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Governador Jerônimo Rodrigues anuncia medida para reduzir preço do diesel

O governador Jerônimo Rodrigues anunciou nesta segunda-feira (30) que a Bahia vai aderir ao esforço fiscal proposto pelo governo federal para conter a alta do diesel, fortemente impactado pela guerra no Oriente Médio. Desta forma, o Estado arcará com sua parte na política de estabilização, dividindo com o governo federal o subsídio de até R$ 1,20 por litro do diesel importado. Com isso, caberá à União o pagamento de R$ 0,60 por litro, enquanto o Estado assumirá os outros R$ 0,60
Desde o início da crise internacional, o Governo da Bahia tem atuado em sintonia com as medidas federais para reduzir os impactos sobre trabalhadores diretamente afetados pela alta dos combustíveis. “Determinei que a Bahia participe desse esforço, assumindo metade do custo da subvenção, em alinhamento com o governo do presidente Lula e com o compromisso de proteger a economia da nossa população”, afirmou o governador.

A adesão à proposta ocorre após a União apresentar uma alternativa à isenção do ICMS sobre a importação do diesel, diante de entraves legais. Para Jerônimo, a solução construída é viável e necessária diante do cenário atual. “Estamos em condições de dar essa contribuição, que é um esforço fiscal responsável para proteger a economia popular e garantir o abastecimento”, reforçou.

Além da adesão à subvenção, o Estado também vai intensificar a fiscalização sobre a cadeia de distribuição e comercialização de combustíveis, com o objetivo de coibir práticas abusivas e assegurar que a redução chegue efetivamente ao consumidor final.
Fotos ilustrativas: Feijão Almeida/GOVBA

Governo do Estado apresenta balanço de operação em postos e distribuidoras de combustíveis na Bahia

O Governo do Estado apresentou, nesta terça-feira (31), o balanço das operações de fiscalização no setor de combustíveis, realizadas entre os meses de janeiro e março de 2026 em postos e distribuidoras na Bahia. Durante o encontro, foram detalhadas as ações conjuntas da operação 'De Olho no Preço 2026', realizadas com o objetivo coibir irregularidades, garantir a qualidade dos combustíveis comercializados e proteger os direitos do consumidor baiano.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, destacou a importância das operações para assegurar relações de consumo mais justas no estado. "O governo federal já adotou medidas para administrar e reduzir o impacto no mercado interno. A gente assiste a um aumento abusivo com números superiores a aquele justificado pela aquisição de produtos em valor superior ao que estava sendo praticado antes e isso é uma prática ilegal que deve ser observada com reforço", disse.

No total, 273 postos de combustíveis foram fiscalizados na Bahia, com 111 sendo notificados diretamente pelo Procon-BA. O levantamento foi feito tanto em Salvador e Região Metropolitana, quanto com interior do estado, com 25 municípios no radar e destaque para Ilhéus, Vitória da Conquista, Barreiras e Juazeiro. A fiscalização, por sua vez, passou por notificações em três etapas, sendo elas na refinaria, nas distribuidoras (10 empresas) e nos postos.

O superintendente do Procon-BA, Tiago Venâncio, apresentou os números das ações realizadas, incluindo a quantidade de postos fiscalizados e os principais resultados identificados. Segundo ele, já houve, até o momento, autuação em 40 revendedores. "O Procon está vigilante e estará adotando as medidas rigorosas para punir esses fornecedores que insistem em lesar o consumidor", alertou.

Já o subsecretário de segurança pública, Marcel de Oliveira, ressaltou a importância de uma operação integrada, com o objetivo de combater todo e qualquer tipo de crime que permeie a distribuição, o transporte, a venda e a comercialização do combustível. "A Polícia Civil, atenta a esse movimento, vem trabalhando de forma integrada para levar as investigações a frente e demonstrar, com provas e também na parte científica, além do apoio dos órgãos que emitem esses laudos, de que esse tipo de crime está acontecendo", afirmou.

Caso o consumidor identifique irregularidades no consumo dos combustíveis, deve fazer a denúncia por e-mail (denuncia.procon@sjdh.ba.gov.br), pelo site (ba.gov.br) ou pelo telefone (71 3235-0000, para a capital; disk 181, para o interior do estado).

Repórter: Vagner Ferreira/GOVBA

Lei reestrutura carreiras no Executivo e cria mais de 24 mil cargos

Esplanada dos Ministérios
Mais de 200 mil servidores do Executivo Federal terão as carreiras reorganizadas, com a criação de mais de 24 mil cargos para professores e técnicos. A Lei 15.367/2026, publicada nesta terça-feira (31) no Diário Oficial da União, consolida mais de 20 temas relacionados à gestão de pessoas e às relações de trabalho no serviço público federal.

De acordo com o Ministério de Gestão e Inovação, é a maior reestruturação de carreiras do Executivo federal em um mandato.

O objetivo é racionalizar estruturas administrativas. Para isso, 1.392 cargos vagos foram transformados em 428 novos cargos efetivos, sem aumento de despesa.

O impacto orçamentário está estimado em até R$ 5,3 bilhões em 2026. O valor está previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano e corresponde a cerca de 1,5% das despesas com pessoal previstas pelo Executivo federal.

Principais pontos da Lei 15.367/2026:

reestruturação de carreiras no Executivo Federal;
200 mil servidores impactados;
mais de 24 mil cargos criados;
implantação de uma carreira transversal (Analista Técnico do Poder Executivo);
reorganização e modernização de cargos existentes;
transformação de cargos considerados obsoletos.
Carreira
Uma das bases da nova legislação, no âmbitos do MGI, é a criação da carreira de analista técnico do Poder Executivo Federal, de nível superior, destinada ao suporte técnico e administrativo às políticas públicas. Além disso, a medida reorganiza 66 cargos hoje dispersos em diferentes planos e prevê a criação de 1,5 mil cargos de nível superior.

Educação
A norma também cria o Plano Especial de Cargos do Ministério da Educação, que reorganiza a estrutura de cargos em torno de funções mais alinhadas às políticas educacionais, promovendo maior racionalidade administrativa sem ampliação de despesas.

Também está autorizada a criação de 13.187 cargos de professores e 11.576 cargos de técnicos administrativos em educação, com ocupação gradual. A medida fortalece a rede federal de ensino, amplia a oferta educacional e contribui para a interiorização da educação profissional e tecnológica no país.
Por Agência Brasil

Saiba quem deve declarar Imposto de Renda em 2026

A resposta passa por diversos critérios que envolvem ganhos
O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda para pessoas físicas já iniciou. E é claro que algumas questões começam a aparecer. Uma das primeiras é: quem precisa declarar o imposto de renda? A série Tira-Dúvidas do IR, produzida pela Radioagência Nacional, responde para você.

A resposta passa por diversos critérios que envolvem ganhos, patrimônio e gastos no ano de 2025. A instrução normativa da Receita Federal lista 12 critérios que podem definir a obrigatoriedade na hora de declarar.

>> Veja quem é obrigado a declarar IR:
Rendimentos tributáveis: quem recebeu mais do que R$ 35.584,00 em valores que precisam de ajuste de imposto
Atividade rural: quem recebeu R$ 177.920,00 no ano
Aqueles que receberam rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte superior a R$ 200.000,00
Possuíam, em 31/12/2025, bens ou direitos de valor total superior a R$ 800.000,00
Optaram pela isenção do imposto sobre o ganho de capital de venda de imóveis residenciais
Possuem bens, direitos ou entidades controladas no exterior conforme legislação vigente
Quem passou à condição de residente no Brasil no ano de 2025.

Documentos para declarar o IRPF2026
Apesar de a declaração pré-preenchida ter reduzido essa exigência, é importante ter alguns comprovantes em mãos, como informes de rendimentos, notas fiscais de despesas médicas, comprovantes de gastos com educação, documentos de bens, como carros, imóveis e aplicações, além, claro, dos documentos pessoais, como CPF e comprovante de endereço.

Mas e se você não tiver todos os documentos?

"Uma alternativa é utilizar a declaração pré-preenchida. Utilize a pré-preenchida e solicite os comprovantes necessários para o preenchimento. Caso ocorra alguma divergência, faça a retificação. Assim você garante que a declaração enviada seja retificada com o ajuste necessário para não sofrer aí as implicações da malha fina", explica o professor da Faculdade Anhanguera, José Aparecido Ornelas.

O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 vai até o dia 29 de maio.

Saiba onde baixar o aplicativo
Em 2026, o contribuinte tem as seguintes opções para realizar e entregar a declaração:

Pelo programa gerador de declaração;
Pelo aplicativo "Meu Imposto de Renda" para celular;
Pelo site da Receita Federal.
Vale apontar que é importante ficar atento onde baixar os programas e aplicativos para a declaração.

Leyberson Pedrosa, apresentador do podcast Ajudante Digital da EBC, lista algumas dicas para você não cair em golpes relacionados à declaração:

- "Se for usar o programa gerador de declaração do Imposto de Renda no computador, você baixa o programa somente pelo site oficial da Receita Federal, que está disponibilizado no endereço: gov.br/receitafederal, tudo junto".

- "Prefira digitar o endereço direto lá na barra de navegação do seu browser; Confira se aparece o cadeado ao lado do endereço, isso é uma garantia que a conexão é segura, e não clique, em hipótese alguma, em links enviados por fontes desconhecidas."

- "Não vai baixar ou instalar o programa em computadores públicos ou desatualizados, porque eles podem estar comprometidos com um vírus ali escondido."

- "Também dá para acessar pelo aplicativo oficial da Receita Federal. Na hora de instalar, confere lá na loja de aplicativos se o desenvolvedor é o 'Serviços e Informações do Brasil', que é a conta oficial de aplicativos do Governo do Brasil. A Receita Federal e o Centro de Prevenção a Incidentes Cibernéticos do Governo já identificaram apps falsos com 'cara' de Imposto de Renda sendo anunciados em propagandas pagas, como se fossem reais. Aí você foge, que é cilada."

- "Utilize somente os aplicativos e serviços oficiais da Receita Federal. Dessa forma, você fará a declaração sem surpresas desagradáveis."

Série Tira-Dúvidas do IR
A série Tira-Dúvidas do IR chega à sua edição de 2026 com 22 episódios que serão exibidos na Rádio Nacional e estarão disponíveis na Radioagência Nacional e Agência Brasil. Os episódios serão publicadas todas as segundas e sextas-feiras.

Vamos falar sobre as mudanças nas regras da Receita Federal, explicar sobre as formas de declaração e dar dicas pontuais. Você sabe se precisa mesmo declarar Pix, se a isenção de R$ 5 mil já está valendo ou mesmo a ordem da restituição? A gente explica. E não para por aí. Assim como no ano passado, a série também vai verificar e desmentir fake news relacionadas à declaração.

O Tira-Dúvidas do IR venceu o Prêmio Nacional de Educação Fiscal em 2024 e o repórter Edgard Matsuki foi escolhido entre os 50 jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças em 2025.

A série tem, ainda, produção de Marizete Cardoso e edição de Beatriz Arcoverde e coordenação de Bruna Athayde.

Por Agência Brasil

Negociações da OMC travam com impasse entre Brasil e EUA sobre moratória de tarifas para comércio eletrônico

Brasil enfrenta países que buscam estender moratória sobre tarifas alfandegárias para transmissões eletrônicas, como downloads digitais
As negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio) estão travadas, enquanto o Brasil enfrenta os Estados Unidos e vários outros países que buscam estender uma moratória sobre tarifas alfandegárias para transmissões eletrônicas, como downloads digitais, disseram diplomatas neste domingo (29).
As negociações para prorrogar a moratória —que expira em março— por quatro anos, além de um ano adicional de "buffer" até 2031, estão emperradas, embora um pacote mais amplo de reformas pareça próximo de um acordo, disseram à Reuters um diplomata sênior e outros dois diplomatas.

As conversas, realizadas em uma reunião da OMC em Camarões, incluem esforços para reduzir as divergências entre EUA e Brasil sobre a extensão da moratória do comércio eletrônico, adotada pela primeira vez em 1998 para incentivar o crescimento do comércio digital.

Desde 1998, a OMC adota uma regra que proíbe taxas sobre "transmissões eletrônicas" (ou serviços entregues de forma digital). Isso equivale a desenvolvedores de softwares, serviços de streamings e em nuvem. A proposta em pauta é a prorrogação da atual isenção, que expira em 30 de junho de 2031.


O Brasil e outros países em desenvolvimento discutem com os EUA a renovação da isenção. Enquanto os EUA pressionam por um acordo permanente para garantir segurança jurídica e evitar barreiras ao comércio digital, o Brasil defende prorrogações temporárias. A posição do país é de que a isenção automática limitaria o espaço fiscal e a capacidade de formulação de políticas industriais tecnológicas pelos países em desenvolvimento.

No que é visto como um teste da relevância da OMC, após um ano de turbulência comercial alimentada por tarifas e grandes disrupções devido à guerra no Irã, três diplomatas disseram à Reuters que os ministros estão travados na extensão da moratória por mais de dois anos, após objeções do Brasil.

Washington inicialmente impôs tarifas de até 40% no ano passado. Desde então, elas caíram para 10% em alguns setores, 25% para o aço e zero em outras áreas.
IMPASSE NO COMÉRCIO ELETRÔNICO

"Os EUA queriam o céu", disse um diplomata brasileiro à Reuters, acrescentando que o Brasil quer agir com prudência ao renovar a moratória por dois anos, como vinha sendo feito em conferências ministeriais anteriores.

Diplomatas trabalharam ao longo de todo o domingo para reduzir as diferenças entre Brasil e EUA. No início da semana, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse que Washington deseja uma extensão permanente, enquanto a Índia afirmou que apoiaria uma prorrogação de dois anos.

Um rascunho de documento visto pela Reuters propõe apoio a países em desenvolvimento preocupados com a perda de receitas tributárias, além de uma cláusula de revisão.

Líderes empresariais afirmam que a prorrogação é vital para garantir previsibilidade, temendo que, caso contrário, tarifas possam ser introduzidas. A medida também é vista como fundamental para assegurar o apoio dos EUA à OMC.

PROJETO DE REFORMA GANHA CORPO

Após resistência inicial por parte de alguns membros da OMC, uma nova versão preliminar do roteiro de reformas, vista pela Reuters, que fornece um cronograma para o progresso e define as principais questões a serem abordadas, está perto de ser acordada, disseram três diplomatas.

Essas questões incluem aprimorar a tomada de decisões em um sistema baseado em consenso, que há muito tempo é prejudicado por alguns poucos países, e as vantagens comerciais estendidas aos países em desenvolvimento.

O debate sobre a reforma surge em meio a esforços para reformular as regras da OMC, tornando o uso de subsídios mais transparente e facilitando a tomada de decisões. Os EUA e a União Europeia argumentam que a China, em particular, tem se aproveitado das regras atuais.

A inclusão nas regras da OMC de um acordo alcançado por um subconjunto de membros com o objetivo de impulsionar o investimento em países em desenvolvimento também continua bloqueada pela Índia.

Por Olivia Le Poidevin e Lisandra Paraguassu, Folhapress

Appian e Atlantic Nickel dão início a exploração subterrânea em Itagibá

A Appian Capital Advisory Limited, consultora de investimentos para fundos privados de capital de longo prazo focados em valor, e Atlantic Nickel, ativo do grupo produtor de níquel sulfetado, marcaram hoje o início dos trabalhos preliminares para a transição subterrânea na mina Santa Rita, na Bahia. O atingimento dessa meta foi marcado com desmonte de rochas inaugural para abertura do primeiro portal de acesso Sul. O marco inaugural do novo projeto sinaliza o início oficial das atividades de desenvolvimento subterrâneo na Mina Santa Rita, conhecido como Projeto Underground, com o avanço sobre uma jazida presente no subsolo, de teor mais elevado, estendendo a vida útil inicial de oito anos da operação no município de Itagibá, no Sul da Bahia para mais de 30 anos.
“A abertura do Portal Sul marca o alcance de uma importante etapa para a Atlantic Nickel e reforça nossa forte convicção no potencial de longo prazo desse ativo. A transição para a mineração subterrânea prolongará significativamente a vida útil da mina, permitindo uma recuperação mais eficiente de recursos e reduzindo nossa pegada ambiental superficial. Essa próxima fase posiciona a Atlantic Nickel como uma operação de níquel de alta qualidade e longa duração, apoiando a crescente demanda global por minerais críticos produzidos de forma responsável’, afirma Milson Mundim, Country Manager da Appian Brazil.
O projeto utilizará o método de produção subterrânea conhecido como sublevel caving, uma abordagem comprovada implementada em grandes minas na Suécia, África do Sul e Austrália. O método foi selecionado para aumentar a recuperação de recursos mantendo a capacidade de produção com impacto superficial mínimo. A tecnologia apoia a exploração em profundidades significativas ao empregar um sistema controlado de quebra e manuseio de rochas, garantindo alta produtividade e segurança operacional. O método também é idealmente adaptado às condições geológicas do depósito, otimizando eficiência e segurança durante todo o processo de extração. Espera-se que o método sublevel caving reduza os impactos ambientais em comparação à mineração a céu aberto, limitando poeira, ruído e distúrbios na superfície, mantendo o desempenho da produção.
Desde a retomada em 2019, a Atlantic Nickel tem operado uma mina a céu aberto com capacidade de processamento de cerca de 6,6 milhões de toneladas de minério por ano. Desde 2020, exportou mais de 632.000 toneladas de concentrado de níquel para Canadá, China e Finlândia em mais de 50 embarques.

Em 2024, a Atlantic Nickel realizou seu Estudo de Pré-Viabilidade (“PFS”) para a expansão subterrânea da mina. O PFS reforçou ainda mais a confiança da Appian no projeto, delineando uma mina com o potencial de perdurar durante décadas com uma taxa anual de produção anual mais alta, de 30.000 toneladas de níquel equivalente (NiEq) por ano, com baixa intensidade de capital e uma estrutura de custos competitiva. A Atlantic Nickel está avançando nesse cenário por meio do DFS em andamento, com trabalhos preliminares de desenvolvimento ocorrendo em paralelo.
Compromisso com meio ambiente

A  Appian Capital Brazil e a Atlantic Nickel mantêm um compromisso contínuo com a preservação ambiental nas regiões onde atuam, especialmente na Mata Atlântica no entorno das operações da mina Santa Rita, na Bahia. Desde 2018, a companhia já promoveu, através do seu Programa de Recuperação e Proteção da Fauna e Flora, a revegetação de mais de 337 hectares do bioma, com o plantio de mais de 258 mil mudas nativas de 92 espécies, além de ampliar a produção de mudas em seu viveiro. As iniciativas também incluem o monitoramento de 397 espécies de flora e cerca de 411 espécies da fauna silvestre, realizado por meio de acompanhamento técnico e câmeras na região. No campo da gestão ambiental, a operação conta ainda com circuito fechado que reaproveita cerca de 85% da água utilizada no processo produtivo, além de estruturas de tratamento de água e efluentes para reduzir impactos ambientais. Complementando essas ações, o Centro de Triagem de Materiais (CTR) da companhia promove a economia circular, com taxa média de reciclagem de 90% dos resíduos, além de destinar materiais a associações de catadores, contribuindo para a geração de renda local.

A mina de níquel Santa Rita (“Atlantic Nickel” desde o segundo trimestre de 2019, anteriormente conhecida como Mirabela Mineração do Brasil) é uma mina de níquel sulfureto (“NiS”) em operação a céu aberto, localizada no estado nordeste brasileiro da Bahia. Appian adquiriu a mina em 2018, otimizou o projeto da mina, reformou as instalações de processamento e reiniciou as operações com sucesso em 2019. As operações atuais envolvem mineração a céu aberto e um concentrador com capacidade de aproximadamente 6,5 milhões de toneladas por ano, produzindo um concentrado de sulfeto de níquel. O concentrado também contém subprodutos, incluindo cobre, cobalto, platina, paládio e ouro. Em 2024, Santa Rita processou 6,6 milhões de toneladas (Mt) de minério a céu aberto, produzindo 31,8 milhões de libras de níquel, 10,1 milhões de libras de cobre e 0,6 milhão de libras de cobalto em concentrados.
Fonte: Giro Ipiaú

TCU pede que Caixa retire sigilo de documento sobre eventual federalização do BRB

Banco federal disse que não tem interesse em comprar carteiras de crédito de instituição do DF, mas pediu restrição a informações
O TCU (Tribunal de Contas da União) deu prazo de cinco dias para que a Caixa Econômica Federal reavalie a classificação de sigilo sobre documentação que trata de estudos e tratativas para uma eventual federalização do BRB (Banco de Brasília). Os papéis foram entregues ao órgão de controle.

O pedido se estende ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

No despacho, o ministro relator do caso, Bruno Dantas, disse que o prazo não pode ser prorrogado e que os bancos precisam apresentar justificativa específica para a manutenção do sigilo, indicando o fundamento concreto da imposição da classificação.

Dantas afirmou que a usência de manifestação no prazo estipulado ou a manutenção de justificativas genéricas serão interpretadas como anuência das instituições à reavaliação e à eventual reclassificação da restrição de acesso às informações.

Procurada, a Caixa ainda não respondeu ao pedido de informações da Folha. O BNDES afirmou manter relação colaborativa com o TCU e disse que não realizou nenhum estudo referente à federalização do BRB.

"A política operacional do BNDES veda o apoio a investimentos e gastos de qualquer natureza a bancos, caixas econômicas e agências de fomento", disse em comunicado.

Segundo pessoas a par do tema ouvidas pela reportagem, a Caixa informou ao TCU que recebeu, no dia 28 de novembro de 2025, pedido de manifestação de interesse do BRB em realizar a venda de carteiras de crédito ao banco federal.

O pedido foi feito logo após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 17 de novembro, e a troca de comando do BRB no rastro da operação Compliance Zero. A operação resultou na prisão, pela primeira vez, de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Alvo das investigações da Polícia Federal, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Cardoso foi retirado do cargo.

No seu lugar, assumiu o ex-presidente da Caixa Nelson Souza, que tenta uma saída para o banco após as perdas com a compra de carteiras fraudulentas do Master. A crise no BRB exige um novo aporte de capital do governo do Distrito Federal, que ainda não foi feito.

De acordo com informações prestadas pela Caixa ao TCU, após o início de tratativas e um processo de análise das carteiras, o banco federal respondeu que não tinha interesse em dar seguimento ao processo.

O Banco do Brasil, outra instituição procurada pelo BRB, respondeu que não tinha interesse na federalização e não pediu sigilo sobre a informação do TCU. O BNDES pediu que os dados ficassem sob reserva.

No final de fevereiro, Bruno Dantas deu prazo de 15 dias para Ministério da Fazenda, Caixa, BNDES e Banco do Brasil prestarem esclarecimentos sobre eventuais estudos, documentos e tratativas para uma federalização do BRB.

Na época, reportagem da Folha revelou que a possibilidade de federalização passou a ser considerada nas negociações após o envolvimento do banco do governo do Distrito Federal no escândalo do Master.

Além de comprar carteiras de crédito fraudadas do Master, o BRB participou de uma tentativa fracassada de aquisição do banco de Daniel Vorcaro. Agora, enfrenta dificuldades para cobrir o prejuízo gerado.

Por Adriana Fernandes, Folhapress

Fiscalização aponta que Vibra elevou preço do diesel 35 vezes acima do custo

             Empresa diz que análises 'não refletem integralmente a formação de preços'

Vibra Energia, ex-BR Distribuidora, está entre as 11 distribuidoras alvos de fiscalização da ANP e Senacon

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora e ex-controlada da Petrobras, foi autuada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) após elevar o preço do diesel em cerca de R$ 1,06 por litro, enquanto seu custo subiu R$ 0,03 no período. A diferença, de cerca de 35 vezes, foi considerada um forte indício de prática abusiva. A empresa nega irregularidades.

A reportagem teve acesso ao auto de infração que foi aplicado contra a distribuidora, a maior do país, com participação próxima de 22% do mercado e presença em milhares de postos em todo o território nacional.

Os dados da autuação mostram que a empresa comprou diesel por cerca de R$ 4,81 por litro no fim de fevereiro e passou a pagar cerca de R$ 4,84 em meados de março. No entanto, ao vender esse mesmo produto, o preço saiu de cerca de R$ 5,38 para R$ 6,45 por litro.

Em nota, a Vibra afirma que "os preços no setor de combustíveis são resultado de uma dinâmica influenciada por múltiplos fatores, como diferentes fontes de suprimento, incluindo importações, custos logísticos, variações cambiais e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência".

"A companhia ressalta que análises que consideram apenas uma parcela desses componentes não refletem integralmente a formação de preços, especialmente em um contexto de volatilidade internacional", disse. "A Vibra reitera que preza pelas melhores práticas comerciais e atua em conformidade com a regulação, com compromisso com a transparência, o abastecimento e o respeito ao consumidor."

A autuação ocorrida na quinta-feira (19) foi resultado de uma operação conjunta da ANP, da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e da Polícia Federal. A fiscalização analisou notas fiscais de compra e venda de combustíveis entre os dias 27 de fevereiro e 19 de março e concluiu que houve um "descolamento significativo" entre custo e preço.

A base fiscalizada foi uma unidade de distribuição da Vibra Energia localizada no bairro Cidade Nova Heliópolis, em São Paulo. A instalação é responsável por receber, armazenar e revender grandes volumes de combustível e movimenta cerca de 120 milhões de litros por mês. A estrutura opera com abastecimento feito tanto por dutos quanto por transporte rodoviário.

Os dados levantados mostram o que motivou a autuação. No diesel S10, principal produto analisado, o custo da empresa subiu cerca de 0,6%, enquanto o preço de venda praticado por ela avançou quase 20%.

Já no diesel S500, a situação foi considerada ainda mais evidente pelos fiscais. O custo para a Vibra permaneceu praticamente inalterado no período analisado, mas o preço subiu cerca de R$ 0,67 por litro.

Em ambos os casos, os fiscais apontaram que o aumento não poderia ser explicado por variações reais de custo, o que pode caracterizar elevação abusiva de preços.

A infração foi enquadrada na lei que regula as atividades do setor de combustíveis e prevê punição para elevação abusiva de preços. Apesar disso, ainda não há multa definida. A Vibra terá prazo de 15 dias para apresentar defesa administrativa antes de eventual decisão final, que poderá aplicar penalidade à empresa.

A Vibra faz parte de uma lista de 11 distribuidoras responsáveis por mais de 60% do mercado e que foram notificadas a apresentar informações detalhadas sobre custos, reajustes e os preços praticados.

Na quinta-feira (19), a Senacon havia dado prazo inicial de 48 horas para resposta, prazo que foi ampliado para cinco dias corridos após pedidos de empresas. Algumas companhias, como a Ipiranga, chegaram a pedir prazos maiores, de até 15 dias, alegando complexidade operacional e grande volume de dados.

Na sexta-feira (20), o presidente da Vibra, Ernesto Pousada, disse que a empresa dobrou sua importação de diesel para abril e não deixará faltar produto em sua rede de postos com bandeira Petrobras.

A afirmação veio após o sindicato que representa as três distribuidoras nacionais Vibra, Raízen e Ipiranga ter apontado riscos ao abastecimento nacional, em carta enviada ao governo e à reguladora ANP pedindo que a Petrobras retomasse leilões, em meio a um cenário indefinido de estoques e prazo curto para importações.

Nesta terça-feira (24), o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs um subsídio extra de R$ 1,20 por litro na importação de diesel, a ser custeado pela União e pelos estados, por um período de dois meses.

Trata-se de uma alternativa à ideia de zerar as alíquotas de ICMS, imposto estadual, sobre a importação do combustível, apresentada pelo Ministério da Fazenda na semana passada e rejeitada pela maior parte dos estados.

Se implementada, será um benefício extra em relação ao que foi anunciado em 12 de março, quando o governo anunciou a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de um subsídio de R$ 0,32 por litro na venda de diesel importado ou doméstico, pago com recursos da União. Na prática, o subsídio final ficaria em R$ 1,52 por litro, além da desoneração de tributos federais.

Por André Borges/Folhapress

BTG suspende Pix após ataque hacker desviar R$ 100 milhões

         Instituição afirma que contas e dados de clientes não foram acessados ou expostos

O BTG Pactual suspendeu temporariamente as operações via Pix neste domingo (22) após identificar movimentações consideradas atípicas no sistema. O episódio envolve um ataque hacker que teria desviado cerca de R$ 100 milhões, segundo estimativas preliminares.

Em nota, o banco afirmou que detectou as irregularidades ainda pela manhã e adotou a interrupção do serviço como medida preventiva.

"O banco esclarece que não houve acesso a contas de clientes e nenhum dado de correntista foi exposto".

A instituição acrescentou que a suspensão das transações ocorre enquanto o caso é investigado internamente.

O banco também afirmou que permanece disponível para atender clientes por meio de seus canais oficiais e que a segurança das informações é tratada como prioridade.

Segundo apurou a reportagem, o BTG já teria recuperado a maior parte dos valores desviados, e estima-se que ainda faltem entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões para a recomposição integral.

O Banco Central ainda não se manifestou sobre o ataque.
Por Ana Paula Branco/Diego Felix/Folhapress

Guerra no Irã eleva risco de inflação mais alta no mundo e dificulta vida dos BCs globais; entenda

Entre os analistas, há uma discussão sobre se o mundo já não tem uma alta de preços ‘contratada’, independentemente da duração da guerra
Refinaria Pars Sul no Irã pega fogo após ataque de Israel
Entrando na quarta semana, o conflito no Oriente Médio acendeu um sinal de alerta na economia global. Entre os analistas, há uma discussão sobre se o mundo já tem uma inflação mais alta “contratada”, independentemente da duração da guerra, o que tende a tornar a atuação dos bancos centrais mais difícil daqui em diante.

Até agora, a guerra já levou a cotação do barril de petróleo acima de US$ 100, com picos próximos aos US$ 120. Antes do início do conflito, o preço estava por volta de US$ 70.

Também destruiu uma série de instalações de petróleo e gás no Oriente Médio, que podem não ser restabelecidas rapidamente e manter os preços pressionados por algum tempo mesmo com o fim do conflito. Há ainda outro fator de preocupação: o aumento no preço dos fertilizantes, que pode se traduzir em mais inflação de alimentos, dado que o plantio das safras no hemisfério Norte ocorre nos próximos meses.

Por ora, o cenário econômico que se desenha caminha para ser diferente do que se esperava na virada do ano, quando a expectativa de queda de juros ao longo de 2026 era praticamente um consenso.

“Podemos estar falando de um choque não só de energia, mas também de alimentos, que pode impactar o mundo todo, dada a importância dos Estados Unidos como exportador agrícola”, diz Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management. “Acho que pode ser um choque bastante inflacionário e, obviamente, tudo depende da persistência do conflito, da destruição e da capacidade produtiva de energia e de fertilizantes nos próximos meses".

Ainda é difícil dimensionar qual será a duração do conflito e o impacto total da guerra para a economia global. Na última quinta-feira, 19, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que não há um “prazo definitivo” para o fim da guerra contra o Irã, mas disse que Washington está “no caminho certo”. Na semana passada, o presidente norte-americano Donald Trump disse que a guerra terminará em breve, sem estabelecer um prazo.

Desde o início do conflito, os preços de energia escalaram com o fechamento, pelo Irã, do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção global de petróleo. Pelo estreito, também são transportados ureia e materiais fosfatados, utilizados para a fabricação de fertilizantes.

“Agora, eu acho que não é só a extensão, mas as consequências desse conflito”, afirma Luis Otávio Leal, economista-chefe e sócio da G5 Partners. “Vamos discutir também se esse conflito vai provocar danos de monta suficiente para que a produção, mesmo após acabar o conflito, demore para voltar ao normal.”

Para o economista-chefe do banco C6, Felipe Salles, o impacto da guerra na inflação pode não ser temporário, como se esperaria de um choque de oferta como o que está ocorrendo agora. Isso porque, desde a pandemia, a inflação está pressionada e acima da meta em vários países, como os Estados Unidos.

“Esse ponto de partida da inflação importa. Muito possivelmente, os agentes econômicos terão na memória que, no último choque que tivemos – o da pandemia –, a inflação subiu e não cedeu depois. Tem um risco de que as expectativas sejam contaminadas e de que a inflação permaneça alta depois.”

A inflação elevada deve fazer com que bancos centrais em todo o mundo adotem posições mais conservadoras, mantendo juros altos ou diminuindo a velocidade de corte dos juros, diz Salles.

Mais dificuldade para os BCs

Na semana passada, vários bancos centrais importantes, como o da Europa, o da Inglaterra e o dos Estados Unidos, mantiveram as taxas de juros inalteradas e sinalizaram uma cautela maior na condução da política monetária daqui em diante.

Na quarta-feira, 18, o Federal Reserve (Fed, BC dos EUA) manteve as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%. Depois da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), em coletiva de imprensa, o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, chegou a colocar no radar o risco de altas das taxas de juros.

“No caso americano, a inflação estava subindo. É um cenário em que a inflação já estava pressionada e já colocava uma dor de cabeça para o banco central dos EUA, porque ele já estava parando de reduzir os juros por causa disso”, diz Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

Vale destaca que o preço da gasolina nos Estados Unidos já subiu 34% e o diesel, 40%. “Com um choque dessa magnitude, começa a aumentar a chance de não só ficar com os juros parados, mas pensar, talvez, em aumentar os juros”, acrescenta.

Na quinta-feira, foi a vez de o Banco da Inglaterra (BoE) deixar os juros inalterados em 3,75% ao ano, diante das incertezas provocadas pelo conflito no Irã. O BC inglês destacou que o conflito no Oriente Médio deve provocar um aumento da inflação no curto prazo. No mesmo dia, o Banco Central Europeu (BCE) seguiu pelo mesmo caminho e não alterou as principais taxas de juros.

“Quando há incerteza, a tendência é aumentar o conservadorismo”, diz Leal, da G5 Partners.

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, levando a Selic para 14,75% ao ano. Foi o primeiro corte em quase dois anos. Mas, antes do início do conflito, a expectativa majoritária do mercado financeiro era de que haveria um corte de 0,50 ponto porcentual.

No último relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, os analistas consultados elevaram a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano de 3,91% para 4,1%. Para 2027 e 2028, as previsões foram mantidas em 3,8% e 3,5%, respectivamente.

“Vai ser preciso ter muita cautela para conduzir esse processo sem deixar as expectativas se desancorarem fortemente”, afirma Solange, do UBS.

Atividade global

Embora o cenário para a inflação esteja mais complicado e os juros possam permanecer num patamar elevado, os economistas ainda não enxergam um impacto relevante para a atividade global, que tem se mostrado bastante resiliente ao longo dos últimos anos.

“O mercado, pelo menos, está precificando um impacto mais modesto na atividade. Normalmente, quando o impacto é maior, a gente vê isso já no preço das ações (que cairia de forma mais acentuada). As cotações não estão compatíveis com uma desaceleração brusca da atividade”, diz Felipe Salles, do C6. Ele alerta, no entanto, que o cenário pode mudar a qualquer momento dependendo do que acontecer na guerra.

O banco Itaú deve incorporar o impacto do conflito nas projeções de crescimento para a economia global nas próximas semanas. Mas, por ora, prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) mundial cresça 3,6% neste ano, um pouco acima dos 3,3% observados em 2025.

“A economia mundial tem se mostrado bem resiliente nos últimos anos. Já estamos vindo de alguns anos de surpresas positivas para o crescimento global”, afirma Pedro Schneider, economista do Itaú Unibanco. “No ano passado, por exemplo, mesmo com todo o aumento das tarifas do Trump, a economia global aguentou bem".
Por Luiz Guilherme Gerbelli/Luciana Dyniewicz/Estadão

Empresa recém-aberta de filho de Lira recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F

Assessoria de Lira afirmou que filho prestou serviços de publicidade e marketing à empresa e disse que ele possui ‘diversos clientes corporativos’
O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), com o filho dele, Arthur Cesar Pereira de Lira Filho
Uma empresa aberta recentemente pelo filho do deputado federal e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), recebeu pagamento de R$ 250 mil da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, pouco depois da constituição da empresa.

A transação foi considerada como “atípica” em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pelo Estadão. Um dos motivos do alerta do Coaf para esses pagamentos é que não envolvem fornecedores com atividade econômica compatível com a da J&F.

Procurada, a assessoria de Lira afirmou que seu filho prestou serviços de publicidade e marketing e possui “diversos clientes corporativos” (lei mais abaixo).

A J&F Participações afirmou que todos os pagamentos que faz se referem “a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos” (leia a íntegra abaixo).

Os registros da Receita Federal apontam que a Archon S/A, pertencente a Arthur Cesar Pereira de Lira Filho, foi aberta em maio de 2025 com capital social de R$ 100 mil. O Coaf detectou que o pagamento de R$ 250 mil da J&F ocorreu entre fevereiro de 2025 e outubro de 2025, logo depois que a empresa foi aberta. O documento não cita uma data exata.

O relatório de inteligência financeira destaca que o filho do ex-presidente da Câmara possui apenas 26 anos e, segundo os dados do Coaf, tem residência registrada em Maceió. Mas a assessoria de Lira afirmou que ele já reside em Brasília há “quase dez anos”.

“Arthur Cesar Pereira de Lira Filho reside em Brasília há quase 10 anos e atua, há mais de 5 anos, no setor de publicidade e marketing, possuindo diversos clientes corporativos. Todos os pagamentos feitos a suas empresas são precedidos da emissão da respectiva nota fiscal e derivam de serviços regularmente prestados”, diz a nota.

Arthur Lira Filho tinha uma outra empresa do ramo de publicidade, que prospectou negócios em estatais durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele tinha aquela empresa em sociedade com outra pessoa e, no ano passado, abriu um novo CNPJ para ficar à frente dos negócios.

A principal atividade econômica da nova empresa dele é de “Correspondentes de instituições financeiras”, de acordo com o cadastro na Receita Federal. As atividades secundárias são amplas e vão desde consultoria em publicidade, marketing direto a representante do comércio de jornais e holding de instituições não-financeiras.

Lira tem relações antigas com integrantes do grupo empresarial J&F. Como mostrou o Estadão, ele chegou a vender gado a um executivo do grupo em leilão organizado no ano de 2022.

A J&F entrou na mira da CPI do INSS depois de ter feito pagamentos a uma empresa de consultoria que tem como sócio oculto o empresário Danilo Trento, apontado como um dos beneficiários das fraudes a aposentados.

A JBS, uma das empresas da holding dos Batistas, apareceu na CPI do Crime Organizado porque a comissão mirou movimentações do Banco Master e encontrou pagamentos de ambos a uma mesma empresa de consultoria.

Outros pagamentos da J&F listados como atípicos pelo Coaf:
  • O de R$ 25,9 milhões para a holding que comprou as cotas do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort que ele tinha no Paraná em sociedade com fundo ligado ao Banco Master.
  • O de R$ 11,3 milhões para uma empresa de consultoria que pagou R$ 281,6 mil ao filho do ministro Nunes Marques, do STF. O relatório também apontou que a Consult Inteligência Tributária recebeu outros R$ 6,6 milhões do Banco Master.
  • Um pagamento de R$ 25 milhões ao escritório de Ibaneis Rocha, em 2025, meses depois da celebração de uma parceria do governo do DF com o PicPay, banco digital do conglomerado.
Leia a íntegra da nota do grupo J&F:

Todo pagamento realizado pela J&F Participações se refere a produtos ou serviços comprovadamente prestados, mediante emissão de nota fiscal e recolhimento de todos os tributos devidos. Caso o relatório mencionado pela reportagem exista, configura um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. A J&F mantém auditorias independentes que certificam e confirmam a governança e a retidão dos processos internos.
Por Aguirre Talento/Gustavo Côrtes/Vinícius Valfré/Estadão

Grupo Pão de Açúcar enfrenta dificuldades com fornecedores, e faltam produtos em mercados

GPA diz que mantém relação próxima com parceiros, não atrasa pagamento e está fazendo ajustes pontuais
O aviso "Desculpe, indisponível no momento" tem sido cada vez mais usado em unidades do GPA (Grupo Pão de Açúcar) desde que o quinto maior grupo de varejo alimentício do país entrou em recuperação extrajudicial, no último dia 11, anunciando dívidas de R$ 4,5 bilhões. Segundo verificou a reportagem, tem faltado produto em loja, o que o varejo chama de "ruptura em ponto de venda".

Desde que as dificuldades financeiras da empresa vieram à tona, mais fornecedores estão receosos em fazer negócios com o grupo. Parte deles decidiu diminuir o volume vendido à rede. Há quem reclame que o pagamento deste mês atrasou e há quem já tenha desistido de vender no Pão de Açúcar, por causa dos altos descontos exigidos na negociação.

A reportagem entrevistou dez grandes fornecedores da rede, cada um com faturamento acima de R$ 300 milhões ao ano, e que pertencem a diferentes categorias —alimentos, bebidas, higiene e limpeza. Destes, quatro enfrentam problemas com a varejista.

O resultado são lojas com abastecimento abaixo do normal e diversas prateleiras esvaziadas, que envolvem fornecedores além dos ouvidos pela reportagem. A reportagem visitou 11 lojas em São Paulo, dos formatos supermercado Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar, Mini Extra e Extra Mercado, em todas as regiões da cidade (zonas norte, leste, sul, oeste e centro).

Em seis das 11 lojas havia diversas frentes de gôndola vazias, especialmente no supermercado Pão de Açúcar, algo incomum para uma bandeira que se apresenta como voltada à classe A.

"Falta de produto em loja começa a abalar a confiança do consumidor, algo que pode se tornar crítico no mundo do varejo alimentar", diz o consultor Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial. "Tem algumas coisas que o consumidor substitui, mas na maioria dos casos ele deseja uma marca específica".

Foganholo lembra que o público não costuma fazer a compra do mês no Pão de Açúcar, Minuto ou Mini Extra. "As pessoas vão com uma listinha de dez itens, talvez, para uma compra de reposição, do que está faltando em casa, uma compra de emergência. Nesses casos, o consumidor fica ainda mais sensível à ruptura no ponto de venda."

Questionado, o GPA afirmou seguir "operando normalmente e realizando avaliações contínuas de seu mix de produtos, sem qualquer alteração que comprometa o abastecimento das lojas e o atendimento aos clientes".

A empresa afirma manter "uma relação próxima e transparente com seus fornecedores, aliada a uma gestão rigorosa de pagamentos, sem registros de atrasos ou inadimplência". Segundo o GPA, este diálogo foi intensificado desde o anúncio da recuperação extrajudicial, e estão sendo feitos ajustes pontuais, sem impacto no fluxo operacional ou no abastecimento estrutural das lojas.

A reportagem apurou, no entanto, que a negociação com os fornecedores tem sido difícil. Segundo uma pessoa próxima do comando da companhia, especialmente as multinacionais têm determinado que as filiais diminuam os volumes vendidos à rede.

Isso porque uma recuperação extrajudicial —que no caso do GPA foi fechada apenas com uma parte dos credores, os bancos, e não envolve parceiros comerciais ou funcionários— é uma alternativa que no exterior acaba sendo confundida com a recuperação judicial, que gera maior temor de calote.

Mas o receio também parte de fornecedores locais, apurou a reportagem. Embora a maioria não tenha enfrentado atraso no pagamento, alguns preferem cancelar pedidos e diminuir o volume vendido para se certificar de que o Pão de Açúcar tenha capacidade de cumprir seus compromissos.

Um dos fornecedores ouvidos viu seu pagamento atrasar neste mês e, embora tenha sido pago na última quinta (19), decidiu só voltar a fornecer à empresa depois que ela fizer o próximo pagamento, no início de abril.

Algumas negociações com fornecedores de lácteos refrigerados têm sido mais duras –daí a falha no abastecimento desta categoria em várias lojas. A rede está buscando alternativas, mas não se trata de uma categoria fácil. Por ser perecível e necessitar de refrigeração constante, os próprios fornecedores levam o produto até as lojas (nos demais produtos, os fornecedores costumam entregar a carga no centro de distribuição). Com isso, se a negociação não avança, não há estoque e a loja fica desabastecida.

A necessidade de ter mais dinheiro em caixa para assumir os compromissos tem levado o GPA a abrir mão da curadoria da adega, um dos seus pontos fortes. Em vez de importar diretamente os vinhos e espumantes, a rede tem partido para fornecedores locais e distribuidores, a fim de não se comprometer com altos volumes e evitar o pagamento à vista.

Ao mesmo tempo, o grupo está reforçando a marca Qualitá, negócio no qual obtém maior margem. Com isso, os fornecedores da marca própria também são beneficiados com melhores condições: um deles terá metade do pagamento de abril adiantado, com desconto inferior a 2% do valor a receber, numa tentativa da empresa de valorizar a parceria.

"O desafio para o GPA é o quanto de pressão por descontos o grupo vai colocar na negociação. Alguns fornecedores não vão aceitar e vão sair, outros vão diminuir volumes e procurar alternativas", diz Foganholo. "Ao mesmo tempo, a empresa pode, deliberadamente, deixar alguns fornecedores e aumentar seu poder de barganha com outros, da mesma categoria."

As recentes mudanças na alta cúpula do GPA também causaram ruídos entre os fornecedores. Neste mês, o grupo destituiu a maior parte da diretoria, composta atualmente apenas pelo CEO, Alexandre Santoro, e pelo principal executivo de finanças e relações com investidores, Pedro Albuquerque.

Na reestruturação proposta por Santoro, que chegou à empresa em janeiro, foram dispensados Joaquim Souza, vice-presidente comercial, de marketing e logística, Geraldo Monteiro, diretor de operações, Erika Petri, diretora de recursos humanos e sustentabilidade, e Rodrigo Poço, chefe da área digital. O Pão de Açúcar informou que está em busca de novos quadros, mas não disse quando as vagas serão preenchidas.

Por Daniele Madureira/Folhapress

'Filho do pedreiro não quer mais ser pedreiro', diz CEO de construtora para público de altíssimo padrão

Executivo enviou equipe de dez pessoas à China para buscar tecnologias que substituam trabalhadores.

Luciano Amaral, CEO da Benx Incorporadora
Luciano Amaral, CEO da Benx, ecoa uma queixa recorrente na construção civil. O setor afirma que não há mão de obra suficiente para sustentar o boom do setor imobiliário nas capitais.

O problema estaria afetando o lançamento dos prédios e o prazo das obras, segundo o executivo.

A companhia que ele comanda investe no altíssimo luxo para desviar da competição acirrada nas faixas econômicas aquecidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida e do impacto conjuntural na classe média.

Qual problema é maior para o setor? Juros ou mão de obra?

A falta de mão de obra é muito preocupante. Ainda não conseguimos desenvolver tecnologias em massa que substituam essa mão de obra. O filho do pedreiro não quer mais ser pedreiro, o filho do mestre não quer mais ser mestre. Tenho feito reuniões para buscar soluções. Fizemos uma incursão recente com dez pessoas na China, visitando obras, para tentar trazer alguma tecnologia de lá em parceria com fornecedores.

A que o sr. atribui essa falta de mão de obra?

É bem claro que as pessoas não querem mais. O mundo mudou. É um trabalho muito pesado, de muito esforço físico. Hoje, em vez disso, é possível fazer um curso técnico. Podem ser Uber, há muitas opções que não existiam. Outro fator é o boom imobiliário. Não formamos profissionais e aumentamos a produção. Como é que faz? Falta mão de obra.

E o possível fim da escala 6x1? Com que olhos o sr. enxerga?

O governo não pode tomar uma medida assim, de repente. Precisa pensar e tratar as consequências. O que eu mais ouço é que o país não investe em educação e não investe em produtividade, que está caindo no Brasil. Se a produtividade está caindo e você ainda diminui o tempo de trabalho, é preciso pensar como isso influencia na vida das pessoas, nos custos, na inflação.

A Benx se afastou da classe média. O movimento é uma guinada permanente ou é um porto temporário?

Nada é permanente. O mercado imobiliário é muito cíclico. Estamos num momento de explosão imobiliária, baseada no Minha Casa, Minha Vida, mas a classe média é sempre muito forte no consumo. Uma empresa do tamanho da nossa tem que revisitar o planejamento estratégico todos os anos. Até porque o Brasil é país no qual os juros vão de 2% a 15%, de 15% a 10%, não dá para ter uma estabilidade com essas taxas.

Vocês esperam que as unidades do 280 Art, projeto no Itaim, cheguem a até R$ 180 milhões. O aumento de preços no mercado se deve a um aumento real da riqueza e da demanda ou vivemos uma bolha especulativa em regiões específicas?

Não é uma bolha. Há riqueza em São Paulo. No agro há riqueza, mas é setorizado. Se pegamos dez ou 15 indústrias brasileiras, vemos quantos executivos elas geraram. Cada prédio de altíssimo padrão tem 20, 25 apartamentos, 30 é o máximo. Não é como se fizéssemos 200 unidades. Basta olhar o mercado financeiro, que têm crescido uns 500 mil executivos ganhando dinheiro. Para dar vazão, você precisa de vários prédios.

O Parque Global demorou 21 anos para sair do papel, em grande parte devido a imbróglios judiciais. Ainda pensa em investir no modelo bairro planejado?

O Parque Global é um "case" sob todos os ângulos. A insegurança jurídica é o problema mais grave do país. Essa á uma opinião compartilhada por muita gente. O modelo de bairro, no entanto, é tão forte, que saiu vencedor depois desse problema de insegurança jurídica.

A marca Arbórea é aposta para o segmento de luxo. Há espaço para empresa nativa brasileira?

Não tenho nada contra o brand residence, acho que é mercado importante, mas depende do local e do público para funcionar. Nem todo brand residence vai atingir altíssimo padrão. Nós decidimos criar essa marca agora e temos três projetos direcionados para esse cliente.
Por Luana Franzão/Folhapress

Governo publica tabela de preços para subvenção do diesel; mercado ainda analisa

Valores funcionam como teto para empresas que quiserem ganhar subsídio de R$ 0,32 por litro
O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou nesta sexta-feira (20) a tabela de preços do diesel para o programa de subvenção criado para enfrentar a alta das cotações internacionais do petróleo após o início da guerra no Irã.

Esses valores funcionarão como um preço teto para garantir a subvenção: só receberá os R$ 0,32 por litro do governo quem vender diesel mais barato do que a tabela.

São dois tipos de preço de comercialização: um para diesel importado ou refinado no país com petróleo importado e outro para diesel produzido no país com petróleo nacional. Em cada caso, há valores para cada região brasileira.

O preço para diesel importado ou refinado com petróleo importado varia entre R$ 5,294 por litro no Sudeste e R$ 5,510 por litro no Nordeste. O preço para o combustível nacional varia entre R$ 3,509 por litro no Nordeste e R$ 3,864 por litro no Centro-Oeste.

Os valores consideram o preço de venda às distribuidoras e não ao consumidor final —que é acrescido de biodiesel, impostos e margens. Nas bombas, o diesel hoje custa, em média, R$ 6,80 por litro.

Os valores definidos para o diesel importado são mais caros do que os preços médios praticados pela Petrobras, mas ainda abaixo das cotações internacionais.

Na abertura do mercado desta sexta, o preço de paridade de importação medido pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) variava entre R$ 6,183 por litro no porto de Itaqui, no Maranhão, e R$ 6,474 por litro em Paulínia (SP).

A reportagem procurou a Abicom para comentar as diferenças, mas o presidente da entidade, Sergio Araújo, disse que ainda estava avaliando.

Os preços para o diesel refinado no Brasil estão bem próximos aos preços de venda da Petrobras, o que indica que a estatal não poderá fazer novos reajustes caso queira ganhar o subsídio. Em Paulínia, a empresa vende o diesel em torno de R$ 3,60 por litro, dependendo do formato de entrega.

Por outro lado, ganhou margem para vender o diesel que importa a preços mais altos do que os praticados em suas refinarias e, mesmo assim, obter a subvenção do governo. Atualmente, cerca de 30% do mercado nacional de diesel é abastecido por importações.

O preço de comercialização de diesel refinado no Brasil com petróleo nacional para a região Sudeste é de R$ 3,664 por litro. A Petrobras também não havia respondido ao pedido de entrevista até a publicação deste texto.

Já a dona da maior refinaria privada brasileira, a Acelen, pratica hoje preços superiores ao preço de comercialização que dá direito ao subsídio a refinadores que usam petróleo importado. Seu preço de venda atual varia entre R$ 5,431 por litro e R$ 5,642 por litro.

A Refina Brasil, associação que representa as refinadoras privadas, também foi procurada e ainda não se manifestou.

Por Nicola Pamplona, Folhapress

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