PDT confirma Ciro Gomes para disputa da Presidência; candidato diz que não é ‘anjo’ e que vai atacar ‘privilégios’

O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (centro), em evento do partido. (Foto: Gustavo Garcia/G1)

O PDT confirmou em convenção nacional nesta sexta-feira (20) em Brasília a escolha de Ciro Gomes como candidato à Presidência da República. O ex-ministro e ex-governador do Ceará foi escolhido por aclamação pelos filiados que participaram do evento. Ele concorrerá a presidente pela terceira vez.

Na chegada ao evento, Ciro Gomes afirmou que fala “10 horas por dia” e que “evidentemente” pode errar “aqui e ali”. “Nunca tive pretensão de ser um anjo”, afirmou.

Em seu primeiro discurso como candidato, Ciro Gomes disse que o Brasil é um país “grande e com recursos” para “oferecer uma vida feliz ao povo”. “O que está faltando é coesão, debate franco sobre o Brasil que queremos”, declarou.

O candidato afirmou que é necessário acabar com “a cultura de ódio” no país. “Acabar com essa ideia de brasileiro contra brasileiro se ferindo pela internet”, disse.

O político declarou que precisará de todos os segmentos da sociedade, “porque ninguém é dono da verdade”. “Apesar de alguns quererem tratar [isso] com frases de efeito”, afirmou.

Privilégios
Durante o discurso, Ciro afirmou ainda, sem citar exemplos, que vai “perseguir” e “encerrar” cada privilégio.

“Vou olhar com uma lupa cada conta, cada privilégio. Comigo privilégio vai ser perseguido e encerrado, seja de quem for. Poderosos, como se acham que são, cada privilégio será trazido à denúncia pública”, disse o candidato.

Corrupção e economia
O ex-governador do Ceará também defendeu o combate à corrupção, que chamou de “câncer a crença do povo na política”.

Sobre economia, Ciro disse que, a “pretexto de austeridade fiscal”, “essa gente quebrou o país”, sem especificar a quais governos estava se referindo. “O Brasil nunca esteve tão fragilizado nas contas públicas”, declarou.

Ciro citou números das contas públicas e fez críticas ao que se deve ao “baronato”. Mas, ressaltou: “Não cabe aventura, ruptura, nem desrespeito aos contratos”.

Ciro Gomes, candidato do PDT à Presidência da República, discursa durante convenção do partido em Brasília. (Foto: Alessandra Modzeleski/G1)

O candidato defendeu um novo “projeto nacional de desenvolvimento” com apoio à indústria e ao comércio nacionais, que, na avaliação dele, estão “sofrendo”.

“Será que dá para pagar celular moderno, química fina, maquinário e equipamentos com minério de ferro bruto, soja em grãos, e petróleo bruto? Não. Essa conta não fecha e, por isso, o Brasil quebra”, afirmou.

“O Brasil é o país que mais destrói as próprias indústrias no capitalismo mundial”, acrescentou.

Desemprego e geração de renda
Ciro Gomes citou os altos índices de desempregados e de brasileiros que trabalham na informalidade e disse que, se eleito, investirá na geração de empregos e renda.

“[Precisamos] acabar com a vergonha da extrema pobreza, avançar na educação e em uma saúde que atenda a mínima dignidade do povo, apostar na diversidade, e investir na ciência e na tecnologia”, disse o pedetista, enumerando as prioridades caso se torne presidente do país.

Segurança pública e saúde
O pedetista também defendeu maior participação da União na segurança pública, além do direcionamento das polícias federais para o combate a organizações criminosas violentas.

Ciro afirmou ainda que investirá em inteligência para a prevenção de homicídios e controle das fronteiras.

Sobre saúde, o candidato declarou que é preciso reduzir a espera pelos atendimentos ambulatoriais.

Educação
O pedetista também disse que pretende investir na educação pública que, possivelmente, será a maior prioridade se for eleito.

“Educação de qualidade é a única saída para uma nação se emancipar”, opinou.

Em relação ao setor, Ciro disse que dará continuidade à política de cotas para fazer “justiça” com os “discriminados” da sociedade brasileira.
Carreira política
A eleição presidencial de 2018 será a terceira tentativa do político de chegar ao Palácio do Planalto. Ciro concorreu nas eleições de 1998 e de 2002, mas jamais chegou ao segundo turno.

Atual vice-presidente do PDT, Ciro Gomes foi ministro da Fazenda entre setembro de 1994 e janeiro de 1995, período final do governo Itamar Franco e início do governo Fernando Henrique Cardoso.

Advogado, Ciro também foi ministro da Integração Nacional, entre janeiro de 2003 e março de 2006, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ex-governador do Ceará e ex-prefeito de Fortaleza, Ciro Gomes já foi deputado federal e está no sétimo partido desde que entrou para a política (também foi filiado a PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB e PROS).

Compareceram ao evento, o presidente da legenda, Carlos Lupi, o irmão de Ciro Gomes, Cid Gomes, o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves e também os deputados que representam o partido na Câmara dos Deputados.

No discurso de abertura do evento, o presidente do PDT comentou críticas ao tom das declarações de Ciro Gomes.

“Como dá pra ser mole com o Brasil com tanta desgraça, com tanta corrupção, com tanto golpista no Palácio do Planalto?”, questionou.
E acrescentou: “Aqueles que te atiram pedras são os mesmos que vão ver você construir o futuro da nação brasileira”.
Fonte: G1

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