo, afirmando que seu faturamento cresceu 35% com a escala menor.
"E a produtividade aumenta imensamente quando as pessoas são vistas, ouvidas, descansadas e bem tratadas. Porque o nosso principal ativo numa empresa é o nosso recurso humano. E o empresário que não entendeu isso ainda, não deveria ser empresário. Porque aqui eu represento mais de 10 mil empresários que estão a favor e já estão em outras escalas."
O texto aprovado na Câmara dos Deputados prevê que o direito a um dia mais de descanso passe a valer 60 dias depois da promulgação da emenda.
Primeiro, a redução da jornada semanal será de 44 horas, como é hoje, para 42 horas. Uma segunda e última fase define a redução para 40 horas e será aplicada 12 meses depois.
A oposição protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara, a maioria delas visando aumentar o período de transição ou garantir que o efeito da proposta não atinja quem trabalha na escala 12x36.
Representando os setores de comércio de bens, serviços e turismo, a CNC lançou uma campanha contra a votação e possível extinção da escala de trabalho. A entidade destaca a proximidade das eleições como fator de alarme para os associados e pede que a proposta não seja votada antes do pleito.
"A conta já está alta demais" é a temática principal da campanha. Nas peças de divulgação, também aparece o lema: "Mudança das regras do trabalho às vésperas das eleições? Agora não."
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, afirma que a discussão exige uma análise setor a setor. Ele diz que a redução de jornada feita no Chile em 2024 implicou aumento de informalidade, desemprego e inflação, além de queda de 1% a 3% no PIB (Produto Interno Bruto).
O presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores ) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah, rebate o argumento dos sindicatos patronais, de que a discussão deveria aguardar o término do processo eleitoral.
"Essa questão não caiu do céu. A redução para 40 horas está dada no Brasil desde 1917, na primeira greve que ocorreu aqui, não é por causa das eleições. A escala 6x1, sim, é mais recente, mas mesmo assim já tem mais de três anos de discussão", diz.
"Desde a Lei Áurea, os empresários sempre reclamaram de qualquer mudança, até no fim da escravidão. Essa questão colocada pela área empresarial é mais para marcar a posição deles, não representa o que pensa a sociedade", complementa.
Uma pesquisa Datafolha apontou que o apoio ao fim da escala 6x1 atingia 71% dos brasileiros, enquanto 27% acreditavam que não deveria; 3% não opinaram. As entrevistas foram feitas de 3 a 5 de março.
O QUE DIZEM OS ECONOMISTAS?
Há diversos argumentos pelo fim da escala 6x1, que vão de melhora na saúde mental e física dos trabalhadores a efeitos econômicos devido ao maior tempo de lazer.
Os principais argumentos contrários são econômicos e estão ligados aos impactos da redução da jornada no custo do trabalho para as empresas.
Alguns estudos apontam elevação de custos, eliminação de vagas formais e redução do PIB (Produto Interno Bruto).
Outras análises mostram que não haverá desemprego significativo e que a elevação das despesas poderá ser absorvida pelas empresas.
Um cálculo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), por outro lado, mostrou que a medida elevaria o custo da mão de obra em 7,84%. Esse percentual poderia ser absorvido pela economia sem impacto relevante no PIB, por se assemelhar ao custo da política de valorização do salário mínimo.
Outro estudo, do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), aponta que não é possível afirmar que a redução da jornada levaria necessariamente a perdas econômicas, porque parte da mudança pode ser compensada por aumento de produtividade, por exemplo.
O risco inflacionário é outro ponto de divergência. Para alguns economistas, a redução da oferta de horas trabalhadas, em um mercado com desemprego historicamente baixo, agravaria o desequilíbrio entre demanda e oferta, pressionando salários e preços.
Um cálculo da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) aponta que, com o fim da escala 6x1, os custos com mão de obra vão subir até 15%. A entidade estima uma queda de quase 600 mil horas de trabalho no ano e que, para isso, seria necessário contratar cerca de 288 mil novos trabalhadores como compensação.
Já o Dieese calcula que uma redução de 9,09% na jornada de trabalho (de 44 para 40 horas semanais) representaria um aumento da participação dos salários no custo das indústrias de transformação de 22% para 24%, variação sem impacto relevante sobre indicadores macroeconômicos.
Além disso, outro argumento é que haverá redução nos custos das empresas com vale-transporte, com vale-refeição e com afastamento de trabalhadores por motivo de saúde.
Uma série de reportagens da Folha mostra a experiência de algumas empresas que adotaram voluntariamente a escala 5x2. Na maioria dos casos, houve redução na rotatividade e aumento na procura por vagas de trabalho.
Um argumento a favor da mudança na jornada é que trabalhadores mais descansados produzem mais e melhor, além de terem mais tempo para estudar e se capacitar.
Nos últimos 30 anos, no entanto, a produtividade por trabalhador no Brasil ficou travada, o que leva entidades empresariais a questionar a viabilidade de a medida ser compensada por ganhos de eficiência.
Um estudo conduzido pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa e Paulo Peruchetti, do FGV/Ibre, aponta que menos horas de trabalho implicam, no curto prazo, menor produção por trabalhador e, portanto, perda de produtividade.
Em 2024 ela era equivalente a menos de um quarto, em termos de riqueza, do que é produzido por um par norte-americano, de acordo com dados do Conference Board.
O professor Naercio Menezes Filho, do Insper e da FEA-USP (Faculdade de Economia Aplicada da Universidade de São Paulo), com coautores, investigou os efeitos nas décadas de 1980 e 1990, quando a jornada de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.
Eles concluíram que não houve aumento de desemprego e que a probabilidade de saída do trabalho até diminuiu. A renda cresceu, e o bem-estar foi comprovado. "Não precisa ser economista para saber que uma pessoa que fica fora de casa por 10, 12 horas por dia, não tem tempo para a família", disse à Folha.
Já segundo cálculo do economista Daniel Duque, divulgado pelo CLP (Centro de Liderança Pública), diminuir a jornada sem cortar salário elevaria o custo do trabalho por hora, pressionando empresas a ajustar preços e trazendo desemprego.
Haveria redução de cerca de 638,7 mil postos formais, com impactos maiores em setores como construção, comércio e indústria de transformação, apontam os cálculos, feitos a partir de um estudo sobre o mercado de trabalho português.
"Em um país com produtividade mais baixa, uma redução de jornada pode até ser desejável do ponto de vista de bem-estar, mas o custo de transição tende a ser mais sensível se nada mais mudar", diz.
Por Douglas Gavras/Folhapress
UE suspende a partir de quinta-feira (3) importação de carne do Brasil
Bloco europeu cobra garantias sanitárias do país e questiona uso de antibióticos na pecuária
A União Europeia suspenderá a partir desta quinta-feira (3) a importação de carne bovina e de aves provenientes do Brasil, anunciou nesta segunda-feira (31) a Comissão Europeia. O bloco espera garantias sobre o cumprimento de suas normas sanitárias.
O Brasil foi retirado, em maio, de uma lista de países que cumprem as regras da UE sobre o uso de antibióticos na produção pecuária, em meio à pressão do setor europeu após a assinatura do acordo de livre comércio com os países do Mercosul.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento dessas normas.
A decisão foi assinada e publicada em junho pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a decisão que havia sido anunciada pelo bloco em maio.
"Brasil é um parceiro importante da UE e estamos trabalhando em estreita colaboração para garantir que cumpra esses requisitos. Assim que esse cumprimento for comprovado, as exportações para a UE poderão ser retomadas", afirmou uma porta-voz da Comissão Europeia à AFP.
Procurado pela AFP, o governo brasileiro não comentou imediatamente o anúncio. Em maio, porém, havia informado que "tomaria rapidamente" todas as medidas necessárias para reverter a exclusão.
As medidas da UE fazem parte de sua política de combate à resistência dos microrganismos aos medicamentos, buscando evitar o uso desnecessário de antibióticos.
"Não tem como competir"
As regras europeias proíbem o uso de antibióticos na pecuária para estimular o crescimento dos animais e também restringem antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em humanos.
Carlos Roberto dos Santos, pecuarista de Barretos, no interior de São Paulo, defendeu o uso de alguns desses produtos e afirmou que a medida tem, na prática, o objetivo de proteger os produtores europeus.
O antibiótico questionado por Bruxelas "é um promotor de crescimento. Ajuda a digerir o pasto para que o boi ganhe mais peso, não é para tratar uma doença", disse à AFP.
Segundo ele, "os custos de produção são muito mais altos lá. Um pecuarista europeu não tem como competir comigo". Se os governos europeus "importarem carne barata, vão acabar com a agropecuária de seus países", afirmou em sua propriedade em Barretos.
Em 2025, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a UE, com mais de 92 mil toneladas, avaliadas em mais de 713 milhões de euros.
A suspensão das importações também afeta ovos e mel, e o Executivo europeu não informou um prazo para uma eventual retomada.
No caso da carne de aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída nesta sexta-feira (4). Se os resultados forem considerados satisfatórios pela UE, as importações brasileiras poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas.
Para a carne bovina, porém, o prazo pode ser mais longo, devido à duração dos ciclos de produção, informou a Comissão Europeia.
O acordo comercial entre a UE e o Mercosul —formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai—, assinado em janeiro deste ano, entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio.
Por Folhapress
Comércio, serviços e turismo lançam campanha contra votação da escala 6x1 antes das eleições
PEC que reduz a carga horária do trabalhador nacionalmente deve ser votada na CCJ na quarta-feira (2)
A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) lança neste domingo (30) campanha contra a votação e possível extinção da escala de trabalho 6x1. A entidade que representa os setores destaca a proximidade das eleições como fator de alarme para os associados e pede que a proposta não seja votada antes do pleito.
"A conta já está alta demais" é a temática principal da campanha. Nas peças de divulgação, também aparece o lema: "Mudança das regras do trabalho às vésperas das eleições? Agora não".
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada semanal de trabalho e adiciona um dia de descanso semanal sem redução no salário avança no Senado e pode ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) nesta quarta-feira (2).
O governo Lula corre para que a aprovação aconteça antes da eleição, visando explorar a pauta durante a campanha.
Em comunicado, a confederação afirma que "a economia brasileira já enfrenta condicionantes severos" e evoca a possível extinção da taxa das nlusinhas, também em discussão, como "agravante na concorrência desleal para o varejo nacional" e "parte do pacote de aprovações em um período sensível em que interesses políticos atravessam escolhas econômicas".
A CNC ainda estima que 90% da mão de obra nos setores que representa atue no regime 6x1. A confederação afirma que poderá ser necessário repassar o peso financeiro da mudança para o consumidor final.
Ela ainda "apela aos senadores por sensatez e serenidade" e afirma que "não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador".
O senador Omar Aziz (PSD-AM) divulgou na quinta-feira (27) o relatório da PEC que reduz a jornada de trabalho e acaba com a escala 6x1. O congressista atendeu ao governo Lula e manteve o texto aprovado pela Câmara em maio.
Se aprovada pela CCJ, a PEC ainda precisará ser levada ao plenário do Senado, onde terá de receber o apoio de pelo menos três quintos (49 votos) dos senadores em dois turnos de votação antes de ser promulgada.
O texto aprovado na Câmara dos Deputados prevê que o direito a um dia mais de descanso passe a valer 60 dias depois da promulgação da emenda, quando também terá início a primeira de duas etapas na redução da jornada semanal, de 44 horas, como é hoje, para 42 horas.
A segunda e última fase, a redução para 40 horas, será aplicada 12 meses depois.
A oposição protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara. A maioria delas visava aumentar o período de transição ou garantir que o efeito da proposta não atinja quem trabalha na escala 12 por 36.
Apesar de as emendas terem sido rejeitadas pelo relator, a oposição ainda deve tentar alterar a proposta do governo. Além disso, senadores avaliam pedir vista, para atrasar a discussão do projeto na CCJ.
O avanço da pauta foi selado após reunião do presidente com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na última semana.
Há diversos argumentos pelo fim da escala 6x1, que vão de melhora na saúde mental e física dos trabalhadores a efeitos econômicos devido ao maior tempo de lazer. Os principais argumentos contrários são econômicos e estão ligados aos impactos da redução da jornada no custo do trabalho para as empresas.
Por Folhapress
Interior ganha impulso com agro, e produtividade do Brasil muda de endereço
Piauí, Maranhão, Tocantins e Mato Grosso registram saltos acima da média nacional 
A produtividade brasileira mudou de endereço. O motor do ganho de eficiência do país não roda mais nos tradicionais polos industriais, mas no interior do Brasil —empurrado pela força do agronegócio no Centro-Oeste e pelo avanço sobre novas fronteiras agrícolas, onde a desigualdade social também diminui.
Essa engrenagem vai muito além do campo. O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica: irriga o transporte, o comércio, a construção civil, a tecnologia, o crédito e o setor de serviços —responsável por cerca de 70% da economia nacional—, além de alimentar diretamente as cadeias industriais.
Quase 70% da produção agrícola nacional abastece a indústria de alimentos, que se tornou uma espécie de "supermercado" global, entre as maiores do mundo. O agro brasileiro é líder em produtividade.
No primeiro semestre, as exportações da indústria de alimentos somaram US$ 33 bilhões (R$ 170 bilhões), alta de 8,5% em receita e de 6,3% em volume em relação ao mesmo período de 2025. O resultado representou 18% das vendas externas no período, segundo a Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos).
O dinamismo contrasta com a perda de força da indústria tradicional, concentrada sobretudo no Sudeste. A participação da indústria de transformação no PIB caiu de 15,7% para 9,8% desde 1995, redução de 38%. Análise da consultoria MB Associados atribui a queda à perda estrutural de competitividade.
No agro, porém, estudo sobre a produtividade do trabalho nos mais de 5.500 municípios ajuda a dimensionar a mudança. Entre 2002 e 2019, a produtividade do país cresceu 18,7%. Na agropecuária, o avanço chegou a 80,1%; nos serviços, a 10,3%; e, na indústria, a apenas 5,4%. Alguns estados "decolaram".
O Piauí liderou o crescimento da produtividade, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86%, e o Tocantins, 69,7%. Em São Paulo, o aumento foi de apenas 1,2%; no Rio, de 4%.
Com isso, estados antes periféricos passaram a concentrar alguns dos maiores ganhos de eficiência. Mato Grosso é um dos símbolos dessa transformação, com crescimento nove vezes acima da média nacional nos últimos anos.
Levantamento da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) mostra que 94,8% dos produtores relatam dificuldade para contratar mão de obra, mesmo com os salários no agro tendo avançado 35,2% entre 2022 e 2025 —acima dos 24,8% da média de todos os setores.
Uma das razões é a migração de trabalhadores agrícolas para o setor de serviços.
"A produtividade do agro cresce agora além das fronteiras tradicionais. Hoje, o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional", afirma Alan Bueno, professor de economia na Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo que estima a produtividade do trabalho nos municípios brasileiros.
O levantamento de Bueno, em parceria com Diogo Ferraz, incorpora a informalidade, além do emprego formal, para estimar a produtividade e evitar distorções em regiões com grande número de trabalhadores sem carteira. Os dados vêm sobretudo da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), que capta o mercado formal, e da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
Segundo dados do IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social), a probabilidade média de as crianças brasileiras, quando adultas, estarem entre os 10% mais ricos é de 1,8%. No Centro-Oeste, ela chega a 2,86%. Em municípios como Sapezal (MT), visitado pela Folha há alguns anos, ela salta a 3,9%.
"Em muitas dessas cidades, a receita das prefeituras é alta e há um efetivo aproveitamento disso pelo setor público, com bons serviços em educação e saúde, o que favorece a mobilidade", diz Fernando Veloso, diretor de Pesquisas do IMDS.
O ex-ministro da Agricultura e professor emérito da FGV Roberto Rodrigues descreve o desenvolvimento dessas áreas assim: "Quem investe no agro acaba aplicando seu dinheiro na região em que está. Em vez de comprar um imóvel no Rio ou em São Paulo, constrói localmente. Os filhos dessas pessoas abrem escritórios de advocacia ou consultórios, e assim por diante. Há uma multiplicação de oportunidades", afirma.
Décadas de investimento em pesquisa e tecnologia adaptada às condições tropicais, lideradas pela Embrapa, ajudaram a construir uma agricultura competitiva no Brasil. O Valor Bruto da Produção Agropecuária foi estimado pelo Ministério da Agricultura em R$ 1,39 trilhão em julho.
Esse volume se espalha por uma extensa cadeia. Uma safra maior exige máquinas, fertilizantes, sementes, crédito e tecnologia. Depois da colheita, mobiliza transportadoras, armazéns, silos, ferrovias, portos e comércio. Também alimenta a indústria: soja vira óleo e ração; milho, alimentos e etanol; leite, derivados.
"A indústria de alimentos opera com escala e eficiência produtiva, investindo cada vez mais em tecnologia, logística e sustentabilidade", diz Cleber Sabonaro, gerente de Economia e Inteligência Competitiva da Abia.
"O grande desafio é transformar essa força em mais valor agregado, ampliar a presença nos mercados globais e reforçar a contribuição do Brasil na segurança alimentar mundial."
Para Rodrigues, no entanto, o Brasil falha ao deixar de abrir novos mercados, sobretudo para produtos alimentícios mais sofisticados —quando deveria fazer da questão uma "agenda de Estado".
Por Fernando Canzian/Folhapress
Presidente reúne o PIB brasileiro para uma conversa sobre economia
Entre os convidados estão o empresário Joesley Batista, da J&F; e os banqueiros André Esteves, do BTG Pactual; Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco; e Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou, para esta segunda-feira, um encontro com os principais nomes do empresariado e do sistema financeiro brasileiro em um jantar no Palácio da Alvorada. A reunião objetiva a abertura de um canal direto de diálogo entre o governo e representantes de peso do chamado PIB brasileiro.
Entre os convidados estão o empresário Joesley Batista, da J&F; e os banqueiros André Esteves, do BTG Pactual; Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco; e Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho de Administração do Bradesco. A conversa ocorre em um momento de intensificação do debate sobre os rumos da economia brasileira e permitirá a Lula apresentar diretamente ao setor privado sua visão para o próximo ciclo de desenvolvimento do país.
Empresariado
A realização do jantar reforça a estratégia de interlocução do presidente com diferentes segmentos da economia. Lula tem defendido uma política econômica baseada na combinação entre responsabilidade fiscal, crescimento, investimentos públicos e privados, reindustrialização e aumento da renda dos trabalhadores.
O presidente também vem afirmando que pretende transformar o Brasil em uma das economias mais ricas e poderosas do mundo, com maior investimento em ciência e tecnologia e agregação de valor aos recursos naturais brasileiros.
Nesse contexto, a participação dos grandes empresários é considerada fundamental para ampliar investimentos e acelerar projetos estratégicos.
Alvorada
A presença de André Esteves, Milton Maluhy e Luiz Carlos Trabuco dará ao encontro um peso especial no diálogo entre o governo e o sistema financeiro, em um momento em que as dívidas tomam a maior parte dos rendimentos de mais de 80% das famílias brasileiras, em um ambiente no qual os juros estratosféricos consomem a sobrevivência das pessoas.
Os três estão entre os nomes mais relevantes do setor bancário brasileiro e deverão ter a oportunidade de discutir diretamente com Lula temas relacionados à conjuntura econômica, crédito, investimentos e perspectivas para o país. Esteves, Maluhy e Trabuco também participaram recentemente de um encontro com Flávio Bolsonaro, ou filho ’01’ como também é conhecido o candidato do PL à Presidência da República.
O jantar no Alvorada, no entanto, integra a interlocução institucional de Lula com líderes empresariais e financeiros e deverá ter como foco as perspectivas econômicas e os desafios do Brasil.
Por Redação, com Reuters – de Brasília
Campanhas miram combate às bets de olho nas pesquisas e com discurso de proteção ao bolso do eleitor
Estratégia aparece em entrevistas e planos de governo de candidatos ao governo de São Paulo e à Presidência da República
Logo no início das campanhas eleitorais, as bets ganharam espaço nos discursos dos candidatos e capítulo nos planos de governo. A estratégia tem servido ao propósito de marcar posição diante de um fenômeno que aparece com destaque negativo em pesquisas de opinião e de confortar as inseguranças financeiras dos eleitores.As propostas mais radicais, como a de proibição geral das casas de apostas, costumam vir desacompanhadas de explicações sobre viabilidade ou efeito prático, e por isso são consideradas populistas pelo mercado de apostas.
Mas esse tipo de postura eleitoral tem um respaldo técnico. As casas de apostas são mencionadas em pesquisas sobre o eleitorado como nocivas e fortemente associadas ao endividamento, o que obrigou o tema a ganhar prioridade na agenda dos candidatos.
Apontadas como vilãs da renda, as bets retiraram R$ 62,5 bilhões das famílias brasileiras em 2025, segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz). A PF também tem feito operações que vinculam empresas a crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Nesta sexta-feira, 28, o Ministério Público Federal e a Receita Federal deflagraram a Operação Jogo de Sombras para desarticular um suposto esquema ligado ao grupo empresarial NSX, responsável por sites de apostas esportivas como Betnacional, Mr. Jackbet e PagBet.
As sondagens eleitorais têm indicado que não demarcar distância das empresas de apostas pode prejudicar na corrida por votos. A pesquisa Latam Pulse Brasil, elaborada pela AtlasIntel, indicou que 86,7% dos brasileiros enxergam as apostas online como nocivas à sociedade. E nesse grupo 63,2% afirmam que a atividade traz “somente prejuízos”, enquanto 23,5% entendem haver “mais prejuízos do que benefícios”.
A percepção negativa em alguma medida se converte para as campanhas. E os eleitores atribuem uma parte das responsabilidades aos candidatos. Uma pesquisa da More in Common em parceria com a Ipsos-Ipec apontou que 33% dos brasileiros acham que o governo Lula e o governo Bolsonaro são igualmente responsáveis pelo aumento das bets.
Já 18% dizem que a culpa é “mais de Lula”, contra 4% que apontam que é “mais de Bolsonaro”. A pesquisa mostrou também que 24% dos entrevistados disseram que teriam mais vontade de votar em um candidato que defende restringir bets.
Uma das conclusões da pesquisa foi a de que, do ponto de vista meramente político-eleitoral, Jair Bolsonaro (PL) acertou ao não encaminhar a regulação das bets. Uma lei de 2018, no governo de Michel Temer (MDB), legalizou as apostas online. A regulamentação só foi aprovada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2023. Nesse intervalo, as bets se popularizaram sem obrigações e sem recolher impostos.
A disputa de “batata quente” apareceu na campanha de São Paulo. Candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas (Republicanos) responsabilizou o adversário, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), pelo alastramento das bets.
“As pessoas estão endividadas, estão gastando o seu dinheirinho com as bets, que foram regulamentadas aí no governo Lula, pelo Haddad”, afirmou, em sabatina da Jovem Pan News.
Haddad devolveu a responsabilidade. “O governo Bolsonaro, do qual o atual governador Tarcísio de Freitas fazia parte, não estava nem aí pra saber o que estava acontecendo. Quem botou a mão na ‘cumbuca’ foi eu, como ministro da Fazenda. Quando eu vi o tamanho do buraco, eu já chamei de epidemia e disse: ‘é melhor proibir’. Não tem arrecadação que justifique o estrago que isso faz para a sociedade”, disse na sabatina à mesma emissora.
Para o coordenador do Centro de Estudos de Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV, Lauro Gonzalez, as bets entraram firme na agenda eleitoral porque se tornaram um fenômeno com tamanho impossível de ser ignorado.
Além disso, elas têm potencial de impactar a percepção geral sobre índices macroeconômicos que alcançaram patamares positivos, como crescimento real da renda e baixo desemprego.
“Uma série de analistas, eu inclusive, têm se surpreendido com o fato de os bons indicadores macroeconômicos do País não estarem apontando uma aprovação do governo maior do que a que tem. E nesse cenário duas coisas vêm à tona: superendividamento e bets. Não são a única explicação, mas minha percepção é que esses dois fatores jogam areia em dados positivos”, comentou.
Gonzalez destaca que o impacto das bets cresce em complexidade porque o endividamento é pior para as famílias com faixa de renda mais baixa. “Na baixa renda, a renda disponível é muito mais importante do que a renda bruta. E o endividamento e as bets drenam parcela da renda desse segmento”, frisou.
Todos os principais candidatos passaram a defender a proibição total ou pelo menos maiores restrições ao funcionamento das bets. A postura é criticada por representantes do mercado de empresas de apostas por classificarem a proposta como populista, que despreza possíveis efeitos negativos. Seria acabar com a oferta de serviços de empresas regulares, desconsiderando que existe uma sólida demanda, alegam.
O argumento do setor é o de que uma proibição levaria milhões de apostadores para o mercado ilegal, que não segue as regras da regulação e não recolhe impostos. Em 2025, o primeiro ano de funcionamento do mercado regulado de bets, o governo arrecadou delas cerca de R$ 9 bilhões.
O que os principais candidatos falam sobre bets
Com a proximidade do período eleitoral, o presidente Lula, candidato à reeleição, passou a subir o tom contra as bets. O petista tem defendido acabar com as empresas de apostas. “Se ninguém me mostrar uma razão social dessas bets continuarem, nós temos que acabar com elas”, disse, em entrevista no último dia 14.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), principal concorrente de Lula, é o único que evita falar abertamente sobre o tema, mas a campanha dele defende restrições.
“Ainda não tem uma posição definida sobre a proibição total, mas tem (posição) sobre a regulamentação ser revisitada e ser realmente uma regulamentação que proteja as famílias brasileiras”, afirmou o candidato a vice, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). “Eu, pessoalmente, acho que nós temos que dar um freio de arrumação absoluto nisso.”
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que as bets estão “empobrecendo” as pessoas. Ele não fala em proibição das empresas, mas promete “mão pesada” e duras restrições às propagandas. “As pessoas não têm dinheiro nem para cesta básica, tamanha essa dependência do jogo”, declarou durante o evento com o setor comercial, no dia 18.
O candidato Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, tem afirmado que acabar com as bets será seu primeiro ato de governo, se eleito. A medida, entretanto, depende do Congresso.
“É uma praga, é um câncer que nós temos hoje dentro do Brasil”, afirmou o presidenciável, na semana passada.
O candidato Renan Santos (Missão) disse que, embora tenha sido um liberal na forma de ver a economia, pretende interferir nas bets. Ele promete
“Garanto para você, vou acabar com as bets, absolutamente todas. O brasileiro está gastando dinheiro com besteira, e essas empresas estão sendo usadas para lavar dinheiro”, disse em vídeo nas redes sociais gravado em frente a endereço da Pixbet, empresa da Paraíba alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Por Vinícius Valfré/Estadão
Forbes divulga lista dos maiores bilionários do Brasil em 2026; veja quem são
Com uma fortuna estimada em R$ 162,9 bilhões, o cofundador do Facebook, Eduardo Saverin, lidera pelo quarto ano consecutivo a lista dos maiores bilionários do Brasil, divulgada pela revista Forbes na quinta-feira, 27.
Saverin tem 44 anos e é natural de São Paulo, mas mora em Singapura desde 2012. Ele cofundou o Facebook com seu colega de Harvard, Mark Zuckerberg, em 2004.
Hoje, a maior parte de sua riqueza ainda vem de sua pequena, porém valiosa, participação na Meta. Em 2015, Saverin lançou o fundo de capital de risco B Capital, que tem mais de US$ 12 bilhões em ativos sob gestão.
No mês passado, ele anunciou a criação do fundo de venture capital Ascent Fund III, que captou US$ 500 milhões para investir em startups de inteligência artificial com foco em saúde e energia na América do Norte e na Ásia.
Apesar de se manter na ponta do ranking, Saverin viu seu patrimônio cair 28,24% na comparação com o ano passado, quando sua fortuna foi estimada em R$ 227 bilhões. Segundo a Forbes, a queda está relacionada ao aumento da competição entre as empresas de IA, que provocou uma queda de cerca de 16% nas ações da Meta nos 12 meses até junho de 2026.
Em segundo lugar aparece Vicky Safra, viúva do banqueiro Joseph Safra e herdeira do Banco Safra, com um patrimônio de R$ 130,6 bilhões, o que representa um aumento de 8,38% em relação a 2025.
Vicky, que nasceu na Grécia e cresceu no Brasil, herdou cerca de metade da fortuna do marido, que chegou a ser o banqueiro mais rico do mundo. Os demais herdeiros são os filhos do casal: Jacob, Esther, Alberto e David. Em 2025, Jacob e David compraram a participação de Esther no banco.
A terceira colocação é ocupada por Jorge Paulo Lemann, cofundador da empresa de private equity 3G Capital, conhecida por seus investimentos na Anheuser-Busch InBev (AB InBev), a maior empresa cervejeira do mundo, e na Restaurant Brands International, controladora do Burger King e da Tim Hortons. O patrimônio dele é de R$ 103,5 bilhões neste ano - um acréscimo de 17,61% na comparação com o ano anterior.
Segundo a Forbes, o Brasil tem 255 bilionários em 2026, com uma fortuna combinada de R$ 1,86 trilhão. O valor corresponde a apenas 41,5% do patrimônio do fundador da SpaceX, Elon Musk, considerado a pessoa mais rica do mundo, com fortuna de cerca de US$ 870 bilhões (cerca de R$ 4,49 trilhões na cotação atual).
A maioria dos bilionários ficou ainda mais rica neste ano: dos 255, 151 aumentaram a fortuna no período, 77 perderam riqueza e 27 mantiveram o patrimônio.
A revista afirmou que considera várias fontes para elaborar a lista, mas que a informação mais importante são as ações listadas em bolsa, com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Segundo a Forbes, como o ranking considera apenas informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados.
Veja o top 10 dos maiores bilionários do Brasil em 2026
1. Eduardo Saverin
- Patrimônio: R$ 162,9 bilhões
- Variação: -28,24%
- Empresa: Meta/Facebook
2. Vicky Safra e família
- Patrimônio: R$ 130,6 bilhões
- Variação: +8,38%
- Empresa: Banco Safra
3. Jorge Paulo Lemann e família
- Patrimônio: R$ 103,5 bilhões
- Variação: +17,61%
- Empresa: AB InBev/3G Capital
4. André Santos Esteves
- Patrimônio: R$ 66,1 bilhões
- Variação: +29,61%
- Empresa: BTG Pactual
5. Fernando Roberto Moreira Salles
- Patrimônio: R$ 50,3 bilhões
- Variação: +25,12%
- Empresa: Itaú Unibanco/Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração
6. Pedro Moreira Salles
- Patrimônio: R$ 46,6 bilhões
- Variação: +22,63%
- Empresa: Itaú Unibanco/Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração
7. Max Van Hoegaerden Herrmann Telles
- Patrimônio: R$ 38,8 bilhões
- Variação: +32,42%
- Empresa: AB InBev/3G Capital
8. Miguel Gellert Krigsner
- Patrimônio: R$ 35,7 bilhões
- Variação: +4,39%
- Empresa: O Boticário
9. Carlos Alberto da Veiga Sicupira e família
- Patrimônio: R$ 35,4 bilhões
- Variação: -9,46%
- Empresa: AB InBev/3G Capital
10. Ricardo Castellar de Faria
- Patrimônio: R$ 35,1 bilhões
- Variação: +79,08%
- Empresa: Granja Faria
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Vorcaro afirma à PF que não corrompeu servidores do BC e volta a acenar com delação
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, durante depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, em Brasília
Em depoimento de quase quatro horas à Polícia Federal nesta sexta-feira (28), Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, disse que não houve ato de corrupção cometido por servidores do Banco Central investigados por receber pagamentos do ex-banqueiro.
Ele também voltou a acenar à possibilidade de fazer um acordo de delação premiada. Em nota, a defesa do ex-banqueiro afirma que ele externou "plena disposição de prestar esclarecimentos mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que lhe seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".
O depoimento começou por volta das 10h30. Segundo os advogados, Vorcaro "respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento".
"Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso."
"Foi finalmente assegurada a primeira oportunidade de se manifestar diretamente sobre alguns dos fatos investigados e de responder aos questionamentos e insinuações que vêm sendo levantados a seu respeito", disseram os advogados na nota. A equipe de defesa de Vorcaro é comandada atualmente por Sérgio Leonardo e Daniel Bialski.
Vorcaro, que está preso na chamada Papudinha, no Distrito Federal, falou no inquérito que trata de suspeitas sobre servidores do Banco Central investigados por receber pagamentos do ex-banqueiro.
Na investigação, são apuradas suspeitas sobre Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, e de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização.
Os dois servidores já afirmaram, por meio de suas defesas, que não adotaram medidas de favorecimento ao ex-banqueiro.
Segundo investigações, os servidores do BC são suspeitos de terem atuado como consultores informais de Vorcaro em troca de vantagens indevidas. A evolução patrimonial dos ex-gestores foi o gatilho para a abertura de uma investigação interna no BC.
O Banco Central decretou a liquidação do Master em 18 de novembro do ano passado. Hoje, os bens estão sob controle do liquidante designado pela autoridade. Os custos da quebra do banco superam os R$ 57 bilhões até o momento.
Por José Marques, Folhapress
Indústria diz que fim da taxa das blusinhas põe em risco 109 mil empregos e pede manutenção
O fim da taxa das blusinhas pode pôr em risco 109 mil empregos, segundo nota da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta quarta-feira (26). A entidade se posiciona contra o fim da alíquota por considerar que a medida tem o potencial de prejudicar setores da indústria.
Uma comissão mista para discutir a MP (medida provisória) da taxa das blusinhas deve ser instalada na próxima terça-feira (1º), após acordo do presidente Lula (PT) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A cobrança da taxa de 20% para compras de até US$ 50 (cerca de R$ 258) está suspensa desde maio, após medida provisória publicada pelo governo. Se a MP não for votada até o dia 8 de setembro, perderá validade. Com isso, a cobrança voltará a ser feita a menos de um mês do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
A taxação estava prevista no Programa Remessa Conforme, que estabelece regras específicas para empresas de comércio eletrônico que vendem produtos do exterior para consumidores brasileiros.
De acordo com a nota da CNI, brasileiros devem fazer mais compras de itens importados com a retirada da alíquota. Analistas da entidade avaliam que a produção doméstica perde R$ 3,11 para cada real gasto em encomendas de pequeno valor adquiridas em sites estrangeiros. Isso pode gerar a perda de R$ 21,8 bilhões para a indústria brasileira.
A estimativa foi feita com base nos dados de comércio exterior do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), em que analistas avaliaram dois cenários. Um deles tratou de como o programa Remessa Conforme teria se comportado se o imposto tivesse continuado. O cálculo usou uma combinação de produtos importados cuja trajetória era parecida com o programa.
A partir disso, fizeram um cálculo para entender como o programa teria se comportado se a taxa das blusinhas tivesse continuado até dezembro deste ano.
No outro, projetaram a evolução do Remessa Conforme sem o imposto. A diferença entre os dois cenários indica quanto das importações adicionais pode ser associado à retirada da alíquota de 20%.
O aumento das importações é aplicado à Matriz Insumo-Produto do Brasil, queestima quanto de produção e emprego na economia brasileira deixa de ser gerado em razão do aumento das compras de importados.
Ainda de acordo com a nota técnica, o impacto atinge, principalmente, a indústria de transformação –setor econômico que converte matérias-primas em produtos novos. Dois terços do efeito total recaem sobre esse segmento, já que boa parte dos produtos comprados pelo programa, como vestuário e eletrônicos, concorre mais diretamente com itens fabricados no Brasil.
O fim da taxa das blusinhas é uma aposta de Lula para a eleição. Após reunião com o presidente, Motta entregou a presidência da comissão especial que analisará a taxa das blusinhas para o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O mineiro faz parte da ala econômica do partido, e foi um dos articuladores da reforma tributária no Congresso.
A CNI já havia protestado contra o fim da alíquota em outras ocasiões. Logo após a decisão do governo de zerar o imposto, a CNI e outras entidades da indústria e do varejo criticaram a decisão, afirmando que a medida gerava uma concorrência desleal entre empresas nacionais e plataformas estrangeiras. Em maio, a entidade entrou com ação no STF contra a derrubada da taxa.
Em nota, a FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirma que a redução da alíquota já provocou forte crescimento das operações realizadas pelo programa Remessa Conforme em junho e julho.
A entidade diz que "qualquer alteração no modelo atual deve considerar os impactos econômicos de longo prazo e preservar a capacidade da indústria brasileira de competir, investir e gerar empregos".
Por Luany Galdeano/Folhapress
Governo fala em continuidade de serviços após falência da Oi
Após confirmação da falência da operadora de telefonia Oi, órgãos do governo afirmaram que estão acompanhando o processo e destacaram a continuidade de serviços apesar da decisão.
A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) afirmou que a decisão "assegura a continuidade da prestação dos serviços essenciais em uma fase de transição". Também acrescentou que está aguardando a integridade da decisão e que irá atuar junto às autoridades do processo "para assegurar uma transição ordenada e sem descontinuidade dos serviços".
O Ministério das Comunicações, por sua vez, destacou que a decretação da falência não implica em interrupção imediata dos serviços. Em nota, a pasta disse que também aguarda a decisão para analisar seus termos e impactos na prestação dos serviços de telecomunicações.
"Nos mercados onde há concorrência, a continuidade pode ser assegurada pelas demais operadoras", afirmou o texto do Ministério, que também disse estar em diálogo permanente com a Anatel.
Por Helena Schuster/Folhapress
Recuperação da Braskem pode afetar fundos, COEs e debêntures Por Ana Paula Branco/Folhapress
A recuperação extrajudicial da Braskem pode atingir não apenas bancos e grandes credores, mas também investidores que tenham exposição direta ou indireta à dívida da petroquímica.
O conselho de administração da companhia aprovou nesta segunda-feira (24) o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas. Segundo a Braskem, o processo terá escopo estritamente financeiro e não abrangerá compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais.
O Instituto Empresa, associação civil que atua na defesa de acionistas minoritários, afirma que a deterioração do crédito da companhia pode provocar perdas não apenas nos títulos diretamente sujeitos ao processo, mas também em produtos estruturados e fundos que tenham Braskem em suas carteiras.
Para a associação, o caso reforça a necessidade de transparência ativa por parte de bancos, corretoras, distribuidores, agentes fiduciários, administradores fiduciários e gestores.
"O investidor que comprou um produto apresentado como renda fixa precisa entender se, na prática, estava exposto ao risco de crédito de uma companhia altamente alavancada. A recuperação extrajudicial da Braskem não é apenas um evento corporativo: ela atinge a confiança no mercado de crédito privado e exige máxima transparência dos intermediários financeiros", afirma Nicole Berto, executiva do Instituto Empresa, em comunicado à imprensa.
Tire dúvidas sobre investimentos ligados à Braskem
O efeito da recuperação extrajudicial da Braskem sobre o investidor depende do produto que ele possui. Quem tem ações da companhia está em uma situação diferente de quem comprou uma debênture. E quem tem cotas de um fundo que investe em títulos da Braskem não é, juridicamente, credor direto da petroquímica.
TENHO BRASKEM NA CARTEIRA. VOU PERDER DINHEIRO?
O plano poderá alterar condições dos títulos, com possibilidade de alongamento dos prazos, períodos de carência, mudanças na remuneração, deságios ou outras formas de renegociação.
Além do eventual corte no valor a receber, o investidor pode sofrer com a perda de liquidez do papel. Um título pode continuar existindo, mas ficar mais difícil de vender ou ser negociado por um preço inferior ao seu valor anterior.
A própria deterioração do crédito já vinha afetando os papéis da companhia. Em junho, Fitch e S&P haviam rebaixado a Braskem após a adoção de medidas de proteção, e a Fitch classificou posteriormente a companhia em situação de inadimplência restrita.
O QUE ACONTECE COM MINHAS AÇÕES?
A recuperação extrajudicial não impede a negociação das ações na B3.
Segundo Guilherme Almeida, chefe de renda fixa da Suno Research, o acionista pode continuar negociando os papéis durante o processo, dentro do horário de negociação da Bolsa. O principal efeito tende a aparecer no preço da ação, que pode continuar refletindo a incerteza sobre a situação financeira e as perspectivas da companhia.
A Braskem já vinha sofrendo pressão no mercado. Nesta segunda-feira, após o anúncio da aprovação do pedido pelo conselho, as ações chegaram a recuar 6,9% nesta segunda.
QUAIS INVESTIMENTOS PODEM ESTAR EXPOSTOS?
Debêntures
São títulos de dívida emitidos pela própria Braskem. Entre as emissões para as quais o Instituto Empresa alerta estão BRKMA6, BRKMB6, BRKMA8 e BRKMB8.
As emissões quirografárias merecem atenção porque não contam com uma garantia real específica. Já a BRKMA7 possui garantia real e, por isso, sua situação deverá ser analisada separadamente a partir dos documentos da reestruturação.
O investidor deve verificar o código do ativo, e não apenas procurar pela palavra "Braskem" no nome da aplicação.
Bonds
São títulos de dívida emitidos no exterior. Parte do endividamento financeiro da petroquímica está concentrada nesses papéis.
Eles também podem aparecer indiretamente em produtos vendidos a investidores brasileiros.
COEs
Aqui a exposição pode ser menos evidente.
Segundo levantamento citado pelo Instituto Empresa, existem ao menos 78 emissões de COEs relacionadas aos bonds da Braskem.
Alguns desses produtos já tiveram vencimento antecipado durante a deterioração do crédito da empresa. Em determinadas emissões, o valor recuperado ficou entre 26% e 37% do capital originalmente investido, segundo o instituto.
Por isso, quem tem COE não deve olhar apenas o nome comercial do produto. É preciso consultar o Documento de Informações Essenciais para identificar os ativos de referência e as regras de vencimento antecipado.
CRAs
Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio também podem carregar risco da Braskem.
Um exemplo citado pelo Instituto Empresa é a 124ª emissão da Eco Securitizadora, originalmente estruturada em R$ 720,736 milhões e lastreada em direitos creditórios devidos pela petroquímica.
Em junho, a S&P classificou em "D (sf)" um CRA com risco de crédito da Braskem após a concessão de proteção cautelar à companhia.
Fundos
Fundos de crédito privado, renda fixa, multimercado e outros veículos podem ter debêntures, bonds, CRAs ou outros ativos relacionados à companhia.
Nesse caso, o efeito pode aparecer na marcação a mercado das cotas, na rentabilidade e na liquidez do fundo.
O cotista, em princípio, poderá solicitar o resgate de suas cotas conforme as regras do fundo. Mas é preciso verificar a política de liquidez e os prazos previstos no regulamento. Alguns fundos podem impor prazos maiores para resgate, especialmente em situações de estresse.
E SE MEU INVESTIMENTO FOI VENDIDO POR UM BANCO?
Isso não significa que o banco terá de devolver o dinheiro.
Debêntures, CRAs, cotas de fundos e outros instrumentos de crédito privado não têm a proteção ordinária do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). O mesmo vale para títulos captados no exterior.
O fato de um produto ter sido distribuído por uma instituição financeira, portanto, não transforma o investimento em uma aplicação garantida.
O Instituto Empresa defende que bancos, corretoras, distribuidores, gestores e demais intermediários informem claramente os investidores sobre a exposição ao risco de crédito da Braskem e sobre eventuais mecanismos de vencimento antecipado.
O QUE O INVESTIDOR DEVE FAZER AGORA?
A primeira providência é descobrir se existe exposição à Braskem e qual é o tamanho dela.
O investidor deve verificar:
- extratos de corretoras e bancos
- carteira dos fundos
- códigos das debêntures
- Documentos de Informações Essenciais dos COEs
- lâminas e regulamentos dos fundos
- documentos de suitability;
- termos de adesão
- comunicações enviadas pelas instituições financeiras
Também é recomendável guardar documentos e materiais usados na venda do produto.
O Instituto Empresa recomenda ainda acompanhar os fatos relevantes da Braskem, os documentos apresentados no processo, comunicados de agentes fiduciários e securitizadoras e eventuais assembleias de investidores.
ONDE O INVESTIDOR DEVE PROCURAR AS INFORMAÇÕES?
Quem possui ações pode acompanhar os comunicados da Braskem no site de relações com investidores da companhia e os documentos divulgados ao mercado.
Quem possui debêntures deve também acompanhar as comunicações do agente fiduciário da emissão.
No caso dos fundos, o caminho é consultar os comunicados do administrador e do gestor, além da composição da carteira e dos documentos do fundo.
Para COEs, é importante verificar o Documento de Informações Essenciais e as condições específicas do produto, principalmente as cláusulas relacionadas a eventos de crédito e vencimento antecipado.
O QUE ACONTECE AGORA?
A Braskem pretende usar a recuperação extrajudicial para criar um ambiente de negociação com os credores e reestruturar as dívidas financeiras. A empresa tem até 90 dias para formalizar o plano final de reestruturação e buscar a adesão necessária dos credores.
A composição das classes de credores será importante para definir o poder de negociação de cada grupo. Os bondholders internacionais concentram a maior parcela da dívida, enquanto investidores locais em debêntures, CRAs e instrumentos híbridos representam parcelas menores.
Por Ana Paula Branco/Folhapress
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